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Estagnação secular, fim dos emergentes e armadilha da renda média

Estagnação secular, fim dos emergentes e armadilha da renda média

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Published by: José Eustáquio Diniz Alves on Dec 28, 2013
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12/28/2013

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Estagnação secular, fim dos emergentes e armadilha da renda média José Eustáquio Diniz Alves Doutor em demografia e professor titular do mestrado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas - ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail:  jed_alves@yahoo.com.br  O alto crescimento econômico é coisa do passado. Após a Segunda Guerra, os diversos países do mundo teveram um incremento excepcional do Produto Interno Bruto (PIB) entre 1950 e 1973. Com o início da crise do petróleo, em 1973, e nas décadas de 1980 e 1990 o crescimento econômico foi bem menor. Houve uma certa retomada do crescimento na primeira década do século XXI, graças ao desempenho fantástico da China que possibilitou uma elevação do preço das commodities e favoreceu os termos de
troca das “economias emergentes”.
 
Em 2001, Jim O’Neill, da Goldman Sachs, lançou a idéia dos BRICs
acrônimo de grandes países que se tornariam potências emergentes. Mesmo depois da crise internacional de 2008 que se seguiu à quebra do banco Lehman Brothers a crença no desenvolvimentismo mundial acelerado não desapareceu. Em 2011, a firma de consultoria Price (PwC) lançou um estudo super otimista estimando que a economia mundial iria crescer em torno de 3,5% ao ano até 2050 e os países emergentes (Brasil, Rússia, India, China, África do Sul, Indonésia, México, Vietnã, Turquia, etc) iriam crescer mais rápido do que os países desenvolvidos e haveria uma redução das desigualdades e uma convergência de renda entre os países e as regiões do mundo.
Mas os cenários em 2014 não são otimistas e a moda agora é tratar de três problemas: 1) a “estagnação secular”; 2) o “fim dos emergentes” e 3) a “armadilha dos países de renda média”.
 Em discurso realizado no FMI em novembro de 2013, Larry Summers chamou de "estagnação secular" a ideia de que, além da paralisia da Europa e Japão, o atual período de fraco crescimento nos EUA (em que as taxas de juro nominais quase nulas já não chegam para reanimar a economia) pode permanecer
 
durante muitos anos. A crise está longe de estar resolvida e ter a economia estagnada pode ser o "novo normal". O prêmio Nobel, Paul Krugman, concorda e acrescenta que o baixo crescimento da População Economicamente Ativa contribui para o cenário de estagnação dos países desenvolvidos. Valeria a pena acrescentar o processo de envelhecimento populacional que eleva a razão de dependência demográfica e aumenta custos e reduz a produtividade. Se as coisas não vão bem para os países desenvolvidos, os chamados países emergentes também estão sentindo os ventos contrários. Para o economista Ruchir Sharma, - chefe de mercados emergentes e de macroeconomia global da Morgan Stanley -
os chamados “países emergentes” não vão manter o mesmo
ritmo de crescimento da primeira década do atual século e a idéia dos BRICS como potência mundial não passa de uma ilusão. Embora a China ainda possa manter taxas de crescimento acima dos países desenvoldios e até fazer parte do clube dos países ricos, os demais países dos BRICS tendem a enfrentar dificuldades cada vez maiores. Ou seja, para Sharma, os emergentes vão continuar emergentes para sempre e não vão conseguir a paridade com os países mais ricos do mundo. Port
anto, pode se chegar ao terceiro problema que é a “
Armadilha da renda média
”. Ou seja, os
chamados países emergentes apresentaram bons resultados econômicos na fase que passavam pelas transições urbana e demográfica, pela exploração dos recursos naturais e cresceram economicamente por "imitação" (adaptação criativa). Porém, é mais fácil uma nação deixar um nível de renda baixa para o de renda média do que sair da renda média e ingressar no clube dos países desenvolvidos. A "Armadilha da renda média" é um obstáculo que impede o progresso das chamadas economias emergentes. Estar preso na faixa da renda média significa que o país é incapaz de prosseguir o seu caminho do desenvolvimento tradicional, mantendo indicadores ruins na área de infraestrutura urbana e transporte, baixa qualidade da educação e baixa capacidade de investimento e inovação tecnológica. O Brasil, com seu baixo crescimento
econômico no último triênio, já é muito citado como um caso clássico de “armadilha da renda média”.
 Países como Portugal e Grécia estão tendo decrescimento da população e da economia, com grande dificuldade em se manter no Euro. Segundo o FMI, em 2008, o PIB da Grécia era de 343 bilhões de dólares e de Portugal de 253 bilhões. Depois de 5 anos de queda, as estimativas para 2014 apontam para um PIB de somente 242 bilhões de dólares na Grécia e de 220 bilhões em Portugal. Estes são países que estão no caminho da transição da renda alta para a renda média. Estudo do CEBR, Centre for Economics and Business Research, de dezembro de 2013, mostra que a Itália vai passar da 8ª maior economia do mundo em 2102 para a 15ª em 2028 e a Espanha vai passar da 13ª para a 18ª economia no mesmo período. O Japão, embora seja uma economia rica e com excelentes indicadores sociais, já vive 20 anos de estagnação e, com um endividamento interno crescente, não apresenta perspectivas de crescimento significativo para os próximos 20 anos.
Desta forma, a conjugação dos três fenômenos “estagnação secular”, “fim dos emergentes” e “armadilha dos países de
 
renda média” aponta para um período de baixo crescimento econômico e de
possibilidade de aumento dos problemas sociais no mundo nas próximas décadas. Mas, mesmo assim,

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