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193933740 Iniciacao Ketu

193933740 Iniciacao Ketu

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12/28/2013

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 A INICIAÇÃO – IYAWÔ
A iniciação no Candomblé é um processo extremamente complexo e lento, além de ser um assunto com muitas restrições para ser discutido publicamente. Portanto, vamos nos ater às mais básicas informações, deixando  bastante claro ue o descrito aui não é uma re!ra !eral, pois na maioria dos casos, cada nação "se!mento da reli!ião#, cada fam$lia "!rupo de pessoas li!adas através de um mesmo elo ancestral# e cada casa de Candomblé "!rupo pertencente especificamente a uma casa# t%m rituais espec$ficos.&iversos são os camin'os "motivos# ue levam uma pessoa a ser iniciada. ( praticamente imposs$vel relacionar todos os camin'os, )á ue eles podem ser diretamente proporcionais ao n*mero de pessoas iniciadas até 'o)e. +u voc% c'e!a aos -risá pelo amor, ou pela dor+. m outras palavras, 'á pessoas ue t%m ue ser iniciadas, outras o são simplesmente porue assim uiseram e os -risá concordaram, ou se)a, estas *ltimas poderiam esperar o tempo ue os -risá )ul!assem necessário para serem iniciadas / o ue poderia si!nificar uma vida inteira, mas  preferiram fa0%/lo simplesmente porue amavam a reli!ião. se um componente ue é dese)ável para um se!uidor ser iniciado, este in!rediente é o amor, o ual terico e automaticamente condu0 à dedicação.Assim como 'á muitas variações associadas à prpria palavra ue identifica a 2eli!ião dos -risá no 3rasil / Candomblé, 'á também diversos tipos de iniciação. stes tipos classificam/se, basicamente, em iniciação de ados4 e de não ados4. Apenas para exemplificar, 'á dois con'ecidos exemplos de iniciados ue podem ser classificados como +não ados4+5 os !án "'omens# e as 678di "mul'eres#, também c'amadas A)9:;. <estes dois casos, o"a# se!uidor"a# é escol'ido por um -risá manifestado durante uma cerim=nia de Candomblé e, aps um dado per$odo, é confirmado"a#. s iniciados +não ados4+, ao contrário dos ados4, não podem iniciar outras pessoas e t%m suas obri!ações>tarefas muito bem delimitadas dentro do lado brasileiro da reli!ião, ue tem como filosofia o princ$pio deue não é poss$vel dar a nin!uém auilo ue não recebemos, ou se)a, auilo ue não temos para dar.?m !án ou uma 678di também tem a opção de ser iniciado na condição de ados4, permitindo ue no futuro este !án ou 678di ven'a a desempen'ar a função de 3àbálr@sà ou :álr@sà, respectivamente. Bniciação e confirmação são conceitos totalmente distintos, uma ve0 ue a confirmação tem o ob)etivo de transmitir um :; a um iniciado.em o ob)etivo de ne!ar a importDncia daueles ue não estão classificados como ados4, vamos dedicar este tpico à exploração da iniciação dos ados4, uma ve0 ue é este o *nico camin'o ue pode elevar um se!uidor à condição de :álr@sà ou 3àbálr@sà / o mais alto car!o dentro da 'ieraruia de uma casa de Candomblé.Eudo, exatamente tudo, dentro de uma casa de Candomblé deve ser feito com a autori0ação ou sob o comando da :álr@sà ou 3àbálr@sà ue, como )á mencionado, foi iniciado "a# na condição de ados4. utro fator ue deve ser considerado é ue, nos primrdios do Candomblé, um 'omem não tin'a o direito de ser iniciado na condição de ados4, somente como !án "nesta concepção, +não ados4+#. sta re!ra até 'o)e é se!uida nauela ue é considerada a matri0 das casas de Candomblé / a Casa 3ranca do n!en'o Fel'o em alvador. tempo passou, a reli!ião evoluiu e, por ra0ões ue fo!em ao escopo deste arti!o, os 'omens começaram a ser iniciados como ados4. se!uidor da 2eli!ião dos -risá / iniciado ou não, ados4 ou não, pode e deve ser considerado como -risá /  palavra ue deve ser dita com muito or!ul'o diante da sociedade por aueles ue se!uem o Candomblé, tal ual fa0em os se!uidores de outras reli!iões uando se classificam uanto à reli!ião ue praticam. Aps esta consideração, temos ue classificar o -risá uanto à sua condição dentro da reli!ião / iniciado ou não iniciado. Até ue ele se)a iniciado, ele será classificado como ab$:án. para confirmar com outras palavras o ue )á dissemos anteriormente, o ab$:án poderá ficar uma vida inteira nesta condição se assim os -risá dese)arem. Por outro lado, se os -risá decidirem pela iniciação, durante um Candomblé "neste contexto, a cerim=nia p*blica# este ab$:án poderá +bolar no santo+ expressão ue define como sendo a primeira manifestação f$sica do -risá, a ual tomou a liberdade de acrescentar à nossa definição inicial de +manifestação f$sica ue di0 ue o abi:an deve ser iniciado o mais breve poss$vel+.Aps a definitiva decisão sobre a iniciação, a :álr@sà determinará através do )o!o uando o processo terá in$cio. &efinida a data, ue muito tem a ver com o -risá do futuro iniciado, com as determinações do -risá dono da casa e outras tantas implicações, o ab$:àn apresenta/se, pela *ltima ve0 nesta condição em toda sua exist%ncia, diante da :álr@sà. A partir deste momento, ele deu in$cio a um processo ue durará E anos na esma!adora maioria das nações, fam$lias e casas.?ma ve0 ue r$ foi devidamente reverenciado, é 'ora de iniciar o tratamento do -risá ancestral da @:àG. e!undo a tradição Hétu, até 1I ab-risá podem ser iniciados em con)unto, o ue nunca si!nifica ue o serão simultaneamente, pois a iniciação está intimamente vinculada ao -risá de cada pessoa e somente a :álr@sà poderá
 
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reali0ar a cerim=nia principal. Com base nestes fatos, entendemos ue somente um ab9risá poderá ser iniciado dentro de um mesmo espaço de tempo. Por outro lado, as cerim=nias preliminares e posteriores à iniciação poderão ser feitas de forma simultDnea e,  por isto, o per$odo é normalmente aproveitado para iniciar mais de uma pessoa. A este !rupo de noviços damos o nome de barco, sendo ue cada membro, por ordem seJencial "na maioria dos casos, de acordo com a ordem ritual dos -risá ancestrais#, recebe um dos se!uintes nomes5 &ofono K &ofonitin'o K Lomo K Lomutin'o / Mamo K Mamotin'o K Fimo K Fimotin'o K &omo K &omotin'o "A maioria das casas de )e)e s admitem N noviços por barco, indo apenas até o Fimotin'o#. primeiro de!rau é passar pelo ritual de
32O "
oferenda à cabeça# sendo denominados a partir dessa data como
A3OQ<.  A3OQ<
 poderá ficar a vida inteira nesta condição se o -r@sà assim o dese)ar ou deverá ser iniciado imediatamente em decorr%ncia da manifestação f$sica do -r@sà, con'ecida como +bolar no santo+.Através do )o!o será previstos a data do in$cio do processo, determinado pelo -r@sà do iniciado e pelo -r@sà da casa, etc... . sse processo durará no m$nimo sete anos.A iniciação é al!o muito particular de cada rixá, por isto cada @:àG tem seus prprios rituais. Porém, o  básico é feito em todos. ste +básico+ consiste na raspa!em da cabeça e na abertura de incisões "através de métodos compat$veis com cada rixá# em diversas partes do corpo da @:àG. stas incisões "!béré# t%m o principal ob)etivo de inserir o às; / um preparado ue determinará a ancestralidade da @:àG.ntre estas incisões está a principal de todas / o s4, ue é feita ao alto da cabeça e ue o iniciado portará enuanto estiver no ài:é "espaço ocupado fisicamente pelos seres viventes#. A :álàlàs8 transfere e planta o às8 na noviça por intermédio de um ciclo ritual ue culmina uando, no centro da cabeça da @:àG, ela coloca e consa!ra o s4.&urante esta fase da iniciação, tudo é feito sob a lu0 de vela "uando o rixá da @:àG não exi!e outro tipo  primitivo de iluminação#, ao som de canti!as espec$ficas para o momento e diante das poucas pessoas autori0adas  pelo rixá. Leito isto, será dado in$cio aos sacrif$cios animais pedidos pelo rixá da @:àG. Ao contrário do ue se  pensa, se!undo a tradição Hétu, animais não são sacrificados sobre a @:àG, pois se acredita ue o calor do sofrimento causado pela morte do animal não deve atin!ir o iniciado. métodos espec$ficos e pessoas especialmente determinadas para ue não se)a estabelecido um elo entre o sofrimento f$sico do animal sacrificado e a pessoa diretamente envolvida no ritual, exceto no ue di0 respeito a al!uns poucos animais.?m a um, as @:àG são submetidas ao processo de iniciação, ue pode durar 'oras ue parecem nunca acabar, dependendo do taman'o do barco / !rupo de iniciados. Apesar de )á serem c'amados de @:àG, ainda t%m uma dura fase de aprendi0ado pela frente5 danças, re0as, comportamento diante dos mais vel'os, tudo sempre atrelado ao seu rixá. les ainda serão apresentados por sete ve0es "ueimar efun# àueles da sua fam$lia ue estiverem interessados em con'ec%/los.&ependendo do rixá, durante estas apresentações serão pintados com Gà)i "a0ul#, 9s*n "vermel'o# e 8fun "branco# demonstrando sua ascend%ncia e também para ue as à)é "entidades feiticeiras# não se aproveitem deles, não os persi!a.Linali0ados os procedimentos internos de iniciação, é c'e!ada a 'ora da cerim=nia p*blica. Aliás, todos !randes rituais do Candomblé culminam em cerim=nias p*blicas, ue assumem o papel de confirmadoras do ocorrido, de prefer%ncia com a participação de pessoas de outras casas e até mesmo outras fam$lias. A presença de  pessoas pertencentes a outras nações em uma sa$da de @:àG é considerada uma !rande 'onra e, normalmente, terão  peso imensurável na escol'a da :álr@sà para auele ue tirará o nome da @:àG.&ependendo da casa, a cerim=nia p*blica será precedida por novos rituais ue incluem novos sacrif$cios. Rá até mesmas casas>fam$lias ue reali0am o ritual>sacrif$cio finais pouco antes da primeira apresentação p*blica.Sas, 'o)e em dia, devido à !rande especulação, ou os @:àG saem cobertos por um tecido branco nesta  primeira apresentação, ou )á o fi0eram na madru!ada anterior. ápice da iniciação / ue consiste na apresentação do s4 "ob)eto ritual$stico altamente sa!rado# em  p*blico, é atin!ido de uma forma mais discreta do ue o era anti!amente. <a atualidade, é mais dif$cil ver um s4 em cerim=nias p*blicas. &e ualuer maneira, o final desta fase inicial será uma cerim=nia p*blica onde os @:àG mostrarão por tr%s ve0es ue nasceram para uma nova vida, será o T)$ r*7U :àG. <a primeira ve0, eles serão apresentados vestidos de branco, com a pintura sa!rada "fun, sun e Va)$# com o @7d$d8 "pena ritual$stica, um dos s$mbolos da iniciação# amarrado na cabeça por pal'a da costa. <a frente deles estará a )ubona estendendo a 8n$ / esteira, para ue eles +batam paG+ para os locais sa!rados da casa e apresentem o dobále e o :@n7á para o 3abalorisá.  :àG é retirado para o Ron7 e é feito o sacrif$cio da t* no i!bá do santo e
 
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sobre um prato onde será besuntado com as penas e posto no ori do @:àG.  3abalorisa terá preparado a !ema de ovo com dend% lambu0ará com a pena e porá na l$n!ua do @:àG para ue o santo libere a fala e d% o seu orun7. <a se!unda ve0, as roupas serão as mesmas, s vai se tirar a pintura da cabeça e do corpo e o :àG entrará apenas com as penas sobre o e)é no Adosu. <essa se!unda sa$da é ue será escol'ida dentre os convidados a pessoa uem vai tomar o nome do :àG. &epois de tirado o nome, o :àG dança al!umas canti!as de fundamento da nação, e é posto para dentro.  <a terceira sa$da se apresentará com roupas e indumentárias do risá, lembrando seus atributos e 'istrias, comemorando/se, assim, o novo nascimento, através de danças e rituais. Passado o per$odo do +Hele+ / o colar sa!rado ue foi colocado no pescoço da @:àG durante o processo de iniciação e ue não pode ser removido, exceto através de ritual espec$fico / e ue, dependendo da casa ou fam$lia, deverá ser carre!ado por 1W semanas "tr%s meses#, devendo ser respeitado evitando/se todos os pra0eres mundanos, o i:àG, teoricamente, entra em seu ritmo social normal até o primeiro ano, uando então cumprirá com novas obri!ações c'amadas de Ud*n 7$ni.Ro)e em dia, na tentativa de tornar o Hele ob)eto de respeito máximo, muitas casas não deixam seus @:àG entrarem para a vida social portando o colar sa!rado / preferem tirá/lo do pescoço dos seus fil'os antes ue estes  partam para a vida moderna ue os a!uarda lá fora. Sas isto não si!nifica ue eles estarão livres dos ;GosX Ealve0 eles se)am liberados para comer com tal'eres em um almoço de ne!cios, mas isto poderá ser o máximo permitido,  pois dormir no c'ão sobre a 8n$ e as re0as antes das refeições ue não se)am exi!idas pela vida profissional continuará sendo al!umas poucas das suas muitas obri!ações para com os -risá. Al!uns ;Gos, dependendo do -risá, da casa, da fam$lia, etc., não estarão limitados somente ao per$odo do Hele, ou se)a, deverão ser respeitados  por toda vida do iniciado.Como ensinado pela )ubona, enuanto eles forem @:àG, eles )amais poderão sentar no mesmo n$vel ue os irmãos mais vel'os, nem ol'ar diretamente em seus ol'os. ( a 'ieraruia intr$nseca ao Candomblé "ou seria à cultura or*bàY# se mostrando5 um irmão mais novo não deve nunca ficar acima "fisicamente# de um irmão mais vel'o. Ao contrário das demais culturas, o Zol'o nos ol'os[ s funciona para pessoas do mesmo n$vel 'ieráruico, os ue estão abaixo devem sempre ol'ar para o c'ão. sta educação inicial mostrará uem é a pessoa para o resto de sua vida dentro da reli!ião.&epois precisará cumprir com suas obri!ações aos tr%s anos "Ud*n 7\tà#.Rá casas onde também são cumpridas obri!ações no uinto ano. Linalmente, vem às obri!ações ue são a confirmação final da iniciação e ue são feitas aos sete anos "Ud*n B)%#, uando então a @:àG se tornará um !bome "mais vel'o# através de uma cerim=nia p*blica, onde poderá receber o con)unto de s$mbolos da maioridade, comumente c'amado de &e7á.A partir da$, o !bome, como é normalmente c'amado, estará pronto para abrir sua prpria casa, caso este se)a seu camin'o "definido no momento da sua concepção e revelado pelo )o!o de b*0ios#, dando ori!em à sua  prpria fam$lia com base nos ensinamentos ue aduiriu durante os sete anos da iniciação do aprendi0ado inicial.&urante o referido per$odo, é esperado ue ele ten'a sido submetido a provas, e estado presente em rituais suficientes para ue este)a 'abilitado a, pelo menos, interpretar corretamente as ca$das dos b*0ios, pois muito do ue  praticará de a!ora em diante, aprenderá à medida ue os -risá di!am ue ele precisa iniciar os ab9risá ue cru0arem seu camin'o.Aueles ue não t%m o +camin'o+ para assumirem a função de abrirem suas prprias casas, continuarão atuando dentro dauela onde foram iniciados, podendo receber car!os e>ou t$tulos ":;# ue determinarão os seus  papéis )unto à sua fam$lia "d$lé -r@sà#. <esta condição, além das classificações )á expostas, passarão também a ser classificados como lo:;. 2eceber um :; !eralmente implica sentar na cadeira "cadeira, trono indicava na Qfrica ue o indiv$duo tin'a alta posição social, assim como usar o eru/espanta mosca, o !uarda/sol e outros s$mbolos de  prest$!io e poder#.A oruestra do candomblé é constitu$da por atabaues, a!o!=s, cabaças e c'ocal'os. s atabaues são tr%s, em taman'os diferentes5 rum "maior#, rumpi "médio# e lé "menor#. xiste também o A!bé ou piano de cuia, o ad)á e o xeré, este *ltimo s é usado em festas para ]an!=. s tocadores t%m um c'efe denominado de alab%. s atabaues são considerados essenciais para a invocação dos deuses.A festa do candomblé tem in$cio com a matança, ue é o sacrif$cio de animais para os orixás. <esta cerim=nia s tomam parte os fieis do candomblé, não tendo acesso o publico. Ainda pela man'ã roda/se o Pad% ou despac'o de ]^, este é feito para ue ele não atrapal'e a cerim=nia e tudo ocorra normalmente. &á/se  prosse!uimento a festa, cantando sete canti!as para cada orixá, a fim de c'amá/los. A B:alorixá tra0 na mão um Ad)á, e sacode/o para cada orixá ue +baixa+, entra em transe medi*nico. s orixás vão baixando !radativamente e

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