Welcome to Scribd, the world's digital library. Read, publish, and share books and documents. See more
Download
Standard view
Full view
of .
Look up keyword
Like this
9Activity
0 of .
Results for:
No results containing your search query
P. 1
11 - MINORIAS ETNICAS NA AMAZÔNIA

11 - MINORIAS ETNICAS NA AMAZÔNIA

Ratings: (0)|Views: 1,301|Likes:
Published by adagenor

More info:

Published by: adagenor on Sep 05, 2009
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as DOC, PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

11/06/2012

pdf

text

original

 
MINORIAS ÉTNICAS NA AMAZÔNIA: ÍNDIOS E NEGROS NO PROCESSO DECONSTRUÇÃO DE IDENTIDADE DE RESISTÊNCIAMarília Ferreira Emmi
 
1 INTRODUÇÃO
Refletir sobre a situação de exclusão social de índios e negros na Amazônia nos dias atuaisé não somente reconhecer que as raízes desse processo encontram-se na formação do Estado brasileiro, como também reconhecer a existência de um processo de resistência dessas minoriasque vem ganhando força no sentido de questionar o lugar de subalternidade que lhes foi reservadonos diferentes pactos de poder.Desde o pacto colonial, na situação de escravos, passando pelo período imperial, quandoapós a abolição conviveu-se com a ambigüidade de ao mesmo tempo “esconder” /“integrar” asminorias à nação brasileira, os diversos segmentos que compunham a sociedade eram diluídos nanoção de povo. A perspectiva integracionista, influenciada pelas teorias de assimilação eaculturação tiveram continuidade no período republicano. As minorias seriam “absorvidas”, nãolhes sendo reconhecida a condição de unidades culturais distintas (SEYFERTH, 2005).O princípio do nacionalismo apoiado na perspectiva do “caldeamento” (de raças eculturas) e do “branqueamento” (como negação da contribuição africana), vai conformar o mito dademocracia racial, ideologia que durante muito tempo serviu de base para a negação da existênciade discriminação racial no Brasil. Porém, diferentes formas de preconceito que motivaram aexclusão social permaneceram na sociedade brasileira.Só muito recentemente com a Constituição de 1988 é que se viu assegurado, em termoslegais, o direito à diferença com o reconhecimento da diversidade cultural e étnica. Entretanto,ainda que esse direito tenha sido reconhecido por lei, os índios e os negros (sobretudo osquilombolas), populações portadoras de sabedoria e valores estranhos ao atual modelo desociedade, ainda lutam para conseguir uma visibilidade social enquanto minorias culturalmentediferenciadas. Percebe-se a ausência de políticas públicas que ultrapassem o mero assistencialismoe que contemplem de modo eficaz, por exemplo, seus direitos à terra, educação, saúde .Esse não reconhecimento dos direitos e a resultante situação de exclusão vem tendo comoresposta dessas minorias um processo de construção de identidades que se expressa – ainda queem gradações e em ritmos diferentes - nas reações isoladas ou coletivas(situações deenfrentamento) e atualmente na organização de associações , na participação de fóruns,conferências e congressos onde formulam suas propostas visando garantir os seus direitos , seuespaço social , bem como o reconhecimento de sua distintividade cultural. Há uma luta constante
 
 
Socióloga, professora e pesquisadora do NAEA/UFPA.Colaboraram no levantamento de dados os estudantes de Ciências Sociais Ana PaulaCampos Barra e Felipe Escher 
1
 
objetivando por fim à invisibilidade social, econômica, cultural e política a que essas minoriasforam submetidas ao longo da história, contribuindo desse modo para um processo de construçãode identidade étnica.Segundo Castells, todo processo de construção de identidades sempre ocorre em umcontexto marcado por relações de poder desiguais. Esse autor identifica
...uma
identidade legitimadora;
introduzida pelas instituições dominantes da sociedade no intuito deexpandir e racionalizar sua dominação em relação aos atores sociais; uma
identidade deresistência:
criada por atores que se encontram em posições/ condições desvalorizadas e/ ouestigmatizadas pela lógica da dominação,construindo, assim, trincheiras de resistência esobrevivência com base em princípios diferentes dos que permeiam as instituições da sociedade, oumesmo opostos a estes últimos e uma
identidade de projeto
: quando os atores sociais, utilizando-sede qualquer tipo de material cultural ao seu alcance, constroem uma nova identidade capaz deredefinir sua posição na sociedade e, ao fazê-lo, de buscar a transformação de toda a estrutura social.(CASTELLS,2002: 24)
Tomando como referência essa classificação de Castells, considera-se que atualmente as populações indígenas e as negras (ainda que em tempos e situações diferenciadas) vem construindo uma
identidade de resistência
que se expressa no questionamento da situação de exclusão e de inferioridade(espaço social, político , econômico e cultural subalterno) que lhes foi reservado pelo modelo político eeconômico vigente,
identidade legitimadora
. Essa busca de redefinição de sua relação com os demaissegmentos étnicos presentes na sociedade brasileira visa lançar as bases, para um longo e difícil processo de construção de uma
identidade de projeto
.A situação atual de dois grupos de minorias étnicas na Amazônia, os negros e os índiosconstitui o eixo principal da reflexão desenvolvida neste texto. Como toda minoria étnica, esses gruposapresentam atributos que os distinguem da maioria da população com experiências históricas singulares,a adesão a certas tradições e peculiar atribuição de significados (identificação simbólica da finalidade daação), os quais são referidos na literatura especializada como traços culturais (POUTIGNAT, 1998). Por outro lado, eles se encontram numa posição social de dominados, vivenciando em seu cotidianosituações de discriminação e sobretudo compartilhando uma história de resistência à dominação imposta pelo modelo de desenvolvimento adotado pelo Estado brasileiro.
2 OS ÍNDIOS NA AMAZÔNIA : DE MAIORIA A MINORIA , UM PROCESSO DEINTEGRAÇÃO À MARGEM DO SISTEMA.
Nos primórdios da ocupação da Amazônia pelos europeus, estimativas baseadas emdocumentos e pesquisas arqueológicas atestam que a população indígena na região amazônica era deaproximadamente três a cinco milhões de pessoas. Entre 1750 e 1850, afirma antropólogo Moreira Neto que essa população registrou um decréscimo acentuado, tendo passado de maioria a minoria naAmazônia. (NETO, 1988).O principal fator responsável por essa situação pode ser creditado às conseqüências do projetocolonial implantado, no qual tinham lugar as guerras, a escravidão, as ideologias religiosas e a proliferação de doenças até então desconhecidas para os índios.2
 
 Na segunda metade do século XIX, a repressão à Cabanagem teve grande contribuição à reduçãodessa população. Como estratégia de sobrevivência muitos povos refugiaram-se nas terras firmesdos altos dos rios, mas tiveram que conviver com a invasão de seus territórios durante o ciclo da borracha.Mais recentemente, com a expansão capitalista para a Amazônia, e a implantação degrandes projetos econômicos assistiu-se novo catulo no massacre aos povos ingenasrespondidos por reações e resistências de diferentes formas. A abertura de estradas como a Belém – Brasília, a Trasamazônica e a Perimetral Norte atingiram duramente, entre outros os povos,Waimiri-Atroari, Yanomami, Arara, Parakanã, Cinta Larga e Nambikwara. Esse massacre foi tãoacentuado que chegou-se a estimar que esses povos seriam exterminados no fim da década de1980. Mas a tendência passou a ser revertida a partir dos anos 70, conforme apontou oantropólogo Egon Heck:
Desde então, a luta dos povos indígenas foi conquistando espaços territoriais que permitiram ocrescimento demográfico, e os próprios índios começaram a apresentar levantamentosdemográficos, desmentindo os dados oficiais que subestimavam a população. Povos que mantinhamsua identidade oculta sentiram-se encorajados a assumi-la publicamente e as estatísticas começarama registrar uma numerosa população indígena nos centros urbanos( HECK,2005).
2.1
 
Quantos são os índios na Amazônia?
Como não existe um censo indígena no Brasil, as estimativas globais, por serem feitas deacordo com os critérios das instituições que os produzem, apresentam dados diferentes.O censo demográfico do IBGE baseia-se na autodeclaração e classifica os índios emurbanos e rurais. Segundo esse instituto, a população indígena no Brasil em 2000 era de 734.131 pessoas e na Amazônia (Região Norte) 213.444 pessoas.Por outro lado, para a FUNAI (Fundação Nacional do Índio) que só considera como índiosos que habitam as reservas (portanto não contabiliza os que moram nas cidades) a populaçãoindígena no Brasil estimada para 2005, seria de aproximadamente 410 mil e na Amazônia 163.191mil pessoas.Para o CIMI (Conselho Indigenista Missionário), instituição ligada à Igreja católica, quedesde à década de 70 assiste os povos indígenas em questões referentes à terra, educação e saúdeentre outras, o critério principal é a auto-identificação dos indígenas o que incluiria os índiosaldeados, os das cidades, os resistentes e os isolados. O referido instituto estima a populaçãoindígena na Amazônia em aproximadamente 208 mil pessoas.Os índios, em sua maioria, vivem em aldeias compartilhando num dado território, de umaorganizão social e cultural da etnia à qual pertencem, eles podem ainda participar daorganização social de sua etnia vivendo em pequenos povoados pertencentes a vários municípiosda Amazônia. Por outro lado, existe uma população indígena que não vive mais nas aldeias ou lánunca viveu.Essa mora na cidade onde a organização social difere daquela da aldeia. Seu territóriona cidade pode corresponder ao bairro ou ainda, a apenas a um pequeno espaço, onde têm comovizinhos seus familiares e outros indivíduos não indígenas. Esses índios vivem e trabalham na3

Activity (9)

You've already reviewed this. Edit your review.
1 hundred reads
1 thousand reads
Caroline Machado liked this
Chrystiano Alves liked this
finateli liked this
Divania liked this
renatalluz liked this
renatalluz liked this
helderbel liked this

You're Reading a Free Preview

Download
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->