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Casos Clínicos - Bioquímica

Casos Clínicos - Bioquímica

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Published by André Mendonça
Compilação de casos clínicos com as suas causas bioquímicas explivadas posteriormente.
Compilação de casos clínicos com as suas causas bioquímicas explivadas posteriormente.

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CASOS CLÍNICOS
CASO N
°
04ENVENENAMENTO POR CHUMBOCaso:
Um rapaz de 22 anos de idade, foi hospitalizado devido a uma série desintomas, dentre os quais, a perda de peso, mitos, fraqueza muscular,irritabilidade, anorexia e palidez eram os mais evidentes. Ele trabalhava em umafábrica de tubos de ferro, era soldador e usava chumbo nas soldagens. Os exameslaboratoriais revelaram uma grave anemia, denominada sideroblástica e o examede urina de 24 horas, mostrou 0,24mg de chumbo, sendo que a análise de raiosX, apresentou depósito do
metal
nas epífises.
Questões:
1-Citar as principais fontes e formas de contaminão pelo chumbo ecorrelacioná-las com atividades profissionais.2-Porque o chumbo é tóxico para o nosso organismo?3-Explique os principais sintomas da intoxicação causada pelo chumbo.4-Porque este metal deposita-se nos ossos?5-Como é feito o tratamento da intoxicação pelo chumbo? 
Comentário:
As principais fontes onde o chumbo poderá ser encontrado são as tintas(usado como agente corante e estabilizador), a gasolina (aditivo antidetonante naforma de tetra etila de chumbo), ligas para soldas e baterias de automóveis. Nosgrandes centros urbanos e em regiões siderúrgicas (Vale do aço, Cubatão, etc.), oar e a água locais, apresentam concentrações de chumbo bem maiores que emoutros locais (tolerância máxima é de 4 a 10 ppm de Pb
2+
). Sendo estas as fontesmais importantes, os trabalhadores que lidam diretamente com materiais quecontém este metal, devem ser os principais alvos de contaminações agudas oucrônicas, podendo ser incluídas as crianças pequenas que se contaminam com osolo e a poeira doméstica. Também os locais de trânsito muito intenso, como nasgrandes cidades, o chumbo que escapa da exaustão de automóveis movidos agasolina, poderá ser facilmente absorvido pelos pulmões e afetar gradualmenteos profissionais que diariamente ali permanecem. Deve-se mencionar que o
 
chumbo é também absorvido pelo trato gastrointestinal, tendo a sua absorçãoaumentada pela deficiência de ferro e cálcio na alimentação.O caso deste rapaz é decorrente de uma intoxicação causada pela inalaçãogradual de sais de chumbo, que escapavam quando a liga do metal era fundida para ser utilizada nas suas diversas finalidades. O chumbo ao atingir a correntesangüínea, irá depositar-se principalmente nos ossos longos (incorporação aoscristais de hidroxiapatita, onde são relativamente inertes), no cérebro, rins,fígado e pulmões. O seu efeito tóxico é devido a formação de ligações covalentescom grupos SH das cisteínas, presentes principalmente em sítios ativos dasenzimas e caracterizando uma inibão enzitica irreversível. Em altasconcentrões, podetambém ligar com cargas negativas presentes nassuperfícies externas de proteínas intracelulares, precipitando-as e causandomorte celular com resultante inflamação tecidual.
Uma das enzimas mais sensíveis é a ferroquelatase, a qual insere o ferro(Fe
2+
) no anel da protoporfirina, uma via de síntese do anel das porfirinas, umconstituinte do grupo heme, presente nos eritrócitos. Uma das conseqüências do bloqueio enzimático é uma forte anemia, denominada sideroblástica. Também, o
δ
-aminolevulinato (
δ
-ALA), o substrato da enzima ferroquelatase, acumula-se eescapa para a corrente sangüínea, sendo que em níveis elevados atinge áreas dosistema nervoso central, provocando uma psicose que é típica do pulhismo. Isto, porque o
δ
-ALA é semelhante estruturalmente ao
γ 
-aminobutirato (GABA), uminibidor das transmissões sinápticas, e por competição, toma o lugar deste,resultando numa psicose desconhecida até pouco tempo. Outras proteínas eenzimas importantes de vias metabólicas, poderão ser inibidas ou desnaturadas pelo chumbo através de mecanismos semelhantes e resultar numa sintomatologia bastante diversa.Anos anteriores, algumas bebidas eram contaminadas com o chumbo emsuas manufaturas, e isto causava a gota saturnina nos seus consumidores. Isto porque os rins afetados pelo metal, não conseguiam excretar normalmente oácido úrico que acumulava-se no sangue e depositava nas articulações principalmente dos dedos, causando a gota.
O chumbo deposita-se principalmente nos ossos, porque algumas de suas propriedades são muito semelhantes ao cálcio e o nosso organismo não conseguedistinguí-los claramente. Por ser mais denso que o cálcio, as chapas de raios-Xmostrarão os locais ósseos de maior contaminação pelo chumbo, sendo que, em jovens e crianças, o mais comum é a placa metafisária de ossos longos emcrescimento nos quais ocorre a formação de uma linha, denominada “linha dechumbo”.
22
 
Este metal incorporado à hidroxiapatita poderá ser removido todas àsvezes em que houver necessidade de remoção do cálcio dos ossos. Assim, dietasadequadas de vitaminas de cálcio, poderá minimizar a necessidade de reabsorçãodeste mineral, e daí, remover menos o chumbo.O tratamento essencial da intoxicação pelo chumbo, constitui primeiro naremoção da fonte de exposição; segundo, a retirada deste do organismointoxicado através de agentes quelantes como a penicilamina, a qual forma umcomplexo estável com o chumbo (também com outros metais pesados ou íons decálcio). Outros agentes quelantes (figura 1) poderão der utilizados, como oEDTA cido etilenodiamino tetraacético) ou o dimercaprol (BAL). Oscomplexos formados por estes, são não-iônicos, não tóxicos e mais solúveis,sendo que, os efeitos o mais pronunciados com as formas de chumbocirculantes.O problema é que, estes agentes quelantes o o absolutamenteespecíficos e podem quelar vários íons essenciais; por isto, o acompanhamentode pacientes em tratamento, deve ser rigoroso para não induzir uma deficiênciade cálcio. Um novo agente quelante oral, o ácido dimercaptosuccínico (DMSA)está em experiência clínica.
 
Figura 1 – Estrutura de dois agentes quelantes.
33

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