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[2005] Patriarcalismo Uma Discussao Do Conceito

[2005] Patriarcalismo Uma Discussao Do Conceito

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Published by Leandrocalbente
Um comentário bibliográfico a respeito do conceito de patriarcalismo nas obras de Oliveira Viana, Gilberto Freyre e Antonio Candido
Um comentário bibliográfico a respeito do conceito de patriarcalismo nas obras de Oliveira Viana, Gilberto Freyre e Antonio Candido

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Categories:Types, Research, History
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 1
Patriarcalismo: uma discussão do conceito em OliveiraVianna, Gilberto Freyre e Antonio CandidoLeandro C. Câmara
O objetivo desse trabalho é realizar uma releitura do conceito de patriarcalismona sociedade brasileira colonial. Para tal, discutiremos três autores centrais naconsolidação desse conceito: Oliveira Vianna, Gilberto Freyre e Antonio Candido
1
. Emsuas obras percebemos a construção de uma certa interpretação da sociedade brasileiraancorada numa perspectiva familista.Tal perspectiva, em linhas bem gerais, aponta para a centralidade da família nomovimento de colonização portuguesa na América. Deste modo, era apenas no seiofamiliar que os indivíduos encontravam espaço de atuação na sociedade. Emdecorrência, a estrutura familiar era tipicamente extensa, formada por um grandenúmero de parentes e agregados, todos submetidos aos poderes do patriarca.Finalmente, eram estas estruturas familiares que controlavam a Igreja, o Estado e asInstituições econômicas locais
2
.Entretanto, este modelo começou a ser criticado por pesquisas mais recentes,especialmente aquelas produzidas a partir da década de 70. A obra de Eni de MesquitaSamara foi pioneira nesse sentido
3
. A autora, utilizando as listas nominativas dehabitantes da cidade de São Paulo no início do século XIX, demonstrou que uma parte
1
Oliveira Vianna,
Populações meridionais: populações rurais do centro sul
; Gilberto Freyre,
Casa-Grande & Senzala
e
Sobrados e Mucambos
; Antonio Candido,
The Brazilian Family
.
2
Conferir Eni de Mesquita Samara.
Patriarcalismo, Família e Poder na Sociedade brasileira (séculosXVI-XIX)
p. 11-16.
3
SAMARA, Eni de Mesquita.
As mulheres, o poder e a família: São Paulo, século XIX
. Além dasobras de Samara, os trabalhos de Iraci Del Nero da Costa e de Maria Luiza Marcílio tiveram destacadopapel na crítica do modelo patriarcal tradicional.
 
 2
significativa dos domicílios locais eram bem menos complexos do que se pensava: “
 Emresumo, percebemos que as famílias eram em sua maioria nucleares, com poucos filhos,considerando que interferiam nesse quadro fatores como: mobilidade espacial da população e alta taxa de mortalidade infantil
4
.Na mesma linha crítica temos o artigo “
Repensando a família patriarcalbrasileira
” de Mariza Correa. A autora critica enfaticamente a adoção de um modeloúnico de família, homogeneizando uma realidade social muito mais complexa ediversificada
5
. Para a autora, tanto Gilberto Freyre quanto Antonio Candidocompartilham “
com muitos outros estudiosos a ilusão de que o estudo da forma deorganização familiar do grupo dominante, ou de um grupo dominante numadeterminada época e lugar, possa substituir-se à história das formas de organização familiar da sociedade brasileira
6
.O problema dessas interpretações seria o aspecto simplificador da realidade,tentando acomodar todos os elementos multifacetados da sociedade num modelofamiliar único. Corrêa defende que a família patriarcal pode ter existido de fato, mas elanão existiu sozinha e nem foi o modelo preponderante da família brasileira no passado
7
.
4
Conferir Eni de Mesquita Samara.
Patriarcalismo, Família e Poder na Sociedade brasileira (séculosXVI-XIX)
p.23.
5
“A história das formas de organização familiar no Brasil tem-se contentado em ser a história de umdeterminado tipo de organização familiar e doméstica – a família patriarcal –, um tipo fixo onde ospersonagens, uma vez definidos, apenas se substituem no decorrer das gerações, nada ameaçando suahegemonia, e um tronco de onde brotam todas as outras relações sociais” em Mariza Corrêa,
Repensandoa família patriarcal brasileira
, p. 13
6
Mariza Corrêa,
Repensando a família patriarcal brasileira
, p. 17.
7
“A ‘família patriarcal’ pode ter existido, e seu papel ter sido extremamente importante, apenas nãoexistiu sozinha, nem comandou do alto da varanda da casa grande o processo total de formação dasociedade brasileira” e continua “O conceito de ‘família patriarcal’, como tem sido utilizado até agora,achata as diferenças, comprimindo-as até caberem todas num mesmo molde que é então utilizado comoponto central de referência quando se fala de família no Brasil” em Mariza Corrêa,
Repensando afamília patriarcal brasileira
, p. 25.
 
 3
Outros historiadores, ao trabalharem com diversas localidades, tambémquestionaram o modelo patriarcal. Com pesquisas voltadas para a família escrava, ospapéis sociais das mulheres na sociedade, os sistemas de casamento, as estruturasdomiciliares, estes autores relativizaram o modelo único de família extensa e o alcancedos poderes do patriarca
8
.Esse conjunto de estudos revisionistas, apesar da grande diversidade de opçõesteórico-metodológicas, apresenta dois pontos comuns na sua crítica. Em primeiro lugar,calcados em dados empíricos demográficos, apontam para a pequena porcentagem dedomicílios patriarcais ou extensos
9
. Assim, questionam a posição central da famíliapatriarcal no conjunto da sociedade brasileira. Seria possível falar de patriarcalismonuma sociedade onde apenas uma minoria das famílias realmente se organizava nessesmoldes?A segunda crítica é, em certa medida, um desdobramento da primeira. A famíliapatriarcal não seria um modelo válido para todo o Brasil. Ao contrário, seria um modeloregional típico da sociedade do açúcar seicentista. Logo, o erro de autores como Vianna,Freyre e Candido foi desdobrar essa realidade específica para a colônia como um todo.Em outros termos, patriarcalismo achata a complexa realidade social da colôniaextirpando qualquer outro modelo alternativo de família em prol da família patriarcal.
8
“The beginning of the revision of the great myths and archetypes of Brazilian society in the 1970s laidthe groundwork for greater pluralism in the studies undertaken in the 1980s. These studies dealt withgender roles, marriage, cohabitation, sexuality, families in the despossessed sectors, and the process of transferring fortunes” em Eni de Mesquita Samara e Dora Isabel Costa Paiva,
Family, Patriarchalism,and social change in Brazil
, p. 215.
9
José Flávio Motta deixa bem claro essa identificação de família patriarcal com família extensa: “(...) namedida em que se identificou a família patriarcal com a família extensa, isto é, com as estruturasdomiciliares mais complexas, verificou-se que, em muitos casos, a família patriarcal teve de fato poucaexpressão” em
Demografia histórica no Brasil
, p. 477-478.

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