Welcome to Scribd, the world's digital library. Read, publish, and share books and documents. See more
Download
Standard view
Full view
of .
Look up keyword
Like this
1Activity
0 of .
Results for:
No results containing your search query
P. 1
De Montoro a Lembo

De Montoro a Lembo

Ratings: (0)|Views: 122|Likes:
Published by José Bononi

More info:

Categories:Types, Resumes & CVs
Published by: José Bononi on Sep 08, 2009
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

09/07/2009

pdf

text

original

 
Revista Brasileira de Segurança Pública
| Ano 1 Edição 1 2007
72
   A   r   t   i   g   o   s
Fernando Salla
Fernando Salla é doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo e pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência(USP). Autor de “As prisões em São Paulo (1822-1940)”. fersalla@usp.br 
De Montoro a Lembo: aspolíticas penitenciáriasem São Paulo
Resumo
O artigo descreve os eventos que produziram instabilidade no sistema penitenciário no Estado de São Paulo desdeo governo Franco Montoro (1982-1986) até o governo Geraldo Alckmin e Cláudio Lembo (2002-2006), analisando adireção, mais conservadora ou mais democrática, das principais políticas e ações governamentais nessa área.
Palavras-Chave
Sistema Penitenciário, Prisões, Rebeliões, Segurança Pública, Direitos Humanos, Políticas Públicas, São Paulo, Brasil.
 
Ano 1 Edição 1 2007 |
Revista Brasileira de Segurança Pública
73
   A   r   t   i   g   o   s
E
m 2006 o estado de São Paulo passoupor uma das suas mais graves crises naárea da segurança pública. Em boa parte, essacrise teve como centro o sistema penitenciário.Rebeliões em unidades prisionais, mortes depoliciais e agentes penitenciários, ataques combombas a estabelecimentos públicos e privados,ônibus incendiados — todas estas ações oramdesencadeadas por grupos criminosos de dentrodo sistema penitenciário. Pela primeira vez umacrise no sistema penitenciário transbordava osmuros das prisões e atingia direta e amplamen-te o cotidiano da população. A cidade de SãoPaulo paralisou suas atividades por alguns diasem maio e julho de 2006, e sua população oitomada pelo pânico. A avaliação dessa crise pelas autoridades epela mídia enatizou a constituição e atuaçãode grupos criminosos organizados no interiordas prisões e reivindicou a necessidade de pe-nas mais duras para os crimes graves e de maiorseveridade nas condições de encarceramento.Em geral, um enorme peso oi dado às questõesconjunturais (como o acesso de presos a teleo-nes celulares) que, embora sejam undamentaispara se compreender a crise e traçar estratégiaspara o seu enrentamento, são insucientespara identicar a sua dinâmica. Aspectos im-portantes da história do sistema penitenciáriobrasileiro nas últimas décadas não oram obje-to de uma reexão mais cuidadosa, como, porexemplo, as razões do acelerado aumento dapopulação encarcerada e suas conseqüências, ascausas do crescimento do crime organizado e arelação desse crescimento com a ineciência decada uma das instituições do sistema de justi-ça criminal, os conitos e acomodações entrea área policial e a área penitenciária, a alta detransparência e o peso da impunidade em rela-ção às irregularidades dos agentes públicos.O presente artigo procura colaborar para acompreensão da crise de 2006, reconstruindoos principais eventos que desestabilizaram osistema penitenciário desde a gestão de FrancoMontoro (1982-1986). Nesse sentido, procuramostrar que parte da crise de 2006 tem unda-mentos mais proundos e de longo prazo. Sus-tenta que o sistema penitenciário vive há déca-das uma crise crônica que regularmente assumedimensões agudas. Procura também apresentaralgumas das principais ações governamentais naárea penitenciária, em São Paulo, desde 1982.E indica que as respostas governamentais emgeral são prisioneiras das demandas mais ime-diatas do sistema de segurança pública.
O sistema penitenciário antes doMassacre do Carandiru
No nal do ano de 1976, o estado de SãoPaulo tinha uma população encarcerada de17.192 pessoas, sendo 9.392 presos na rededa Secretaria da Justiça e os demais 7.800 nascadeias públicas (OLIVEIRA, 1978, p.28).Dez anos depois, segundo a Comissão Teotô-
   D   e   M   o   n   t   o   r   o   a   L   e   m   b   o  :   a   s   p   o   l   í   t   i   c   a   s   p   e   n   i   t   e   n   c   i   á   r   i   a   s   e   m    S   ã   o   P   a   u   l   o
   F  e  r  n  a  n   d  o   S  a   l   l  a
 
Revista Brasileira de Segurança Pública
| Ano 1 Edição 1 2007
74
   A   r   t   i   g   o   s
nio Vilela, havia 11.276 presos nos estabeleci-mentos penais e outros 12.815 nas delegaciase cadeias da capital e do interior (PINHEIRO;BRAUN, 1986), num total de 24.091 presos.Ou seja, a população encarcerada no estadohavia crescido cerca de 40%, sem que novasunidades prisionais tivessem sido criadas. Noentanto, a taxa de encarceramento por 100mil habitantes nesse período não chega a su-bir acentuadamente, sendo de 79,3 em 1976 eatingindo 85,1 em 1986.O sistema penitenciário atravessou, então,um período de grande turbulência, que se ex-pressava principalmente na eclosão de rebeliõese tentativas de uga em massa. Mas, essa ins-tabilidade não oi o mero resultado do cresci-mento da população encarcerada em São Pau-lo na década de 1980. A dinâmica própria dosistema, as heranças autoritárias e as tentativasde undação de um novo padrão para o un-cionamento do sistema penitenciário oram osprincipais elementos que explicam as tensõesvividas, e que se expressaram, sobretudo, pelasrebeliões, pelas intervenções violentas do PoderPúblico nesses eventos e pelas mortes de presosque delas derivaram.Um aspecto undamental dessa históriaé que o sistema penitenciário, embora tenhapassado, em 1979, por uma reorganização pro-unda da sua estrutura, promovida pelo entãoSecretário de Justiça, Manoel Pedro Pimentel,que criou, pelo Decreto nº13.412, a Coorde-nadoria dos Estabelecimentos Penitenciáriosdo Estado (Coespe), abrigava uma parcelamenor da população encarcerada do Estado. A maior parte dos presos permanecia em de-legacias, cadeias públicas que pertenciam à Se-cretaria de Segurança Pública e que em geralnão apresentavam boas condições de segurançanem possuíam qualquer orma de organizaçãointerna adequada, osse para os presos provi-sórios, osse para os presos que já haviam sidocondenados, mas que por alta de vagas perma-neciam nesses estabelecimentos. Ao mesmo tempo, a Casa de Detenção deSão Paulo, embora pertencente à rede de presí-dios da Coespe, abrigava uma enorme parcelados presos do sistema policial e ainda grandequantidade dos que já estavam condenados. Assim, em 1976, havia apenas dez presídios noentão Departamento dos Institutos Penais doEstado (DIPE) e de uma população total de9.392 presos sob a custódia da Secretaria da Jus-tiça, somente a Casa de Detenção de São Pau-lo possuía 6.473, sendo 5.333 já condenados(OLIVEIRA, 1978, p.118), como se observouacima. Uma vez que a Penitenciária do Estadoconcentrava cerca de 1.200 presos, temos queesses dois presídios eram responsáveis, naqueladata, por algo em torno de 80% da populaçãodo DIPE. A Casa de Detenção sempre exerceuum papel de sorvedouro de presos do sistema desegurança pública e de certa orma amenizou astensões nas delegacias e cadeias públicas.Quando Franco Montoro assumiu o gover-no de São Paulo em 1983, o quadro dos esta-belecimentos penitenciários era praticamente omesmo da época da criação da Coespe em 1979,ou seja, havia 14 unidades em uncionamentoe um total de cerca de 10 mil presos, e a Casade Detenção ainda respondia por algo em tor-no de 60% desse total. Os dados da Secretariada Justiça da época indicavam que as unidadesda Coespe estavam com cerca de 2.000 presos
   D   e   M   o   n   t   o   r   o   a   L   e   m   b   o  :   a   s   p   o   l   í   t   i   c   a   s   p   e   n   i   t   e   n   c   i   á   r   i   a   s   e   m    S   ã   o   P   a   u   l   o
   F  e  r  n  a  n   d  o   S  a   l   l  a

You're Reading a Free Preview

Download
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->