Urbanização e transformação social: As estruturas populacionais dosBairros Rurais Paulistanos no início do século XIX
Leandro Calbente Câmara
Saint-Hilaire, que visitou São Paulo no início do século XIX, ficou espantado com aletargia das vilas e cidades do Brasil. Assim, constatou:
No interior do Brasil [...] a população permanente das vilas e cidades éescassa; a maioria de suas casas pertencem a agricultores, que nas mesmas sópermanecem aos domingos e dias santos, para assistirem às solenidades religiosas,conservando-as fechadas durante os demais dias do ano, sendo pois, a bem dizer,inteiramente supérfluas, completamente inúteis (SAINT-HILAIRE, 1972, p. 70)
No entanto, suas impressões sobre a capital da província foram bastante diferentes. Emsuas ruas, Saint-Hilaire encontrou:
Funcionários de todas as ordens, operários de diversas categorias, umgrande número de mercadores, proprietários de casas urbanas, proprietários de bensrurais que, ao contrário dos de Minas Gerais, não moram em suas fazendas [...] secontam também várias pessoas que vivem da venda de legumes e frutas cultivadasem suas próprias chácaras (SAINT-HILAIRE, 1972, p. 154)
E continua:
A situação de São Paulo é encantadora e é puro o ar que ali se respira. Vê-se um grande número de lindas casas e as ruas
não são desertas
como as de VilaRica; os edifícios públicos são bem conservados e não se tem a cada passo, como emgrande parte das cidades e vilas de Minas Gerais, a vista impressionada pelo aspeto[sic] de abandono e ruínas. (SAINT-HILAIRE, 1972, p. 155, grifo meu)
A idéia de uma São Paulo urbanizada, detectada pelo famoso viajante, tambémaparece nos dados das listas nominativas. Em 1836, existiam 1863 fogos (contra 1069 em1802) na cidade e apenas 10% destes ainda dependiam fundamentalmente de atividadesagrícolas para sustento de seus domicílios
(KUZNESOF, 1986, p. 97 e 123). Estes fogosgeralmente eram menores e menos complexos que aqueles encontrados nas zonas rurais dacidade
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Trabalho apresentado no XIV Encontro Nacional de Estudos Populacionais, ABEP, realizado em Caxambú-MG – Brasil, de 20- 24 de Setembro de 2004.
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Graduando em História na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e bolsista PIBIC-CNPqcom o projeto
São Paulo: 1827, uma análise demográfica, Penha, Nossa Senhora do Ó e Santana.
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Sabemos que é preciso ter um pouco de cuidado com tais dados, já que as listas nominativas não eram muitoprecisas na divisão profissional dos fogos. Contudo, tal número pode expressar com bastante intensidade astransformações urbanas já que, usualmente, estas fontes privilegiavam as atividades agrícolas frente as demais.BACELLAR (2001) e ARAÚJO (2003) discutem o problema das listas e suas divisões profissionais.
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Entendemos núcleo central pelas freguesias da Sé, Santa Efigênia e do Brás. Por outro lado, temos os bairrosrurais compostos pelas freguesias da Nossa Senhora do Ó e Nossa Senhora da Penha. A cidade ainda era
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