Welcome to Scribd, the world's digital library. Read, publish, and share books and documents. See more
Download
Standard view
Full view
of .
Save to My Library
Look up keyword
Like this
106Activity
0 of .
Results for:
No results containing your search query
P. 1
Resumo do Livro Lucíola de José de Alencar

Resumo do Livro Lucíola de José de Alencar

Ratings: (0)|Views: 46,506 |Likes:
Published by planetamanager
Resumo do Livro Lucíola em ~28 páginas, um trabalho escolar feito por mim no ensino médio ^^
Resumo do Livro Lucíola em ~28 páginas, um trabalho escolar feito por mim no ensino médio ^^

More info:

Published by: planetamanager on Sep 09, 2009
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as DOC, PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

11/30/2013

pdf

text

original

 
Introdução
6
 
Capítulo I
A senhora estranhou, na última vez que estivemos juntos, a minhaexcessiva indulgência pelas criaturas infelizes, que escandalizam asociedade com a ostentação do seu luxo e extravagâncias.Calando-me naquela ocasião, prometi dar-lhe a razão que a senhoraexigia; e cumpro o meu propósito mais cedo do que pensava. É um perfilde mulher apenas esboçado.As sombras do meu quadro se esfumam traços carregados, contrastamdebuxando o relevo colorido de límpidos contornos.
Capítulo II
A primeira vez que vim ao Rio de Janeiro foi em 1855.Poucos dias depois da minha chegada, um amigo e companheiro deinfância, o Dr. Sá, levou-me à festa da Glória; uma das poucas festaspopulares da corte. Conforme o costume, a grande romaria desfilando pelaRua da Lapa e ao longo do cais, serpejava nas faldas do outeiro eapinhava-se em torno da poética ermida, cujo âmbito regurgitava com amultidão do povo.Era ave-maria quando chegamos ao adro; perdida a esperança de rompera mole de gente que murava cada uma das portas da igreja, nosresignamos a gozar da fresca viração que vinha do mar, contemplando odelicioso panorama da baia e admirando ou criticando as devotas quetambém tinham chegado tarde e pareciam satisfeitas com a exibição deseus adornos.Para um provinciano recém-chegado à corte, que melhor festa do que verpassar-lhe pelos olhos, à doce luz da tarde, uma parte da população destagrande cidade, com os seus vários matizes e infinitas gradações? Todas as raças, desde o caucasiano sem mescla até o africano puro; todasas posições, desde as ilustrações da política, da fortuna ou do talento, atéo proletário humilde e desconhecido; todas as profissões, desde obanqueiro até o mendigo; finalmente, todos os tipos grotescos dasociedade brasileira, desde a arrogante nulidade até a vil lisonja,desfilaram em face de mim, roçando a seda e a casimira pela baeta oupelo algodão, misturando os perfumes delicados às impuras exalações, ofumo aromático do havana as acres baforadas do cigarro de palha.-- É uma festa filosófica essa festa da Glória! Aprendi mais naquela meiahora de observação do que nos cinco anos que acabava de esperdiçar emOlinda com uma prodigalidade verdadeiramente brasileira.-- Quem é esta senhora? perguntei a Sá.A resposta foi o sorriso inexprimível, mistura de sarcasmo, de bonomia efatuidade, que desperta nos elegantes da corte a ignorância de um amigo,profano na difícil ciência das banalidades sociais.Queres conhecê-la ?. . .Compreendi e corei de minha simplicidade provinciana, que confundira amáscara hipócrita do vício com o modesto recato da inocência. Depois dealgumas voltas descobrimos ao longe a ondulação do seu vestido, e fomosencontrá-la, retirada a um canto, distribuindo algumas pequenas moedasde prata à multidão de pobres que a cercava. Se eu viesse por passeio!-- E qual é o outro motivo que te pode trazer à festa da Glória?-- A senhora veio talvez por devoção? disse eu.
7
 
-- A Lúcia devota!. . . -- Um dia no ano não é muito' respondeu elasorrindo.Sá insistiu:-- Deixa-te disso; vem conosco.Não sou tímido; ao contrário peco por desembaraçado. Mas nessa ocasiãodiversas circunstâncias me tiravam do meu natural. A expressão cândidado rosto e a graciosa modéstia do gesto, ainda mesmo quando os lábiosdessa mulher revelavam a cortesã franca e impudente o contrasteinexplicável da palavra e da fisionomia, junto à vaga reminiscência do meuespírito, me preocupavam sem querer. Fora no dia da minha chegada.Uma encantadora menina, sentada ao lado de uma senhora idosa, serecostava preguiçosamente sobre o macio estofo, e deixava pender pelacobertura derreada do carro a mão que brincava com um leque de penasescarlates. Acabava de desembarcar; durante dez dias de viagem tinha-me saturado da poesia do mar, que vive de espuma, de nuvens e deestrelas; povoara a solidão profunda do oceano, naquelas compridasnoites veladas ao relento, de sonhos dourados e risonhas esperanças;sentia enfim a sede da vida em flor que desabrocha aos toques de umaimaginação de vinte anos, sob o céu azul da corte.Na ocasião de entregar o leque apertei-lhe a ponta dos dedos presos nalava de pelica. Voltei-me no leito para fugir à sua imagem, e dormi.
Capítulo III
Uma bela manhã, pois, estava na crítica posição de um homem que nãosabe o que fazer. Li os anúncios dos jornais; escrevi à minha família;participei a minha chegada aos amigos; e por fim ainda me achei comuma sobra de tempo que embaraçava-me realmente. De repente caiu-meum nome da memória. -- Vou ver a Lúcia.Depois da festa da Glória tinha-a encontrado algumas vezes, mas sem lhefalar. Lembro-me de uma manhã em casa do Desmarais. Essacircunstância, e talvez um resquício do desgosto que deixara a minhadecepção, tiraram-me a vontade de a cumprimentar; contudo conservei ochapéu na mão todo tempo que esteve na loja. Da pessoa que o fitava sóvia a mão pequena e a fronte pura, que denunciavam uma mulher. Isto,quando se ama; quando a atração irresistível da alma emudece osescrúpulos e as suscetibilidades. Quando me lembrava das palavras quelhe tinha ouvido na Glória, do modo por que Sá a tratara e de outrascircunstâncias, como do seu isolamento a par do luxo que ostentava, tudome parecia claro; mas se me voltava para aquela fisionomia doce e calma,perfumada com uns longes de melancolia; se encontrava o seu olharlímpido e sereno; se via o gesto quase infantil, o sorriso meigo e a atitudesingela e modesta, o meu pensamento impregnado de desejos lascivos sedepurava de repente, como o ar se depura com as brisas do mar quelavam as exalações da terra.-- Há muito tempo que está no Rio de Janeiro? perguntou-me Lúcia depoisde uma pausa.-- Há pouco mais de um mês. Cheguei justamente no dia em que aencontrei pela primeira vez.-- Ah! no mesmo dia?...-- o senhor estava fumando. Que bonita cidade queé o Recife! Como são lindos aqueles arrabaldes da Madalena, da Ponta do
8

You're Reading a Free Preview

Download
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->