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Encarte sobre a Abolição da Escravatura

Encarte sobre a Abolição da Escravatura

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Este encarte mostra como foi o dia seguinte à abolição da escravatura no Brasil em 1888.
Este encarte mostra como foi o dia seguinte à abolição da escravatura no Brasil em 1888.

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Rio de Janeiro, segunda-feira, 14 de maio de 1888Órgão do Senado do Império
ASSINADA A LEI ÁUREA
 
No Paço da Cidade, senadores e outras autoridades assistem a D. Isabel assinar a Lei Áurea A resistência dos negros ao trabalho servil foi umdos fatores que levaram à abolição da escravatura
O
 
Brasil está livredo trabalho es-cravo. Na tardede ontem, a Princesa Isabelsancionou a lei que pôsim a mais de 300 anosde escravidão. Conormeo senador Sousa Dantas,havia no país 600 milescravos. Levantamentodo Império mostra que, noano passado, eram maisde 700 mil. A Lei JoãoAlredo, mais chamada deLei Áurea, oi aprovada emtempo recorde na Câmarados Deputados e no Senado,apesar dos protestos dospoucos parlamentarescontrários à abolição.Calcula-se que cercade 5 mil pessoas seconcentraram diante doPaço da Cidade, paraacompanhar a solenidadede assinatura. O povoirrompeu em aplausosquando o deputado Joa-quim Nabuco, de umasacada, comunicou quenão havia mais escravos noBrasil. Em uma das janelas,Dona Isabel oi aclamadapelos maniestantes.O Imperador Dom Pedro2º, que se encontragravemente enermo emMilão, na Itália, onde sesubmete a tratamento desáude, ainda não sabe dasanção da lei. Por meiodo telégrao, a notícia jáchegou à várias provínciasdo País e nações americanase européias.
Pág. 3
Os primeiras relatos deresistência à escravidãosão de 1575, quando oImpério recebeu, da Bahia,notícias de negros ugitivos.Inicialmente, eles se reu-giavam em mocambos, es-pécie de acampamento. Ascomunidades de ugitivospassaram, depois, a ser chamadas de quilombos;o mais conhecido deles oio dos Palmares, que podeter abrigado mais de 20mil pessoas em 1670. Aresistência oi um dos atoresque levaram à abolição daescravatura.
Pág. 7
O Projeto de Lei nº 1 oi apro-vado em apenas dois dias pelaCâmara dos Deputados. Adecisão em tempo recorde sóoi possível graças ao esorçoda bancada antiescravagista –liderada pelo pernambucanoJoaquim Nabuco – e à ajuda dopresidente da Casa, deputadoBarão de Lucena. “Precisamosapressar a passagem do projeto,de modo que a libertação sejaimediata”, deendeu Nabucoaos colegas.
Pág. 4
Ontem, domingo, o Senado doImpério aprovou a proposta queextinguiu o trabalho escravono Brasil. Dois senadoresse maniestaram contra ainiciativa: o Barão de Cotegipe –advertindo que no uturo haverágrave perturbação da ordem noBrasil – e Paulino de Sousa.Deendendo a proposta, SousaDantas disse que a aboliçãoconstitui o maior acontecimentoda história do Brasil e tornará aNação mais próspera.
Pág. 5
Em 1845, surgiu a lei queprevia sanções contra o tráicode escravos. Em 1871, oiadotada a Lei do VentreLivre, que dava liberdade aosilhos de escravos nascidos apartir da sua edição, mas osmanteve na tutela dos seussenhores até os 21 anos. E em1885, garantiu-se liberdadeaos que completassem 60anos, com a obrigação deprestar serviços, a título deindenização ao senhor, portrês anos. Essas medidas,porém, não trouxeram osresultados esperados, poisa contrapartida geralmenteexigida inviabilizava seucumprimento ou a lei erasimplesmente desrespeitada.
Pág. 2
O abolicionista Joaquim Nabucorelata que o movimento peloim do trabalho servil no paísconcentrou-se inicialmenteem clubes, lojas maçônicas,associações, caés e jornais, esó aos poucos estendeu-se àpopulação. Nesse período, quedurou de 1879 a 1884, diz ele,“os abolicionistas combateramsós, entregues aos seus própriosrecursos”. Só mais tarde, dis-cur sos nas tribunas, artigos epoemas nos jornais ajudarama pressionar o Império paraque osse extinta a escravidão.Os republicanos, praticamentetodos eles, eram abolicionistas, mas nem todo deensor do imdo trabalho escravo preeria aRepública.Joaquim Nabuco, Ru Barbosa eCastro Alves são grandes nomesdo abolicionismo, que contoutambém com negros ilustres,como André Rebouças, José doPatrocínio, Luís Gama e TobiasBarreto. Luís Gama chegou aser vendido, aos dez anos, comoescravo, e se transormou emsímbolo do movimento em SãoPaulo.
Pág. 6
No Ceará a escravidão acabou há quatro anos. Ainiciativa reforçou o sentimento abolicionista em pro- víncias como Amazonas, Pernambuco, Bahia, Goiás,Piauí, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sule Paraná. Foi Mossoró, em 1883, a primeira cidade a pôr fim ao trabalho servil.
Pág. 8
Câmara dosDeputados votou oprojeto em dois dias
Campanha envolveumonarquistas erepublicanos
Leis que antecederam a abolição nemsempre provocaram resultados práticos
No Sendo, pensdois sendores semnifestrm contr
Escravidão oi abolida noCeará quatro anos atrás
Primeiros registros daresistência negra são de 1575
Edição comemorativa dos 120 anos da Lei Áurea – Jornal do Senado – 12 a 18 de maio de 2008 – Ano XIV – Nº 2.801/172
Uma reconstituição histórica
 
Rio de Janeiro, segunda-eira, 14 de maio de 1888
Jornal do Senado
2
 Ao chegarem ao Brasil, os negros ficavam em depósitos à espera dos leilões e onde eram inspecionados por compradores
E
m 7 de novembro de1831, a Câmara dosDeputados promul-gou uma lei que proibiao tráco de escravos ari-canos. O texto, resultadode acordo do Brasil coma Inglaterra, estabeleciaque todos os escravos queentrassem no território ouportos do Brasil vindos deora cariam livres. Porém,o último desembarque deescravos aricanos no paíssó ocorreria em 1855, nolitoral de Pernambuco.Os 14 anos entre a in-tenção e a realidade orama sobrevida daquilo queJosé Boniácio de Andradae Silva chamou de “cancromortal que ameaçava osundamentos da nação”.O ato de 1831 oi um pri-meiro passo, mas inecaz.A turbulência política emvárias províncias impediuque o governo central -zesse cumprir a lei duranteas duas décadas seguintes.Só com a pressão políticae militar inglesa o cenáriose modicou. Em 1845, oParlamento em Londresaprovou lei (o Bill Aber-deen) que dava à Marinhainglesa o direito de aprisio-nar navios negreiros, mes-mo em águas territoriaisbrasileiras, e julgar seuscomandantes.O governo brasileiro nãoresistiu à pressão e o mi-nistro da Justiça de DomPedro 2º, Eusébio de Quei-roz, enviou projeto ao Par-lamento que determinavaa apreensão de navios quetracassem escravos. A Leinº 581, de 4/9/1850, co-nhecida como Lei Eusébiode Queiroz, consideravacriminosos o dono do navio,o capitão e seus subordina-dos, além do pessoal emterra que participasse docomércio ilegal.Para burlar a lei, azen-deiros incentivaram o trá-co interno, tirando es-cravos de áreas em que aagricultura decaía, comoos engenhos de açúcar doNordeste, para as lavourasde caé no Centro-Sul. Masoi aprovado, em 1854, aLei Nabuco de Araújo (mi-nistro da Justiça), que pre-via sanções para as autori-dades que encobrissem ocontrabando de escravos.Com o m do tráco, pro-gressivamente os imigran-tes europeus começaram asubstituir a mão-de-obraservil.Muita negociação políti-ca entre liberais e conser-vadores oi necessária paraque a Câmara dos Deputa-dos aprovasse outro proje-to antiescravagista enviadopelo governo imperial àAssembléia Geral. Sancio-nada pelo Imperador DomPedro 2º com o nº 3.270,em 28 de setembro de1885, a Lei dos Sexagená-rios também cou conheci-da como Saraiva-Cotegipe,em reerência aos dois che-es do gabinete ministerialdo Império, o liberal con-selheiro Saraiva e o conser-vador (e mulato) Barão deCotegipe, que deram apoioà medida.Na verdade, a iniciativa édo ano anterior, 1844, pro-posta pelo senador SousaDantas, então chee de ga-binete. Muito mais abran-gente, ao xar os 60 anoscomo idade limite parao escravo, não prevendoqualquer tipo de indeni-zação aos proprietários, oprojeto oi violentamentetorpedeado pelos escravo-cratas no Parlamento, aponto de causar a quedado gabinete e a dissoluçãoda Assembléia Geral.A lei sancionada no anoseguinte continha diversasnormas para regular a ex-tinção gradual do elementoservil. Eram libertados osescravos que completassem60 anos, com a obrigaçãode prestar serviços, a títulode indenização ao senhor,pelo prazo de três anos. Omaior de 65 anos cava li-berado de tais trabalhos.A crítica dos abolicionis-tas à lei era aos limitadoseeitos práticos, pois ospoucos que chegavam aessa idade já não tinhamcondições de garantir seusustento.Nasceu da vontade deDom Pedro 2º o projetoda Lei do Ventre Livre,elaborado pelo gabineteconservador do Viscon-de do Rio Branco em27 de maio de 1871.Em sua Fala do Trono,dias antes, na aberturado ano legislativo, o Im-perador antecipara que“considerações da maiorimportância aconselhamque a reormada legisla-ção sobre o estado ser vilnão continue a ser umaaspiração nacional inde-nida e incerta”.Por vários meses, de-putados dos partidosConservador e Liberaldiscutiram a proposta.Quatro meses depois,em 28 de setembro,transormou-se na Leinº 2.040, assinada porDona Isabel. Os deen-sores dessa lei arma-vam que ela, juntamen-te com a proibição dotráco negreiro, assegu-rava a extinção gradualda escravidão. Já os do-nos de escravos acusa-vam o governo de que-rer provocar uma criseeconômica.As controvérsias o-ram desproporcionaisaos seus eeitos práticos.A lei deu liberdade aoslhos de escravos nas-cidos a partir daqueladata, mas os mantevesob a tutela dos seus se-nhores até os 21 anos.Segundo essa norma,os lhos menores ca-riam “em poder e sob aautoridade dos senhoresde suas mães”, os quaisdeveriam criá-los atéos 8 anos. Nessa idade,o senhor optava entrereceber do Estado in-denização de 600 milréis ou de utilizar-se dosserviços do menor até21 anos.– A verdade é que alei, ao libertar os bebês,estabeleceu ao mesmotempo que até os 21 anoseles permaneceriam empoder do senhor. Na prá-tica, até essa data, conti-nuavam escravos – ana-lisou Joaquim Nabuco.
Ordem do dia dehoje, segunda-eira, 14 de maiode 1888, às 11h
Uma primeira tentativa deproibir o tráfco de negros
Com poucos eeitos práticos, a Lei Eusébio de Queiroz, a doVentre Livre e a dos Sexagenários antecederam a Lei Áurea
Lei dos Sexagenários foifruto de acordo políticoDom Pedro 2º defendeua Lei do Ventre Livre
erceira dita da propostada Câmara dos Deputadosn. 42, de 1887, aprovandoa pensão de 1$4000 diá-rios aos menores irmãosdo 2º sargento do CorpoMilitar da Polícia da CorteAntonio Nery de OliveiraAraújo, para que votou-sedispensa de interstício.egunda dita do proje-to do Senado letra S de1887 determinando quea disposição do parágrao1º do artigo 1º do Decretonº 3.300, de 9 de outubro,não é aplicável ao minis-tro do Supremo Tribunalde Justiça que exercesse jásemelhante cargo e tivessemais de 72 anos de idade.
Esta edição especial reproduz osprincipais episódios relacionados àabolição da escravatura no Brasil.O ormato adotado simula o quepoderia ser uma edição do
Jornaldo Senado
publicada em 14 demaio de 1888, dia seguinte ao daassinatura da Lei Áurea. Naqueleperíodo, o Senado não possuía ne-nhuma publicação jornalística. Ostextos oram elaborados com basenos Anais do Senado e da Câmarados Deputados, jornais e revistas daépoca e livros de estudiosos do mo-vimento abolicionista.
Créditos das otos:
Pág. 1: Museu Histórico Nacional;Rugendas/Fund. Joaquim NabucoPág. 2: Rugendas/Fund. JoaquimNabucoPág. 3: Museu Imperial;Reprodução/Geraldo MagelaPág. 4: Cedi/Câmara dosDeputadosPág. 5: Flickr; Arquivo SenadoFederal; Reproduções/ArquivoFotográco JSPág. 6: Fund. Joaquim Nabuco;ABL; Reproduções/ArquivoFotográco JSPág. 7: Rugendas/Fund. JoaquimNabucoPág. 8: Rugendas/Fund. JoaquimNabuco; Christiano Jr.
Jornal do Senado Federal
Praça dos Três Poderes – Ed.Anexo I do Senado Federal, 20ºandar – 70165-920 Brasília (DF)www.senado.gov.br/jornaljornal@senado.gov.brTel.: 0800 61-2211Fax (61) 3311-3137
Diretor do Jornal do Senado
:Davi Emerich
Edição
: Eduardo Leão
Coordenação de texto
: José doCarmo Andrade
Redação
: Janaína Araújo, PaulaPimenta, Sylvio Guedes, José doCarmo Andrade
Pesquisa histórica
: José doCarmo Andrade e Eliana Lucena
Diagramação
: Bruno Bazílio,Henrique Eduardo Lima deAraújo, Iracema F. da Silva eSérgio Luiz Gomes da Silva
Revisão
: Eny Junia Carvalho eLindolo do Amaral Almeida
Tratamento de imagem
:Edmilson Figueiredo e HumbertoSousa Lima
Arquivo otográfco
: Ana Volpe,Laiane Borges e Elida Costa
Expediente
FESTEJOS POPULARES
sexta-feira – 18 do corrente
comemorativoS da abolição
DERBy - CLUB
Uma reconstituição histórica
 
 Jornal do Senado
Rio de Janeiro, segunda-feira, 14 de maio de 1888
3
O Imperador Dom Pedro 2º, que seencontra em Milão, na Itália, onde sesubmete a tratamento de saúde, aindanão pôde ser inormado da lei que baniude nosso país o regime de escravidão.Transcrevemos, a respeito, os seguintestelegramas:
 Milão, 12 – O estado de S.M. o Impe-rador apresenta uma pequena melhora.Os fenômenos cerebrais cessaram apósdelírio intenso. Agora está em plena in-tegridade de suas faculdades mentais. Atribui-se esse resultado à aplicação de gelo na cabeça e às injeções hipodérmi-cas de cafeína, receitadas pelo Dr. Sem-mola. É esperado o Dr. Charcot. Milão, 13 – O estado de S.M. o Im- perador apresenta progressivas melho-ras, conforme o boletim dos médicosassistentes. Os Drs. Charcot, Semmola,e Giovani declaram em boletim que a febre tem declinado quase totalmente eque o estado nervoso do augusto enfer-mo é calmo.
O milagre da ciência e datécnica neste nal do sé-culo 19, de que é exemploo telégrao, com a ajudados cabos submarinos, ezcom que a notícia da abo-lição chegasse rapidamenteà maioria das provínciasbrasileiras e a grande par-te das nações americanas eeuropéias.Habitantes de São Paulo,Santos, Campinas, Salva-dor, Recie, Vitória, Belém,Ouro Preto, Fortaleza e ou-tras cidades saíram às ruasem procissões cívicas, nãoaltando bandas de músicae ogos. À noite, ediíciospúblicos e particulares dacapital paulista oram ilu-minados.Das capitais das provín-cias e do exterior chegama toda hora ao Rio telegra-mas de congratulações. EmBuenos Aires, oi decretadoeriado a próxima quinta-eira, para grande estejocívico em honra do Brasillivre.
 
O Senado argentinoe a corporação acadêmicatelegraaram a Dona Isa-bel, elicitando-a.
Princesa Isabel assina a Lei Áurea
D
esde a tarde de on-tem, dia 13, estáextinto em todo oBrasil o trabalho escravo,prática das mais cruéis econdenáveis que oi per-mitida legalmente no paíspor mais de 300 anos. Me-nos de três horas depois daaprovação do projeto peloSenado do Império, a Prin-cesa Regente Dona Isabel,com uma pena de ourooertada pelo povo, san-cionava em solenidade noPaço da Cidade a já cha-mada Lei Áurea.É opinião generalizadaque a Pátria se tornou real-mente livre com o ato queretirou o Brasil da condi-ção de única nação do Oci-dente que ainda exploravao elemento servil. Estima-se que mais de 600 milnegros oram beneciadospela lei.Poucas vezes nos seus 62anos de uncionamento aAssembléia Geral produziuuma lei com extraordináriarapidez como a que acabade emancipar os escravos.Foram só seis dias de tra-mitação da mensagem,não obstante a tentativados parlamentares antia-bolicionistas de imporemobstáculos à adoção deurgência para a matéria.Nos debates na Câmara eno Senado se enrentaram,quer deendendo, quer ata-cando o projeto, alguns dosmaiores tribunos do país.
Sorriso e lágrimas
A sionomia da PrincesaRegente, sempre expres-sando contentamento peloato que acabava de assi-nar, às vezes dava ares depreocupação, em virtudeda gravidade do estado desaúde de seu augusto pai,que está em tratamento nacidade italiana de Milão,sob os cuidados de três dosmelhores médicos euro-peus.Conante em que o Se-nado aprovaria a propos-ta nesse domingo, DonaIsabel, que se encontravaem Petrópolis, dirigiu-sede trem de erro logo apóso meio-dia para o Rio deJaneiro. Acompanhada deseu esposo, o Conde d’Eu,e dos ministros do Império,Costa Pereira, e da Agri-cultura, Rodrigo Silva, SuaAlteza chegou ao Paço porvolta das 14 horas, rece-bendo demorados aplausosdo público.Coube a uma comissãode senadores, tendo à ren-te Sousa Dantas, entregarà Princesa Regente o autó-grao do projeto, cujo tex-to oi transormado numaverdadeira peça de artepelo conhecido calígraoLeopoldo Heck. Na opor-tunidade, Dantas elicitouDona Isabel “por caber-lhea glória de assinar a lei queapaga dos nossos códigos aneanda mácula da escra-vidão, como já lhe coubea de conrmar o decretoque não permitiu nasceremmais cativos no Império (aLei do Ventre Livre)”.Falando em seguida, semconter as lágrimas, DonaIsabel declarou:– Seria o dia de hoje umdos mais belos de minhavida se não osse saber es-tar meu pai enermo. Deuspermitirá que ele nos voltepara tornar-se, como sem-pre, útil à nossa Pátria.Participaram da ceri-mônia, na Sala do Trono,senadores, deputados, mi-nistros, magistrados, em-baixadores e outras perso-nalidades, além de gentedo povo que, em verdadei-ro delírio, invadiu o palá-cio. Em rente ao ediício,na Praça Dom Pedro 2º,cerca de 5 mil pessoas seaglomeravam. A multi-dão irrompeu em ruidosasaclamações quando o de-putado Joaquim Nabuco,de uma sacada do Paço,comunicou ao povo quenão havia mais escravosno Brasil. Chamada peloscidadãos que se concen-travam diante do palácio,Dona Isabel surgiu numajanela, sendo mais umavez aclamada pelos mani-estantes.
Texto possui apenas dois artigos e já está em vigor tanto na Corte como nas províncias
Dom Pedro 2º aindanão foi informado
 Abolição repercutenas províncias eno estrangeiro
Concebida para abolir de ormaimediata e incondicional o ele-mento servil no País, a mais im-portante e mais humana normalegal já adotada pelo Brasil, e querecebeu o número 3.353, contémapenas dois dispositivos:
“Art. 1º É declarada extintadesde a data desta lei a escra-vidão no Brasil.“Art. 2º Revogam-se as dis-posições em contrário”.
Assim que a Câmara recebeu otexto – na terça-eira dia 8 – dasmãos do ministro Rodrigo Silva, odeputado Joaquim Nabuco, lan-çando mão de recurso regimental,solicitou ao presidente daquelaCasa, deputado Henrique Pereirade Lucena, a designação imedia-ta da comissão especial que dariao parecer transormando a men-sagem em projeto. Sob os pro-testos do deputado conservadorAndrade Figueira, o parecer oiacolhido pela Câmara no mesmodia 8, seguindo-se, nos dias 9 e10, a discussão e aprovação.Da mesma orma agiu o Sena-do, nomeando em 11 de maio acomissão especial, cujo pareceroi votado no mesmo dia. Ontem,dia 13, ocorreu a aprovação -nal, mediante votação simbólica.Pessoas que se encontravam nasgalerias jogaram fores no Ple-nário. Apenas dois senadores semaniestaram contrários à maté-ria: o Barão de Cotegipe e Pau-lino de Sousa. Quando o Senadoconcluía a deliberação sobre aproposta, chegava ao Plenário anotícia de que alguns azendeirosfuminenses já estavam libertan-do seus escravos.
Soar de sinos
Em razão da grande concentra-ção de pessoas na praça, só commuita diculdade as carruagensque levavam a comissão de sena-dores e o presidente do Ministé-rio, senador João Alredo, conse-guiram chegar às portas do Paço,sob aplausos dos maniestantes.Na ocasião, soaram os sinos dasigrejas do Rio, três delas situadasperto do palácio: as de São José,de Nossa Senhora do Carmo e daCapela Imperial.Depois de sancionada a lei, in-tensicaram-se os estejos e pas-seatas pelas ruas do Rio de Janei-ro, em meio a bandas de músicae espocar de oguetes. Ao entrarna Rua do Ouvidor, após deixaro Paço, o veterano abolicionistaSousa Dantas oi carregado nosbraços do povo.
Pena será exposta
A pena de ouro com que a Prin-cesa Regente assinou o decretoda abolição da escravatura ca-rá exposta a partir do dia 21 demaio no salão do jornal
O Paiz
.A pena, que tem no dorso 43 bri-lhantes, traz a seguinte inscrição:“A D. Isabel, a redentora, o povoagradecido”, e tem no lado opostoo número e a data da Lei Áurea.A campanha de subscrição ini-ciada por aquele diário logo rece-beu a adesão da
 Revista Ilustrada
.
Bandas animam festejo nas ruas
D. Pedro 2º encontra-se doente em Milão,sob os cuidados de três famosos médicosSua Alteza Dona Isabel sancionou em nome de seu augusto pai a lei que acaba com aescravidão, prática das mais cruéis que foi permitida no Brasil por mais de 300 anos
Uma reconstituição histórica

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