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Construção da Reportagem Online

Construção da Reportagem Online

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Jornalismo on-lineProf. Artur Araujo –e-mail: artur.araujo@puc-campinas.edu.br / site: http://docentes.puc-campinas.edu.br/clc/arturaraujo/ Página 1 de 14
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINASCENTRO DE LINGUAGEM E COMUNICAÇÃOFACULDADE DE JORNALISMO
 
Construção da Reportagem Online
Mike Ward
WARD, Mike.
 Jornalismo online
. São Paulo : Roca, 2006, p. 125-153Reportagens de jornais impressos ou transmitidas via rádio ou TV, como vimos noCapítulo 4, são construídas em um modelo linear. Porém, muito tem sido escrito a respeito danatureza não-linear das reportagens onfine. Os usuários têm o poder de ir aonde quiserem,coletando informações. Eles podem, a partir de um bloco de informações, acessar um arquivode áudio, um banco de dados, um gráfico, um resumo, um vídeo, um arquivo e, em seguida,desaparecer um link externo para outro site. Isso não significa que todos os usuários agemdessa forma, mas eles podem se assim quiserem. Esse padrão de consumo de informações é umziguezague aleatório, não uma linha, e cada trajetória criada pelos usuários pode ser diferente.O meio online é também, principalmente, um ambiente na tela
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. Existem telas emtodos os formatos, tamanhos e posições, porém elas ainda possuem resolução inferior à altaqualidade da página impressa. Ler na tela pode ser uma tarefa difícil.Junte esses dois fatores - o compromisso necessário para que o leitor permaneça diante da tela e a liberdadeque ele tem para navegar pela página - e poderá perceber que jornalistas online e provedores de conteúdo devem pensarmuito em como construir e apresentar suas reportagens. Esse é um ambiente muito diferente da mídia "tradicional" dos jornais impressos, rádio e televisão.Em meados dos anos 90 tornou-se evidente que uma nova abordagem para a construção de reportagens onfinefoi adotada. Uma das principais vozes a se manifestar foi a de Leah Gentry, que defendeu, primeiro no Orange CountyRegister e Chicago Tribune e, posteriormente, na latimes.com, uma abordagem à estrutura narrativa não-linear, quemuitos têm seguido desde então.Conforme a própria Gentry explica:A teoria fundamental por trás da estrutura narrativa não-linear para a web é que você precisa olhar para o meiode comunicação com o qual está trabalhando e perguntar: "Quais são os poderes desse meio de comunicação e como euposso utilizá-Ios para que me ajudem a narrar a minha reportagem?" Desse modo, você trabalha a favor do meio decomunicação, e não contra ele.É impressionante a freqüência com que as primeiras diretrizes de Gentry, que datam de 1996, ainda sãoendossadas e reafirmadas por jornalistas online e provedores de conteúdo. Elas passaram pelo teste dos temposturbulentos de forma tão resistente que estão sendo repetidas aqui, de maneira resumida.• Regra 1: siga as diretrizes do bom jornalismo. Os métodos tradicionais de reportagem cuidadosa e imparcial,utilizando texto convincente, fotografia, áudio e vídeo, traduzirão bem a nova mídia.• Regra 2: "alavancar os poderes da mídia". Essa expressão me marcou desde a primeira vez em que ouvi LeahGentry falar sobre isso em uma conferência em 1997. Ela define esses poderes como vínculo (link), instantaneidade,interatividade, multimídia e profundidade. Esses fatores, especialmente quando combinados, são o que tornam o jornalismo online diferente.• Regras 3 e 4: desconstrua, reconstrua e roteirize. Divida sua reportagem em partes, procure similaridades outendências entre elas, agrupe-as em categorias lógicas, reconstrua a sua reportagem utilizando roteiros e construa links.Cada reportagem terá uma seção a qual será o núcleo linear - a essência da reportagem. Adicione outras partes quefornecerão informações adicionais, fontes e explicações.• Regra 5: não use tecnologia fora do contexto. Qualquer coisa que não acrescente nada à reportagem é"barulho visual".A tradicional estrutura de pirâmide, como já vimos, posiciona a introdução, o desenvolvimento e a base de umareportagem em um bloco sólido de seções interligadas. Esse método produz extensas partes isoladas, cuidadosamentedesenvolvidas e estruturadas. Isso pode ser uma vantagem em jornais impressos, ajudando a orientar os leitores atravésda reportagem. Porém, tal procedimento apresentou problemas para o meio online desde o início.A abordagem de Gentry, adotada pelo menos em teoria por muitos na comunidade online, quebrou em pedaçoso monólito, desmontando a pirâmide.A razão para isso, conforme explicado no Capítulo 4, é ser mais demorado e cansativo ler a partir de uma telado que em uma página impressa. É claro, reportagens mais longas também significam arquivos maiores que levam maistempo para download. Ao separar a sua reportagem em diferentes seções, você amenizará esses problemas. Porém, senão for cuidadoso, poderá criar alguns outros problemas, como confusão no leitor quando ele estiver navegando pelasseções. No entanto, certamente será mais fácil para os leitores baixar um arquivo e passar os olhos do que rolar a tela.
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Principalmente, mas não sempre. O áudio pode ser acessado online e, é claro, existem milhões de cópias de webpagesimpressas todos os dias.
 
 
Jornalismo on-lineProf. Artur Araujo –e-mail: artur.araujo@puc-campinas.edu.br / site: http://docentes.puc-campinas.edu.br/clc/arturaraujo/ Página 2 de 14
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINASCENTRO DE LINGUAGEM E COMUNICAÇÃOFACULDADE DE JORNALISMO
 
Essa melhora na acessibilidade pode ser razão suficiente para seguir o modelo de Gentry. Porém, há outrosdois fatores mais fundamentais para o jornalismo que ajudam a explicar por que a abordagem desconstrução-reconstrução tem sido fundamental para o desenvolvimento do jornalismo online durante os anos.• Dividir a sua reportagem em blocos maximiza o potencial de leitura. As reportagens podem ser complexas,com vários assuntos, ângulos e áreas de cobertura. Como resultado, os leitores irão se sentir atraídos pelas diferentespartes da reportagem e por diferentes razões. Quando apresentadas em uma única reportagem pirâmide, os leitoresprecisam separar a informação que não os motiva daquela que desejam. Alguns não se incomodam e buscam algo novo.Isso minimiza o potencial de leitura. Porém, se a reportagem for segmentada em diferentes seções que podem serlocalizadas pelo leitor (por meio de um mecanismo de busca) e lidas separadamente, sem a necessidade de recorrer aoutras seções, será possível satisfazer o potencial do usuário médio e maximizar o potencial de leitura.• Separar a reportagem em blocos também aumenta o número de pontos de entrada para os diferenteselementos da mídia online. Quando Leah Gentry instou a todos nós a "alavancar os poderes da mídia", ela queria quenós trabalhássemos com o meio de comunicação online e não contra ele. Dividir a reportagem em seções permiteintroduzir conteúdo multimídia, interatividade e links como elementos constituintes de cada seção. Se a reportagemonline é uma pirâmide única, a maioria desses elementos (que são fundamentais em vez de adicionais) é produzida demodo periférico e não integral. Ao distribuir a reportagem em diferentes seções, você oferece múltiplos pontos deentrada para essas importantes ferramentas jornalísticas.Portanto, dividir em blocos faz sentido. Sendo assim, não há lugar para a tradicional estrutura de pirâmide nomundo segmentado da escrita online e criação de conteúdo? Bem, na verdade, há. Porém, para entender o porquê,primeiro temos que dar um passo para trás.
Um Lugar para Linearidade?
Somos repetitivos ao dizer que a mídia online é um meio não-linear, mas o que isso significa? Alguma coisa é,realmente, não-linear? Um solo de Omette Coleman talvez, mas esse é outro assunto.Não seria mais correto dizer que as aplicações online, como navegar na web, envolvem consumo não-linear deprodutos principalmente lineares? Leah Gentry fala sobre núcleo linear, porém blocos de texto, resumos de matérias earquivos de áudio e vídeo são todos construídos individualmente em um padrão linear. Como modelo de consumo, omeio online é completamente irregular e imprevisível. No entanto, assim como um modelo de produção, é um protótipode linearidade, pelo menos no que diz respeito ao "bloco de informações". O jornalismo e a criação de conteúdorequerem modelos de produção. Para texto, não há nada que supere a pirâmide por linearidade.Então, quando desmontamos a pirâmide para uso online, ela é desconstruída do ápice para baixo, em três ouquatro partes como blocos de brinquedo? Isso produziria algumas formas muito estranhas e, portanto, estruturas dematéria estranhas. Certamente, em vez disso, construímos uma série de pedaços em forma de pirâmide ligados, o quesignifica que não a descartamos completamente.Antes de continuarmos, devemos considerar três outras razões para conservar uma estrutura linear aoescrevermos para o meio online.Primeira, algumas pessoas querem notícias a qualquer momento. Elas procuram um produto linear similar à"mídia tradicional" quando estão online. Elas utilizam esse meio de comunicação primeiramente por ser imediato, nãopela facilidade de quebrar uma matéria em diferentes blocos. Elas procuram por um resumo conciso de uma reportagemou notícia em geral, porém querem agora, ou até mesmo às três da manhã, e atualizado. Não que as coisas aconteçamsempre assim.Segunda, algumas pessoas querem notícias em qualquer lugar. A Internet sem fio transmite notícias einformações ao seu telefone celular. No entanto, a interface inapropriada (tela pequena e comando de entrada restrito)desencoraja uma experiência com a "mídia rica". No momento, é melhor mantê-la direta e simples. Mantenha-a linear.Finalmente, a transposição de frases criadas para mídia impressa ou para a mídia online requer cuidadosespeciais. Isso é geralmente uma expressão de exagero entre os especialistas, referindo-se a como os jornais impressoscolocam seu conteúdo bruto online com poucas adaptações, ou nenhuma, para a nova mídia. É a pirâmide completa emtoda a sua glória digital.No entanto, algumas pessoas realmente são, até certo ponto, ortodoxas. O alcance global da web permite aoscidadãos exilados, que não podem comprar seu jornal local do outro lado do mundo, escolher uma cópia online. Elesquerem a página de esportes exatamente como na versão impressa - o mesmo estilo, o mesmo conteúdo ... a mesmaestrutura linear. Vida longa à linearidade.Mais uma vez, o meio de comunicação pede aos jornalistas que sejam flexíveis e não dogmáticos. É o usuárioquem decide. No jornalismo online há espaço tanto para a desconstrução quanto para o resumo.
Como Separar uma Reportagem em Blocos
A linearidade é fundamental para o modo como construímos cada bloco. Porém, como decidimos como serácada bloco? Existe algum cnteno para segmentarmos as reportagens?A segmentação pode ser influenciada por:• Características da reportagem.
 
 
Jornalismo on-lineProf. Artur Araujo –e-mail: artur.araujo@puc-campinas.edu.br / site: http://docentes.puc-campinas.edu.br/clc/arturaraujo/ Página 3 de 14
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINASCENTRO DE LINGUAGEM E COMUNICAÇÃOFACULDADE DE JORNALISMO
 
• Necessidades e interesses do usuário.• Plataforma de distribuição a ser usada.O item características da reportagem refere-se à maneira como a própria reportagem pode influenciar o modocomo o jornalista a segmenta, nas tres formas seguintes:
Escala e duração de cobertura:
essa é a principal reportagem, que podena exigir muitas páginas separadas eatualizações constantes?
Amplitude e profundidade da cobertura:
trata-se de uma reportagem complexa com muitas facetasdiferentes e, portanto, vários potencIaIs de leitores diferentes?
Alcance da cobertura
: essa reportagem presta-se a características multimídia, interativas, etc.?Isso dificilmente é um bicho-de-sete-cabeças, mas nos ensina a manter toda reportagem dentro de seus limitese atribuir-lhe tratamento adequado. É a reportagem que deve guiar o processo de segmentação, e não dogmas, hábitosou sistemas automáticos.A segunda influência na segmentação da reportagem não é de surp~eender: é o usuário. Ao desconstruir ereconstruir, é preciso considerar o seguinte:• Interesses do usuário: quais assuntos da reportagem atrairão os grupos-alvo de usuários?• Necessidades do usuário: ele quer atualizações constantes, análises e explicações detalhadas, característicasinterativas personalizadas, dados brutos, imprimir cópias, etc.?O último fator é a plataforma de distribuição disponível. Distribuir a mesma reportagem para plataformasmúltiplas (por exemplo, computadores, telefones celulares e televisão na web) será mais comum porque faz sentidoeconômico. A notícia é uma mercadoria cara para se produzir. Sendo assim, deve ser produzida para o maior número depessoas e de muitas formas. No entanto, a mesma reportagem precisará de diferentes plataformas.Então, vamos recapitular. Vimos que dividir em blocos é geralmente (mas nem sempre) o melhor caminho paraelaborar uma reportagem ou informações para consumo online. Vimos também os critérios que guiam esse processo dedivisão. Porém, como construímos os blocos individuais? A resposta é: usando uma linguagem clara e direta. Podemostambém aplicar a fórmula da pirâmide para dar a esses blocos uma forma de leitura rápida a fim de resumir o conteúdo.Porém, existem outras técnicas de redação ou construção de reportagem específicas para o meio online? Aqui estãovárias que podemos considerar.Certifique-se de que cada bloco individual possa "ficar sozinho". As pessoas podem chegar em uma seção desua reportagem por meio de outro site, lê-Ia e desaparecer para outro canto da Internet sem tocar no restante de suamatéria. Elas devem conseguir ler um único bloco isolado e compreendê-Io. Isso significa que você precisa fornecerorientação editorial e navegacional, além de contexto para seu leitor. Isso é mais difícil do que parece, porque você devetambém atender o usuário que trabalha com todos os blocos de sua reportagem e não quer o mesmo contexto repetidasvezes. Isso é um pouco parecido com o trabalho de um roteirista de televisão, que escreve uma história em váriaspáginas, mas não sabe qual será vista primeiro por cada espectador. Um escritor ajuda o leitor sem nenhum controle. Ooutro auxilia a ter controle total. No entanto, a exigência é a mesma.Às vezes, a matéria deve fornecer mais que um contexto editorial.Ela deve também sustentar uma navegação inadequada no site. Conforme Amy Gahran explica, você pode sercontratado para fornecer conteúdo para um site cuja interface não fornece aos leitores contexto e orientação suficientes.O seu conteúdo vai ficar dentro dessa bagunça. Então, o que você faz? Ela dá três sugestões:
Mencione seu público-alvo
em seu lead ou introdução.
Crie um link para a home page do site
no começo do artigo.
Seja explícito, no início de seu artigo, sobre a área que cobrirá.
 Você deve também prender a atenção de seus usuários - é perigoso criar estereótipos de uso na web, mas agoraaceita-se que um número significativo de pessoas passe os olhos pelas páginas da web em vez de lê-las detalhadamente.No entanto, ainda há uma freqüente diferença de percepção entre provedores e receptores de conteúdo da web.Conforme o perito em acessibilidade Steve Krug (2000) declara, "Estamos pensando em 'ótima literatura' (ou pelomenos em 'folheto do produto') enquanto a realidade do usuário está muito próxima do 'cartaz passando por ele a 100quilômetros por hora"'.Krug assume estar oferecendo uma visão simplista para determinar um ponto fundamental. Ele também afirmaque documentos como reportagens e relatórios podem prender a atenção do leitor por mais tempo. No entanto, segundoele, a maioria das pessoas olha com pressa, procurando por palavras ou expressões que prendam o olhar.O foco de Krug é o design dos sites. a design é uma parte integrante de como comunicar, e isso será visto noCapítulo 7. Por enquanto, concentrar-nos-emos no conteúdo. Será que podemos escrever nossas reportagens de modo afazer com que o motorista apressado diminua a velocidade e dê uma olhada?
Escrever para Meio Online
• Seja sucinto: não use mais de 50% do texto que escreveria para a mesma reportagem em um jornal impresso.• Escreva para passar os olhos: use parágrafos curtos, subtítulos e listas com marcadores em vez de grandesblocos de texto.

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