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Praticas Sociais Constitutivas: a mobilidade como fronteira de inclusão e interação (Graça Pinto Coelho)

Praticas Sociais Constitutivas: a mobilidade como fronteira de inclusão e interação (Graça Pinto Coelho)

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Práticas Sociais Constitutivas: a mobilidade como fronteira de inclusão e interação.
Neste artigo, apresentado no Intercom 2009, em Curitiba, PR, a dra. Maria das Graças Pinto Coelho investiga o papel estruturante das mídias digitais nas sociabilidades contemporâneas. O corpus do estudo articula estratégias que resgatam novas competências para a recepção e para as lógicas da produção, mediadas pelos movimentos de sociabilidade e pelas mudanças na institucionalidade em um locus antes inimaginável das relações cotidianas.
Práticas Sociais Constitutivas: a mobilidade como fronteira de inclusão e interação.
Neste artigo, apresentado no Intercom 2009, em Curitiba, PR, a dra. Maria das Graças Pinto Coelho investiga o papel estruturante das mídias digitais nas sociabilidades contemporâneas. O corpus do estudo articula estratégias que resgatam novas competências para a recepção e para as lógicas da produção, mediadas pelos movimentos de sociabilidade e pelas mudanças na institucionalidade em um locus antes inimaginável das relações cotidianas.

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Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação
XXXII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Curitiba, PR – 4 a 7 de setembro de 2009
 1
Práticas Sociais Constitutivas:A Mobilidade como Fronteira de Inclusão e Interação
1
 Maria das Graças Pinto COELHO
2
 Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, RNResumoSerá que as mídias digitais podem exercer um papel estruturante nas sociabilidadescontemporâneas? Em especial no meio rural, do semi-árido nordestino do Brasil, de talmaneira que seja possível ocorrer aspectos de inserção e formação social? O corpusdeste estudo articula estratégias que resgatam novas competências para a recepção e para as lógicas da produção, mediadas pelos movimentos de sociabilidade e pelasmudanças na institucionalidade em um
locus
antes
 
inimaginável das relações cotidianas.Palavras-Chave:
 sociabilidades; tecnointerações; pós-mídias digitais; cidadania
.Este texto articula as redes sociais tecnológicas com práticas midiáticas e comoestas se reorganizam em práticas de formação social constitutivas. Considera que o potencial de conectividade tem alterado significativamente as formas de interaçõessociais e, conseqüentemente, os rearranjos vigentes. Duas dessas questões merecematenção: a significação das tecnologias que instrumentalizam a comunicação como processo social, e as resignificações do contexto histórico econômico e socioculturalonde as novas e complexas tecnologias exercem um papel estruturante nassociabilidades contemporâneas, em especial no meio rural, promovendo aspectos deinclusão e formação social.A abordagem teórica engendrada para fundamentar a análise, privilegiou autoresque concebem as relações tecnointerativas e as novas sociabilidades como estruturantese estruturadas no mundo social. Particularmente, localizam a disputa dos significados esignificantes do poder simbólico na articulação das estratégias dos agentes sociais natrama da vida cotidiana. A reflexão na América Latina pertence à Jesús Martín-Barbero
1
Trabalho apresentado no GP Comunicação e Educação, DT6 Interfaces Comunicacionais, evento componente doXXXII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação.
2
Professora e pesquisadora do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – Programa de Pós-graduação em Estudos da Mídia – PpgEM/UFRN e Programa de Pós-Graduação emEducação – PpgEd/UFRN - email: gpcoelho@ufrnet.br 
 
Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação
XXXII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Curitiba, PR – 4 a 7 de setembro de 2009
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(1997) e surge no conceito de “mediações”
3
,a partir do livro Dos Meios às Mediações,cujo título já contém o sentido da inversão.O ponto de partida é um estudo exploratório realizado por meio de entrevistascompreensivas
4
em Natal e Mossoró no Rio Grande do Norte sobre o uso da internet edo celular enquanto mídias e instrumentos de interação social na zona rural. Uma partedas entrevistas compreende de uma análise das percepções dos monitores das Escolas deInclusão digital e Cidadania da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural doRio Grande do Norte EMATER-RN
5
 sobre o uso das mídias digitais. Outras entrevistasforam realizadas com integrantes da ONG Rede xiquexique, de economia solidária, queusam o celular para consolidar a rede
6
. No Rio Grande do Norte 26% de seus habitantes ainda vivem na zona rural,
lócus
dessa pesquisa. Lá os movimentos sociais, articulados à Secretaria Nacional deEconomia Solidária providenciam ações sustentáveis que visam à construção daautonomia econômica e social para os trabalhadores. Essas ações estão integradas a umconceito operatório de apropriação tecnológica, que visa expandir e multiplicar ogerenciamento dos movimentos sociais no campo. São vários os grupos de agricultoresque ampliam as suas estratégias de inserção social através das mídias digitais e secredenciam para articular novas habilidades sócio-cognitivas para a comunidade.Tais empreendimentos econômicos solidários chegaram na década passada eenvolvem um amplo leque de agrupamentos, sob a forma de empresas autogeridas pelostrabalhadores, pequenas e médias associações ou cooperativas de produção,comercialização e dos mais variados serviços; projetos comunitários e cooperativasagropecuárias. Essas experiências organizacionais, freqüentemente desenvolvidas com aintermediação e o incentivo de instâncias públicas, ONGs, sindicatos, organizações
3
 
Jesús Martín-Barbero (1997) recoloca nas “mediações” o eixo das relações constitutivas entre comunicação, culturae política. O estudo das mediações significa transferir as práticas midiáticas para os processos socioculturais. Ascompetências da Recepção e as lógicas da Produção têm uma dupla relação mediada pelos movimentos desociabilidade, e pelas mudanças na institucionalidade. No caso, a sociabilidade é gerada na trama das relaçõescotidianas.
4
 
 Norbert Elias (1993) aborda a configuração social, processos dilemáticos, relações entre o indivíduo e os processosmais amplos que os envolvem e a interdependência, que pode ser compreendida numa relação ‘eu-nós’ (pensar omundo social como uma rede de relações inter pessoais).
 
5
 
Relatório final da pesquisa de mestrado
 
de Antônio Carlos T. Liberato sobre as Escolas de Inclusão Digital eCidadania (EIDC), da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Norte - EMATER/RN. OEIDEC tem como objetivo, contribuir para a educação tecnológica das populações de baixa renda que vive emcomunidades rurais, especialmente às famílias de agricultores participantes do Programa Nacional de AgriculturaFamiliar (PRONAF). Em todo o estado existem 70 escolas – espaços físicos cedidos pela EMATER, equipados por computadores conectados à internet, onde 110 monitores oferecem cursos básicos de informática gratuitos.
 
6
Parte da pesquisa realizada pela autora em 2008 com a rede Xiquexique está contida em “Trabalho Informal eCelular – Distantes, Diferentes, Desiguais, Conectados”,
in
 
Telecomunicações no Desenvolvimento do Brasil
– SãoPaulo, Momento Editorial: 2008.
 
Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação
XXXII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Curitiba, PR – 4 a 7 de setembro de 2009
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religiosas, universidades e agências internacionais, inscrevem-se hoje em torno dadinâmica das novas formas de solidariedade e compõem o campo da economiasolidária.O primeiro agrupamento norteriograndense foi o assentamento Mulungunzinho,com aproximadamente cinco mil pessoas na zona rural de Mossoró, a 42 quilômetros docentro. Surgiu em 1999 como modelo de gestão sustentável e abriga hoje 112 famíliasde pequenos agricultores. Dele surgiu o Mulheres Decididas a Vencer que produzemmel de abelha, castanha, artesanatos de palha e sementes, derivados da caprinocultura ehortigrangeiros em vários municípios do Rio Grande do Norte. Em 2003 esse grupocriou a ONG Rede Xiquexique, que envolve cerca de seis mil produtores e é composta por 50 grupos distribuídos em oito municípios do Rio Grande do Norte, onde vivemaproximadamente 400 mil habitantes.A Rede Xiquexique articula todas as suas ações por meio de um único telefonecelular, pré-pago, que pertence a Francisca Eliane de Lima Viana, a Neneide,coordenadora do movimento. Para controlar a comercialização dos produtos em feiraslivres montadas pela Rede, ela cobra uma porcentagem de 15% de cada associado para pagar as despesas com o telefone. Nas entrevistas com os associados também foramidentificadas pessoas que disseram ter aprendido a conversar com a família a partir daintegração na Rede e pelo uso constante do celular.Surpreendentemente, para os tempos atuais, o contrato com os cooperados daRede se dá, até hoje, de forma verbal: “olho no olho”, “na base da confiança.”. Comoafirma Neneide: “
 se não confiar em mim e eu em você, nada feito
.” Esse tipo decontrato social baseado nas relações primárias de confiança, no valor da palavra, remeteàs sociedades de tradição oral, regidas por formas de solidariedade mecânica(Durkheim, 1995). Formas de atuação típicas das sociedades pré-capitalistas, onde osindivíduos se identificam através da família, da religião, da tradição, dos costumes e dotrabalho. Pertencem a uma coletividade que reconhece os mesmos valores, os mesmossentimentos, os mesmos objetos sagrados. Reflete a multiplicidade de modos deconvivência que existem no campo ou na cidade e privilegia as culturas locais que sefortalecem diante do confronto identitário, presente nos quatro cantos do planeta.Com a ajuda dos bens experimentais como o celular e a internet, que lhesfacilitam as interações socioeconômicas, os pequenos agricultores do Rio Grande do Norte descobriram que o desemprego pode ser um aperto econômico, mas nunca umaqueda no vazio. Essa experiência se valida na idéia de uma comunidade de valores nas

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