Desde sempre, o movimento feministafundamentou-se numa grande preocupação:o de intervir na realidade social,compreendendo-a e transformando-a.
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Nunca he declarado la guerra a los hombres;no declaro la guerra a nadie, cambio la vida:soy feminista. No soy ni amargada ni insatisfecha:me gusta el humor, la risa, pero sé también compartirlos duelos de las miles de mujeres…: soy feminista.
Florence Thomas
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(Março, 2008)
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CofundadoradogrupoMujer ySociedad,FaculdadedeCiênciasHumanas,UniversidadeNacional daColômbia,Marçode2008.
A UMAR - União de Mulheres Alternativae Resposta - pretende, com o presenteManifesto, confrontar os partidos políticosque concorrem às eleições de 2009 com umconjunto de questões que integram a agendapolítica feminista para os próximos tempos.Terminada a luta pela despenalização doaborto que absorveu, durante três décadas,grande parte das energias dos feminismos emPortugal, novos espaços de reflexão e deintervenção se abrem onde coexistem novase “velhas” causas: tráfico de mulheres;violência de género e conjugal; condiçõessociais para a paridade; discriminações naárea do trabalho; desigualdades salariais entremulheres e homens;maternidade/paternidade; usos e gestão dotempo; direitos ambientais; sexismo nalinguagem e nas atitudes; educação; saúde;direitos LGBT; mutilação genital feminina;direitos das mulheres imigrantes; participaçãopolítica, social e económica; situação dasmulheres que prestam serviços sexuais; asquestões do cuidado com idosos/as e crianças;a valorização dos estudos feministase de género.O Congresso Feminista de 2008 serviu paraquebrar as espirais de silêncios que têmenvolvido as lutas feministas e conduzido àperpetuação das invisibilidades seculares dasmulheres e do pensamento crítico feminista.Neste Congresso, juntou-se a reflexãoacadémica ao activismo feminista e à acçãocultural na ideia de que estas três vertentesse conjugam no reforço de um movimentoque se pretende plural, com agenda própriae em articulação com as agendas de outrosmovimentos sociais. Desconstruiu-se a imagemde um feminismo guetizado ou ausente daagenda política e a ideia de que os homensestavam arredados deste compromisso deluta pela igualdade de direitos entre mulherese homens. Uma nova página foi aberta nosfeminismos em Portugal.Num momento tão importante como o daseleições legislativas, a UMAR decidiu realizaraudições públicas em várias regiões do paísjunto de diversos sectores de mulheres, deassociações, de movimentos sociais, de jovens,para procurar ouvir as vozes de quem temalgo a dizer, a reivindicar, a integrar numaagenda feminista que se pretende ampla eem permanente re/elaboração.
1.VIOLÊNCIA DE GÉNEROE NAS RELAÇÕES DE INTIMIDADE
A violência contra as mulheres no espaçodoméstico é a maior causa de mortee invalidez entre mulheres dos 16 aos44 anos, ultrapassando o cancro,os acidentes de viação e a guerra.
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Elas são assassinadas, esquartejadas,esfaqueadas, espancadas, asfixiadas, eaniquiladas psicologicamente.Em muitos dos casos, as crianças assistem àmorte da sua mãe pelo pai.As idades das vítimas situam-se entre os 17e os 70 anos.
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Recomendação1582(2002)1,AssembleiaParlamentar doConselhodaEuropa.
Em 2008, em Portugal, morreram às mãos demaridos, namorados, companheiros ou outrosfamiliares 47 mulheres, segundo o OMA(Observatório das Mulheres Assassinadas).Desde 1999, foram aprovados três PlanosNacionais contra a Violência Doméstica quecontribuíram para tornar mais visível estarealidade. Contudo, o velho lema “entremarido e mulher que ninguém meta a colher”só sofreu algum abalo, em Portugal, com aalteração, em 2000, do Código Penal, atravésda lei 7/2000 de 27 de Maio, que considerouo crime de maus-tratos sobre cônjuges como“crime público”.A lei recentemente aprovada no parlamentoque estabelece o regime jurídico aplicávelà prevenção da violência doméstica e àprotecção e assistência das suas vítimas,apesar dos aspectos positivos nela contidos,continua a acarretar vicissitudes como afigura do encontro restaurativo, que acabapor ser uma mediação penal, que pelalegislação está excluída do crime de violênciadoméstica.As estratégias de combate e protecção àsmulheres vítimas de violência devem serdiversificadas e não terem como respostaúnica a saída das mulheres para Casas deAbrigo, resposta a ser utilizada apenas quandoestá em causa a segurança, integridade físicae psicológica ou a vida das vítimas de violênciae não como solução global para responder àdesprotecção social decorrente da violência.Considera-se fundamental a intervenção naprevenção da violência, combatendo ospreconceitos e estereótipos que têmperpetuado as desigualdades entre mulherese homens e que estão na origem da violênciade género.As situações de assédio sexual no trabalhoe de violação e abuso sexual são áreas daviolência de género que têm sidonegligenciadas em termos deintervenção social.Deste modo, exigimos, as seguintes medidas:Regulamentação da actual lei de prevençãoda violência doméstica e apoio às suas vítimasno prazo previsto de 180 dias e criaçãosimultânea dos meios necessários à suaaplicação e eficácia, pois temos assistido,não parcas vezes, ao surgimento de legislaçãoque não se tem traduzido em alteraçõessignificativas e efectivas na vida das mulheres.Alteração do quadro jurídico vigente,reiterando menos tolerância para com osagressores e os homicidas de crimes deviolência de género.Para além da maior celeridade nos tribunaise nos processos em curso são essenciaistribunais de competência especializada mistaem matéria de violência doméstica.Maior investimento nos recursos e respostasdirectas na comunidade, evitando que asmulheres e crianças tenham de sair de suascasas, conjugando com medidas judiciais deafastamento dos agressores que sejamefectivamente aplicadas (pulseiraselectrónicas e outros meios de controlo àdistância).Medidas de apoio que obstem aodesenraizamento das mulheres vítimas deviolência, ao seu afastamento de redes desuporte, dos seus empregos, escolas, amigose familiares.No caso das mulheres que são forçadasa sair das suas casas e comunidades paraoutras regiões, impõe-se por parte dasautarquias o estabelecimento de uma quota
2.MULHERES, TRABALHO E PODER
O número de mulheres desempregadasé de 300 mil (52% do totalde desempregados).
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Elas recebem, em média, menos 19% dossalários dos homens. A precariedadeatinge as mulheres de formamais gravosa.Mantém-se a maior sobrecarga dasmulheres com duplas e triplas tarefasde apoio familiar.
Vivemos actualmente uma situação inéditana sociedade portuguesa: pela primeira vez,as mulheres constituem a maioria doslicenciados, obtendo melhores classificações.No entanto, continuam a ocuparmaioritariamente profissões menosqualificadas e constituem uma minoria nosórgãos do poder económico e político.Por outro lado, independentemente de seencontrarem ou não inseridas no mercado detrabalho, continuam a ser elas quem asseguramaioritariamente as tarefas domésticas e docuidar, realizando em média mais 17 horassemanais de trabalho não remunerado do queos seus pares masculinos. O trabalho domésticoe do cuidar não pago feito pelas mulheresresulta, deste modo, de uma espécie de pactosimbólico feito pelos homens de todas asclasses sociais e culturas, em que estes sãoos principais provedores das famílias e asmulheres são as cuidadoras e reprodutorasda força de trabalho.No contexto das relações sociais que seestabelecem no sistema patriarcal, asactividades mais destacadas e privilegiadasencontram-se identificadas com os homense as actividades menos prestigiadascom as mulheres.As diferenças salariais entre mulheres ehomens baseiam-se, pois, nesta distinção daatribuição de tarefas com base no género,sendo os salários das mulheres entendidoscomo complementos do rendimento familiare, por isso, considerados como secundáriosem relação aos dos homens.Estes pressupostos vêm reforçar:- a subalternização das mulheres no mercadolaboral e as suas escolhas profissionais (emprofissões que são o prolongamento das suasfunçõestradicionais – operárias têxteis, empregadasda limpeza, professoras, educadoras infantis,auxiliares de educação, enfermeiras, técnicasdo serviço social, entre muitas outrastradicionalmente consideradas profissõesfemininas);- a sua sub-representação nas funções dechefia e de direcção, ou seja, nos órgãos dopoder.Por sua vez, esta condição subalterna nomercado laboral vem reforçar a sua situaçãode dependência na família.É também neste contexto que o trabalho atempo parcial deverá ser analisado – espéciede presente envenenado que retira poder àsmulheres e as confina às funções tradicionais,com salário baixo (complemento do homem)e sem perspectivas de progressão na carreiraprofissional, limitando as suas capacidadesde se constituírem como sujeitos autónomose livres.A precariedade, a flexibilização e adesregulamentação do mercado de trabalho,que empurra maioritariamente as mulherespara os empregos mais mal remunerados,precários e com horários alargados.Todas estas situações originam uma sub-representação das mulheres na repartição dorendimento, implicando obrigatoriamentemenos poder, menos controlo das suas própriasvidas, fraca participação na esfera políticapública e menos poder político, económico esimbólico.Exigimos as seguintes medidas:Fim das diferenças salariais entre mulherese homens. O trabalho das mulheres énormalmente desvalorizado e com isso asmulheres auferem na maior parte das vezesde salários inferiores.Igualdade no acesso ao emprego emconformidade com a legislação sobrecontratos, direitos e salários. As mulheresdevem ter as mesmas oportunidades no acessoao emprego sem serem discriminadas nasentrevistas de emprego onde são questionadassobre a sua situação familiar.Definição de requisitos profissionais comcritérios objectivos e claros de forma a nãoexistir discriminação de género. Muitas vezesos requisitos exigidos ainda que não explícitoslevam à discriminação de género.Definição de horários de trabalho quepermitam a conciliação entre a vidaprofissional, familiar e participação cidadã,que não assente no trabalho a tempo parcialpenalizador das mulheres. As mulherescontinuam a ser sobrecarregadas com astarefas domésticas e do cuidados dos/asoutros/as.Cumprimento da legislação sobrematernidade/paternidade sem perda dequaisquer direitos. Denúncia pública e jurídicados casos em que a legislação não é cumprida.Eliminação da discriminação no acesso aprémios de assiduidade e produtividadebaseados no exercício dos direitos dematernidade.Cumprimento da legislação sobre direitoà amamentação sem qualquer perda dedireitos.Oportunidade de formação profissionalpara progressão na carreira sempre quenecessária e em horário integrado no contextolaboral.Igualdade de tratamento no local detrabalho. Muitas vezes as mulheres sãodiscriminadas e vítimas de assédio e violênciaverbal nos locais de trabalho.Revisão das normas gravosas do códigolaboral que aumentam a precariedade,flexibilizam e aumentam as horas de trabalhonão compatíveis com as responsabilidadesparentais. Pela contratação efectiva e comdireitos.Rede pública de estruturas sociais deapoio às famílias, a crianças e a idosos comhorários e preços compatíveis com asnecessidades das famílias.Políticas de género que implementemuma equidade na redistribuição dos recursose empoderem as mulheres de forma a garantirum nível e qualidade de vida autónoma elivre.
3.EDUCAÇÃO/FORMAÇÃO
O peso social que os estereótipos dofeminino e do masculino e a linguagemsexista têm na formação da personalidadedas raparigas e dos rapazes faz daeducação um lugar privilegiadopara o combate às desigualdadesde género. É na escola quese inicia o combate à linguagem sexistae a uma ordem simbólica desigualpara mulheres e homens.
Apesar das alterações registadas e dos avançosno que respeita à sua democratização, a Escolaportuguesa continua a reproduzir, de formacomplexa e paradoxal, as hierarquias de poder.As jovens, que apresentam taxas de sucessoescolar mais elevadas do que os seus paresmasculinos, continuam, no entanto, a fazeras escolhas dos cursos com base no género.
4.MULHERES IMIGRANTES
Nós descobrimos logo …que preferiam arranjar trabalhadoresde Leste, dos países africanos ou doBrasil, sobretudo em condições ilegais.
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O número de mulheres imigrantes temtendência a aumentar em Portugal e emoutros países europeus, pois as mulheres sãoas principais vítimas da pobreza a nívelmundial. Regista-se, ainda, um maior pesodas mulheres que imigram sozinhas.No que respeita à inserção laboral eprofissional das mulheres imigrantes, verifica-se que estas ocupam profissões poucoqualificadas: empregadas de limpeza em casasparticulares e escritórios, trabalhadoras derestauração e alojamento, vendedoras edemonstradoras. São trabalhos mal pagos,precários, com horários de trabalho muitolongos. Conseguir um contrato de trabalhopara renovar a Autorização de Residência(AR) é também um dos grandes problemascom que estas mulheres se defrontam, devidoà enorme precariedade da suasituação laboral.A protecção das mulheres imigrantes vítimasde violência é insuficiente, quando não têma sua situação documental regularizada,sendo-lhe negada, entre outras, a protecçãoda Linha Nacional de Emergência Social e oacesso a vagas subsidiadas pela SegurançaSocial na rede de Casas de Abrigo, quandonão têm a sua situação legalizada, o que põeem risco a vida destas mulheres. O mesmoacontece em relação ao seu acesso aosserviços de saúde sexual e reprodutiva, sendoestes, em princípio, garantidos também paraas não regularizadas durante a gravidez, partoe nos meses a seguir. Todavia, fora destesperíodos há algumas dificuldades no acessodestas imigrantes a estes serviços.Exigimos as seguintes medidas:Plena protecção (jurídica, policial esocial) perante situações de violência degénero, independentemente do estatutodocumental das imigrantes no país. Deve seroutorgado um título de residência estável aestas vítimas (em nenhum caso dependentedo título do agressor),à semelhança do que a lei já prevê para asvítimas de tráfico humano.Verdadeiro combate à exploração laboral,através – entre outros - de um maior rigor eeficácia na acção das entidades e autoridadescompetentes em matéria de protecção destesdireitos (ACT, Segurança Social, Tribunais doTrabalho...).
Fim da discriminação social e institucionaldas empregadas domésticas, consagrada narestrição de direitos – em relação àgeneralidade das/os trabalhadoras/es - quea legislação do sector impõe. Neste sentido,o Decreto-Lei 235/92 deve ser alterado, oque beneficiará imigrantes e nacionais.Combate à segregação das mulheresimigrantes no mercado de trabalho, como,por exemplo, alargar o direito aoreconhecimento das suashabilitações/formação de base e simplificaros procedimentos para tal exigidos, de formaa aceder a diferentes ofertas de empregoque não exclusivamente o trabalho domésticoe/ou as limpezas.Acesso à educação, independentementeda idade e que esta não seja negada àsmulheres que estão em situação irregular,pois muitas das vezes este acesso foi-lhestambém negado nos seus países de origem.Combate aos estereótipos racistas esexistas referentes às mulheres imigrantesnomeadamente através da formação/sensibilização das/os profissionais dacomunicação social e de medidas educativas.Colaboração mais estreita entre asentidades governamentais encarregadas dadefesa e promoção dos direitos das mulheres(CIG, CITE) e as suas congéneres da área daimigração (ACIDI).Criação, em todos os bairros e freguesiasde uma rede de apoio para ocupação e cuidadodas crianças e jovens com horário alargado(6h às 23h) de modo a que as mulheres possamdeixar as suas crianças durante o horário detrabalho.Todas as entidades (governamentais ouda sociedade civil) que lidam com imigrantesdevem ter pessoal especializado nas questõesde género para um melhor atendimento àsmulheres imigrantes.Independentemente da situaçãodocumental no país, efectivo acesso à saúdesexual-reprodutiva em plena igualdade decondições com as cidadãs nacionais, nãoficando restrito unicamente aos períodos degravidez, parto e puerpério.
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ALVES,MariaJosé(2004),prefácioàpublicaçãodaAPFcombasenainvestigaçãodeYasmineGonçalvessobreMutilaçãoGenital Feminina.
A educação/formação afigura-se como ummeio fundamental para desconstruir ecombater os estereótipos, ao nível dos papéisde género, o que passa pela formação iniciale contínua de professoras/es, educadoras/es,pela escolha de conteúdos programáticos ecurriculares que fomentem a paridade emáreas diversas como a literatura, a ciência,a arte, entre outras, combatendo as escolhasde cursos e a orientação profissionalestereotipadas.A educação para a igualdade/paridade ébasilar desde o jardim-de-infância, ao níveldas brincadeiras dos papéis de liderança, dasdinâmicas e jogos, até aos mais altos níveisdo ensino superior.Alguns currículos e manuais escolarescontinuam a reproduzir as relações de poder,genderizadas, de classe, étnicas eheteronormativas, invisibilizam as mulherese outros grupos sociais dominados, bem comoas suas acções na História e os seus contributospara a elaboração do conhecimento.É também pela linguagem e na linguagem quese faz a discriminação sexista, homofóbica,classista e racista. Os discursos representaminteresses políticos e encontram-se em lutapor estatuto e poder, sendo que a utilizaçãodo masculino como universal neutro universalleva à subalternização das jovens.Exigimos as seguintes medidas:Políticas que fomentem a educação paraa cidadania, para o civismo e para os afectos.Educação para a igualdade/paridadedesde o jardim-de-infância.Integração da dimensão de género e dapromoção dos direitos humanos na formaçãoinicial e contínua de educadoras/es, docentese outros profissionais ligados às actividadesdo cuidar; formação contínua também paraoutros profissionais intermédios como as/osauxiliares de acção educativa.Desconstrução e combate aos estereótiposde género, através da escolha de conteúdosprogramáticos e curriculares que fomentema igualdade entre rapazes e raparigas.Alteração da ordem simbólica implícitanos curriculos e manuais escolares, valorizandoo protagonismo das mulheres na história enas diversas áreas sociais e politicas.Introdução nos currículos de novos modelosde identidade que vão surgindo devido àsmudanças sociais que se repercutem nasformas de educar, de pensar, de estar, poisnão existe uma mas sim múltiplas identidadesde género.Visibilização do saber da experiência, dosaber associado às mulheres, não desvinculadodas suas necessidades e das suas origensétnicas e sociais.Implementação de uma verdadeira eefectiva educação sexual nas escolas, porforma a permitir às e aos jovens uma formaçãoe educação nesta área e nas suas vertentessócio afectivas, contribuindo para a construçãodas suas identidades baseadas em escolhaslivres e responsáveis.
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ComunicaçãodeAlexandraDourado,AnabelaGomes,ElsaCorreiaeMariaBibasnoCongressoFeminista2008nopainel “Violênciadegénero,violêncianasrelaçõesdeintimidade”.(FundaçãoC.Gulbenkian,26deJulhode2008)
5.MUTILAÇÃO GENITAL FEMININA(MGF) E OUTRAS PRÁTICASTRADICIONAIS
A mutilação genital feminina atentacontra os direitos sexuais e reprodutivosdas mulheres, pelo que, tal como outrosactos de violência e discriminação, nãopode ser justificada ou tolerada combase em valores tradicionais, questõesculturais ou eventuais questões decarácter religioso, nem estas podemservir de entrave ao seudesencorajamento e erradicação.
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Também outras práticas tradicionais,lusas ou outras, podem bloquear eimpedir os direitos das crianças, raparigase mulheres de usufruir dos direitos plenosde cidadania, numa vida autónoma eassente no seu próprio livre-arbítrio.
Encontra-se presentemente em fase deimplementação o
Programa de Acção para aEliminação da Mutilação Genital Feminina
,incluído no
III Plano Nacional para a Igualdade,Cidadania e Género (2007-2010)
. EstePrograma de Acção, elaborado por um grupode trabalho composto por elementos deInstituições Públicas e Organizações NãoGovernamentais e Intergovernamentais, tem-se revelado um poderoso instrumento querde promoção dos direitos humanos e dosdireitos sexuais e reprodutivos das meninase mulheres sujeitas a estas práticas ou emrisco de MGF, quer de promoção da Igualdadede Género e, assim, de combate à Violênciade Género.Este Programa defende que a eliminação daMGF somente será uma realidade se ascomunidades que a praticam (incluindohomens e líderes religiosos) se envolveremnesta luta. Neste sentido, o Programa apostanão na repressão e criminalização destascomunidades, mas sim em campanhas desensibilização e prevenção junto das mesmas.O Programa é inovador também porquecontempla medidas específicas no âmbito daCooperação Portuguesa. É necessário entãoque este seja efectivamente aplicado e quecontinue a merecer vontade política paraalém de 2010. É importante que outraspráticas tradicionais como é o caso docasamento precoce/forçado, lapidações,crimes de honra, violência contra as viúvas,infanticídio feminino, entre outras, queatentam contra os Direitos Humanos, sejambanidas. Para tal, cumpre ao governoportuguês, nos acordos de Cooperação e nassuas Relações Diplomáticas, pressionar osgovernos dos países onde tais práticas sãocomuns para que sejam tomadas medidas queas eliminem e que promovam a Igualdadede Género.Exigimos as seguintes medidas:Aplicação efectiva das Actividades/Medidasconstantes no Programa de Acção para aEliminação da Mutilação Genital Feminina,Programa integrado no III Plano Nacional –Cidadania e Género (2007-2010) eprolongamento do Programa para além de2010.Alteração da Lei nº 27/2008, de 30 deJunho, que estabelece as condições eprocedimentos de concessão de asilo ouprotecção subsidiária e os estatutos derequerente de asilo, de refugiado e deprotecção subsidiária. Defendemos que oGénero seja incluído de forma clara einequívoca como um dos “Motivos daPerseguição» (artigo 2º) que fundamentam oreceio fundado de o requerente serperseguido, bem como na definição de“Refugiado” (artigo 2º, alínea X). Ou seja,pensamos que o nº 2 do seu artigo 5º (actosde perseguição), em concreto as suas alíneasa) “Actos de violência física e mental, inclusivede natureza sexual”, e alínea f) “Actoscometidos especificamente em razão dogénero ou contra menores” necessitam serenquadradas por dispositivo normativo queestipule que o Género, tal como a Raça,motivam situações de Perseguição. Só assimsituações de MGF, bem como de outras práticastradicionais como o casamento precoce,podem proceder na concessão de asilo,refugiado e protecção subsidiária.O governo português, nos acordos deCooperação e nas suas Relações Diplomáticas,deve pressionar os governos dos países ondeas práticas tradicionais acima referidas sãocomuns para que sejam tomadas medidas queas eliminem e que promovam a Igualdade deGénero.Apoio a estudos/investigações que sedebrucem sobre as práticas tradicionaisprejudiciais à Saúde, incluindo a SaúdeSexual e Reprodutiva de mulheres e meninas.
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SloganutilizadopelasmulheresqueprestamserviçossexuaisnumamanifestaçãoemMadridemFevereirode2002.
6.NEM VÍTIMAS NEM ESCRAVAS
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-DIREITOS SOCIAIS PARAAS MULHERES QUE PRESTAMSERVIÇOS SEXUAIS
Um quadro legal que confira direitosàs mulheres que prestam serviçossexuais pode garantir-lhes maiorprotecção contra as redes criminosasde tráfico e dar-lhes maior poderpara impor algumas regras nosserviços que prestam.
É sabido que as feministas têmposicionamentos diferentes quanto àprostituição. AUMAR considera que as posiçõesabolicionistas, que apenas assentam a suaacção no apoio à saída de mulheres daprostituição, fecham os olhos à situação realdas prostitutas ao não lhes criarem condiçõespara que estas possam ter segurança social edireitos capazes de reforçar a sua autonomiae lutar contra o proxenetismo e o arbítrio dosclientes.Apesar de se poder considerar que o sistemada prostituição assenta numa relação dedomínio sexual dos homens sobre as mulherese que, como tal, perpetua desigualdades depoder entre os sexos, na realidade existempessoas que optam por ter uma actividadepessoal na área da prostituição e que, poresse motivo, não devem ser marginalizadas.Conferir direitos às pessoas que prestamserviços sexuais de forma autónoma, semfomentar o negócio e o acantonamento emzonas específicas, assim como combater otráfico que assenta na exploração forçada daprostituição, devem ser medidas a encararsem preconceitos.Acima de tudo é preciso ouvir as pessoas queexercem actividades relacionadas com o sexoe as sexualidades. Nem todas estarão decertode acordo com um sistema de regulamentaçãoestigmatizante.Exigimos as seguintes medidas:Reconhecimento social da legitimidadede opção e combate ao estigmatismo associadoàs palavras “puta” e “prostituta”.Respeito pelas pessoas que optem viverda prostituição ou de actividades ligadas aosexo conferindo-lhes direitos, facilidades paraa sua auto-organização e empoderamento,acesso a serviços de saúde e formativos,direito à habitação e, no caso das mulheres,ao exercício da maternidade, contrariando atendência para retirar os filhos às mulheresque vivem da prostituição.Protecção efectiva contra o proxenetismo,as “máfias” e práticas de violência.Medidas de combate ao tráfico de mulherese crianças para fins de prostituição forçada.Mudança dos paradigmas da sexualidade,tornando dignas as formas de erotismoassumidas em igualdade por mulheres ehomens.Apoio a estudos/investigações nesta áreaque promovam uma visão mais multifacetadada denominada “indústria do sexo”evidenciando outros protagonistas eenfatizando o lado da procura,nomeadamente os clientes.
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TeodoraAndrovainFilipaPereiraeElsaSertório(2004),
MulheresImigrantes
,Elapor Ela.
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InVConferênciaNacional sobreaIgualdadeentreMulhereseHomensdaCGTP.
municipal de habitação para as mulheresvítimas de violência doméstica; estas mulheresdevem também fruir de prioridade na(re)inserção profissional e oportunidades deformação profissional.Políticas orientadas para o combate eprevenção do assédio sexual no local detrabalho.Políticas mais efectivas para combater eprevenir a violação e o abuso sexual deraparigas e mulheres.Políticas orientadas para a prevenção daviolência de género com especial incidênciana educação nos diversos níveis escolares.Incentivos ao financiamento para estudaros efeitos a longo prazo nas crianças vítimasde violência doméstica (directas e indirectas)e crianças filhas de pais homicidasdas suas mães.
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