3do ser. Por isso, a noção de é
pistémè
, tomada de empréstimo, mas num sentidodeslocado, da obra de Michel Foucault
, é aquilo que circunscreve o pensamentofilosófico da linguagem comum, que insere este pensamento neste espaço ordenado. Nasua interpretação, este campo epistêmico funciona segundo um sistema de“constrangimentos fundamentais, de oposições conceituais fora das quais ele se tornariaimpraticável”. Pode-se dizer que uma característica importante do pensamentoderridiano é justamente a torção deste sistema de oposições conceituais, como veremosmais adiante
.Esta filiação da estrutura à é
pistémè
, no entanto, foi afetada por aquilo queDerrida denomina como um “acontecimento” (événement) na história do conceito. Oacontecimento em questão se refere a possibilidade de pensar o descentramento danoção de estrutura. Até então, “a estrutura, ou melhor a estruturalidade da estrutura,embora tenha sempre estado em ação, sempre se viu neutralizada, reduzida: por umgesto que consistia em dar-lhe um centro, em relacioná-la a um ponto de presença a umaorigem fixa. Esse centro tinha como função não apenas orientar e equilibrar, organizar aestrutura (...) mas sobretudo levar o princípio de organização da estruturar a limitar oque poderíamos denominar
jogo
da estrutura”
.A estruturalidade da estrutura é aquilo que possibilita a formação deste centrofixo, capaz de garantir “a determinação do ser do ente como presença”, e por isso trata-
5
A noção de
épistémè
é importante na primeira fase do pensamento foucaultiano, marcado pela descriçãoarqueológica dos saberes. Em
As Palavras e as Coisas
, Foucault trata dessa noção como “a regiãointermediária entre os códigos fundamentais de uma cultura, os que regem sua linguagem, seus esquemasperceptivos, seus intercâmbios, suas técnicas, seus valores, a hierarquia de suas práticas, e as teorias,científicas e filosóficas que explicam todas essas formas de ordem”. Ademais, na sua perspectiva não épossível falar em uma
épistémè
, mas em várias, marcadas por um processo de descontinuidade histórica.Assim, há uma
épistémè
renascentista, uma clássica e uma moderna. Cf. Edgardo Castro,
Vocabulário deFoucault
, p. 139-140.
6
Jacques Derrida,
Positions
, p. 14 (tradução minha).
7
ESJ
, p. 230.
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