que funciona em dois turnos e é moni-torada por equipe que reúne médico,enfermeira, auxiliar de enfermagem,agente comunitário de saúde, dentistae auxiliar de consultório dentário.O atendimento do posto de saúdechega aos domicílios cadastrados noentorno — cerca de 1.000 residências,segundo a Secretaria Municipal de Saú-de — e presta serviços de imunização,aerossolterapia (terapia por nebuliza-ção) e prevenção de câncer do colo doútero. Adalberto destaca a parceriaentre as duas instâncias: as pessoastanto são encaminhadas da unidadede saúde às terapias complementares,como podem ser orientadas nos servi-ços comunitários a procurar apoio deespecialistas, quando necessário.Além da unidade de saúde, ocomplexo 4 Varas conta hoje com aoca de saúde comunitária, para as mas-sagens, os banhos e as rezas, a tendadas sessões de terapia comunitária ede resgate da auto-estima, a farmáciaviva — onde são cultivadas ervas medi-cinais, cuja venda auxilia na autonomiafinanceira do projeto —, o ateliê dearte-terapia e a casa de acolhimento,onde se hospedam pesquisadores visi-tantes e são recebidas as pessoas quenecessitam de repouso.Também fazem parte da estruturafísica local a Casa da Memória — quedispõe de acervo de fotos, áudio evídeos sobre a história da terapia co-munitária, do projeto e da comunidade—, uma escola que atende cerca de 100crianças carentes da favela e o grupode teatro Zé e Maria, que reúne 30jovens da comunidade.Parece um oásis, encravado numadas comunidades mais violentas da ca-pital cearense, cercado de coqueiros eoutras árvores frutíferas, salpicado deverde nos canteiros com ervas medicinaise nos jardins que emolduram os prédios.As construções utilizam materiais locais,
A massoterapeuta CléiaRodrigues Monteiro chegou
ao projeto há nove anos, também àprocura de ajuda. Relata, sorridente,à porta da sala que ocupa na ocade saúde comunitária, que sofriade depressão desde jovem e re-clamava de um
entalo
. “QuandoCleinha se curou, começou amandar pessoas pra cá”, recorda Adal-berto, que identificou naquela senhoraa capacidade de mobilização na comu-nidade. “Vi que ela tinha capilaridade,conseguia formar uma rede de suportee de apoio social”, lembra. No iníciorelutante, fez o curso de massagem.“Você cuida muito bem dos outros,venha aprender a cuidar melhor”, diziaAdalberto para convencê-la.Situação semelhante viveu donaFrancisca, que chegou à casa “ne-oleptizada, babando, inclusive im-pregnada”. Adalberto conta que atéela se surpreendeu pela maneiracomo foi recebida: “Disseram que asenhora é rezadeira. Meus remédiossozinhos não dão conta de tantoestresse e sofrimento. Vou precisarde gente como a senhora”, disse omédico. “O senhor acha que vou ficarboa?”, duvidou Francisca. “A senhoranasceu assim? Não! Não se preocupeque vou te tratar”.e não sabia”, diz. Foinuma das sessões deterapia comunitáriaque ela se (re)desco-briu rezadeira.O doutor Adal-berto relembra.“Dona Zilma era doidade pedra. Mas quandochegou aqui, não olheia patologia: disseramque era curandeira.Um dia, uma pessoapassou mal, segundoela era um encosto.Ela foi lá, rezou e,depois que terminou,as pessoas começa-ram a pedir que elarezasse aqui e ali.Não deu mais tempode endoidar”.
RADIS 67 • MAR/2008[ 11 ]
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