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MANEIRAS DE PENSAR O COTIDIANO COM MICHEL DE CERTEAU

MANEIRAS DE PENSAR O COTIDIANO COM MICHEL DE CERTEAU

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Published by Paty Vechia
Este artigo apresenta, no contexto das investigações que vêm ocorrendo no
Grupo FormAção (Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Formação de
Educadores), a perspectiva do cotidiano escolar como uma das suas
dimensões de análise em processos formativos de professores, considerando
a importante contribuição de Certeau – do que ele chama “invenções
cotidianas”. Analiso “paisagens em transição”, momentos de ruptura que se
evidenciam no campo da formação de professores alfabetizadores, na
perspectiva da proposta de organização da escola em ciclos. A análise,
decorrente da problematização do caráter tático ou estratégico da política
implantada, estará considerando as possibilidades ou não de os educadores
e a comunidade correrem o risco de ensaios e erros, avanços e retrocessos,
para somente assim encontrarem formulações que atendam às necessidades
sentidas. Considerando tal perspectiva, problematizo práticas, criações e artes
na escola, ouvindo a palavra de professoras, pensando a respeito de suas
invenções, procurando evidenciar microdiferenças onde tantos outros apenas
percebem uniformização e conformismo.
Este artigo apresenta, no contexto das investigações que vêm ocorrendo no
Grupo FormAção (Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Formação de
Educadores), a perspectiva do cotidiano escolar como uma das suas
dimensões de análise em processos formativos de professores, considerando
a importante contribuição de Certeau – do que ele chama “invenções
cotidianas”. Analiso “paisagens em transição”, momentos de ruptura que se
evidenciam no campo da formação de professores alfabetizadores, na
perspectiva da proposta de organização da escola em ciclos. A análise,
decorrente da problematização do caráter tático ou estratégico da política
implantada, estará considerando as possibilidades ou não de os educadores
e a comunidade correrem o risco de ensaios e erros, avanços e retrocessos,
para somente assim encontrarem formulações que atendam às necessidades
sentidas. Considerando tal perspectiva, problematizo práticas, criações e artes
na escola, ouvindo a palavra de professoras, pensando a respeito de suas
invenções, procurando evidenciar microdiferenças onde tantos outros apenas
percebem uniformização e conformismo.

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 Maneiras de pensar o cotidiano com Michel de Certeau
MANEIRAS DE PENSAR O COTIDIANOCOM MICHEL DE CERTEAU
Ways to Think the Quotidian with Michel de Certeau
 Marília Claret Geraes Duran
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: Formação de professores-alfabetizadores; Invençõescotidianas; Michel de Certeau.
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Docente pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Educação – Mestrado, daUniversidade Metodista de São Paulo. Mestre e Doutora em Educação (Psicologia daEducação) PUC-SP. e-mail: marilia.duran@metodista.br
 
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 Marília Claret Geraes Duran
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This article presents, in the context of the investigations which are happeningin the Grupo
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(Group of Studies and Researches About Teachers’Qualification), the perspective of the school quotidian as one of its dimensionsof analyses in the formative process of teachers, considering the importantcontribution of Certeau – what he calls “quotidian inventions”. I analyze“prospects in transitions”, moments of rupture that highlight in the field of qualification of teachers of elementary schools, in the perspective of theproposal of organization of the school in cycles. The analyzes from thequestions of the tactic character or strategic of the politic implemented, shallconsider the possibilities or not of the teachers and the community run therisks of essaying and making mistakes, step forward and set back, in order tofind formulations that could answer to the necessities felt. Considering suchperspective I question practices, creations and art in the school, listening tothe teachers, thinking about their inventions, trying to highlight microdifferences where, others only have noticed unification and conformism.
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: Qualification of teachers of elementary school; Quotidianinventions; Michel de Certeau.
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O tema do cotidiano tem aparecido com freqüência nas pesquisas enos estudos da Educação e das Ciências Humanas em geral, evidenciando-seum interesse crescente dos pesquisadores pelas chamadas “questões do dia-a-dia, pelas questões mais rotineiras que compõem os acontecimentos diáriosda vida e os significados que as pessoas vão construindo, nos seus hábitos,nos rituais em que celebram no recinto doméstico ou da sala de aula”(CHIZZOTTI, 1992, p. 87-88), nas ruas ou nas igrejas, e todo o sentido sociale político dessas práticas e comportamentos que se expressam “na penumbra”,num cotidiano tão carregado de contradições. O estudo das realidades queformam o cotidiano tem se realizado por óticas diferentes.Não é minha intenção retomar uma cronologia de algumas das teoriasmais presentes no estudo do cotidiano (CHIZZOTTI, 1992), condensando suasdiferentes abordagens, cujas diferentes raízes históricas evidenciam, de certaforma, o objetivo de uma análise do cotidiano, das questões da vida rotineira,dos processos, das práticas triviais: as conversas, as expressões faciais, osgestos, ligados ao contexto em que ocorrem nos instantes da vida diária daspessoas. E é importante chamar a atenção, como o faz Chizzotti (1992, p. 97),que no contexto de classe social,
 
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[...] há uma acusação forte de que o cotidiano sempre ficou à margem deconcepções totalizantes que remetem a explicação da realidade social àsestruturas que modelam e cristalizam a sociedade global. [...] Mas a crítica maiscontundente acho que vem de Lukás, que procura criticar três abandonosfundamentais do marxismo: a noção de totalidade, a de dialética e a demediação, pelas quais as questões concretas da vida acabam se perdendo,caso não forem resolvidas.
Na verdade, como salienta Chizzotti, as questões do cotidiano têmsido tratadas, no Brasil, a partir de Agnes Heller – uma discípula direta deLukás e da Escola de Budapeste, e por Lefebvre, que faz um tratado do cotidianoprocurando extrair as características descritivas da vida cotidiana e criar umaontologia desta. Acrescento a tais autores as contribuições de Michel de Certeau(1994), que também exige uma atenção específica pela sua importância. Foijustamente a perspectiva deste autor que encaminhou as discussões e estudosempreendidos pelo GT FormAção – Grupo de Estudos e Pesquisas sobreFormação de Educadores, com a intenção de evidenciar a fecundidade desuas idéias, suas já reconhecidas contribuições nos estudos e pesquisas emEducação, nas pesquisas sobre maneiras de pensar as práticas cotidianas naescola.
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O meu primeiro contato com Certeau ocorreu durante o exame dequalificação, no Doutorado em Educação (Psicologia da Educação), realizadoem 1995, na PUC-SP, considerando as discussões realizadas por um dos meusexaminadores, o Prof. Dr. Wanderley Geraldi, do Instituto de Estudos daLinguagem da UNICAMP. Na verdade, considero que as reflexões trazidas porGeraldi marcaram um ponto de inflexão na minha formação como pesquisadora,ou seja, houve um movimento de inversão de perspectiva, um deslocamentoda atenção para um “não lugar”, aquele da criação anônima, nascida do desviono uso dos produtos recebidos, e que reconhece os discursos táticos dosconsumidores. Tal movimento ofereceu as condições de possibilidade paraque eu mergulhasse no estudo do cotidiano escolar, considerando a perspectivade análise com interesse no exercício de um “não poder”, ou seja, com asformas subterrâneas de conviver com políticas impostas, instituídas por um“lugar de poder e de querer”. Refiro-me às relações instituintes, às “burlas” dosconsumidores de tais políticas, de que nos fala Certeau. Refiro-me maisespecialmente às invenções dos professores e dos alunos, as formas comointerpretam as políticas educacionais, as suas maneiras de fazer – a pesquisadas práticas – a lógica do cotidiano.
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 Maneiras de pensar o cotidiano com Michel de Certeau

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