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Brincar na rua

Brincar na rua

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Entevista a Carlos Neto, professor da Faculdade de Motricidade Humana de Lisboa, sobre o tema "brincar na rua". Publicada na Notícias Magazine em 10/12/2006.
Entevista a Carlos Neto, professor da Faculdade de Motricidade Humana de Lisboa, sobre o tema "brincar na rua". Publicada na Notícias Magazine em 10/12/2006.

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noticiasmagazine
10.DEZ.2006
 
Éna rua, entendida num sentido lato, que brincaréuma experiência melhor e mais completa?
Primeiro, há que distinguir o que se enten-de por «rua». Uma coisa são crianças
de
rua,outra crianças
na
rua. Quando falo do jogona rua, estou a falar dos grandes movimen-tos – o saltar,ocorrer,otrepar–, mas tam-bém da possibilidade de as crianças pode-rem perceber as características do espaço fí-sico e da própria natureza.
Que repercussões têm essas experiências nodesenvolvimento da criança?
Primeiro, essas actividades físicas – jogoscom bola, jogos de corrida e perseguição, jo-gos simbólicos,jogos de salto e locomoção…implicam um dispêndio de energia essen-cial para o desenvolvimento. Segundo, sãoimportantíssimas para a capacidade adap-tativa, do ponto de vista motor,emocional eafectivo. A vivência do território é funda-mental para a estruturação de mapas men-tais que dêem à criança uma identidade delugar e uma identidade de si capaz de perdu-rar até à idade adulta. Todos nós tivemos,nas nossas infâncias,uma série de conquis-tas progressivas que vão da casa até à escola eda escola até à cidade em geral. Hoje issonão se faz. As crianças estão remetidas para dentrode casa.
Brincar na rua nunca pode ser substituído porbrincar dentrode casa, mesmo que não sejaem frenteaum ecrã?
Não, é impossível. As actividades fora de ca-sa são de outra natureza, têm outra estrutu-ralúdica, outrotipo de regras e de risco. Oque se passa na sociedade actual é que nóstemos uma margem de risco muito aquémdo que as crianças precisariam. Elas estão a ter uma protecção tão elevada que não per-mite desenvolver uma coordenação moto-raadequada, uma capacidade de discrimi-nação perceptiva e uma capacidade de es-truturação da sua imagem corporal, do seuesquema corporal.
Se as crianças não estiverem habituadas a ac-tividades ao ar livre, continuam a preferi-las?
Todos os estudos de investigação até ao mo-mento dizem-nos que as crianças preferemsempre brincar fora de casa, mesmo naque-les países que têm um clima muito austero. Agora, é claro que há constrangimentosenormes…
Aumento do trânsito rodoviário, racionali-zação do espaço público, diminuição do tem-po livre... Pode resumir?
Penso que o constrangimento mais im-portante é a falta de sensibilidade aos di-reitos da criança. Não há legislação sufi-cientemente robusta, nem consciência,paraque quando se faz a planificação ur-bana e se definem as políticas habitacio-nais se pense na necessidade de a crian-ça brincar na rua. Outro factor de cons-trangimento é ela não ser ouvida. Aocontrário da Europa do Norte, onde osprojectos têm uma participação comu-nitária elevadíssima, em Portugal os ci-dadãos não são ouvidos, e principalmen-te as crianças.
Esquecemo-nos do queébrincar
ACâmara de Lisboa tem a funcionar desdeOutubro um órgão consultivo chamado Ga-bineteda Criança… É por aí que se deveir?
Brincarnarua
A era da aventurae do joelho esfolado está em vias de extinção.Cidadeshostis à natureza e às brincadeiras livres e espontâneasempurram as crianças para dentro de casa,apesardo «fabuloso clima» para turista ver.Carlos Neto,pro-fessor na Faculdade de Motricidade Humana,fala docrescente analfabetismo motor e explica por que razãobrincar na rua tem um papel insubstituível.Para todos.
ENTREVISTA
Carla Maia de Almeida
¬
FOTOGRAFIA
Rafael Antunes
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10.DEZ.2006

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