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Teoria da Conspiração
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Magia e Mistério no Tibete
deldebbio
 
| 23 de setembro de 2008
 Os aspectos mágicos são sempre lembrados quando se fala sobre o Tibete. Com a vinda do DalaiLama ao Brasil, a redação de Bodisatva e o C.E.B. receberam cartas com perguntas que deveriam serformuladas a Sua Santidade buscando esclarecer estas questões. Temas como reencarnação,identificação de lamas reencarnados, oráculos, o exame do budismo pela ciência, a noção de “vazio”e sua contribuição ao pensamento ocidental, entre outros, são muito relevantes no nosso contextocultural, sendo áreas de diálogo e superposições.Em seu livro “Freedom in Exile”*, S.S. dedica um capítulo inteiro a este tema, cuja tradução eresumo Bodisatva aqui apresenta. A importância dessa obra pode ser avaliada pelo fato de S.S. terofertado cópias do livro a todas as autoridades com quem trocou presentes e a vários doscolaboradores do programa de sua visita ao Brasil.Freqüentemente sou perguntado sobre os aspectos assim chamados “mágicos” do budismo tibetano.Muitas pessoas no Ocidente querem saber se os livros sobre o Tibete, escritos por pessoas comoLobsang Rampa e alguns outros, onde se fala em práticas ocultas, são verdadeiros. Também meperguntam se Shambhala (um país legendário referido em certas escrituras e supostamente oculto nasregiões desérticas do norte do Tibete) realmente existe. Há também a carta que eu recebi de umeminente cientista, no início dos anos 60, dizendo que ele havia ouvido que certos lamas são capazesde realizar certos fenômenos sobrenaturais, e perguntando se ele mesmo poderia realizarexperimentos para determinar a veracidade disso.Em reposta à primeira destas questões, usualmente digo que a maioria desses livros são frutos daimaginação e que Shambhala existe sim, mas não em um sentido convencional. Ao mesmo tempo,seria errado negar que algumas práticas tântricas dão origem a fenômenos misteriosos. Por essarazão, escrevendo ao cientista, por um lado disse que o que ele havia ouvido estava correto, mas, poroutro lado, tinha que lastimar o fato de que tal pessoa, sobre a qual os experimentos poderiam serrealizados, ainda não havia nascido! De fato, na época, várias razões práticas tornavam impossívelcolaborar em pesquisas desse tipo.Desde então, no entanto, vim a concordar com a realização de várias investigações científicas sobre anatureza de certas práticas específicas. O primeiro desses trabalhos foi realizado pelo Dr. HerbertBenson, que é atualmente o chefe do Departamento de Medicina Comportamental de Faculdade deMedicina de Universidade de Harvard, EUA. Quando nos encontramos durante a minha visita de1979, ele me disse que estava trabalhando na análise do que ele chama de “relaxation response”, um
 
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fenômeno fisiológico encontrado quando uma pessoa entra em um estado meditativo. Ele acreditavaque poderia ir adiante em seu estudo se pudesse fazer experimentos com praticantes muito avançadosde meditação.Como alguém que crê fortemente no valor da ciência moderna, decidi deixá-lo ir adiante com a idéia,não sem alguma hesitação. Eu sabia que muitos tibetano não gostavam muito dessa idéia, elessentiam que o acesso a essas práticas deveria ser mantido restrito, uma vez que elas vêm de doutrinassecretas. Por outro lado, argumentei sobre a possibilidade de que os resultados de tal estudopoderiam beneficiar não apenas a ciência, mas também os praticantes de religião, e poderiam,portanto, ser de benefício geral para a humanidade.No evento, Dr. Benson ficou satisfeito por ter encontrado algo extraordinário. (Suas pesquisas forampublicadas em muitos livros e jornais científicos, entre os quais Nature.) Ele veio à Índiaacompanhado de dois assistentes e trazendo sofisticado equipamento científico, tendo conduzido osexperimentos com alguns monges em mosteiros próximos de Dharamsala, e ao norte, no Ladakh eSikkim.Tais monges eram praticantes de Tum-mo Yoga, excelente para demostrar a eficiência de certasdisciplinas tântricas particulares. Meditando com a atenção nos chakras (centros de energia) e nosnadis (canais de energia), o praticante é capaz de controlar e suspender temporariamente a operaçãodos níveis mais grosseiros da consciência, podendo experienciar níveis mais sutis de consciência. Osmais grosseiros pertencem à percepção ordinária — tato, visão, olfato, e assim por diante —enquanto que os mais sutis são os experienciados no momento da morte. Um dos objetos do Tantra écapacitar o praticante a “experienciar” a morte, pois é aí, então, que surgem as experiênciasespirituais mais poderosas.Quando são suprimidos os níveis mais ordinários de consciência, podem ser observados fenômenosfisiológicos colaterais. Nos experimentos do Dr. Benson, esses efeitos incluíram a acentuadaelevação da temperatura do corpo (medida internamente por uma termômetro retal e externamentepor um termômetro na pele). Esses acréscimos levaram os monges a secarem lençóis mergulhadosem água fria e enrolados em vota deles, mesmo em temperaturas externas abaixo de zero. O Dr.Benzon também testemunhou e mediu, de forma semelhante, monges sentados nus sobre a neve. (…)Sejam quais forem os mecanismos aqui envolvidos, o que mais interessa é a clara visão de queexistem coisas que a ciência moderna pode aprender da cultura tibetana. E mais, eu acredito quemuitas outras áreas de nossa experiência poderiam ser investigadas proveitosamente. Por exemplo,eu gostaria de organizar algum dia uma experiência sobre os oráculos, que permanecem uma parteimportante da vida tibetana.Antes de falar disso em detalhe, gostaria de enfatizar que o propósito dos oráculos não é, comopoderíamos supor, simplesmente antever o futuro. Isto é apenas parte do que eles fazem. Além disso,eles podem ser chamados como protetores ou, em alguns casos, como agentes de cura. Sua principalfunção, no entanto, é auxiliar os pessoas em sua prática do Darma. Outro ponto a lembrar é que apalavra “oráculo”, ela própria, conduz a enganos, uma vez que traz implícito que existem pessoasque possuem poderes de ser um oráculo. Isto é errado. Na tradição tibetana existem apenas certoshomens e mulheres que atuam como médium entre os mundos natural e espiritual e que sãochamados de kuten, o que significa, literalmente, “base física”. Também é importante enfatizar que,embora seja de uso corrente falar do oráculo como uma pessoa, isso é feito apenas por conveniência.De modo mais acurado, eles podem ser descritos como “espíritos” que estão associados a coisasparticulares (por exemplo, uma estátua), pessoas e lugares. Isso não deve, no entanto, implicar nacrença da existência de entidade externas independentes.Em tempos antigos havia muitas centenas de oráculos por todo o Tibete. Poucos se mantiveram, masos mais importantes — os usados pelo governo tibetano — ainda existem. Desses, o principal éPage 2 of 13Magia e Mistério no Tibete | Teoria da Conspiração29/09/2009http://www.deldebbio.com.br/index.php/2008/09/23/magia-e-misterio-no-tibete/ 
 
conhecido como oráculo de Nechung. Através dele se manifesta Dorje Drakden, uma das divindadesprotetoras do Dalai Lama.Nechung veio originalmente para o Tibete com um descendente do sábio indiano Dharmapala,estabelecendo-se em um lugar da Ásia Central chamado Bata Hor. Durante o reinado do rei TrisongDretsen, no oitavo século a.C., ele foi designado pelo mestre tântrico indiano Padmasambhava,supremo guardião espiritual do Tibete, como protetor do mosteiro de Samye. Subseqüentemente, osegundo Dalai Lama desenvolveu uma relação muito próxima com Nechung, que nessa época haviaestabelecida uma relação muito próxima com o monastério de Drepung, e após, Dorje Drakdendesignado com protetor pessoal dos Dalai Lamas que se sucederam.Por centenas de anos até os dias presentes, tornou-se tradicional, para o Dalai Lama e para o governotibetano, consultar Nechung durante os festivais de ano novo. Mas além dessas oportunidades, elepoderia ser chamado outras vezes para responder perguntas específicas. Eu mesmo o encontro muitasvezes por ano. Isso pode parecer estranho para os leitores ocidentais do século XX. Mesmo algunstibetanos, que se consideram “progressistas”, não apreciam o meu uso continuado desse métodoantigo de buscar a compreensão das coisas. Faço isso pela razão simples de que quando olho paratrás e relembro as muitas ocasiões em que formulei perguntas ao oráculo, em cada uma delas otempo mostrou que sua reposta estava correta. Não que eu me baseie apenas nas respostas dooráculo. Não é assim. Busco sua opinião da mesma forma que busco a opinião do meu Gabinete (oKashag), e da mesma forma que busco a opinião de minha própria consciência. Considero os deusescomo minha “casa de cima”. O Kashag constitui minha “casa de baixo”. Á semelhança de outrolíderes, consulto a ambos quando devo tomar uma decisão em assuntos de estado. Além disso,adicionalmente ao conselho de Nechung, também procuro levar em consideração certas profecias.Apesar de nossas funções serem similares, minha relação com Nechung é a do comandante com oajudante: nunca me inclino a ele, ele é que se inclina ao Dalai Lama. Ainda assim somos muitopróximos, quase amigos.Ainda que possa parecer surpreendente, as respostas do oráculo raramente são vagas. Como no casode minha fuga de Lhasa, ele é freqüentemente muito específico. Ainda assim, creio que seria difícilque algum tipo de investigação científica pudesse provar conclusivamente a validade de seuspronunciamentos. O mesmo se dá com outras áreas da experiência tibetana, por exemplo, a questãodos tulkus. Ainda assim, espero que, algum dia, possa ser realizado algum tipo de experimento comrespeito a esses dois fenômenos.Na realidade, a tarefa de identificar os tulkus é mais lógica do que pode parecer á primeira vista.Dada a crença budista no renascimento, e considerando que todo o propósito da reencarnação épossibilitar ao ser continuar seus esforços em benefício de todos os seres vivos, é uma conclusãoclara que deveria ser possível identificar casos individuais. Isso habilita-os a serem educados ecolocados no mundo de tal forma que continuem seu trabalho o mais rápido possível.Certamente podem ocorrer eventuais erros nesse processo de identificação, mas as vidas da grandemaioria dos tulkus (atualmente existem algumas centenas deles reconhecido, sendo que antes dainvasão chinesa eram provavelmente milhares os tulkus reconhecidos) são um testemunho de suaeficácia.Como disse, todo o propósito de reencarnação é facilitar a continuidade do trabalho de um ser. Essefato tem grandes implicações quando se busca pelo sucessor de uma pessoa em particular. Porexemplo, ainda que meus esforços sejam geralmente dirigidos a auxiliar todos os seres, em particulareles se dirigem a auxiliar os tibetanos. Portanto, se eu morrer antes dos tibetanos readquirirem sualiberdade, seria lógico admitir que eu renasceria fora do Tibete. Naturalmente, poderia ocorrer quemeu povo, nessa ocasião, não visse mais utilidade para um Dalai Lama, e nesse caso não se ocupariade procurar-me. Assim, eu poderia renascer como um inseto, ou como um animal, de tal forma quepudesse ser de maior utilidade ao maior número de seres secientes.Page 3 of 13Magia e Mistério no Tibete | Teoria da Conspiração29/09/2009http://www.deldebbio.com.br/index.php/2008/09/23/magia-e-misterio-no-tibete/ 
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