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Para reduzir a pobreza na Índia e na África: transformar a bolha em bônus demográfico

Para reduzir a pobreza na Índia e na África: transformar a bolha em bônus demográfico

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Published by: José Eustáquio Diniz Alves on Feb 02, 2014
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Para reduzir a pobreza na Índia e na África: transformar a bolha em bônus demográfico José Eustáquio Diniz Alves Doutor em demografia e professor titular do mestrado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas - ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail:  jed_alves@yahoo.com.br  A extrema pobreza no mundo foi reduzida de 1,938 bilhão de pessoas (43% da população mundial), em 1981, para 1,212 bilhão de pessoas (18% da população total) em 2010, segundo o Banco Mundial. A pobreza extrema foi praticamente eliminada nos países desenvolvidos, reduzida bastante na China, nos Estados Árabes e na América Latina e Caribe. As altas taxas de crescimento econômico e a ampla disponibilidade de recursos naturais possibilitaram que a pobreza fosse reduzida nos últimos 30 anos. Na dinâmica da globalização, o que mais contribuiu para a redução da pobreza, nos países desenvolvidos e na China, foi o aproveitamento do bônus demográfico, que é um fenômeno que acontece quando há um crescimento da PIA (população em idade ativa) em relação à população total. Tal fato decorre de uma grande queda das taxas de fecundidade e da consequente mudança da estrutura etária da população. Quando os países aproveitam este momento favorável - investindo na educação, saúde e geração de emprego decente
 –
 então toda a sociedade sai ganhando, devido ao aumento da produtividade econômica e à redução das razões de dependência demográficas. A entrada da mulher no mercado de trablalho e a redução das desigualdades de gênero é outra condição fundamental para a redução da pobreza. Porém, se o crescimento da PIA ocorrer sem o processo de investimento em educação, saúde e emprego decente (para ambos os sexos) então o bônus demográfico pode se transformar em uma bolha de pessoas sem oportunidades sociais e, ao invés de gerar progresso, pode gerar conflitos e violência.
 
Isto acontece especialmente com os jovens que, geralmente, são os mais afetados pelo desemprego. A
“bolha de jovens” (youth bulge) pode se tornar um grande drama social.
 Países como Coréia do Sul, Singapura, Taiwan e China souberam aproveitar o crescimento da PIA para acelerar o crescimento econômico, avançar com as políticas de educação, saúde e emprego, reduzindo as taxas de pobreza. Porém, estes países e as economias avançadas vão passar nos próximos anos por um forte processo de envelhecimento populacional. Isto vai fazer com que a economia internacional reduza o ritmo de crescimento econômico. Neste quadro, o rápido crescimento populacional na Índia e na África Subsariana pode não encontrar condições econômicas favoráveis nas próximas décadas. Ou seja, a promessa do bônus demográfico
pode se transformar em pesadelo, inflando a “bolha de jovens” que pode ter muitas consequências
indesejadas. O desafio é grande. Na Índia a PIA (população de 15-64 anos) vai passar de 790 milhões de indivíduos em 2010 para 1,034 bilhão em 2030 e para 1,143 bilhão de pessoas em 2050. Isto significa que entre 2010 e 2030 a Índia vai precisar criar pouco mais de um milhão de emprego por mês (12,2 milhões de empregos por ano) só para absorver o crescimento da PIA. Entre 2030 e 2050 a necessidade será de 453 mil empregos por mês (ou 5,5 milhões por ano). Se consideramos que a taxa de atividade feminina está caindo nos últimos anos, a Índia vai precisar criar ainda mais postos de trabalho para absorver o grande número de mulheres que querem ter uma carreira própria e autonôma. Já na África Subsariana a PIA (população de 15-64 anos) vai passar de 441 milhões de indivíduos em 2010 para 752 milhões em 2030 e para 1,166 bilhão de pessoas em 2050. Isto significa que entre 2010 e 2030 a África ao sul do Saara vai precisar criar 1,3 milhão de emprego por mês (15,5 milhões de empregos por ano) só para absorver o crescimento da PIA. Entre 2030 e 2050 a necessidade de empregos na África Subsariana será de 1,7 milhão de empregos por mês (ou 20,7 milhões de postos de trabalho por ano). Além disto, será preciso reduzir o desemprego e o subemprego que reduzem a produtividade geral da economia. Evidentemente, não vai ser fácil criar tantas oportunidades de emprego, especialmente com vínculos formais e com proteção social. Incorporar as mulheres na força de trabalho de maneira ampla e sem segregações é outro grande desafio. Além disto, pode haver uma disjunção entre as necessidades de criação de empregos na Índia e na África Subsariana e uma situação de estagnação econômica ou decrescimento da economia do resto do mundo. O dividendo demográfico pode se tornar desastre demográfico. Portanto, para reduzir ou acabar com a probreza será preciso saber aproveitar o bônus demográfico, desinflando uma possível bolha de jovens por meio da geração de oportunidades sociais e do avanço da cidadania. Porém, o crescimento do emprego e da economia vai aumentar o impacto das atividades antrópicas sobre o meio ambiente. O crescimento deveria ser acompanhado pela transição para uma economia de baixo carbono, a proteção dos ecossistemas e a defesa da biodiversidade. Administrar toda esta situação será o grande desafio destas duas regiões com crescente volume populacional.

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