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Lições de Ciência Política 2008_2009

Lições de Ciência Política 2008_2009

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Lições de Ciência Política do
Ano Lectivo de 2008-2009 – 1.º Semestre
Autor: Prof. Dr. Miguel Nogueira de Brito
Matéria facultada aos alunos do 2º ano pertencentes ao ano lectivo acima indicado.
Lições de Ciência Política do
Ano Lectivo de 2008-2009 – 1.º Semestre
Autor: Prof. Dr. Miguel Nogueira de Brito
Matéria facultada aos alunos do 2º ano pertencentes ao ano lectivo acima indicado.

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Lições de Ciência PolíticaAno Lectivo de 2008-2009 – 1.º SemestreMiguel Nogueira de Brito1.ª Lição, 2 de Outubro1. As grandes linhas de foa do pensamento político napassagem do século dezanove para o culo vinte; 2.Atractivos do utilitarismo enquanto teoria política da moral:secularismo, consequencialismo e construtivismo; 3.Definições de utilidade; 4. Utilitarismo de regras e de actos;5. Utilitarismo e separação das pessoas; 6. Utilitarismoenquanto teoria da igualdade e utilitarismo teleológico.1.
O tema de que me vou ocupar nestas lições consiste nopensamento político da actualidade, quer dizer, o pensamento políticodo século XX. A compreensão desse pensamento pressupõe, comoponto de partida, uma referência às grandes linhas de força que vêmde trás. Por uma razão de simplificação expositiva vou considerar trêsdessas linhas de força: o utilitarismo, o marxismo e o contratualismo. Todas estas correntes de pensamento estão presentes na actualidade,mas enquanto o utilitarismo e o marxismo adquirem a sua máximaexpressão no século dezanove (ou, em qualquer caso, na transição doculo dezoito para o culo dezanove), o contratualismo, quepodemos identificar como a expressão da modernidade em termos depensamento político, é praticamente esquecido nesse mesmo séculoe, em bom rigor, apenas é ressuscitado já bem dentro do século vinte,
1
 
através de John Rawls. Pelo contrário, o utilitarismo e o marxismoconstituem o horizonte em que se movem todas as elaboraçõesteóricas posteriores sobre a potica, as grandes correntes depensamento a que todas essas elaborações têm de prestar contas.
2.
Comecemos, pois, pelo utilitarismo. O utilitarismo, na suaformulação mais simples, é uma teoria moral que sustenta que osactos, ou políticas, moralmente devidos são aqueles que produzem amaior felicidade para os membros de uma sociedade. Como se vê poresta formulação, o utilitarismo pode ser entendido como uma teoriamoral abrangente (no sentido de Rawls, isto é, uma teoria que aplicao princípio da utilidade, seja como for formulado, a todos os tipos deobjectos, desde a conduta dos indivíduos e as relações pessoais àorganização da sociedade como um todo, bem como às relaçõesinternacionais)
1
, embora o nosso interesse consista essencialmentena sua consideração como uma teoria política da moral.São três as características do utilitarismo que fizeram dele uma teoriapolítica da moral atractiva. (
i
) Antes de mais, o objectivo, isto é, afelicidade, que os utilitaristas procuram promover não depende daexisncia de Deus, da alma, ou de qualquer outra entidademetafísica. Quer sejamos, ou não, criaturas de Deus, quer tenhamos,ou não, uma alma e sejamos dotados de livre arbítrio, todos podemos,sem vida, sofrer e ser felizes. (
ii
) uma segunda característicaatractiva do utilitarismo consiste no consequencialismo, que exigeque qualquer acto ou potica a adoptar tenham algum bemidentificável. Não podemos considerar que um determinado acto ouprática (a homossexualidade, o jogo, a prostituição) é moralmentecondenável se não formos capazes de identificar as consequênciasnegativas que dele resultam. O consequencialismo permite assimresolver as questões morais sem recorrer a subterfúgios e de formadirecta. (
iii
) A terceira característica, relacionada com as anteriores ede algum modo subjacente a elas, que faz do utillitarismo uma teoria
1
Cfr. Rawls,
Political Liberalism
, Columbia University Press, Nova Iorque, 1993, p.13; idem, “Basic Structure as Subject”, pp. 260 e ss.
2
 
atraente, consiste no seu construtivismo, isto é, a tese de que atravésde um procedimento construtivo, montando por agentes humanos, épossível erigir princípios morais, negando-se assim as teses dosrealistas morais, segundo os quais existem factos ou propriedadesmorais que podem ser descobertos ou intuídos e constituem asfundações da moral.O problema que se coloca, naturalmente, é o de saber se estesatractivos do utilitarismo são exclusivos dele. Se não o forem, termosde averiguar se o utilitarismo as articula melhor que outras teorias.Não podemos, pois, ajuízar do utilitarismo com base apenas nestesatractivos. Temos de analisar a teoria. Para isso, é conveniente dividi-la em duas partes: o utilitarismo enquanto descrição do bem-estarhumano, ou utilidade; o utilitarismo enquanto mandado demaximização da utilidade, seja como for definida, dando o mesmopeso à utilidade de cada pessoa
2
.
3.
É possível identificar pelo menos quatro propostas para definir oque seja utilidade, ou o bem-estar das pessoas.De acordo com a primeira dessas propostas, e talvez a mais influente,o bem-estar consiste na experiência ou sensação de prazer. SegundoBentham, um dos fundadores da teoria, «
 pushpin is as good as poetry 
» se der a mesma intensidade e duração de prazer.Esta afirmação é motivo de perplexidade enquanto explicação dosmotivos pelos quais preferimos algumas actividades em relação aoutras. Por um lado, todos sabemos que a escrita da poesia é umaexperiência dolorosa e frustrante para os poetas, que não deixam dea considerar, por isso, uma experiência valiosa. Mesmo para osleitores, é mais difícil ler um livro de poesia do que jogar à bisca, masnem por isso menos valioso. A isto poder-se-ia responder que o poetaé um masoquista. Nem sempre uma vida feliz, definida em termoshedonistas de sensações de prazer, é uma vida plena...
2
Cfr. Will Kymlicka,
Contemporary Political Philosophy: An Introduction
, ClarendonPress, Oxford, p. 12.
3

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