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Henry James - O Desenho Do Tapete

Henry James - O Desenho Do Tapete

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11/24/2013

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text

original

 
(.ol)yrighrda tradução
O
1993
by Companhia
das
Letras
(.r,1ìyÍÍfilÌr
rfc
"O
mestree
suas
lições"
@
1993
by
Josê
GeraldoCoutoTítulos
originais:Tlte
/esson
of
the
masterTherea/
tltìng
Greaìlle
Fane
The
deatl:
of
the /ìon
Tlte
figure
in
the
carp'et
Capa:
Moerna
Caaa/cantì
Preparação:
Stella
Werss
Revisão:
Sandra
Garcìa
Ana
MarìaBarbosa
DadosIntenacionaìsde
Catalogação
na
Publicação
(crr)(Câmara
Bruileirado
Livro,
sr,
Brcil)Jmes,
Henry,
1841,1!16.
Á
morte
do
leão
: Histórir
de
artistc
e
cscrì-tores
/
HenryJames
;
tradução Paulo
Hcnriques Brito.
-
São
Paulo
:
Companhia
d6
lÉrÍas,
1993.rsBN
8t-7164-100-8
1.
Contos
norte-amerìcanos
i-
ïtulo.
93-0216cDD-8lJ
Indicespara
catálogosistemático
I
Contos
:
Literaturanofte-ame(icana
813
r993
Todos
os
direitos
desta edição
reservados
à
EDITORA
SCH\JYÀRCZ
LTDÁ.
Rua
Tupi,
522
01233-000
-
São
Paulo
-
sp
ïblefone:
(0rr)
826-1822
kx:
(011)826-5523
íNorcn
A
lição
do
mestre
9
A
coisa
autêntica
68
Greville
Fane
...
93
A
morte
do
leão
..........
1og
O
desenho
do
tapete
.........144
O
mestre
e
suas
lições
-
JosêGera/do
Couïo
....
......
181
 
O
DESENHO
DO
TAPETE
I
Eu
já'
havia
feito
algumas
coisas
e
ganhoalguns
rostões
-
havia
mesmo,talvez,
tido
tempo
de começar
a
me
achar
melhor
doque
jul-
gavam
os
condescendentes;
porémquando
reavalio
minhatrajetória
(umhábito
nervoso,
pois
que
ela ainda
é
bem curta),
considero
meu
verda-deiro
ponto
de
panida
a
noite
emqueGeorge
Corvick,
ofegante
e
preo-
cupado,
veio
pedir-meumfavor.
Ele
játinhafeito
mais
coisas,
e
ganhomaistostões, que
eu,
embora
por
vezes
me
desse
a impressão
de
que
perdia
oportunidades
de agir com inteligência.
Porémnaquela
noite
não
pudedeixar
de
lhe
dizerque
elejamais
perdiauma
oportunidade
de
fazer
uma gentileza.Fiquei
quase
em
êxtase
quando
me
foi
propos-
toque
preparasseparaO
Meío
-
o
619ão
de
nossas
elucubrações,
cujonomealudia
à
posiçãoocupadana
semana
pelodia
em
que
ele era
pos-
to
à
venda
-
um
artigo
peloqual
Corvick havia
se
responsabilizado,
e
cujotema,bem amarrado combarbante
forte,
ele
colocouem
minha
mesa. Apossei-me
da
oportunidade
-
ou
melhor,
do
primeiro
volume
dela
-
e
dei
poucaatenção
à
explicação
quemeu amigo
me
dava
para
seu
pedido.
Que
explicação
poderia
ser
mais relevante
que
o
fatoóbvio
de
que
eu
et^
apessoa
adequadaparaassumir
a
tarefa?
Euhavia
es-
crito
a
respeitode
Hugh
Vereker,
mas
nunca
paraO
Meìo,
onde
meocupava
sobretudo
com
as
damas e ospoetas
menores.
O
que
estava
à
minha frçnte
eraseu
novoromance,
um
exempÌarde divulgação,
e
independentemente
do
que
elepudesse
vir
a
representar
paraa
repu-
tação
do autor,
de
imediato
percebi
qual
seria seu
efeito
sobre a
mi-
nha.
Âlém
disso,
eu,
que
lia
todas
assuas
obras
tão
logo
as
obtinha,tinha
agora
um motivo
em
particular
paraquererlê-las:fora convida-do
a
ir
a
Bridges
no domingo
seguinte,
e
o
bilhete
de
ladyJanedizia
que
o
senhorVereker
estaria
presente.
Eu
era.fovem
o
bastante
parame
empolgar
com
a
perspectiva
de
conhecer
um
homemrenomado
co-
mo
ele
,
e
ingênuoo bastanteparaacharque
a ocasião
exigiria
de
mim
demonstrarconhecimento
de
sua
última
pubÌicação.
Corvick,
queprometera uma
resenha
do
livro,
sequer
tiveratem-
po
de
lê-lo;
entraraempânico
aoreceber
umanotíciaque o
levara
-
precipitadamente
-
aresolver
tomar
ocorreio
noturnorumo
a
Paris.
Chegara-lhe
às
mãos
um
telegramadeGwendolenErmeem
resposta
à
caita
emque
ele
se
propunha
a
it
aiuàâ-laimediatamente
'
Eu
ou-
virafalar
de
GwendolenErme;
jamais
a
vira,
mas
tinhalíminhas
idéiasa seu
respeito,
basicamente
a deque
corvick
haveria de
casat-se
com
ela
tão
lógo
falecesse
a
mãe
da
iovem.
A
senhora
emquestão
pareciapresres
afazer
sua
vonrade;
após
uma
decisão
terrivelmente
equivoca-
àa
a
respeitode
um
climaou
um
rratamento,
ela
adoecera
de súbito
ao
voltai
do estrangeiro.
Sua
filha,
sozinha
e
assustada,
querendovol-
paracasa
de
imediato,
mas
hesitante
diante
do
risco
envolvido,
acei-
tariaoferta
de
aiudademeu amigo;
e
eu
tinha
a
convicção
secreta
de
que,
tãologo
o
visse
,
a
senhora
Erme
se
recuperaria'
a
convicçãode
meu amigo
nada
tinha
de secreta,
e
era
bem
diversada
minha'
EÌe
me
havia
mostrado
a
foto
de
Gwendolen,comentandoque ela
não
eÍa
bonita
mas era
interessantíssima:havia
publicado
aosdezenove
anos
de
idade
um
romance
em
ttês
volumes,
No
fundo,
que
eleresenhara,
em
O
Meio,
de
modo
muito
favorável.Agradeceu
a
presteza
comque
assumi
o
encargoe
garantiu-me
que o
periódico
em
questão
me
seria
igualmentegrato;
por
fim,16rcom
a
mão
na
poÍta,
disse:
"E
claro
queuãi
d",
tudo
cefto".
Percebendo
que
eu
nãoentenderabemo sentido
deseu
comentário,
acrescentou:
"Quero
dizer
que
vocênão
vai
escre-
ver
tolices".
"Tolices?
A
respeito
de
Vereker?
Ora
essa!
Eu,
queacho
tudo
que
ele
escreve
inteligentíssimo!""Pois
está
um
bom
exemplo
do
que chamode
tolice
!
Âfinal,
oquequer dizer
isso
de
'inteligentíssimo'?
Pelo
amorde
Deus'
tente
chãgar
ao
àmago
doautor.Nãoqueroque
ele seja
prejudicadopor
esta
substituição.Fale
dele
,
se
você
conseguir,
coÍno
eu
ofaria'"
Hesitei
potummomento.
"Ou
seja,devo
dizerque
ele
é
de
lon-
ge
o
maior
de
todos...
esse
tipo
de
coisa?"Corvick
quase
gemeu.
"Ah,
vocêsabe
que
eunão faço
nenhuma
comparação
desse
tipo;
isto
é
o
bè-a-bâda
crítica!
Mas
eleme dá
um
pÍazer tãoraro,uma
sensação
de..."
-
e
ficou
apensar
por
um
mo-
mento
-
"sabe-se
lá o
quê."
il
ril
144145
 
Hesitei
de
novo.
,,Sensação
de
quê,
afinal?,,
'.'Meu
caro,
é
justamente
istoqie
lhe
peço
que
digal
,,
,.
,tntes
mesmoque
a
porta
batesse,
eujahaviâ.o_."ç"do,
.o_
o
livro.na
mão,apreparar-me
para
dizê_lo.
passei
metade
da
noitelendo
vereker;
o
própriocorvick
não
poderiater
feito
-.l}ror.
o.
r".o,
ï.
eker
era
inteligentíssimo,
masnão
"."
de
modo
algum
o
-rio.
i"
,o_
dos.Porém
não
frz
alus.ão
aos
outros;congratulavalme
por
h;;;""
seguido,
nesta
ocasião
,
ir
a'êm
do
bê-a-báã
a
cr'nica.
"Não
está
mau,,
afirmanm
comveemência
na
redação;
.
qr".rdo
o
artìgo
,"i;,-;"",i
que
tinha
uma
base
paraencontrar_mecom
o
grande
lã_"_.
Aqrri-
lo
deu-meconfiança
porumou
doisdias
_
e
então
a
confiança
desa-
pareceu'Eu
o
imaginaralendo
o
artigo
com
prazer,
mas
se
corvick
não
ficasse
satisfeito,
como
poderiaficar"o
próprìo
Vereker?
Cheguei
a
re-
fletir
que
o
ardor
do
aãmirador
.ra
àr'veiesainda
_"ir-";;;-;;;.
apetitedo
escrevinhador.
De
qualquer
modo,
Corvickmandou_me
de
Parisuma
catta
um
pouco
mal-humorada.
Â
senhora
Erme
estava
se
recuperando,
e
eunãoconseguira
exprimir
de
modo
algum
a,""r"çr"
que
Vereker
lhe
dava.
a
Minha
visita
a
Bridgeslevou_me
atomat
a
decisãodeaprofundar_
memais.
Hugh
Vereke.
_.{oi
esta
a
impressão
queme
der,
_
permi_
tiaum
conrarotãodesprovidodeângulãsqueme
fazia
emubescer
ao
pensarna pobreza
de
imaginação
qui
haviaem
minhas
p.qu.nru
prl-
cauções'seele
esrava
bem-humorado,
não
era
porter
lidì
minha
Ëse-
nha;
aliâs,na
manhã
de
domingo.onuenci-me
deque
ele
não
^n^ro
ido,
embora
o
Meìo
tivesse
sidã publicad
o
hjn
i^três
dias
e
florescessc
-
conformeeuhaviaverificado
-
no
duro
jardima"
f..i.aiiãr-iïà
ransformavauma
das
mesas
douradm
nu-^.rpécie
de
bancade
jfr_
naisde
estação
ferroviária.
Â
impressão
pessoal
lue
o
es.rito,
-lJ*-
ou
foi
tal
quemelevou
a
desejar
q.r.
lesse
meu
a.rgo,
e
com
este
fim
corrigi,
sub-repticiamenre,
a
posição
pouco
conspícuada
folha
em
questão
emmeio
às
outras.confessoque
fiquei
a
ob^servar
o
..r.rtiJo
j:^:ïn"
manobra,
mas
aré
a
horadoalmoço
_".,
esforço
foi
desper_
qrÇaclo.
Mais
tarde,quando
me
vi,
no
decorrerde
umacaminhada
sresá_
ta,
por
meìa
hora
-
e
talvezcomoresuÌtado
de
ourra
_;À;"ï;
lado
dogrande
homem,
o
resultado
de
sua
afabilidade
foi
inspirar
em
mimum
desejo
aindamais
vivo
de
que
ele
viesse
aconhecer
o
textoemque
eu
faziajustiça
a seu
talento.
Nãoque
ele
parecesse
ansiar
por
justiça;pelo
contrário,
em
nada
que
o
ouvira dizer
eu havia
percebido
o mais
sutil
sinal
de
rancor
-
uma notaque
minha
experiência, aindaque pouca,
me
ensinara
a
identifìcat.
Recentemente seu reconheci-
mento
vinha
aumentando,
e
era agtadâvel
-
como dizíamos
na reda-ção
de
O
Meio
-
vê-lo
desabrochar.
Vereker
não
era
popuÌar,
é
claro;
mas
parecia-meque
uma
das
fontes
de seu
bomhumor
era
precisamenteo
fato
de
que
seu
sucesso
nãodependia
da
popularidade.
Não
obstan-
te,
havia
se
tornado,
decerto
modo,
um
escritor da
moda;
a
critica,
ao
menos,
tinha
acelerado
opasso
atê
alcançá-lo.
Afinal
havíamos
des-
coberto
oquanto
Vereker
era
inteligente,
e
agora
ele
teriade
fazer opossível
paracompensar
a
perdade
seu
mistério.Caminhando
a
seu
lado,
sentia-me
tentado
a
dizer-lhe
queaquele desvendamentoforaem
parte
obra
minha;
e houve
um
momento emque
euprovavelmente
o
teria
feito,
não
houvesse
uma
das
damas
denosso
grupo
se
aproxima-
do doescritor
pelolado
oposto
e
lhe
dirigido um
apelo
um tanto
egoís-
ta.Fiquei
muito
desanimado:
eraquase
como
se
aquelaliberdade
ti-
vesse
sido
tomada comigo.
De
minhaparte,
eu
tinha
na
ponta
da
línguauma
ou
duas
ex-pressões
a
respeitodapalavra
certa
dita
na hora certa;
mais
tarde,po-
rém,
achei
bom
não
ter
falado,
pois quando,
voltando
dopasseio,
nos
reunimospara
tomar
chá,
vi
ladyJane,
quenão havia
saído conosco,
brandindo OMeio
com
o
braçoespichado.
À
falta
doque fazer,
elaopegara para
folheare
aàorara
oque lera;
e
percebi
que,
assim
como
um
defeitonum
homempodemuitas
vezesser
umaqualidadenuma
mulher,
ela
faria
por
mim
quase
exatame
nte
aquilo
que
eu não
conse-
guirafazerpor
mim
mesmo.
"Âlgumas
pequenasverdades
agradáveis
que
precisavam
ser
ditas",
ouvi-a
afirmar, impondo
a
folha
a
um
casal
um
tanto
perplexoque
estava
sentado ao
do
fogo.
Tomou-lhes
de
volta
o
periódico quando
reapareceu
HughVereker,
que
após opasseio
havia
subido
paÍa
ffoc
r alguma
peçade
indumentária.
'
'Seique
o
se-
nhor
em
geral
não
esse
tipo
de coisa,
mas
trata-se de
uma
ocasião
em
querealmente
vale
a
penafazê-lo. O
senhor não leu? Entãoprecisa
ler.O
homem
de
fato
chegou
ao
àmago,
exprimiu
o
que eu
sempresenti.
"
Lady
Jane
assumiu
um
olhar
que claramente
pretendia
dar
uma
idéiadoque
ela sentiasempre;
porém
acrescentou
que seria incapaz
de
exprimi-lo.
O articulista o
fazia de
modo
notável."Vejaaqui,
e
ali,
onde
eu
sublinhei,
como
ele consegue
captar
o sentido.
"
Ela
havia
li-
teralmente
destacado
para
ele
as
passagens
mais felizes
de
meutexto,
e
se
eu
achava
um
pouco
de
graça
naquilo
é
bem
possível
queVerekertambém
sentisse
o
mesmo.
E ele
demonstrou oquanto
aquilo
o diver-
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