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ESTUDOS
Estudo do perfil epidemiológico da Síndrome Hemolítico-Urêmicano estado de São Paulo, fevereiro de 1998 a agosto de 2000*
Ana T. Q. Alves; Maria Bernadete Arantes; Rogério C. Abou-Jamra.
(*) Parte da monografia apresentada no Curso de Especialização em Epidemiologia Aplicada às Doenças Transmitidas por Alimentos, convênio Faculdade de Saúde Pública - FSP, da Universidade de São Paulo - USP e Centro de Vigilância Epidemiológica - CVE, da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo - SES/SP.
RESUMO 
Objetivo -
conhecer a ocorrência da Síndrome Hemolítico-Urêmica (SHU) no estado de São Paulo,sua associação com a doença diarréica, o tipo de patógeno envolvido e alimento ingerido.
Método
 - desenvolveu-se um estudo retrospectivo no período de fevereiro de 1998 a agosto de 2000,utilizando fontes secundárias de dados de morbidade hospitalar para identificar os casos comdiagnóstico de SHU, analisando-se os prontuários destes casos por meio de uma ficha deinvestigação.
Resultados - f
oram investigados trinta e um prontuários, sendo identificados 15(quinze) pacientes que tiveram a SHU, sendo 80% destes casos, precedido de diarréia.
Conclusão
 - foi detectada a SHU no Estado de São Paulo, sendo que a maioria dos casos são precedidos dedoença diarréica.
INTRODUÇÃO
A Síndrome Hemolítico-Urêmica (SHU) caracteriza-se por dano renal agudo,trombocitopenia e anemia hemolítica microangiopática como manifestações principais. Acomete,principalmente, crianças e idosos, com pródromo de diarréia, algumas vezes com sangue,geralmente associada com infecção intestinal por bactérias produtoras de verotoxinas (Soares etal., 1999). Hipertensão arterial e manifestações neurológicas como irritabilidade, letargia,convulsões, coma, apresentam-se em 25% dos afetados (DDTHA, 2000; Veronesi, 1996); 5%
REV NET - DTA No. 3, 4 de Março de 2002
REV NET - DT
REVISTA NET - DTA 
DIVISÃO DE DOENÇAS DE TRANSMISSÃOHÍDRICA E ALIMENTAR
Pg.Estudo do perfil epidemiológico da Síndrome Hemolítico-Urêmicano estado de São Paulo, fevereiro de 1998 a agosto de 2000*
 
62Surto de diarréia inter-municipal associado a
E. coli 
em restaurantede beira de estrada em Matão - SP - Jjaneiro de 2001 67Aprimorando a vigilância epidemiológica do Botulismo 76
 
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desenvolvem insuficiência renal crônica, requerendo em poucos anos procedimentos dialíticos outransplante renal (DDTHA, 2000; Robins et al., 1996).Diversos estudos demonstraram que 90% dos casos de SHU nos países desenvolvidosapresentaram evidências de infecção por
Escherichia coli 
(
E. coli)
e outras STEC (
S
higa
T
oxin-producing
.
oli 
) (DDTHA, 2000).Segundo Robins et al. (1996) a SHU infantil é a mais bem caracterizada, pois até 75% doscasos ocorrem em crianças com infecção intestinal por
E. coli 
produtora de verotoxina.A SHU é a principal complicação das infecções causadas pela
E. coli 
, desenvolvendo-seem torno de 2 a 7% dos casos. Os pacientes que desenvolvem SHU, apresentam taxa demortalidade de 3 a 10% ocorrendo complicações renais, cardíacas e neurológicas severas emtorno de 4 a 30% dos casos (Veronesi, 1996).A infecção por
E. coli 
tem sido registrada em mais de 30 países de seis continentes. AArgentina, país exportador de carne para o Brasil, apresenta alta incidência de SHU, que éconsiderada endêmica, registrando aproximadamente 250 casos novos por ano (DDTHA, 2000).Sabe-se que apenas uma minoria de linhagens de
E coli 
são patogênicas para o homem. A
E. coli 
entero-hemorrágica (EHEC) ou produtoras de verotoxina (VTEC) são responsáveis peladoença conhecida como colite hemorrágica, que em casos mais graves pode progredir para a SHU(Silveira & Silva, 1996).A colite hemorrágica provocada pelas linhagens de
E. coli 
O157:H7 se inicia com umadiarréia sanguinolenta, com período de incubação variável, de 3 a 10 dias (Silveira & Silva, 1996),sendo caracterizada por dores abdominais severas, vômitos ocasionais e geralmente sem febre(Silveira & Silva, 1996; Griffin & Tauxe, 1991).Os animais domésticos, especialmente os ruminantes, tem sido identificados comoreservatórios de STEC. O gado bovino é apontado como o reservatório principal. A transmissão serealiza através do consumo de alimentos contaminados, principalmente elaborados com carnemoída e também leite não pasteurizado. A contaminação fecal da água e outros alimentos e acontaminação cruzada durante a preparação dos alimentos são apontadas como importantes viasde infecção. Como exemplos de alimentos associados a surtos de
E. coli 
O157:H7 temoshambúrguer, roast beef, leite cru, suco de maça não pasteurizado, iogurte, queijo, salsasfermentadas, maionese, alface, e no Japão os vegetais da família dos rabanetes. A bactéria éresistente aos ácidos e pode sobreviver nos alimentos fermentados e vegetais frescos (Diez-Gonzalez & Gallaway, 1998; Ribeiro et al., 1999; DDTHA, 2000). A transmissão pessoa a pessoada
Escherichia coli 
O157:H7 é comum em crianças em idade pré escolar, que freqüentam creches(Belongia et al., 1998).A SHU é uma condição ameaçadora da vida e portanto deve ser tratada com cuidadointensivo (CVE/SES-SP, 1999). Em virtude disto, foi realizado um estudo a fim de conhecer aocorrência desta síndrome no estado de São Paulo, sua relação com a doença diarréica, o tipo depatógeno envolvido e o alimento responsável.
 
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MÉTODOLevantamento e Fonte de Dados
 
Para conhecer a ocorrência da SHU no estado de São Paulo, desenvolveu-se umestudo retrospectivo, no período de fevereiro de 1998 a agosto de 2000, utilizando fontessecundárias de dados de morbidade hospitalar para identificar os casos com esse diagnóstico.Para tanto, recorreu-se ao banco de dados AIH/DATASUS - Autorização de InternaçãoHospitalar/Departamento de Informações do Sistema Único de Saúde - SUS, do Ministério daSaúde.Foram levantados todos os registros de diagnósticos de SHU no período em questão,através do programa TABWIN/DATASUS, que contém informações dos pacientes internados,como nome, endereço, nome do hospital, número do prontuário, etc..Através do número das AIHs foram identificados os prontuários, registrando-se os dadosem uma ficha de investigação elaborada especificamente para este estudo.
Definição de Caso
Considerou-se como caso de SHU pacientes que apresentaram valores hematimétricos esintomatológicos que caracterizavam a anemia hemolítica, trombocitopenia e insuficiência renalaguda. A pertinência foi o critério de inclusão. Os critérios de exclusão foram: a) a recusa departicipação por parte da instituição onde o paciente foi internado, não permitindo o acesso aoprontuário do paciente e impedindo verificar a pertinência do diagnóstico; b) o diagnósticoincompatível com a definição de caso; c) outros diagnósticos digitados e/ou codificadosincorretamente como SHU.
RESULTADOS
Foram encontradas 33 AIHs que possuíam como diagnóstico principal a codificação deSHU (D59.3) e 12 como diagnóstico secundário. Em duas das AIHs a codificação constava tantoem diagnóstico principal como em secundário, tratando-se porém da mesma autorização. Assim,foram identificadas 43 AIHs com o diagnóstico de SHU.Desse total de AIHs levantadas, foram identificados 34 prontuários de SHU. As demaiseram autorizações referentes a mais de uma internação dos mesmos pacientes.Dentre os prontuários identificados, tivemos acesso a 31, tendo sido identificados 15pacientes com diagnóstico compatível com SHU. Destes, dois pacientes apresentaram a SHUdevido por problemas sistêmicos, sendo uma gravidez e um lúpus eritematoso sistêmico.
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