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Capítulo 7 - Informar e Envolver os Pais-Philippe Perrenoud

Capítulo 7 - Informar e Envolver os Pais-Philippe Perrenoud

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Published by: Adriana Miranda Oliveira on Oct 04, 2009
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10 NOVAS COMPETÊNCIAS PARA ENSINAR – Philippe PerrenoudCAPÍTULO 7 - “Informar e Envolver os Pais”Informar e Envolver os Pais
Um acontecimento marcante da escola no século XX, foi a irrupção dos pais como parceiros na educação escolar. Seria uma entrada brusca dos pais na escola, os notáveis(burguesia) jamais se privaram de participar e de conservar uma escola de acordo com seusdesejos. Não que não houvesse uma participação antes dos mais humildes, mas somente paisabastados participavam mais da vida escolar dos filhos e das escolas. As escolas mais ricaseram as melhores e havia um investimento por parte dos pais, pois além da qualidade orenome da escola também era muito importanteO Sistema unificado no final do século XIX, início século XX, todas as crianças passam pela escola de ensino fundamental, em prinpio “a mesma para todos”, é aescolarização obrigatória. Constituiu em uma formidável máquina de privar os pais do seu poder educativo. As crianças agora entram no molde de bons e fieis cidadãos, mais tarde bonstrabalhadores e bons consumidores. A criança deixou de pertencer a sua família. A lei obrigaos pais a cederem parte da educação de seus filhos a escola. As leis não impõem aescolarização, mas a “instrução”. É uma ficção para os pais sem recurso, aqueles que não podem pagar um ensino particular. As leis também dão mais direito aos pais, direito de entrar na escola, de serem informados, consultados, direito de participar da administração.Os textos mais hipócritas afirmam: A escola é a segunda família na educação de seusfilhos. Evitam dizer que esta “assistêncianão é absolutamente uma resposta a umanecessidade de ajuda. Os pais se adaptam, passam a ser atores que não tem escolha.Por que a escolarização se tornou obrigatória? Ninguém pensaria em tornar obrigatóriaa respiração. A escola se tornou obrigatória porque as crianças não tinham espontaneidade,vontade de freqüentá-la, nem mesmo os pais a necessidade de confiar seus filhos a ela. Eles preferiam mantê-los em casa, principalmente para fazê-los trabalhar desde a mais tenra idade.A escolarização obrigatória arrancou as crianças de sua família, a partir dos seis anos deidade, por razões mais ou menos confessáveis.- Garantir a instrução;- Protegê-las da exploração, dos maus-tratos, da dependência.Por outro lado o objetivo era também moralizar sua educação por meio da disciplina,da educação cívica, da higiene e também normatizá-la a começar a aprendizagem de uma“língua escolar”, que não era a língua falada na família no dia-a-dia.E nos dias atuais se a obrigação legal de frequentar a escola fosse suspensa? É provável que a maioria dos pais mandaria assim mesmo seus filhos para a escola.. São váriosos fatores que implicam nesta afirmação;- A maioria dos pais hoje trabalha;- Muitos acham que a escola é responsável pela educação de seu filho.- Os pais de hoje, inclusive os menos favorecidos, já freqüentaram a escola, mesmo por alguns anos, nela aprenderam alguma coisa. “Sem instrução, nem diploma, não hásalvação”E como se tornou a relação dos pais com os professores? Os pais não tendocompetência ou o tempo requerido para cuidar e educar seu próprio filho delega facilmenteesta tarefa para profissionais mais disponíveis ou qualificados. A relação dos pais com os professores torna-se comum, como aqueles outros profissionais que ocupam de seus filhos,cabeleireiro, dentista, treinador esportivo, professor de dança etc.
 
 Nos dias de hoje, o dever de informar e envolver os pais nas escolas faz parte dasatribuições de um professor e requer competência para isso, é obrigação da escola informar os pais em relação a educação de sues filhos. Mas fazer essa mediação não é fácil, os ministrosdefendem o direito à diferea e a tolencia, mas eles o vivem em aglomerados,apartamentos populares, não tem contato com outras culturas e outros modos de vida. Na teoria dizer que ter dialogo com os pais, é fácil, mas na prática, quando não existeconfiança entre o professor e os pais, aparecem preconceitos, suspeitas, criticas, o dialogotorna-se difícil de acontecer, os professores no seu cotidiano encaram uma série de coisas,como: horários, disciplinas, normas, avaliação, e as vezes a família ainda acham que eles, éque ainda são os responsáveis pelo que a escola fez ou não fez. Muitas vezes são recebidoscom agressividade, tanto pelo aluno, quanto ao pai, são questionados em tudo, por isso que odialogo com os pais na maioria das vezes não são agradáveis para alguns professores, porque já não acreditam mais neles, estão magoados por palavras infelizes, por atitudes dissimuladas,mesmo assim o professor precisa ser profissional e fazer com que esse diálogo flua de algumamaneira.Hoje, alguns pais tem poucos filhos e dedicam toda a sua atenção a eles, mas, ser paide aluno é algo novo, diferente e não tiveram tempo para refletir sobre essa etapa, seu filhocresce, cada ano muda de turma, para esses pais essa adaptação se torna difícil, ainda surgenovos programas de ensino e outras maneiras de ensinar.A escola quando for necessário, mesmo havendo diversidade tem a capacidade decomunicação com os pais, deixando os cientes sobre os projetos de instrução que estão sendoaplicados a seus filhos.O diálogo com os pais, antes de ser um problema de competências é uma questão daidentidade de relação profissional. È importante informar e envolver os pais, é umacompetência fazer com que eles participem de reuniões e debates, os pais precisam seenvolver na construção dos saberes de seu filho, e saber fazer essa mediação é uma habilidadee competência do professor.
 Dirigir Reuniões de Informações e de Debates
Os pais que assistem a uma reunião de pais sabem, ou descobrem que este não é omomento apropriado para resolver os casos particulares. Mas, quando a situação do seu filhorealmente os preocupa, podem ficar tentados a falar disso no meio de um problema geral:trabalhos de casa excessivos, insuficientes, disciplina, indisciplina, avaliação muito rigorosa,generosa.É por isso que o professor terá que adquirir a capacidade de decodificar, em declaraçõesaparentemente gerais, preocupações pessoais e tra-las como tais. Terá de adquirir acompetência de não marcar reuniões gerais quando os pais têm preocupações particulares.Marcando tais reuniões no inicio do ano letivo, para apresentar a sua metodologia de trabalho, pois ainda os pais não têm razões de se preocuparem com os filhos ou mais tarde em reuniõesindividuais, onde serão respondidas as questões preocupantes em relação à aprendizagem deseus filhos.Fica evidente que não há uma regra a ser seguida, mas sim que se deve procurar evitar emreuniões que ocorra explosões angustiantes ou algum tipo de descontentamento particular quevenham a ser tratados nela. É necessário que se saiba que mesmo em encontros individuais asreuniões continuam sendo um problema.É raridade que em reuniões de pais exista uma relação serena entre esses e a escola, pois aescolaridade dos filhos é entrecortada de inquietações, preocupações e muitas vezes deesperanças, pois os mesmos temem pelo desenvolvimento, socialização e o que ocorre num
 
mundo que muitas vezes é desconhecido por eles, mas que na realidade é vivido pelos filhos,sendo isso às vezes o causador de tumultos, portanto não é preciso grande coisa para acender um pavio.Uma das competências maiores é distinguir com clareza a sua autonomia profissional, a política educativa, os programas, as normas e as orientações da instituição. Dissociar-setotalmente da instituição que o emprega é tão desastroso quanto assumir categoricamentetodos os diplomas legais. O professor deve saber informar e envolver os pais com habilidade,deixando espaços para debates, sendo sensato que lembrem o objetivo da reunião, dosassuntos que serão tratados e outros que surgirão.Antes de tudo o professor deve ser hábil e compreender que os pais não ocupam a mesma posição deles (professores), têm outras preocupações, outra visão de escola e são diferentesuns dos outros e como tais devem ser aceitos como são, em sua diversidade.
Fazer Entrevistas
A competência maior é, mais uma vez, saber situar-se claramente. As entrevistascompletam as reuniões. Por falta de tempo, na maioria das classes, os pais comparecemsomente quando surge um problema. Uma entrevista deve ser bem preparada, definir seuobjetivo, deixar os interlocutores a vontade. Convocar os pais com autoritarismo e tratá-loscomo acusados no tribunal não vai possibilitar um diálogo de igual para igual. Existe umafalta de habilidade, certos professores tratam os pais como alunos. O ideal seria pais e professores se encontrarem regularmente, de preferência com a criança para acertaremacordos, pelo simples fato que partilham uma responsabilidade educativa.A competência consiste amplamente, neste caso, em não abusar de uma posiçãodominante, em controlar a tentação de culpar e de julgar os pais. Os pais são responsáveisdireta ou indiretamente pelas dificuldades de sues filhos e mais ainda pela sua conduta. Énecessária uma grande sabedoria, o trabalho sobre si próprio e sua relação com ouro é, nessecaso mais útil do que a habilidade de conduzir uma entrevista. Acontece dos pais solicitar aentrevista e neste caso o professor encontra-se na posição de acusado, se ele não se apresentar como um profissional competente, em plena posse de seus recursos certamente os pais oacusaram de iniciante ou como se estivesse atravessando uma má fase.Deixar passar a tempestade é uma forma de competência. As críticas geralmente sãofeitas por pais mais instruídos, cientes de seus direitos de classe média ou alta. Eles atacamviolentamente e não é raro ouvir professores queixando-se da agressividade ou da arrogânciade certos pais que “acham que podem tudo”. Por outro lado, ambos se esforçam para delimitar seu território. A experiência ensina uma certa humildade.As competências requeridas de um verdadeiro profissional consistem de preferência,em não gastar toda sua energia para se defender, para afastar o outro, mas ao contrário, aceitar negociar ouvir e compreender o que os pais tem a dizer sem renunciar a defende suas própriasconvicções. Maia uma vez as competências nada são se não podem apoiar-se em umaidentidade, uma ética e uma forma de coragem...
Envolver os pais na construção dos saberes
Quando se diz “envolver os pais na construção dos saberes”, não se limita apenas aconvidá-los para participarem ativamente nos papeis que a escola desempenha. Isso pode atéfavorecer o diálogo entre alguns pais e professores, mas nem todos os pais tem a mesma visão

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