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CRÍTICA SOCIAL ATRAVÉS DO ROCK BRASILEIRO DOS ANOS 80

CRÍTICA SOCIAL ATRAVÉS DO ROCK BRASILEIRO DOS ANOS 80

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Published by Simone Irma
Análise da crítica social produzida pelo rock nacional dos anos 80, partindo de uma abordagem da música como manifestação do devir da história e do retrospécto da música popular em geral e do rock em particular.
Análise da crítica social produzida pelo rock nacional dos anos 80, partindo de uma abordagem da música como manifestação do devir da história e do retrospécto da música popular em geral e do rock em particular.

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INTRODUÇÃO
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Surgido a partir do blues dos negros estadunidenses, o rock em poucotempo se espalhou pelo mundo como música e estética de uma rebeldia logoincorporada à expansão da indústria fonográfica da terra do tio Sam.Chegado ao Brasil ao final dos anos 40, foram necessários cerca de 30anos para que o “velho” e bom rock se aclimatasse aos temperos das
Terras
 
Brasilis
 e resgatasse a veia de contestação social característica de seus primórdios,chegando a sua maior, ou melhor, idade.Os anos 80 foram o cenário histórico onde o fim da ditadura militar funcionou como o destapar de um grande caldeirão de demandas sociais, políticas eculturais. Nesse ambiente é que se processou uma nova cultura de um rockbrasileiro carregado de uma inquietude antropofágica, saído das garagens pararevelar e embalar uma nova geração faminta por devorar verdades absolutas ereceitas prontas, decodificando o discurso dominante e vomitando a reinvenção deum novo mundo e uma nova nação, que infelizmente “morreu na casca”.Crítica social através do rock brasileiro dos anos 80 não se propõeapenas a viajar por uma década de certo gênero musical, mas a procurar narealidade viva daquele tempo histórico os nexos sociais desta determinada produçãoartística como obra social.Walter Benjamin disse que “uma das tarefas essenciais da arte, em todosos tempos, consistiu em suscitar uma demanda, num tempo que não estava maduropara satisfazê-la em plenitude.” Na sua particularidade como produção artísticamusical, esta tem sido a tarefa essencial do rock, sendo que em determinadosperíodos e culturas essa característica se acentua, como ocorreu com o rockbrasileiro durante a década de 1980.Para empreender tal análise partimos de uma bibliografia e musicografiaabrangentes, a fim de apreender o rock brasileiro dos anos 80 na sua interação coma história do rock mundial e com o nosso, made in Brasil, e ao mesmo tempo situar oconjunto da abordagem no universo bem mais amplo da problemática da músicacomo produção artística.
1
As músicas citadas nesse trabalho aparecem no anexo na mesma ordem em que foramcitadas no texto.
 
 
2
1 MÚSICA É OUTRA HISTÓRIA
Toda música exprime sentimentos e mesmo idéias. Não apenas a músicapopular com suas canções compostas de letra e música ou a ópera com suasestórias e histórias, mas também a chamada música erudita ou clássica, que naconstrução de suas escalas, nos seus andamentos, traz uma significação, tem umahistória a contar.A questão colocada é que os idiomas nacionais e a linguagem musical seconstroem e transitam em freqüências bem distintas. Entretanto, isso não significaque a música não possa ajudar a contar – num sentido o mais total do termo – ahistória da humanidade.Primeiro trataremos da relação mais imediata entre história e música, paradepois penetrarmos nessa outra história da música.Em seu “História social da música”, Henry RAYNOR (1981, p. 9)escreveu:
“A história é provavelmente o mais complexo dos estudos. Para melhor digestão dividimo-la em vários constituintes e destacamos história políticaou social, econômica ou militar, pensamos em história da arte ou da ciência,da literatura ou da música. Contudo, tão logo o estudioso se aplica aqualquer dessas seções muito bem delimitadas do assunto, percebe nãopoder apreendê-lo completamente sem referência a pelo menos algumasdas demais. Poderemos acaso compreender o desenvolvimento docomércio e da indústria depois da reforma sem algum conhecimento sobre aatitude revolucionária quanto ao dinheiro assumida a partir da reforma, eque possibilitou o progresso do capitalismo ao afastar grande parte doestigma da usura? Só podemos compreender a história da ascensão equeda de Napoleão fazendo referência, entre outras coisas, ao poderioindustrial, e, portanto, financeiro, da Inglaterra. A história, por mais que adividamos em departamentos, tende sempre a tornar-se um estudo uno,com fronteiras extremamente vagas em virtude de sua vasta abrangência.Afinal, ela é o registro das atividades humanas em geral, e essas sãonecessariamente interdependentes; e como se sobrepõem, as inevitáveissetorizações são forçosamente falseadoras.”
Fica claro então que a história de um longo período não é uma soma deseus períodos menores de tempo. Da mesma forma, um determinado tempohistórico não pode ser traduzido pelo encaixe estanque das análises de suasdiferentes estruturas e dimensões, feitas, cada qual, à revelia do todo. Umarealidade histórica é um todo complexo, uno e sempre contraditório, onde economia,política, cultura, vida privada e mesmo dimensões “menores” da realidadeencontram-se ligadas, formando um organismo social vivente.
 
 
3
Portanto, ao situarmos a música na história estamos indo muito além doóbvio ou do lugar comum “música é história”. Na medida em que esse exercício daanálise nos possibilite entender como determinado tipo de música apareceu na cenahistórica, com suas determinações sociais específicas, passamos a enxergar o queantes se mostrava invisível ou inaudível à nossa percepção. Construímos conexõesentre esta música e a sociedade que a produziu e estas conexões que estavam láescondidas no todo histórico, tornam-se nossos olhos e nossos ouvidos.A história da música está, assim, ligada às marchas e contramarchas dapolítica, dos movimentos sociais às questões econômicas, à ciência e tecnologia, àcultura e à própria produção cultural que continuamente procura interpretar asociedade e, enfim, ao mundo todo, à Aldeia Global, como cunhou Mc Luhan.Mas se música é história...Via de regra os livros sobre música dizem respeito à história da músicados estilos musicais, seus autores, compositores, intérpretes, regentes, solistas,cantores e instrumentistas. Quase sempre se restringem à evolução (ou involução)no tempo, das diferentes formas do som socialmente elaborado. E não poucas vezesessas histórias da música são contadas como se houvessem sido produzidas comoauto-realização de um espírito musical independente e alheio às sociedades eculturas que as pariram.Antes de mais palavras sobre a música como produto cultural, talvez sejarazoável ir até sua raiz física, o som.Aquilo que chamamos som chega aos nossos ouvidos como ondas queviajam pelo ar, com forma oscilante, compostas de impulsos e repousos, ruídos esilêncios. Ondas sonoras feitas de emissões pulsantes, invisíveis, inodoras, sempaladar, que rasgam a matéria do ar e produzem inflexões nas paredes dos nossostímpanos.Como leigos na arte e na ciência do som e da música tal definição nosbasta para concluirmos duas coisas óbvias que colocam, entretanto, uma questãocrucial. Sons, silêncio e ruídos existem por si na natureza como fenômenos físicos enós, os humanos, estamos capacitados fisicamente a percebê-los, em determinadafreqüência.A questão é: diferentes culturas em épocas históricas diversasmanipularam socialmente sons, ruídos e silêncio de distintas formas, elegendocertos sons e ruídos, tempos rítmicos, abdicando ao mesmo tempo de outros sons,

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