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Um problema mundial chamado NATO
Sumário1 - NATO, peça essencial do domínio do capitalismo ocidental nomundo2 – Uma abordagem histórica da NATODa fundação até 1991Depois de 19913 – Actuais envolvimentos específicos da NATOAfeganistãoKosovoOperação “Active Endeavour”SomáliaIraqueA proliferação das armas nuclearesGUAMIsraelDesenvolvimentos recentes4 - Gastos monstruosos com a defesa e a guerraOs malefícios da NATO para o caso de um pequeno país Portugal5 - As forças armadas e o militarismo6 - A luta contra a NATO1 - NATO, peça essencial do donio do capitalismo ocidental nomundoA evolução do dispositivo estratégico militar ocidental - e da NATO emparticular – procura ir ao encontro das necessidades do capitalismopara o controlo de mercados e recursos, mormente enerticos,nesta fase de globalizão neoliberal, cuja relencia se ocompadece com quadros de actuação limitados geograficamente.Esse dispositivo é o único com vocação e capacidade para umaintervenção ao nível planetário. Na sua procura de hegemonia, emcada acção concreta, procura cooptar, para a sua órbita, países nãointegrados na estrutura militar liderada pelo Pentágono. Esse esforçode domínio exige um paciente trabalho de construção jurídica, depersuao ou ameaça potica, de compra de inflncias e depropaganda, adaptado ao terreno e à conjuntura. Assim se constróiuma complexa rede de dependências, de esferas que se cruzam, justapõem ou complementam, para que a maioria das situações reaisesteja abrangida e controlada dentro de, pelo menos, uma dessasesferas de domínio.No centro desse dispositivo encontra-se o Pentágono, nome quepopularmente, designa o Departamento de Defesa dos EUA, estrutura
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ímpar da administração americana em ligação com outras reputadasinstituições, como a CIA ou a NSA. É o Pentágono que tem o maiorquinhão, entre todos os departamentos, do orçamento americano.Para o ano fiscal agora iniciado (Setembro), o oamento doPentágono é de $ 663 700 M (incluindo $ 130 000 M para oAfeganistão e o Iraque) e que corresponde a mais de 40% dos gastosmundiais com a defesa
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 No auge da Guerra Fria, os EUA procuraram cercar a então URSS comaliaas potico-militares hostis, numa estragia montada pelosecretário de estado George Kennan. Surgiram então, para além daNATO, a CENTO (extinta em 1979 com a revolução iraniana), a SEATO(extinta em 1977 após a derrota americana no Vietnam), a ANZUS, oNORAD e ainda, a OEA – Organização dos Estados Americanos paracontrolo do quintal latino-americano.Actualmente, o dispositivo estratégico militar ocidental desenvolve-seem várias dimensões políticas, jurídicas e militares, com vários grausde envolvimento dos países enquadrados:
O seu núcleo duro é constituido pelas próprias forças armadasdos EUA que, fora das suas fronteiras, detêm 823 bases militares,das quais 287 na Alemanha, 130 no Japão e 106 na Coreia do Sul,de acordo com Manolis Arkoladis, do ILPS – International League of People’s Struggle
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, em contexto multilateral ou bilateral;
A NATO representa o principal órgão militar multilateral ao nívelmundial. A inclusão recente da maioria dos países da Europacentral e oriental, aumentou a sua relevância territorial e política.Sem ter abandonado a sua característica inicial de oposição àURSS, (transferida para a Rússia), a NATO alargou a sua área deactuação à Ásia central e do sul, bem como ao Índico;
Num outro patamar, surge a ONU, cujas possibilidades deintervenção apresentam rias vantagens. o sendo umaorganização militar, a ONU pode ser particularmente útil aodispositivo estratégico militar ocidental ao intervir em missõessecundárias, de rescaldo de conflitos ou, que possam configurar-secomo de carácter humanitário, servindo, portanto para ocupar oterreno e manter ou restabelecer uma certa ordem. Por outro lado,permite a utilização de soldados não pertencentes a países daNATO, onde essa presença possa ser objecto de resistências vivasem áreas de antiga colonização europeia. Ao integrar quase todosos países do mundo, a ONU pode representar, simbolicamente,uma neutralidade que as instituições ocidentais não têm, peseembora todas as decisões para operações militares tenham depassar pela aprovação de um directório designado Conselho deSegurança e o não veto dos seus membros permanentes. Emcertos casos, a ONU vem vulgarizando a delegação, no terreno, da
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sua actuão, na NATO (Kosovo); até porque as ponciasocidentais dificilmente aceitariam a presença de “capacetes azuis”africanos, asiáticos ou muçulmanos, na Europa. 
Dentro da lógica de criar elos com outros países não integradosno dispositivo estratégico militar ocidental, em áreas e situaçõesespeficas, a NATO criou, em 1994, a Parceria para a Paz,designada como Conselho de Parceria Euro-Atlântico em 1997,com objectivos no âmbito da cooperação militar e assistência.Abrange quase todos os países da NATO, a Rússia e os paísesneutrais da Europa. Nesse âmbito, foram também construidasinstituições de cooperação entre a NATO e a Ucrânia que temtropas no Kosovo e no Afeganistão, sob o comando da NATO; eentre a NATO e a Rússia que procedeu de igual modo na missãonaval ao largo da Somália.
Em 1995, a NATO criou o Diálogo no Mediterneo paracontribuir para a segurança e a estabilidade regionais, abrangendotodos os países do norte de África, excepto a Líbia mas, incluindo a Jordânia e Israel. Note-se que este tipo de designações pomposaspretendem, em regra, disfarçar o desejo de hegemonia e domínioimperialista efectiva nas regiões a que se aplicam:
Em 2001, a criação da Operão “Active Endeavour”, parapatrulhar o Mediterneo, constituiu um aproveitamentoamericano dos atentados de New York, irrecusável para os outrospaíses, quase obrigados, uns, a tomar atitudes contra uma sempreexagerada ameaça terrorista global e outros, aproveitando aoportunidade para tratarem, como lhes convémm os seusproblemas específicos (Rússia – Chechénia).À semelhança do que se vai passando ao nível interno de cada país,onde se assiste a uma grande integração entre as atribuições dasforças armadas e das polícias, no quadro do controlo biopolítico dospovos, também as instituições multilaterais criadas fornecem umquadro de actuão o exclusivamente militar, cabendo sob adesignação de “luta contra o terrorismo” actividades como o apoio naadministrão civil, a organizão de eleições, o combate àcriminalidade, a vigincia matima, o tráfico de drogas ou aimigração clandestina.2 – Uma abordagem histórica da NATONem sempre é possível ou conveniente, numa abordagem sobre aNATO, esquecer as outras peças do dispositivo de domínio ocidentalno mundo, uma vez que a utilização de uma ou outra é varíável,articulada caso a caso.
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