seus sentimentos, atitudes e expectativas, têm noprocesso interactivo que entre ambos se vai esta-belecendo (Goodnow, & Collins, 1990; Same-roff, & Feil, 1985; Sameroff, & Fiese, 1992; Si-gel, 1985).Tem sido assumido que as emoções e per-cepções são importantes e afectam as caracterís-ticas do processo interactivo mãe-bebé: o que ospais «pensam» dos seus bebés, parece influen-ciar decisivamente não só o tipo de interacçãoque com eles estabelecem, como também assuas estratégias educativas, o que, por sua vez,vai influenciar o comportamento e desenvolvi-mento do bebé (Skinner, 1985).Também relativamente a este aspecto e no querespeita às crianças deficientes, alguns estudosconcluem que as mães de crianças deficientes ouem risco diferem das mães de bebés normais naapreciação que fazem dos seus filhos, nas ex-pectativas quanto aos marcos de desenvolvi-mento e nos seus sentimentos de eficácia e com-petência (Smith, Selz, Bingham, Aschenbrenner,Standbury, & Leiderman, 1985).O processo de adaptação materna ao nasci-mento de um bebé em risco ou com deficiênciatem também sido objecto de estudo, sendo o tra-balho de Solnit e Stark (1961) uma referênciafundamental. Outros autores, noutras perspecti-vas, se têm referido a este processo (Brown,Thurman, & Pearl, 1993; Crnic, Friedrich, &Greenberg, 1983; Hodapp, 1988; Peterson, 1988;Tanaka, & Niwa, 1991), considerando-se actual-mente igualmente importantes para uma boaadaptação as características da criança, os facto-res intraindividuais, a dinâmica intrafamiliar, efactores de suporte social (Dunst, & Trivette,1988).Estas linhas de investigação têm quase sempreseguido o seu percurso de forma paralela, peloque são em número muito reduzido os trabalhosque relacionam o estudo dos processos cogniti-vos e emocionais da mãe e o seu comportamentointeractivo (Flemming, Flett, Ruble, & Shaul,1988) e também o processo de adaptação ao nas-cimento de um bebé com deficiência. Foi a es-cassez destes trabalhos, que nos levou a inves-tigar se os sentimentos e atitudes das mães, bemcomo a percepção e as expectativas sobre o de-senvolvimento dos seus bebés, se traduzem, dealguma forma, na interacção que com eles esta-belecem e na sua posterior adaptação ao bebéreal.O trabalho de Shonkoff Hause-Gram, Krausse Upshur (1992) adquire para nós particularsignificado já que foi o único em que encontrá-mos uma análise simultânea destas dimensõescomplementares, como ainda a abordagem daproblemática do bebé em risco ou com deficiên-cia, numa perspectiva integrada de avaliação/in-tervenção precoce com a qual nos identificamos.As diversas perspectivas teóricas subjacentesaos programas de intervenção precoce, revistasno trabalho de Meisels e Shonkoff (1990) tornamactualmente possível que a escolha do tipo deintervenção seja feita tomando em conta não sóas características e nível de desenvolvimento dobebé e o desejável aumento das suas competên-cias, como a dinâmica interactiva mãe-bebé eainda as capacidades e recursos da família. Omodelo transaccional e a abordagem centrada nainteracção (Bromwich, 1990; Field, 1983; Lester,1992; Mahoney, Robinson, & Powell, 1992) e omodelo ecológico e a abordagem centrada nasnecessidades e recursos da família (Bailey, &Wolery, 1992; Beckwith, 1990; Brown, Thur-man, & Pearl, 1993; Dunst, Trievette, & Deal,1988), fundamentam os actuais programas de in-tervenção garantindo que à criança e à famíliasejam proporcionadas experiências de vida faci-litadoras da sua plena integração social.Após este breve enquadramento teórico, po-demos então enunciar o principal objectivo dotrabalho que efectuámos: contribuir para au-mentar a compreensão das variações do desen-volvimento dos bebés com deficiência (síndromede Down) ou em risco (pré-termo) e a adaptaçãodas suas mães ao longo do tempo, encarandoambas as variáveis como processos multidimen-sionais que são simultaneamente influenciadaspor factores externos e internos, ligados ao pró-prio processo de desenvolvimento da criança erelacionados com os sentimentos das mães ecom a ecologia da família.Trata-se de um estudo exploratório, de ca-rácter longitudinal, em que utilizámos uma me-todologia de Estudo de Caso, que permitiu nãosó estudar, desde os primeiros dias e até ao fimdo primeiro ano de vida, o desenvolvimento dosbebés e o ajuste sucessivo que as mães tiveramde fazer às suas características, como estabelecer
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