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O que é Jornalismo

O que é Jornalismo

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Livro da coleção Primeiros Passos
Livro da coleção Primeiros Passos

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O QUE É JORNALISMO
Clóvis Rossi 
(Coleção primeiros passos), Editora Brasiliense, 1980Copyright @ by Clóvis Rossi, 1980 Nenhuma parte desta publicação pode ser gravada, armazenada em sistemaseletrônicos, fotocopiada, reproduzida por meios mecânicos ou outros quaisquer sem autorização prévia da editora.ISBN 85-11-01015-7 Primeira edição, 1980 1O edição, 1994 r reimpressão, 1995Revisão: José E. Andrade e Ana Maria Barbosa Ilustrações: Enúlio Oanúani Capa: Otávio Roth e Felipe Oo-etorsEDITORA BRASILlENSE S.A. Av. Marquês de São Vicente. 1771 01139-903 - São Paulo - SP Fone (011)861-3366 - Fax 861-3024 Filiada à ABOR 
 
ÍNDICE
- Introdução- A Batalha por Dentro- Meio de Informação e Controle- O Estilo- Por Quê, a Questão Central- Mais Filtros- A Batalha por - As Fontes- Quem São as Fontes-As Fontes- A Batalha da Propriedade-ComitêsouSovietes?-Um Exemplo: LeMondeA Preparação da Batalha- A Especialização- A Honestidade-ABatalhanoMundo
 
Introdução
Jornalismo, independentemente de qualquer de-finição acadêmica, é uma fascinante batalha pelaconquista das mentes e corações de seus alvos:leitores, telespectadores ou ouvintes. Uma batalhageralmente sutil e que usa uma arma de aparênciaextremamente inofensiva: a palavra, acrescida, nocaso da televisão, de imagens. Mas uma batalha nem por isso menos importante do ponto de vista políticae social, o que justifica e explica as imensas verbascanalizadas por governos, partidos, empresários eentidades diversas para o que se convencionou cha-mar veículos de comunicação de massa.O mais claro exemplo da eficiência dessa armaaparentemente inofensiva é a compilação feita pele brazilianist Alfred Stepan para seu livro Os Militaretna Política: Stepan estabeleceu um placar para clas-sificar a opinião da imprensa com respeito à legiti-midade do presidente da República, nas vésperas decinco movimentos militares da recente História doBrasil (1 945, 1954, 1955, 1961 e 1964). A cotaçãodo presidente variava de mais 2 a menos 2. Resulta-do: nos movimentos militares vitoriosos (1945, 1954e 1964), a legitimidade do presidente era negativa,de acordo com a opinião da imprensa selecionada pelo brazilianist, variando a média de menos 0,8 em1964 a menos 1,2 em 1954. Em contrapartida, nosmovimentos militares frustrados (1955 e 1961), alegitimidade do presidente merecia, da imprensa,cotação positiva (mais 0,3 em 1955 e mais 0,2 em1961). Não se pode concluir, desses dados, que os movi-mentos militares só ocorrem quando a imprensaduvida da legitimidade do presidente em exercício.Mas é inegável que ela desempenha, claramente,um papel-chave na batalha para ganhar as mentese corações dos segmentos sociais que, no Brasil aomenos, formam o que se chama de opinião pública.Ou seja, a classe média (média alta ou média média)- principal responsável pelo consumo de jornais erevistas em um país em que se lê desesperadamente pouco.O trabalho de Stepan mostra, com clareza, como foiconduzida a batalha que levou amplos setores daclasse média a apoiar a deposição de João Goulart, presidente constitucional, em 1964. Dos nove jornais por ele selecionados, pela sua influência e tiragem,nada menos do que sete achavam que “militar devedesempenhar papel principal na solução da crise enão deve obedecer ao presidente se ele está agin-do ilegalmente. O militar não deve ajudar a pôr no poder um presidente eleito ou vice-presidente queconstitui ameaça à segurança e à ordem do país”. Ossete jornais citados eram Correio da Manhã, Jornaldo Brasil, O Globo, Diário de Notícias, O Jornal, OEstado de S. Paulo e Tribuna de Imprensa. Restavamdois jornais em posição, digamos, legalista: DiárioCarioca e Última Hora.Essa batalha pelas mentes e corações, entretanto,é temperada por um mito - o mito da objetividade- que a maior parte da imprensa brasileira importoudos padrões norte-americanos. Em tese - salvo, éóbvio, nos jornais de cunho ideológico ou partidário- a imprensa, de acordo com o mito da objetividade,deveria colocar-se numa posição neutra e publicar tudo o que ocorresse, deixando ao leitor a tarefa detirar suas próprias conclusões.Se fosse possível praticar a objetividade e a neutrali-dade, a batalha pelas mentes e corações dos leitoresficaria circunscrita à página de editoriais, ou seja,à página que veicula a opinião dos proprietários deuma determinada publicação. Elmer Davies, falecidoeditor norte-americano, tinha, inclusive, uma suges-tão que é definitiva em termos de culto à objetivi-dade. Ele propunha que os jornais publicassem, na primeira página, o seguinte aviso: “Para a verdadesobre o que você lê abaixo, veja a página editorial” No Brasil, os editoriais foram, de fato, durante al-gum tempo, o principal campo dessa batalha. Mas aevidência de que a objetividade é impossível acabou por transferi-la a todas as páginas dos jornais. Afinal,entre o fato e a versão que dele publica qualquer veí-culo de comunicação de massa há a mediação de um jornalista (não raro, de vários jornalistas), que car-rega consigo toda uma formação cultural, todo um background pessoal, eventualmente opiniões muitofirmes a respeito do próprio fato que está testemu-nhando, o que leva a ver o fato de maneira distintade outro companheiro com formação, backgrounde opiniões diversas. E realmente inviável exigir dos jornalistas que deixem em casa todos esses condicio-namentos e se comportem, diante da notícia, como profissionais assépticos, ou como a objetiva de umamáquina fotográfica, registrando o que acontecesem imprimir, ao fazer o seu relato, as emoções eas impressões puramente pessoais que o fato neles provocou.A objetividade é possível, por exemplo, na narraçãode um acidente de trânsito - e, assim mesmo, se nelenão estiver envolvido o repórter, pessoalmente, oualgum amigo ou parente. Esse tipo de acontecimento- ou seja, aquele que afeta apenas um pequeno grupode pessoas, sem maior incidência política e/ou social- ainda permite o exercício da objetividade. Nosdemais, ela é apenas um mito.

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