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Beethoven
Ludwig van Beethoven nasceu em 16 de dezembro de 1770, emBonn, Alemanha. Mas sua ascendência era holandesa: o nome desua falia é derivado do nome de uma aldeia na Holanda,Bettenhoven (canteiro de rabanetes), e tem a partícula van, muitocomum em nomes holandeses - não confundir com o nobiliárquicoalemão von. O avô do compositor, também Ludwig van Beethoven,contudo, era originário da Bélgica, e a família estava há poucasdécadas na Alemanha.Vovô van Beethoven era sico. Trabalhava comoKappelmeister (diretor de música da corte) do eleitor de Colônia eera um artista respeitado. Seu filho, Johann, que viria a ser o pai deLudwig, menos talentoso, o seguiu na carreira, mas sem igual êxito.Depois da morte do pai, entregou-se ao alcoolismo, o que trariamuitos problemas emocionais ao filho famoso.Johann percebeu que o pequeno Ludwig (que fora batizadoassim em homenagem ao avô) tinha talento incomum para música etratou de encaminhá-lo à carreira de músico do eleitor. Mas o fez deforma desastrosa. Obrigava o filho a estudar música horas e horaspor dia, e não raro o batia. A educação musical de Beethoven tinhaaspectos de verdadeira tortura.Desde os treze anos Ludwig ajudou no sustento da casa, já que opai afundava-se cada vez mais na bebida. Trabalhava comoorganista, cravista ensaiador do teatro, sico de orquestra e
 
professor, e assim precocemente assumiu a chefia da família. Eraum adolescente introspectivo, tímido e melancólico, freqüentementeimerso em devaneios e "distrações", como seus amigostestemunharam.Em 1784, Beethoven conheceu um jovem conde, de nomeWaldstein, e tornou-se amigo dele. O conde notou o talento docompositor e o enviou para Viena, para que se tornasse aluno deMozart. Mas tudo leva a crer que Mozart não lhe deu muita atenção,embora reconhecendo seu gênio, e a tentativa de Waldstein nãologrou êxito - Beethoven voltou em duas semanas para Bonn.Em Bonn, começou a fazer cursos de literatura - até paracompensar sua falta de estudo geral, já que saíra da escola comapenas 11 anos - e teve seus primeiros contatos com asfervilhantes idéias da Revolução Francesa, que ocorria, com oAufklärung (Iluminismo) e com o Sturm und Drang (Tempestade eÍmpeto), correntes não menos fervilhantes da literatura alemã, deGoethe e Schiller. Esses ideais tornariam fundamentais na arte deBeethoven.Apenas em 1792 que Beethoven haveria de partir definitivamentepara Viena. Novamente por intermédio do conde Waldstein, dessavez Ludwig havia sido aceito como aluno de Haydn - ou melhor,"papai Haydn", como o novo pupilo o chamava. A aprendizagemcom o velho mestre não foi tão frutífera quanto se esperava. Haydnera afetuoso, mas um tanto descuidado, e Beethoven logo tratou dearranjar aulas com outros professores, para complementar seuestudo.Seus primeiros anos vienenses foram tranqüilos, com apublicação de seu opus 1, uma colão de três trios, e aconvivência com a sociedade vienense, que lhe fora facilitada pelarecomendação de Waldstein. Era um pianista virtuose de sucessonos meios aristocráticos, e soube cultivar admiradores. Apesar disso, ainda acreditava nos ideais revolucionários franceses.Eno surgiram os primeiros sintomas da grande tragédiabeethoveniana - a surdez. Em 1796, na volta de uma turnê,começou a queixar-se, e foi diagnosticada uma congestão doscentros auditivos internos. Tratou-se com médicos e melhorou suahigiene, a fim de recuperar a boa audição que sempre teve, eescondeu o problema de todos o máximo que pôde. Só dez anos
 
depois, em 1806, que revelou o problema, em uma frase anotadanos esboços do Quarteto no. 9: "Não guardes mais o segredo detua surdez, nem mesmo em tua arte!".Antes disso, em 1802, Beethoven escreveu o que seria o seudocumento mais famoso: o Testamento de Heiligenstadt. Trata-sede uma carta, originalmente destinada aos dois irmãos, mas quenunca foi enviada, onde reflete, desesperado, sobre a tragédia dasurdez e sua arte. Ele estava, por recomendação médica,descansando na aldeia de Heiligenstadt, perto de Viena, e teve suacrise mais profunda, quando cogitou seriamente o suicídio. Era umpensamento forte e recorrente. O que o fez mudar de idéia? "Foi aarte, e apenas ela, que me reteve. Ah, parecia-me impossível deixar o mundo antes de ter dado tudo o que ainda germinava em mim!",escreveu na carta.O resultado é o nascimento do nosso Beethoven, o músico quedoou toda sua obra à humanidade. "Divindade, tu vês do alto ofundo de mim mesmo, sabes que o amor pela humanidade e odesejo de fazer o bem habitam-me", continua o Testamento. ParaBeethoven, sua música era uma verdadeira missão. A Sinfonia no.3, Eroica, sua primeira obra monumental, surge em seguida à crisefundamental de Heiligenstadt.No terreno sentimental, outra carta surge como importantedocumento histórico: a Carta à Bem-Amada Imortal. Beethovennunca se casou, e sua vida amorosa foi uma coleção de insucessose de sentimentos o-correspondidos. Apenas um amocorrespondido foi realizado intensamente, e sabemos dissoexatamente através dessa carta, escrita em 1812. Nela, ocompositor se derrama em apaixonadíssimos sentimentos a umacerta "Bem-Amada Imortal":"Meu anjo, meu tudo, meu próprio ser! Podes mudar o fato de queés inteiramente minha e eu inteiramente teu? Fica calma, que sócontemplando nossa existência com olhos atentos e tranilospodemos atingir nosso objetivo de viver juntos. Continua a meamar, não duvida nunca do fidelíssimo coração de teu amado L.,eternamente teu, eternamente minha, eternamente nossos".A identidade da "Bem-Amada Imortal" nunca ficou muito clara esuscitou grande enigma entre os biógrafos de Beethoven. MaynardSolomon, em 1977, após inúmeros estudos, concluiu que ela seria
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