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RELAÇÃO HOMEM-ANIMAL: UMA VISÃO ESPÍRITA
Régis Siqueira de Castro Teixeira
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 Aline da Silva Sousa
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 Joserlene Lima Pinheiro
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RESUMO:
A visão cartesiana tem forte influência no modo atual do homem enxergar emodificar a Natureza. Por muitos anos, enxergou-se o animal como algo de satisfação dasnecessidades humanas. Visa-se, neste artigo, conduzir uma reflexão sobre a interação homem-animal ao longo do tempo, culminando na visão espírita.
Palavras-chaves:
Educação Espírita; Bioética, Animais, Evolução
 Introdução
Dada a dinâmica constitutiva da vida do homem contemporâneo, as diversas formas dereflexão sobre o seu modo de vida, bem como das repercussões conseqüentes dessa forma dese portar diante de suas ações são desconsideradas em função da produção – finalidadelegitima da sociedade que tem base o interesse no capital. O que se observa, muito facilmente,é um agravante distanciamento do “homem cotidiano” em relação às discussões éticas quecompreendem a sua responsabilidade como sujeito, tanto como consciente das funções emníveis sociais, como da sua atitude mais primitivista - enquanto ser integrante da natureza.Sendo assim, enfocar algumas formas pelas quais são estabelecidas tais relações entre homeme o animal, enfatizando a compreensão de alguns pensadores e pesquisadores, bem como da perspectiva espiritual - pertinente a doutrina espírita - evolutiva e essencialmente educativa,formatam a estrutura inicial deste trabalho. A metodologia utilizada consistiu no levantamento bibliográfico a partir de livros, artigos científicos, teses e revistas específicas.
A Relação Homem-Animal
 A interação entre homem e animal ocorre desde períodos remotos, como, por exemplo,na pré-história quando se utilizava da caça e da pesca predatória como forma de obtenção dealimento. Essa relação tornou-se mais próxima a partir do momento em que deixou de ser nômade e fixou-se em território específicos, originando as grandes civilizações, iniciou-se o
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Coordenador Financeiro do Instituto de Pedagogia Espírita do Ceará - IPE-CE e Doutorando do Programa dePós-Graduação em Ciências Veterinárias da Universidade Estadual do Ceará. E-mail:regis_siqueira_teixeira@yahoo.com.br 
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Coordenadora Pedagógica do Instituto de Pedagogia Espírita do Ceará - IPE-CE e Mestranda do Programa dePós-graduação em Educação Brasileira da Universidade Federal do Ceará - UFC . E-mail:alinepestalozzi@gamil.com
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Coordenador Geral do Instituto de Pedagogia Espírita do Ceará - IPE-CE e graduando do curso de Pedagogiada Universidade Estadual do Ceará – UECE. E-mail: lenofortal01@yahoo.com.br 
 
 
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 processo de domesticação animal, tornando-o parte de seus hábitos e cultura (DEL BIANCHIe VILLELA, 2005). A partir de então, o homem vem relacionando-se, até os dias atuais, nasmais variadas condições: na área do lazer; como instrumento de guarda; atos ritualísticos;terapias psicológicas; nas experimentações científicas e como fonte nutricional.Chieppa (2002) descreve a evolução dessa relação milenar em três fases: Concepçãoarcaica do animal; Concepção econômico-funcional do animal; Concepção ética do animal. Na primeira fase, essa ligação poderia ser definida como mágica totêmica, o animal, portanto,era visto como uma entidade divina.  No Egito Antigo, por exemplo, o gato era consideradouma espécie sagrada e na atualidade esse tipo de interação ainda perdura, quando entre oshindus ainda ocorre a veneração do bovino como elemento sagrado. A segunda fase écaracterizada pelo conceito do homem dominante: A Natureza é constituída por elementos aserviço das necessidades materiais do ser humano. Podemos perceber essa relação naexploração econômico-financeira dos animais na produção de carne, leite, lã, pele, ovos eforça de trabalho.A Concepção ética do animal é uma visão que se fortaleceu devido ao progresso de ramos como a biologia, etologia e medicina veterinária. O “ser não humano”começa a não ser mais enxergado como apenas um mero objeto a serviço do homem e, por isso, nesse momento, criam-se, em todo o mundo, principalmente nos países maisdesenvolvidos, uma legislação de tutela dos animais.
Concepção econômico-funcional do animal
 A concepção do animal como servidor das vontades humanas tem como forte alavancaa perspectiva grega de harmonia, repercutida na determinação natural dos serescompreendidos no cosmo; e a própria interpretada Gênese Bíblica, onde Deus criou osanimais para serem subjugados ao homem. Enfocar-se-á no presente trabalho, no entanto, esseaspecto, a partir das idéias de René Descartes (1596-1650), o qual entendia que os processostanto do pensamento, como da sensibilidade faziam parte da alma. De acordo com a visãocartesiana, os animais eram desprovidos de alma sendo, portanto, isentos de experiênciasdolorosas (DESCARTE, 1983). A teoria cartesiana afirma que os animais apresentavam umafisiologia diferente do homem, onde a reação ao estímulo doloroso seria apenas mecânica, por um reflexo de proteção sem consciência da dor (LUNA, 2006).
A partir desse pensamento cartesiano, aqueles que usavam animais nãodeviam se importar com o seu sofrimento, já que os animais não sentiam dor,e nem precisavam se preocupar com a retirada das suas vidas, já que eles nãotinham interesses que pudessem ser prejudicados. Portanto, os animais poderiam ser usados sem qualquer preocupação moral. Esse conceito de
 
 
3máquina –animal passa a ser amplamente difundido e utilizado por aquelesque praticavam a vivissecção, e encontram-se ecos desse pensamento até osdias de hoje. Afinal, Descartes traçou a linha que deixou os animaiscompletamente fora da esfera moral(PAIXÃO, 2001, p.52).
O momento atual é marcado por discussões a respeito da utilização do animal para finsde consumo, pesquisa, competições, artes, trabalho e lazer. Essas questões vêm seintensificando desde a década de 70 do século XX e, por isso, o vegetarianismo e umamilitância pelos direitos dos animais vem crescendo (GURGEL, 2003). Peter Singer, filósofoAustraliano nascido em 1946, tem grande influência no fortalecimento das idéias de defesaaos direitos e as melhores condições de bem estar animal. Para ele, nada justifica os maus-tratos aos animais pelos produtores de alimentos e defende a idéia de que o homem precisareavaliar a sua forma de alimentação, já que esta tem impacto direto sobre o sofrimentoanimal. Sua visão assemelha-se com a de Jeremy Bentham em 1789 que
"ao analisar asimplicações morais da declaração francesa da igualdade universal, humana: o que define aigualdade, não como reflexos da capacidade de falar nem a de raciocinar, mas a de sofrer 
(FELIPE, 2004, p.191). Dessa forma, Gurgel (2003), descrevendo a visão de Peter Singer,afirma:
(...) O uso do termo igual é restrito à hipótese de que os animais têm direitos aum reconhecimento igual dos seus interesses, sejam eles quais forem. Masisto não quer dizer que todos os animais tenham os mesmos interesses, nemque haja um absolutismo moral que não permita em qualquer circunstânciauma alternativa à norma, bem como, que entre os animais não humanos e osanimais humanos não encontremos alguma diferença significativa. O que não podemos é simplesmente arbitrar que a qualidade do ser racional, por exemplo, é suficiente para colocar o humano no topo de uma cadeia alimentar altamente canibalesca(GURGEL, 2003, p.75). 
 Na atualidade as discussões filosóficas associado às descobertas e evidênciasfisiológicas e etológicas que traduzam a condição de bem-estar animal vêm fortalecendo ointeresse da sociedade atual por mudanças no tratamento dos animais pelo homem. Osquestionamentos atuais de bem-estar não estão restritos apenas aos animais de produção.Molento (2007), em seu artigo "Bem-estar animal: qual é a novidade?", traz uma revisão queesclarece a ocorrência do desenvolvimento das pesquisas que estudam o bem-estar emanimais de companhia, como cães, gatos, cavalos e coelhos, e que estes estudos preocupam-secom as dificuldades e problemas comportamentais ocorridos por cuidados inadequados por  parte do ser humano. Entre os problemas, destaca o desenvolvimento genético de raças mais

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