A PROFISSÃO DE ADMINISTRADOR - PETER DRUCKER O FUTURO JÁ ACONTECEU
Nos negócios humanos é inútil prever o futuro, mas é possível – e útil – identificar eventos importantes que já aconteceram, deforma irrevogável, e que portanto terão efeitos previsíveis nas duas próximas décadas. Em outras palavras, é possível identificar e se preparar para o futuro
que já aconteceu.
O fator dominante para os negócios nas duas próximas décadas – com exceção deguerra, peste ou colisão com um cometa – não será economia ou tecnologia. Será a demografia. O fator chave para os negóciosserá a
sub
população dos países desenvolvidos – o Japão, os países europeus e os Estados Unidos. Isto quer dizer, seus cidadãosnão estão produzindo bebês suficientes para se reproduzirem. Mesmo que os índices de natalidade crescessem da noite para odia, seriam precisos 25 anos antes que esses novos bebês se tornassem adultos plenamente educados e produtivos. Em outras palavras, para os próximos 25 anos a subpopulação dos países desenvolvidos é um fato consumado e assim tem as seguintesimplicações para suas sociedades e economias:
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A idade de aposentadoria – na qual as pessoas deixam de trabalhar – subirá, em todos os países desenvolvidos, até 75anos para pessoas saudáveis, que são a grande maioria.
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O crescimento econômico pode vir somente de um aumento agudo e continuado da produtividade de um recurso no qualos países desenvolvidos ainda possuem uma vantagem: a produtividade do conhecimento e dos trabalhadores doconhecimento.
•
Não haverá uma única potência dominante mundial, porque nenhum país desenvolvido possui a base populacional parasustentar tal papel. Não pode haver nenhuma vantagem competitiva a longo prazo para qualquer país, indústria ouempresa, porque nem o dinheiro nem a tecnologia podem compensar, por qualquer período de tempo, os crescentesdesequilíbrios em recursos de mão-de-obra. A única vantagem comparativa dos países desenvolvidos está no suprimentode trabalhadores do conhecimento. O conhecimento é diferente de todos os outros recursos. Ele torna-se constantemente obsoleto; assim, o conhecimento avançadode hoje é a ignorância de amanhã. E o conhecimento que importa está sujeito a mudanças rápidas e abruptas, como, por exemplo, na indústria de cuidados com saúde e na indústria de computadores. A produtividade do conhecimento e dostrabalhadores do conhecimento não será o único fator competitivo na economia mundial. Mas é provável que ela se torne o fator decisivo, ao menos para a maior parte das indústrias nos países desenvolvidos. A probabilidade desta previsão contémimplicações para empresas e para executivos., quais sejam:
1.
A economia mundial irá continuar a ser altamente turbulenta e competitiva, propensa a oscilações abruptas, assim comoa natureza e também o conteúdo do conhecimento relevante mudam de forma contínua e imprevisível.
2.
As necessidades de informações das empresas e dos executivos provavelmente irão mudar rapidamente. Uma estratégiavitoriosa irá exigir cada vez mais informações a respeito de eventos e condições
fora
da instituição: não-clientes,tecnologias além daquelas normalmente usadas pela empresa e seus atuais concorrentes, mercados atualmente nãoatendidos e assim por diante.
3.
O conhecimento torna os recursos móveis. Os trabalhadores do conhecimento, ao contrário dos trabalhadores manuais, possuem os meios de produção: eles carregam esse conhecimento em suas cabeças e portanto podem levá-lo consigo.Em decorrência, essas pessoas não podem ser "gerenciadas" no sentido tradicional da palavra. Em muitos casos, elasnem mesmo serão funcionárias das organizações, mas empreiteiras, peritas, consultoras, trabalhadoras em tempo parcial, parceiras de empreendimentos etc. Um número crescente dessas pessoas irá se identificar por seu próprioconhecimento e não pela organização que as paga.
4.
Implícita nisso está uma mudança no próprio significado de
organização.
Haverá somente "organizações" tão diversasumas das outras quanto uma refinaria de petróleo, uma catedral e um sobrado suburbano o são, mesmo que os três sejam"edifícios". Nos países desenvolvidos, cada organização (e não somente as empresas) terá de ser concebida para umatarefa, uma época e uma localização (ou cultura) específicas.
5.
A arte e a ciência da administração irão cada vez mais se estender além das empresas. A área mais importante para odesenvolvimento de novos conceitos, métodos e práticas será no gerenciamento dos
recursos do conhecimento
dasociedade – especificamente educação e assistência à saúde, ambas hoje superadministradas e subgerenciadas. Previsões? Não. São as implicações de um futuro
que já aconteceu
.
PARTE I – AS RESPONSABILIDADES DO ADMINISTRADOR
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