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Artigo - 2005 - Conceitos de Educacao Ensino Aprendizagem a Didatica - TEIXEIRA

Artigo - 2005 - Conceitos de Educacao Ensino Aprendizagem a Didatica - TEIXEIRA

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12/02/2012

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ENSINO E APRENDIZAGEM
 
INTRODUÇÃO AOS CONCEITOS DE EDUCAÇÃO, ENSINO, APRENDIZAGEM ADIDÁTICA
 
Gilberto Teixeira(Prof. Doutor FEA/USP)
 
I – INTRODUÇÃO
 
Existe uma grande quantidade de estudos, pesquisas e teorias relacionadas com a aprendizagem humana.
 
Não é nossa intenção discutirmos esse problema em profundidade, o que exigiria, por si só, um compêndio inteiro.
 
O que pretendemos com este texto é discutir nossa visão sobre o que julgamos ser um problema central em sala de aula:a opção que o professor faz pelo ensino que ministra ao aluno ou pela aprendizagem que o aluno adquire, qual a diferençaentre as duas perspectivas a suas conseqüências.
 
Esperamos, portanto, que este texto, mais do que discutir conceitos teóricos, leve o professor e embasar sua prática deensino, coerentemente, com princípios teóricos a partir da compreensão do que significam EDUCAÇÃO, ENSINO EAPRENDIZAGEM.
 
Com alguma freqüência temos ouvido entre professores que não necessário, para tornar-se um bom professor, oconhecimento de princípios teóricos da educação, ensino e aprendizagem.
 
O objetivo deste texto é demostrar, de forma resumida, a importância desse conhecimentos para o bom desempenho doprofessor.
 
II – O QUE E TEORIA? O QUE E ENSINO?
 
II.I – PARA QUE A TEORIA?
 
A dependência dos modos de ensinar em relação aos pressupostos que estão por trás da ação do professor leva muitaspessoas a enfatizar a posição teórica em relação ao ensino.
 
Frequentemente o professor, bem como os responsáveis pelo ensino, não tem consciência dos princípios e idéias que estãosubjacentes nas atividades que desenvolvem. Por outro lado, inúmeras pesquisas e relatórios de estudos e respeito dodesempenho do professor tem demostrado de forma definitiva que os professores que tenham aumentado de alguma forma oseu grau de consciência quanto as bases teóricas de suas práticas educacionais certamente são os que conseguem umensino mais vívido e mais pleno de possibilidades de crescimento.
 
Como o conhecimento é utilizado e como os problemas são resolvidos, são meios de identificar as operaições mentaissubjacentes.Os piagetianos tem insistido sobre as operações mentais como uma forma de equacionar e resolver problemas de percepçãoda realidade, sendo determinantes no sentido de maior ou menor competência para bem resolver os problemas doconhecimento e de sua operacionalização.
 
Pelas duas colocações acima feitas, uma que enfoca princípios e outra que destaca o papel preponderante dos operaçõesmentais, pode-se aquilatar a complexidade do ensino e de quanto, por isso, ele depende de uma correta teorização.Quanto mais complexa é uma área, maior é nessa área o papel da teoria e mais esta pode ensinar a respeito daquela; ateoria não é indispensável, quando algo pode ser totalmente compreendido sem nenhuma explicação.
 
Ainda em relação aos elos entre teoria e ensino cabe lembrar que conforme a área de conhecimento em que ele édesenvolvido os especialistas e profissionais vêem diferentes graus de dependência do ensino em relação a teoria.Hind, Dornbusch e Scott realizaram uma investigação, mostrando que alguns campos ou disciplinas acadêmicas são vistoscomo mais fortemente apoiados num corpo de teoria que embasa tanto a pesquisa como o ensino.Concluiram que as ciências naturais e sociais apresentam mais forte dependência da teoria que as humanidades. Restasaber se a educação e o ensino devem ser classificados como ciência social ou como humanidades. Na medida em que aeducação assume caráter de ciência portanto se apoia fortemente na teoria e na pesquisa, ela terá de ser classificada comociência social.Por outro lado, todos os aspectos em relação aos quais ainda a pesquisa é inexistente ou ineficiente ela será categorizadacomo humanidades.
 
II.II – O CONCEITO DE TEORIA.
 
Os objetivos da teoria se confundem com os objetivos da própria ciência.Esses objetivos podem ser divididos em três categorias: compreender, predizer e controlar.
 
O empenho do profissional do ensino, desejoso de bem fundamentar o seu trabalho, será o de formar um quadro dereferências teóricas, um corpo de conhecimentos, idéias, conceitos e definições que lhe permitam compreender, predizer econtrolar o fenômeno ao qual, num dado momento, dedica a sua atividade e o seu pensamento.
 
Este ângulo de análise do significado de teoria ressalta as suas qualidades finalísticas. Responde a pergunta do porqueexiste a teoria. Entretanto, ela tem também uma função de meio. o instrumento que permite ao pesquisador trabalhar pararefinar seu pensamento, ordenar seus conceitos e hipoteses e deste modo racionalizar o seu fazer.
 
Para Skinner teoria é apenas o ordenamento dos fatos.
“Nunca encontrei um também problema que fosse mais do que o eterno desafio de descobrir ordem".
 A teoria, porém, não se limita a ordenação dos fatos, embora isto já represente um enorme passo alcançado. Sua função
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principal é descobrir os fatos, tanto em suas relações, como em seus redimensionamentos e significados.Um bom teórico não se distingue pelo modo como ele usa a teoria, mas pela razão de saber que teoria usa. O bom teórico éo que sabe explicar os fatos, dentro de pressupostos lógicos conceituais capazes de iluminar a realidade.Por exemplo, uma pessoa pode falar fluente e corretamente sua língua materna e no entanto, desconhecer as regras quepossibilitam a regulam essa correção.O Linguista, porém, não só fala corretamente, mas sabe“os porques” e as normas que consubstanciam o bem falar.
 
Por analogia, podemos dizer que podemos encontrar um bom professor, que sabe ensinar e que o faz com adequação edesembaraço, mas que não obstante não sabe explicar todo o corpo teórico que embasa a sua ação docente.O bom professor não é, ou não é necessariamente, o bom teórico do ensino. Contudo o bom teórico do ensino seguramenteserá um bom professor, pois tentará constantemente corrigir as falhas a luz dos conceitos, idéias e princípios, refinando aprática, num constante interjogo de ação e reflexão.
 
Deste modo, o primeiro nível do objetivo da teoria, que é compreender, é relativamente facil e está ao alcance de muitos.Já o predizer e o controlar implicam em maior densidade de pesquisa e maior complexidade de teorizão e nem sempre sãoalcançados na amplitude desejada.
 
II.III – CONCEITUAÇÃO DE ENSINO
 
Apresentando um caráter triádico – quem ensina, à quem se ensina, o que se ensina – pressupõe, a atividade ensino, a priori,uma “intenção”, uma pretensão de que um objetivo almejado – que seja de ordem cognitiva, afetiva ou motora – seja atingidopor aquele submetido ao processo.À intenção ligam-se, ainda:
 
a) a necessidade de que aquilo a ser ensinado tenha condições de ser aprendido pelo aluno;
 
b) que esse conteúdo seja revelado como objetivo a ser alcançado.
 
Duas situações opostas, ou combinação de ambas, também surgem durante o ensino: submissão ou diálogo.A primeira aparece quando aquele que ensina assume uma posição de prepotência ou de manipulação daqueles que seencontram a aprender, isto é, quando o indivíduo se impõe como puro transmissão de conhecimentos.A outra situação decorre quando o ensino é realizado atrás de um verdadeiro diálogo, de um oferecimento da “materia” emestudo.Rejeitar a primeira ocorrência, talvez tomando-se como base os adjetivos a ela ligados, é atitude prematura, pois tal situaçãopoderá ter seu lugar no ensino, analisado o momento.
 
Aprendizagem é conceito que não pode ser desprezado quando se pretende uma proposta de definição de ensino. E torna-seimportante quando, através dele, a idéia de intencionalidade de um objetivo a ser atingido perde seu caráter univoco deverdade, possibilitando a afirmação:
 
Þ A aprendizagem também ocorre SEM INTENÇÃO de ensino.
 
A própria vida serve como demonstração do postulado, pois é fato notório que a aprendizagem se verifica com freqüênciafora da escola, adquirindo o homem, por possuir inteligência, uma infinidade de conhecimentos através de instrumentos quenão tem como origem o ensino.Exemplos caracteristicos são os diversos meios de comunicação de massa (jornais, televisão , rádio, cinema) e a interaçãosocial (no clube, trabalho, lar) e outros.
 
Não sendo necessário, para que haja aprendizagem, a intenção de ensino, também outra afirmativa, ligada a este últimoconceito através da citada intenção, sofre um re-estudo:
 
Þ A aprendizagem não pressupõe a revelação de um conteúdo como objetivo a ser alcançado.
 
Como ponto comum ao processo
ensino X aprendizagem 
surge apenas aquele referente “à necessidade de que aquilo a serensinado tenha condições de ser aprendido pelo aluno” ou, a esta altura, utilizando termo mais adequado, “ser aprendido poraquele submetido ao processo”.
 
Exemplificando: não se pode ensinar algo a alguém, sem que este alguém esteja suficientemente maduro para observar oconteúdo pretendido, amadurecimento este conseguido através da passagem por estágios de aprendizagem pre-requisitos.um fator óbvio, lógico, que Geometria Descritiva não pode ser ensinada à classes de primeiro grau.
 
Um quadro comparativo permite melhor visualização dos contrastes e analogias entre ensino e aprendizagem.A definição de Gage é: “ensino é qualquer influência interpessoal cujo propósito é mudar os modos segundo os quais aspessoas poderão ou virão a comportar-se”.Esta definição, além de refletir as principais preocupações teóricas de Gage, tem orientado sua pesquisa ao longo dos anos,tendo ele alcançado altos graus de realização e chegando a definir as variáveis fundamentais do ensino o que por sua veztem alimentado pesquisas e influênciado enormemente o pensamento moderno em educação.
 
Para nos, porém, ensino é: “uma organização do ambiente, onde pessoas se interinfluênciam direta ou indiretamente, com oobjetivo de atingir, através de atividades variadas, resultados previamente determinados”.
 
Fazendo uma comparação de nossa definição com a de Gage, nota-se que é deste último autor a tipicamente psicológica emENSINO
 
APRENDIZAGEM
 
A. Pressupõe a INTENÇÃO de que um objetivo sejaatingido.
 
A. Realiza-se
 
• Pressupondo a revelação de conteúdo comoobjetivo é alcançado.• não pressupondo a revelação um conteúdocomo objetivo éa alcançado.
 
B. Necessidade de que aquilo a ser ensinado tenhacondições de ser aprendido pelo aluno.
 
B. Necessidade de que aquilo a ensinado tenhacondições de ser aprendido pelo aluno.
 
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enfase na percepção tanto em seus aspectos cognitivos como afetivos. Quando coloca o ensino como inter-relação pessoalquer significar a influência do professor sobre o aluno.Há uma outra particularidade nesta definição, contida nos termos “poderão ou virão”, pois coloca o resultado do ensino comopossibilidade ou virtualidade e acentua o seu aspecto de futilidade, significando que a influência que hoje é vivida pelo aluno,poderá colher seus frutos em momentos bem distanciados daquele em que a presença do professor é possível.
 
Na nossa definição, entretanto, admitimos a possibilidade da ocorrência de ensino sem professor. Vemos o ensino como umainterinfluência, onde o professor também pode aprender com o aluno, alcançando modifições que podem ou não traduzir-seem modos de “comportar-se”.Ressaltando o objetivo ou as finalidades das situações de ensino, com o acento em “previamente determinado”, poisacreditamos que não existirá uma situação de ensino se não se tiver previsto, de maneira mais ou menos feliz um resultado aser alcançado a curto ou longo prazo.Sempre há uma intencionalidade na ação de ensinar. Somente as aprendizagens fortuitas é que acontecem ao sabor doacaso. Podem ser inteiramente significativas, como influências duradouras, essas aprendizagens não resultam ensino.
 
Chamamos a atenção também para a organização do ambiente, com um embasamento maior em Sociologia e Teoria daAdministração do que propriamente em Psicologia, uma vez que os aspectos externos e personalidade poderão servir deestímulo e de fontes de reforçamento aos processamentos de informação que ocorrem na intimidade do sujeito.
 
Pretende esta definição abranger tanto o ensino formal que se desenvolve nas instituições chamadas “escolas”, como asvariadas maneiras de realizar ensino não-formal que modernamente estão surgindo com uma força promissora de realizaçãohumana.Se analisassemos um programa de ensino por rádio, por televisão , ou mesmo por correspondência, esta definição seaplicaria perfeitamente.Se quisessemos enfocar um treinamento de recursos humanos, dentro de uma empresa, ou feito por uma agência particulare a ela endereçada, também a definição subsistiria com a mesma força explicativa.
 
Se encarassemos um programa de ensino feito por computador e transmitido a distancia, através de satelite, ainda assim sepoderia aplicar esta definição, pois estaria ai configurada uma interinfluência indireta, mas nem por isso menos forte ouverdadeira.
 
Não nos afastariamos de modo nenhum da dimensão psicológica do ensino, pois acreditamos que esta dimensão explica suaessência, mas incluímos outras dimensões que consideramos igualmente importantes e verdadeiras, como a organizacional,em seus aspectos de administração, e a sociológica, que contribui para melhor interpretar a realidade emergente que sebaseia no que os achados da ciência tem mostrado como mais eficientes para o comportamento humano no seu mundo deinter-relações pessoais.Os dois paradigmas são definidos de modo inter-relacionado, conservando-se, em ambos, as mesmas categorias:a) concepção do homem;b) motivação do comportamento;c) conflito;d) problemas individuais;e) papel dos superiores.
 
II.IV – OS CONCEITOS DE ENSINO E EDUCAÇÃO
 
Há uma tendência a confundir os dois conceitos –
ensino e educação 
 – e como conseqüência a mal empregá-los. Entretanto,eles se referem a diferentes dimensões e enfoques de uma mesma realidade. Ensino e uma parte de um campo deconhecimento mais amplo chamado educação.
 
Ensino já foi definido em paginas anteriores: “organização do ambiente onde pessoas se interinfluênciam direta ouindiretamente com o objetivo de atingir, através de atividades variadas, resultados previamente determinados”.Educação é, porém, um conceito mais complexo. Diz respeito ao desenvolvimento humano, em suas trajetórias de vida,desde o momento de seu nascimento até sua morte. Refere-se as múltiplas formas de organização social que possibilitam astransformações da pessoa a fim de que ela possa atingir graus mais elevados de realização pessoal e bem-estar social.
 
Além disto, educação designa tanto uma área de conhecimento, como uma área de desempenhos profissionais. Guardamuitas semelhanças com a medicina, por serem ambas, áreas que ao mesmo tempo, procuram aprofundar e expandir oconhecimento a melhorar, tornando mais eficiente e eficazes, as práticas que configuram o trabalho profissional.
 
A definição da Faculdade de Educação da Harvard, ao analisar a sua missão como escola e destacando que suas prioridadespara a próxima década derivam das tendências e problemas sociais mais amplos, inclui a preocupação com as seguintestendências:
 
a) desilusão .com os resultados e mesmo com os valores da educação formal;
 
b) como paradoxo, uma explosão da demanda por educação;
 
c) o fracasso do sistema educacional presente de ensinar, no nível desejado, as habilidades básicas indispensáveis;
 
d) o “desmantelamento” da sociedade moderna e as lacunas de conexões entre o lar, a escola e o trabalho;
 
e) a crescente competição por recursos e a falta de atingimento de produtividade em educação;
 
f) a confluência maciça de problemas de nível local, nacional e global;
 
g) a redução da profundidade incompreensível do significado de valores com seu conseqüente questionamento;
 
h) a natureza do desenvolvimento humano e do processo de aprendizagem, através da vida;
 
i) a alocação e gerência de escassos recursos para a educação;
 
 j) a avaliação do que se fez no passado e as tentativas de descortinar o futuro em termos de educação.
 
A simples enumeração dessas dez tendências permite divisar toda a complexidade do campo da educação, seja na área doconhecimento, seja no campo da prática educacional.Além dessas tendências acima definidas, pode-se acrescentar, no caso do sistema educacional brasileiro, outraspreocupações que são inerentes a seu atual estágio de desenvolvimento.Assim, entre outras tendências pode-se mencionar:
 
a) a definição de atribuições dos diferentes níveis de ensino com o estabelecimento de parâmetros para comparações válidasentre as diferentes regiões do País;
 
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