Cada curso é um curso particular, que requer formas específicas de interatividade e dialogicidade, estratégias paraprodução de conhecimento e modos de obter a aplicabilidade no cotidiano daquele educando, para o qual écontextualizado.A mediação didática não pode ser vista como mera técnica para ensinar qualquer coisa a qualquer um, comoocorreu com a chamada Didática instrumental, influenciada pela Didática Magna de Comênio (Titone, 1966).Requer a contextualização do processo pedagógico. Nesta concepção, a EAD é vista como processo educativo enão apenas instrutivoO processo de planejamento de um curso de EAD se estrutura em diferentes níveis hierárquicos. Um primeiro nívelse refere à concepção do curso, articulando justificativa, objetivos, contexto e clientela. É neste nível que se defineos conteúdos, sua sequenciação e a sua base metodológica. Um segundo nível se refere ao tratamentopedagógico dado ao material a ser utilizado pelo educando. Aqui se manifesta a preocupação com as formas decomunicação e se define as estratégias da narrativa a serem aplicadas aos textos, a linguagem audiovisual e asferramentas auxiliares para o processo de aprendizagem (Ruiz e Cordero, 1997). Um terceiro nível se refere aoprocesso de avaliação do aluno. Cada um destes níveis será objeto de análise detalhada a seguir. Finalmente, háa necessidade de validar o material, cujo planejamento é realizado no primeiro nível, junto com a concepção docurso, mas que, didaticamente, será analisado em separado.
2.1. A concepção do curso
Todo curso, ao ser demandado, apresenta uma justificativa, uma razão para ser ofertado. Em função desta justificava e dos objetivos a serem alcançados, preliminarmente enunciados, bem como do contexto profissional einstitucional envolvidos, ou seja, da capacidade de alcançar-se ou não determinados segmentos sociais paracompor o alunado potencial, pode-se precisar melhor a clientela do curso.A dinâmica do processo de definição da clientela de um curso pode ser melhor visualizada com o exemplo doCEAD-UnB e do Departamento de Ecologia – UnB quando foram procurados pelo Ministério do Meio Ambiente,Recursos Hídricos e da Amazônia Legal – MMA, no âmbito do Programa Nacional de Combate à Desertificação –PNCD, para a elaboração de um curso de capacitação de recursos humanos na problemática de desertificação. Daforma como foi apresentada a solicitação do Curso pelo MMA ficava muito vago o perfil dos prováveis alunos.Como o objetivo era capacitar recursos humanos que pudessem atuar como multiplicadores dos conhecimentosadquiridos para sedimentar uma cultura regional voltada para o combate à desertificação, o MMA solicitou,inicialmente, que o curso fosse elaborado para técnicos que atuassem na área. No entanto, para atender melhor osobjetivos do PNCD, optou-se por privilegiar os professores do ensino básico como clientela. Posto desta forma,tanto a proposta de conteúdo quanto de metodologia do curso sofreram significativa mudança, pois foi precisobuscar a articulação dos conceitos de desertificação com o conteúdo programático do ensino fundamental,principalmente, tratando a temática ambiental como tema transversal conforme recomendado pelos parâmetroscurriculares nacionais.Além disso, para assegurar uma maior dialogicidade no processo pedagógico e possibilitar a incorporação doconhecimento prévio dos alunos, fruto de experiências vividas, decidiu-se que antes de o material didático ser elaborado, seria feito um levantamento preliminar, através da aplicação de questionário aos potenciais alunos docurso (através de pré-matrícula), cujos resultados seriam incorporados ao conteúdo. Esta incorporação será objetode tratamento pedagógico, de forma que não só os alunos possam ver sua experiência e seu saber contidos nomaterial do curso, como também esta mesma experiência e este mesmo saber possam ser utilizados como pontode partida para reflexão crítica através da problematização, conforme conceituado por Paulo Freire (1988).Um outro exemplo pode ser extraído da montagem do curso de Capacitação em Serviço Social e Política Sociais,atualmente em oferta. Sendo um curso promovido conjuntamente pelo CEAD/UnB, Conselho Federal de ServiçoSocial – CFESS – e Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social – ABEPSS, este curso tem umcaráter bastante peculiar, pois além de buscar capacitar profissionais de todo o país, objetiva aproximar oassistente social das suas entidades profissionais. Representa, pois, o atendimento a uma antiga reivindicação dacategoria e, desta forma, traz, por si só, um conteúdo político classista marcante. Para este curso, foi definido umsistema de acompanhamento por professores-orientadores, distribuídos regionalmente (e não centralizados noCEAD/UnB), de forma a promover maior integração entre os profissionais das regiões geo-econômicas. Inclusive,considerou-se a necessidade de realização de encontros presenciais organizados pelos Conselhos Regionais –CRESS, de forma a promover maior integração dos profissionais com seus CRESS.
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