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Determinismo e Fisica Quantica

Determinismo e Fisica Quantica

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DETERMINISMO E MECÂNICA QUÂNTICA
 Luiz Davidovich Instituto de FísicaUniversidade Federal do Rio de Janeiro
Um dos problemas mais sutis da física contemporânea é a relação entre o mundo macroscópico,descrito pela física clássica, e o mundo microscópico, regido pelas leis da física quântica.Classicamente, uma descrição completa do
estado
1
 
de uma partícula é obtida dando-se a
 posição
e a
velocidade
da mesma
 
(de modo geral, devemos dar a posição e o
momento
;
 
 para uma partículalivre ou submetida a forças que dependem apenas de sua posição, o momento é igual ao produtoda massa pela velocidade da partícula, mas se as forças dependerem também da velocidade da partícula a relação entre momento e velocidade já não é tão simples). Conhecendo-se as forçasque atuam sobre a partícula, e que representam a interação da partícula com o resto do Universo,é possível em princípio a partir daquelas informações iniciais obter a posição e a velocidade (oumomento) da mesma em qualquer instante futuro, ou seja, o
estado
futuro da partícula. Dizemosassim que a física clássica é determinística (ainda que freqüentemente o movimento futuro dosistema possa ser extremamente sensível a uma pequena variação das condições iniciais, comoocorre no comportamento caótico). Descrições probabilísticas são muitas vezes adotadas na físicaclássica, quando não temos uma informação completa sobre o sistema em questão. Por exemplo,se tivermos muitas partículas de um gás em uma caixa, é praticamente impossível conhecer a posição e a velocidade de cada partícula, por isso recorremos a uma descrição estatística. Masadmitimos sempre que, caso conhecêssemos as interações entre as partículas, e suas posições evelocidades em um dado instante, seria possível prever exatamente o valor dessas quantidades emqualquer instante futuro. Na teoria quântica, por outro lado, devemos abrir mão da descrição do estado de uma partículaem termos da posição e do momento, uma vez que essas duas grandezas não podem ser conhecidas simultaneamente: a determinação da posição de uma partícula modifica de forma nãocontrolada o seu momento, de modo tal que a incerteza quanto a essa quantidade aumenta àmedida em que a determinação da posição da partícula torna-se mais precisa. O produto das duasincertezas satisfaz à
desigualdade de Heisenberg 
2
: não pode nunca ser menor que uma certaconstante universal, a constante de Planck, que estabelece uma escala fundamental para o mundomicroscópico. O estado do sistema é descrito por uma
 função de onda
, em termos da qual podeser calculada a probabilidade da partícula ser encontrada em alguma região do espaço, ou entãocom velocidade (ou momento) dentro de uma certa faixa
3
. Essa função de onda tem umaamplitude maior nas regiões do espaço onde é mais provável encontrar a partícula. Segundo ogrande físico dinamarquês Niels Bohr (1885-1962), as medidas de posição e momento sãoexcludentes, e satisfazem ao
 princípio da complementaridade
4
: exigem para sua realizaçãoarranjos experimentais diferentes, que exibem aspectos complementares do sistema observado.Além disso, embora em cada experimento seja possível obter um certo valor da posição (ou domomento), a repetição do experimento com as mesmas condições iniciais (isto é, com a partículasendo preparada da mesma maneira inicialmente) leva em geral em cada realização a resultadosdiferentes, de modo que o conjunto de experimentos deve ser descrito por uma distribuiçãoestatística, que caracteriza as probabilidades de obtenção dos diversos valores observados. Essadistribuição de probabilidades é obtida a partir da função de onda da partícula, e constitui-se em
 
Determinismo e Mecânica Quântica - 2 - Luiz Davidovich
aspecto essencial do mundo quântico: não é possível eliminar esse comportamento probabilísticoatravés de um conhecimento mais completo do sistema. Supõe-se, na verdade, que a função deonda de um sistema engloba tudo que se pode conhecer sobre ele.
O processo quântico de observação
O aparecimento do conceito de probabilidade na física quântica está estreitamente ligado ao processo de observação, ou de medida. Assim como na física clássica podemos calcular o estadofinal de um sistema usando as equações básicas da dinâmica (consubstanciadas nas leis de Newton e nas leis de força), a física quântica também tem uma lei dinâmica básica, que tem suaexpressão na
equação de Schrödinger 
5
. É possível, assim, calcular o estado final de um sistemaquântico, isto é, sua função de onda final, conhecido o estado inicial do mesmo. Essa evolução é perfeitamente determinística, como na física clássica. A etapa de medida introduz, no entanto,uma consideração probabilística fundamental: a física quântica só nos permite conhecer a probabilidade de um certo resultado.A consideração do processo de medida estabelece um distinção conceptual importante entre afísica clássica e a quântica. No âmbito da física clássica, admite-se ser possível realizar umamedida sobre um sistema sem alterar o seu estado: a observação de um objeto em uma certa posição não altera o seu estado, pois por exemplo a luz espalhada por ele, e que nos permite vê-lo, pode ser considerada suficientemente fraca de modo a não alterar a posição ou a velocidade doobjeto. Na física quântica, por outro lado, as medidas mudam em geral os estados dos sistemasmedidos. Essa influência do processo de medida sobre o estado do sistema está na raiz do princípio da complementaridade. Assim, a realização de uma medida suficientemente precisa da posição de uma partícula altera em geral o estado da mesma, o que podemos entender mesmo semconsiderar o mecanismo detalhado do processo de observação: antes da medida há uma gama de possibilidades para o resultado, enquanto após a medida ganhamos conhecimento sobre a posiçãoda partícula e assim sendo fechamos o leque de possibilidades (a distribuição de probabilidades para a posição tende a ficar mais estreita após a medida, ao mesmo tempo em que se alarga adistribuição de velocidades). Dizemos que a medida provocou um “colapso” do estado dosistema, de uma distribuição de probabilidades mais larga para uma mais estreita. Esse “colapso”do estado do sistema, ou seja, sua modificação devida à medida, é simplesmente postulado nafísica quântica convencional, como um processo súbito e irreversível, associado à interação entreo sistema microscópico e um aparelho de medida macroscópico. Mais ainda, ele tem umanatureza probabilística, uma vez que usualmente não podemos prever o resultado da medida, masapenas estipular sua probabilidade.Como conciliar a descrição determinística da física clássica com as leis probabilísticas da físicaquântica? Uma resposta parcial a essa questão pode ser obtida a partir do
teorema de Ehrenfest 
,que deduz equações de movimento para os valores médios da posição e do momento da partícula: pode-se mostrar que, desde que a função de onda seja suficientemente localizada e as forçasatuando sobre a partícula variem muito pouco na região em que é mais provável encontrá-la (ouseja, em que a função de onda tem uma amplitude apreciável), os valores médios da posição e domomento obedecem às equações clássicas de movimento. As condições supostas para obter esseresultado excluem no entanto um tipo de função de onda muito comum no mundo microscópico,e que está associada a um dos fenômenos mais instigantes da física quântica: há estados de partículas microscópicas para os quais as possíveis posições de uma partícula estão concentradasem torno de duas regiões distintas do espaço. Isso significa que a partícula pode estar em duas
 
Determinismo e Mecânica Quântica - 3 - Luiz Davidovich
 posições ao mesmo tempo! Esses estados não localizados aparecem em diversos tipos defenômenos no mundo microscópico.
O experimento de Young: luz + luz = sombra!
Um experimento realizado no século passado, interpretado à luz dos conhecimentos atuais, revelaesse fenômeno, e expõe de forma dramática a discrepância entre as visões clássica e quântica.Trata-se do
experimento de Young 
, realizado em 1800, e ilustrado na Fig. 1. Um feixe de luz,gerado por uma fonte F (que na figura é representada por uma fenda em um anteparo), passaatravés de dois orifícios de um anteparo A, iluminando a seguir um segundo anteparo B. No anteparo B, vemos um conjunto de franjas claras e escuras (ver Figura 2). As franjas escurascorrespondem a regiões que não são alcançadas pela luz, enquanto as franjas claras correspondema regiões iluminadas. Essa experiência mostra que a superposição de dois feixes de luz,emergentes das duas fendas no anteparo A, pode produzir sombra em algumas regiões do espaço! No século passado, essa experiência serviu de evidência para o caráter ondulatório da luz. Defato, as franjas que aparecem no anteparo B podem ser facilmente entendidas se considerarmosque de cada orifício do anteparo A emerge uma onda luminosa (Figura 3). Essas ondas interferemcomo aquelas produzidas por duas hastes mergulhadas em uma piscina, presas a um suportecomum, que as faz vibrar verticalmente. Em certas regiões, uma crista da onda produzida por umadas hastes coincide com um vale da onda produzida pela outra haste, e os dois efeitos anulam-semutuamente, deixando a superfície da água inalterada. Dizemos então que houve uma
interferência destrutiva
. Por outro lado, em outras regiões, o vale (ou a crista) de uma das ondascoincide com o vale (ou crista) da outra onda, resultando em um reforço das deformações, que produz um deslocamento máximo da superfície (
interferência construtiva
). Note que, para que oexperimento com as hastes seja bem sucedido, é importante que elas não vibremindependentemente, pois se isso ocorresse as regiões de interferência construtiva flutuariamrapidamente com o tempo, e não poderíamos ver o padrão de interferência ilustrado na Figura 3.O fato de as duas hastes estarem conectadas ao mesmo suporte faz com que elas vibrem
em fase
,isto é, ambas vão para baixo ou para cima simultaneamente. Mesmo que uma haste subisseenquanto a outra descesse, veríamos ainda um padrão de interferência (deslocado em relação aoilustrado na Figura 3). O importante é que a relação entre os movimentos das duas hastes permaneça inalterado com o tempo. Dizemos neste caso que as hastes vibram de forma
coerente
.Em física ondulatória, o termo coerente está ligado à possibilidade de realização do fenômeno deinterferência. Essa analogia com ondas de água mostra que, se associarmos ondas aos feixes deluz que têm origem nos dois orifícios do anteparo A, e supusermos que essas duas ondas sãocoerentes entre si (o que está associado a elas terem uma origem comum, na onda que ilumina oanteparo A), fica fácil entender que em certas regiões do espaço teremos sombra (nesse caso, ovale de uma onda coincide com a crista da outra), enquanto em outras veremos uma intensidademáxima (duas cristas ou dois vales coincidindo), análoga à deformação máxima (para cima ou para baixo) da superfície da água.

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