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WALTER BENJAMIN - Livros Infantis Antigos e Esquecidos

WALTER BENJAMIN - Livros Infantis Antigos e Esquecidos

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Fichamento sobre o artigo de Benjamin referente aos livros a à literatura infantis alemães.
Fichamento sobre o artigo de Benjamin referente aos livros a à literatura infantis alemães.

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 p. 236“Segundo o autor [Karl Hobrecker, colecionador de livros infantis e que havia publicado um livro sobre eles], o livro infantil alemão nasceu com o Iluminismo. Erana pedagogia que os filantropos punham à prova o seu grande programa de remodelaçãoda humanidade. Se o homem é por natureza piedoso, bom e sociável, deve ser possívelfazer da criança, ente natural por excelência, um ser supremamente piedoso, bom esociável. (...) o livro infantil, em suas primeiras décadas, é edificante e moralista, econstitui uma simples variante deísta do catecismo e da exegese.”Benjamin considera os primeiros livros infantis áridos e até mesmo irrelevantes para o público infantil, mas também critica os livros seus contemporâneos, cheios de desenhose com histórias para atrair crianças. p. 236/237“A criança exige dos adultos explicações claras e inteligíveis, mas não explicaçõesinfantis, e muito menos as que os adultos concebem como tais. A criança aceita perfeitamente coisas sérias, mesmo as / mais abstratas e pesadas, desde que sejamhonestas e espontâneas (...).” p. 237“Ao lado da cartilha e do catecismo, na origem do livro infantil está a enciclopediailustrada, o dicionário ilustrado (...).” Mescla texto agradável, didatismo sobre qualquer coisa (e todas as coisas) e histórias de moralismo.“Enfim, os contos de fadas e as canções, e até certo ponto também os livros populares eas fábulas, constituíam fontes para os textos dos livros infantis.”“A atual literatura romanesca juvenil, criação sem raízes, por onde circula uma seivamelancólica, nasceu no solo de um preconceito inteiramente modeno. Trata-se do preconceito segundo o qual as crianças são seres tão diferentes de nós, com umaexistência tão incomensurável à nossa, que precisamos ser particularmente inventivos sequisermos distraí-las. No entanto nada é mais ocioso que a tentativa febril de produzir objetos – material ilustrativo, brinquedos ou livros – supostamente apropriados àscrianças. Desde o Iluminismo, essa tem sido uma das preocupações mais estéreis dos pedagogos. Em seu preconceito, eles não veem que a terra está cheia de substâncias puras e infalsificáveis, capazes de despertar a atenção infantil.” p. 237/238“As crianças, com efeito, têm um particular prazer em visitar oficinas onde se trabalhavisivelmente com coisas. Elas se sentem atraídas irresistivelmente / pelos detritos, onde
 
BENJAMIN, Walter. Livros infantis antigos e esquecidos. In: ______________.
Magiae técnica, arte e política:
Ensaios sobre literatura e história da cultura. Tradução deSergio Paulo Rouanet. 6. ed. São Paulo: Brasiliense, 1993. P. 235-243. [Texto escrito por Benjamin em 1924]
 
quer que eles surjam - na construção de casas, na jardinagem, na carpintaria, naconfecção de roupas. Nesses detritos, elas reconhecem o rosto que o mundo das coisasassume para elas, e só para elas. Com tais detritos, não imitam o mundo dos adultos,mas colocam os restos e resíduos em uma relação nova e original. Assim, as própriascrianças constroem seu mundo de coisas, um microcosmos no macrocosmos. O contode fadas é uma dessas criações com posta de detritos – talvez a mais poderosa na vidaespiritual da humanidade, surgida no processo de pridução e decadência da saga. Acriança lida com os elementos dos contos de fadas de modo tão soberano e imparcialcomo com retalhos e tijolos. Constrói seu mundo com esses contos, ou pelo menos osutiliza para ligar seus elementos. O mesmo ocorre com a canção. E com a fábula.”Benjamin se detém a analisar as gravuras nos livros infantis. p. 239/240Sobre o uso intenso das cores no livro infantil no período Biedermeier (1820 e 1830).“Esse mundo de cores, em sua ostentação complacente, é reservado ao livro infantil. A pintura renuncia aos efeitos vazios quando o colorido, a transparência ou a policromiados tons prejudica a sua relação com os planos. Nas imagens dos livros infantis,contudo, o objeto e a autonomia do material gráfico não permitem pensar / numa síteseda cor e do plano. Livre de qualquer responsabilidade, a fantasia pura se entrega a esse jogos cromaticos. Pois os livros infantis não servem para introduzir imediatamente osseus leitores no mundo dos objetos, animais e homens -, na chamada vida. Sógradulamente o seu sentido exterior vai se definindo, e apenas na medida em que odotarmos de uma interioridade adequada. A interioridade dessa visão está na cor, e nelatranscorre a vida sonhadora qua as coisas vivem no espírito das crianças. Elas aprendemcom a cor. Pois é essencialmente na cor que a contemplação sensível, desprovida dequalquer nostalgia, está em seu elemento.” p. 241Sobre os anos de 1840 a 1860 e a gravura de Theodor Hosemann. “A imagem coloridafaz a fantasia infantil mergulhar, sonhadoramente, em si mesma. A gravura em branco e preto, a reprodução sóbria e prosaica, lavam-na a sair de si. A imperiosa exigência dedescrever, contida nessas imagens, estimula na criança a palavra. Mas, assim como ela
descreve
com palavras essas imagens, ela
escreve
nelas. Ela penetra nas imagens. Suasuperfície não é, como a gravura colorida, um
noli me tangere
 – nem em si mesma, nem para a criança. Ela tem um caráter meramente alusivo e admite a cooperação dacriança.” p. 242Ainda se referindo ao trecho anterior. “(...) essas imagens [em preto e branco] são maiseficazes que qualquer outras na tarefa de iniciar a criança na linguagem e na escrita (...).As cartilhas coloridas, como elas existem hoje, são uma fonte de confusão. No reino dasimagens incolores, a criança acorda; no reino das imagens coloridas, ela sonha seussonhos até o fim.”

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