(*) UZIEL SANTANA
Projeto de Lei 122/2006: inconstitucional, ilegítimo e heterofóbico. (IV)
“A Constituição Federal assegura que a simples expressão de condenação moral, filosófica ou religiosa ao homossexualismo não se constitui em discriminação, mas emconstitucional, legítimo e legal exercício da liberdade de manifestação do pensamento,consciência e crença religiosa.”
Neste último artigo da série sobre a análise do Projeto de Lei 122/2006, onde, inicial etematicamente, apresentamos, ao longo desta série de ensaios, o questionamento“homofobia ou heterofobia?”, responderemos, concludente e peremptoriamente, a proposição interrogativa. E já o fazemos, de plano, no título: trata-se, pelas razõesanteriormente expostas e aqui reafirmadas, de um projeto de lei que, no seu nascedouro, já é, materialmente, inconstitucional, ilegítimo, imoral, totalitário e, mais que isso, potencializa, no Brasil, a possibilidade de estabelecimento de uma nova e endêmicaentidade clínico-psicossocial: a heterofobia. Vejamos e reafirmamos (porque já ofizemos antes), como ilações, os porquês.
Por que o Projeto de Lei 122/2006 é inconstitucional?
É inconstitucional porque aConstituição Federal estabelece, no art. 5º, como direito e garantia fundamental, que, primeiramente, “homens” e “mulheres” são iguais em direitos e obrigações, de modoque a Constituição não reconhece um terceiro gênero: o homossexual E, se assim o é,como um projeto de lei ordinária pode tentar estabelecer super-direitos e aimpossibilidade absoluta de crítica a um grupo de pessoas que, enquanto homosexuais,nem reconhecidos são pela Constituição? Para a Magna Carta, queiram eles ou não,estes são homens ou mulheres. Esse foi e, continua sendo, o espírito do legislador constitucional e do poder constituinte originário que o fundamenta. Apesar de aConstituição dever ser interpretada como um texto aberto, há balizas interpretativas quesão estabelecidas de modo fundacional e, portanto, não podem ser superadas sem aalteração do texto.Ademais, como já explicamos e enfatizamos nos ensaios anteriores, o texto constucionalé de uma clareza límpida ao assentir que é
livre a manifestação do pensamento
, que é
inviolável a liberdade de consciência e de crença
, assegurando-se para isso o
livreexercício dos cultos religiosos
e, mais que isso, contundentemente, afirma: “
ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convição filosófica
”. Enum Estado Democrático de Direito, onde os direitos sejam, material e formalmente,democratizados, o bem maior a ser assegurado é a liberdade, conquistada,historicamente, através de sangue, suor e lágrimas pela sociedade brasileira. O projetoque está aí vai, frontalmente, de encontro a liberdade que nós temos de expor idéias eopiniões. Por tudo isso, é, flagrante e materialmente, inconstitucional.
Por que o Projeto de Lei 122/2006 é ilegítimo?
Diz-se que uma lei é legítima, quandoesta é a expressão jurídica dos anseios, valores e vontade da sociedade. A questão é: deacordo com o que vimos sobre os artigos do projeto, estes se coadunam com a vontadeda sociedade? Isto é, a sociedade brasileira quer, realmente, possibilitar oaprisionamento de padres, pastores, monges (e etc.) simplesmente pelo fato de que eles,a partir da Bíblia, pregam em seus sermões e homilias que o homossexualismo é“abominação perante Deus” e “negação da criação e do Criador, porque querem
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