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HISTÓRIAS DA ‘DUQUE
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’ A PARTIR DE SEUS IMPRESSOS: A ESCOLACOMPLEMENTAR DUQUE DE CAXIAS – 1930 A 1945
Dra. Terciane Ângela LucheseMestranda Roseli Maria BergozzaPrograma de Pós-Graduação em EducaçãoUniversidade de Caxias do Sul
“A missão do educador é cultivar. Ele será o lavrador que, com o auxílio dos seus conhecimentos,deverá amanhar os campos, às vezes áridos e pedregosos, dos entendimentos:deverá semear para que, na primavera e no outono, desabrochem flores e surjamos frutos benéficos da integridade física, moral e intelectual que desperta para a vida.”(‘O Educador’, da complementarista e redatora-chefe do jornal Centelha,Wanda Zanellato, do 2º. Ano,1933).
Considerações iniciais
No início da década de 1930, a paisagem urbana de Caxias do Sul passou a contarcom a presença das normalistas da ‘Duque’. Desfilavam pela rua central da cidade,advindas de diferentes localidades, em pequenos grupos, conversando calmamente oupor vezes, de forma alvoroçada. Vestiam uma saia encobrindo os joelhos na cor azulmarinho, camisa branca e gravata preta com monograma da escola gravado. Nos ombrosa pelerine e, na cabeça, a boina azul marinho
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. Elegantes, eram as futuras mestras e,desde já, alçavam destaque na comunidade.As escolas complementares tinham por finalidade a preparação de candidatos aomagistério público primário. Inicialmente, pelo Decreto n. 1479, de 26 de maio de 1909,ele seria ministrado apenas na Capital do Estado, com o intuito de desenvolver o ensinoprimário e preparar candidatos ao magistério primário elementar. Com o passar dotempo, algumas escolas complementares foram sendo abertas no interior do Estado. Foiem 1930 que Caxias do Sul passou a contar com esse benefício público.Através do Decreto n. 4491, de 28 de fevereiro de 1930, do Governo do Estado,foi criada a Escola Complementar Duque de Caxias. No entanto, sua efetiva instalaçãodeu-se em 15 de junho do mesmo ano. Foi nomeado como primeiro diretor o professorAlfredo Aveline, logo depois substituído pela professora Maria Amorim.
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A comunidade referia-se e ainda refere-se à Escola Normal Duque de Caxias, como sendo “a Duque”.Expressão que será utilizada no decorrer do texto.
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Descrição produzida a partir do que está referendado como uniforme escolar no Jornal “Centelha” –Órgão das Alunas da Escola Complementar de Caxias, publicação mensal, página 3, ano I, número II de26 de maio de 1932.
 
Este artigo tem como objeto de estudo a Escola Complementar Duque de Caxiasno período de 1930, data de sua criação e instalação, até 1945
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. A base empíricaprincipal são os impressos veiculados por essa instituição entre os anos de 1932 a 1945,além de utilizar livros de atas, correspondências, fotografias e outros documentosescritos do acervo do atual Instituto Estadual de Educação Cristóvão de Mendonza.Trata-se do resultado parcial de pesquisa em andamento.Os impressos constituem-se numa importante fonte para a história das instituiçõesescolares e para pensarmos a cultura escolar instituída e instituinte nesses espaços. Elesultrapassam o caráter informativo e situam-se na condição de materialidade formativa eé nesse sentido que são tomados na presente análise. Como referenda Werle, a imprensaeducacional ou imprensa periódica pedagógica caracteriza-se pela
[...] possibilidade de (a) captar vozes ausentes em outros documentos,usualmente encontrados em instituições escolares; (b) ser um espaço emque acontecimentos locais e nacionais são captados, transformados eproduzidos por reflexões, modulações e reinterpretações, e, ao mesmotempo, "publicizados" em diferentes círculos sociais; e (c) constituir-seem instrumento de formação, afirmação e regulação coletiva (WERLE,2007, p. 83).
Consideramos que a circulação desses impressos nos permitem ver indícios docotidiano escolar, dos ritos, das práticas, dos valores, das idéias, das relações de poder-saber das normalistas e de seus professores, naquele determinado momento histórico.Ressaltando a importância dos impressos, especialmente daqueles redigidos pelosalunos, Catani e Sousa destacam que
[...] A investigação acerca de tais materiais em muito pode contribuirpara o enriquecimento da compreensão dos processos da vida escolarem termos da história do seu cotidiano, da ação dos atores educativos(alunos, pais e professores) e das próprias práticas pedagógicas, muitasvezes satirizadas nesses materiais. Trata-se de um dos poucosdispositivos capazes de tornar visíveis as vozes dos alunos na traduçãode como aprendem e recriam configurações da situação de ensino(CATANI e SOUSA, 1999, p. 17).
Tomando essa perspectiva, consideramos para essa análise os números existentesde três diferentes impressos dessa instituição. Dois deles, o ‘Centelha’ e ‘A Voz da
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A delimitação temporal de 1945 justifica-se, pois é desse ano o último impresso encontrado no acervodo Instituto Estadual de Educação Cristóvão de Mendonza. Consideramos também que a partir de 1946,pelo Decreto Lei n. 8530, de 02 de janeiro de 1946, em que foi publicada a Lei Orgânica do EnsinoNormal, transformações decorreram na organização escolar.
 
Mocidade’ eram produzidos por estudantes da escola, o outro, ‘Folha da Escola’ foifundado pela diretora e ex-aluna da instituição, Rosalba Hyppolito.
1 - Primeiros anos da ‘Duque’
As Instituições formadoras de professores surgem em várias regiões do estado,por iniciativa do Presidente da Província, Getúlio Vargas, que através do Decreto nº.4.277 de 13 de março de 1929, regulamentou o ensino normal e complementar. Ogoverno percebia a importância de abrir novas instituições estatais de ensino destinadas àformação de professores, que a partir de 1927 são instaladas em várias cidades,utilizando-se como modelo a de Porto Alegre. Neste sentido, Louro corrobora aoinformar que:
Ao assumir a presidência do Estado, Getúlio afirmava serem as suasprincipais preocupações: vias de comunicação e educação para o povo.Assim, com Osvaldo Aranha como Secretário do Interior, pôs emexecução um plano, anteriormente elaborado, no sentido de melhoratendimento do interior quanto a professores formados, pela criação dasescolas complementares. (LOURO, 1986, p. 60).
A instalação de Escolas Complementares era, ainda, um projeto do governo deBorges de Medeiros, com o Regulamento da Instrução Pública, pelo Decreto 3.898 de 4de outubro de 1927, abriu a possibilidade de criação de outras escolas; principalmenteno interior do estado, não mais sendo competência exclusiva da Escola Complementar dePorto Alegre, como havia sido determinado pelo Decreto nº 1.479, de 26 de maio de1909. Mesmo com a possibilidade de instalação destas novas escolas, elas passam a serinstituídas a partir de 1929. São instaladas escolas complementares em Pelotas,Cachoeira, Passo Fundo, Alegrete, Santa Maria, e Caxias do Sul.A conquista da Escola Complementar de Caxias fez-se especialmente pelamobilização da Intendência e do Conselho Municipal, que buscaram, junto ao GovernoEstadual, dar a ver as vantagens que ela acarretaria para a instrução regional. Em seurelatório de 1929, o Intendente Queiroz conclamava pelo apoio do Conselho Municipale expunha as motivações para querer um Colégio Complementar em Caxias.
Escola Complementar O patriótico Governo do Estado empenhadocomo está em disseminar a instrução pública , o mais possível, dandoum golpe de morte no analfabetismo, um dos maiores males dos povosnos tempos que correm, cogita de fundar, Escolas Complementares emdiversos municípios do Estado.
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