Para uma sociologia histórica da infância no Brasil – Marcos Cezar de Freitas (p.11-18)
p. 12“Se fôssemos arriscar uma visão panorâmica do século XX através de tais documentos [cito abaixoalguns listados pelo autor], com suas variáveis descritivas, normativas e ideológicas, poderíamossinalizar o seguinte dado: as carências infantis de toda ordem têm sido associadas a uma questãomaior que é a do desenvolvimento econômico (em muitos casos de tipo industrial) reconhecidocomo “chave” para a solução de tais problemas.”O autor cita como exemplos relatórios da UNICEF e de instituições brasileiras sobre a situação dainfância. Menciona o recenseamento escolar apresentado por Sampaio Dória (1921), asconsiderações do Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais sobre crianças faveladas em escolas públicas (1959), o relatório da UNICEF sobre
Infância nos países em desenvolvimento
(1964) eoutro sobre
A situação mundial da infância em 1995
.“(...) faço menção a esse tópico para salientar que a infância como
questão pública
, assim como aescola e a saúde, etc., cada vez mais tem sido cada vez mais tem sido considerada um dadosubordinado ao tema desenvolvimento, de modo que, ao se considerar quês os poderesgovernamentais estão incapacitados para gerir e fomentar o desenvolvimento econômico, reitera-se, paulatinamente, dos mesmos poderes a obrigação de pensar aqueles temas como
questão de Estado
. Ao meu ver, isso é um risco à civilização ou, para dizer de outra forma, um alimentosubstancioso à barbárie.” p. 13“Não é arriscado dizer que a história social da infância no Brasil é também a história da retiradagradual da questão social infantil (com seus corolários educacionais, sanitaristas etc.) do universode abrangência das
questões de Estado
.” p. 15
FREITAS, Marcos Cezar de (Org.).
História social da infância no Brasil
.3. ed. rev. e ampl. São Paulo: Cortez, 2001.