CHE 183 O Amante (Lady Lyte's Little Secret) Deborah Hale
CAPÍTULO I
Bath, Inglaterra, maio de 1815
— Felicity!O som de seu nome, pronunciado por aquela profunda voz masculina,ecoando pelo hall de sua casa de campo em Bath, despertou lady FelicityLyte da sonolência em que se deixara cair. Já devia passar da meia-noite; oque Thorn poderia estar fazendo ali àquela hora?, indagou-se, preocupada.Não que o sr. Hawthorn Greenwood fosse um estranho naqueleendereço, rua Royal Crescent n
s
18, ainda mais à noite... Muito ao contrário.Havia apenas duas noites, naquela mesma hora, ele estivera em sua cama,aconchegando-a, descansando, sereno e inocente quanto ao fato de queseus dias como amante de Felicity estavam contados.Até aquele momento, ela não se comunicara de forma alguma com elepara explicar a discreta e educada carta que lhe enviara terminando seucaso de amor.Ele tornou a repetir seu nome, ainda mais alterado, e subiu depois osdegraus da enorme escadaria que levava ao andar superior e, porconseguinte, ao quarto em que ela se encontrava.Felicity sentiu sua respiração se acelerar, a pulsação ficar caótica, aboca seca. Pulou da cama e passou a mão no roupão que estava sobre umacadeira para vesti-lo logo em seguida. Jamais ouvira Thorn erguer a voz assim, muito menos o vira mover-secom precipitação, sem cuidado, sem controle; seus passos sempre tinhamsido calmos e seguros, sem a pressa que agora adquiriam ao avançar pelocorredor. Por isso sentiu-se um tanto amedrontada. Talvez ele tivesse bebido além da conta, imaginou, amarrando as duaspontas do cinto de seu roupão. Talvez tivesse bebido até quase cair, numestabelecimento qualquer, e depois vindo até sua casa para pedir-lhe,implorar-lhe que reconsiderasse sua decisão e reatasse o romance. Talvezquisesse apenas maiores satisfações sobre os motivos que a tinham levado aromper o relacionamento de forma tão abrupta.E a idéia de que ele se importava a ponto de exigir ou suplicar porexplicações deu a Felicity uma estranha sensação que não era, no entanto,totalmente desagradável. Poderia, talvez, compará-la à sensação que se temao se olhar uma belíssima paisagem, mas de um lugar perigosamente alto...Mesmo querendo muito, não podia mais continuar a ver ThornGreenwood. E jamais poderia pensar em explicar-lhe seus motivos.Seguiu, apressada, até a porta de seu quarto e abriu-a por completo no
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