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ANJO PECADOR
Título original: Devil's dare
LAURIE GRANT
Ela era o prêmio mais cobiçado!
Kansas, 1868.Era difícil encontrar um homem decente... especialmente para Mercy Fairweather,cujo pai a mantinha bem escondida. Ela era uma combinação de inocência e beleza, quetentaria o próprio demónio.Mas até mesmo UM anjo merecia alguma diversão. Assim, quando Sam Deviconvidou-a para jantar, ela deu um jeito de aceitar. Só que Mercy não sabia que ele fizerauma aposta: ganharia vinte mil dólares se conseguisse seduzi-la!
DISPONIBILIZAÇÃO DO LIVRO: VALERIADIGITALIZAÇÃO : JOYCEREVISÃO: SHEYLA OLIVEIRA
 
CAPÍTULO I 
Abilene, 1868.Cavalheiros, Abilene é uma ótima cidade declarou Wyatt Earp, o imbatível jogador de cartas profissional de Abilene, ao grupo de vaqueiros que chegara naquelatarde à cidade conduzindo três mil cabeças de gado desde o Texas.― Bem, aqui há muito dinheiro fácil de se ganhar, pecado de sobra, mas pouca lei.Há vinte saloons à disposição, vinte casas de jogos e dez de dança... além de trêsrestaurantes, para quando estiverem fartos de tanta orgia e apenas quiserem provar deliciosas vitelas. Sim, rapazes, acredito que vocês terão muita diversão aqui!Sam Houston Devlin começou a sorrir. Depois de semanas intermináveis na trilha degado, conduzindo bois arredios pelas planícies e atras de rios, suportandotempestades, estouros de gado e nuvens de poeira, defendendo-se de índios ebandoleiros, estava mais do que pronto para um pouco de diversão. De fato, se olhassepara trás em seus vinte e cinco anos de idade, parecia que não podia se lembrar de ter sedivertido desde que saíra de casa aos dezoito para juntar-se ao exército confederado.Passados os penosos anos da guerra civil, durante os quais amadurecera cedo,retornara para casa e encontrara a fazenda Devlin beirando a ruína. Três árduos anos detrabalho pesado se seguiram, até que, finalmente, compreendeu algo. A única maneira derecuperar a antiga prosperidade seria capturando as centenas de cabeças de gadoselvagem que corriam soltas e sem dono por campos não desbravados, para vendê-lasno mercado do Kansas.E, agora ali estava, enfim, em Abilene... o final da jornada. Acabara de vender ogado no centro comercial e, uma vez que pagasse os salários de seus vaqueiros eseparasse o suficiente para, as próprias despesas, calculava que teria uns trinta e seismil dólares para levar de volta para casa. Bem, merecia um pouco de diversão antes deter que retornar para o Texas, e Abilene mostrava-se ideal para isso.― E se vocês se juntarem a mim no Álamo Saloon hoje à noite ― prosseguiu o jogador ― farei com que se divirtam a valer jogando pôquer como nunca. E as cartas,cavalheiros, são só o começo. A bebida corre solta no Álamo, e, ah, que mulheres...Uma euforia coletiva dominou os empregados de Sam. Estavam ainda maisansiosos para começar a provar as delícias de Abilene do que o próprio patrão... se erapossível.Estaremos , sem dúvida prometeu um dos rapazes, e houve umamanifestação geral de concordância ao seu redor. ― E onde fica esse Álamo Saloon, sr.Earp?
 
― Na esquina entre a Cedar e Texas, as duas ruas onde ficam todos os prazeresque um caubói pode desejar ― respondeu ele. ― Estarei na minha mesa habitual, por volta das sete. Combinado, rapazes? Nesse meio tempo, não percam a parada.― Parada? ― perguntou o jovem Boy Henderson.O distinto Wyatt Earp sorriu e tirou um relógio de ouro do bolso. Abriu-o, verificandoas horas.Rapazes, estão com sorte. Falta apenas meia hora para o ritual diário, típicodesta ótima cidade. Todos os dias, exceto aos domingos, às quatro horas, as garotas dealguns notórios estabelecimentos saem desfilando pelas ruas principais. Se caminharemum pouco mais adiante pela rua, posso lhes sugerir algum ponto estratégico com vistaprivilegiada, para que não percam a passagem de uma beldade sequer..― Eu é que não vou perder isso por nada! ― exclamou Boy Henderson e virou-se,começando a caminhar depressa na direção do espetáculo prometido. Venham,rapazes! ― chamou por sobre o ombro.― Ei, Henderson, não acha que está esquecendo de algo? ― disse-lhe Sam.O rapaz virou-se e, vendo que nenhum de seus companheiros havia se movido,parou abruptamente.― O que, Sam? ― perguntou-lhe.Nenhum dos empregados o chamava de "sr. Devlin". Ele não fazia a menor questãode cerimónia.― Não vai querer seu pagamento? ― lembrou-o o patrão com um sorriso maroto. ―Olhar é de graça, mas você tem cento e vinte dólares a receber depois de todas aquelassemanas conduzindo o gado. Não creio que essas belas garotas vão deixar que faça maisdo que apenas olhar, a menos que seus bolsos estejam cheios de dinheiro. E você quer fazer mais do que apenas olhar, não é?― Ora, claro que sim! ― O entusiasmo dele foi tamanho ao responder que os outroscaubóis soltaram gargalhadas, fazendo-o corar.― Então, volte aqui e espere, enquanto faço o pagamento de vocês ― disse Sam,perguntando-se se parecera assim tão ansioso da primeira vez em que fora levado àquelebordel em Nova Orleans, antes da guerra.Ah, ser assim jovem e inocente outra vez! Comparado a Boy, na maioria dos diassentia-se como se tivesse cem anos de idade. Mas agora que tinha bastante dinheiro nobolso outra vez, trataria de recuperar parte de sua alegria perdida. E talvez na Rua Texashouvesse uma garota ou duas que pudessem ajudá-lo a tentar... O pagamento logo foifeito. Todos, com exceção de um dos vaqueiros, aceitaram seu dinheiro com sorrisos ecomentários sobre desejarem trabalhar para Devlin em viagens subsequentes.Cento e vinte dólares não me parece uma grande quantia por três meses detrabalho e quase ter me afogado no Rio Vermelho ― resmungou Tom Cilhane, insatisfeito.― Você sabia qual seria o pagamento quando aceitou o serviço ― declarou Samnum tom firme, esperando que uma briga não fosse estragar o primeiro dia do grupo nacidade. E certos riscos fazem parte do trabalho. Ora, provavelmente o teriaenfrentado nenhuma dificuldade no rio se não tivesse montado no cavalo que avisei avocê que tinha medo de água. Da forma como aconteceu, acabou afogando sem querer um bom caubói que tentou salvar você.O semblante de Cilhane se anuviou. Era óbvio que não gostava de ser lembrado queo acidente fatal que acontecera no Rio Vermelho com um dos vaqueiros fora basicamentepor sua culpa.
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