Welcome to Scribd, the world's digital library. Read, publish, and share books and documents. See more
Download
Standard view
Full view
of .
Save to My Library
Look up keyword
Like this
71Activity
0 of .
Results for:
No results containing your search query
P. 1
A falência da pena de prisão

A falência da pena de prisão

Ratings:

5.0

(1)
|Views: 17,085|Likes:
Published by fofissima!

More info:

Categories:Types, Resumes & CVs
Published by: fofissima! on Oct 18, 2009
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as DOC, PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

03/20/2014

pdf

text

original

 
A Falência da Pena de Prisão1. Considerações introdutórias
A história da prisão não é a de sua progressiva abolição, mas a de sua reforma, esta éconcebida modernamente como um mal necessário. Várias são as críticas que oencarceramento merece, por isso acredita-se que os princípios de sua progressivahumanização e liberalização interior são a via de sua permanente reforma, caminhointermediário entre o conservadorismo e a convulsão abolicionista não seguida claro, por nenhum país do mundo, independentemente dos seus regimes jurídico e político.Propõe-se, assim, aperfeoar a pena privativa de liberdade, quando necessário esubstitui-la quando possível e recomendável. Todos as reformas de nossos dias deixamclaro o descrédito na grande esperança depositada na pena de prisão, como forma quaseque exclusiva de controle social formalizado. Pouco mais de dois séculos foramsuficientes para se constatar suas mais absolutas falências em termos de medidasretributivas e preventivas.Caminha-se em busca de alternativas para pena de prisão, sendo que o que se busca élimitar a prisão às situações de reconhecida necessidade, como meio de impedir a suaação criminógena, cada vez mais forte. Os chamados substitutivos penais constituemalternativas mais ou menos eficazes na tentativa de desprizionalizar, além de outrasmedidas.A origem da pena é muito remota, sendo tão antiga quanto a Humanidade. Por isso setorna muito difícil situá-la em suas origens.
1.1 A antiguidade
A antiguidade desconheceu totalmente a privação de liberdade, estritamente consideradacomo sanção penal. Embora seja inegável o encarceramento de delinqüentes existiudesde os tempos imemoráveis, não tinha caráter de pena e se dava por outras razões. Atéfins do século XVIII a prisão serviu somente aos fins de contenção e guarda de réus para preservá-los fisicamente até o momento de serem julgados ou executados.Recorria-se durante esse longo período histórico, fundamentalmente à pena de morte, às penas corporais e às infamantes.Por isso a prisão era uma espécie de ante-sala de suplícios. Usava-se a tortura,freqüentemente, para descobrir a verdade.Contudo pode-se encontrar resquícios da pena privativa de liberdade fazendo-se umretrospecto da história até o século XVIII, onde adquirem relevo as compilações legaisda época dos princípios humanísticos de correção e moralização dos delinqüentesatravés da pena.Os vestígios que nos chegaram dos povos mais antigos (Egito, Pérsia, Babilônia,Grécia) coincidem com a finalidade que atribuíam primitivamente à prisão: lugar decustódia e tortura.
 
Platão já apontava duas idéias históricas da privação da liberdade: a prisão como pena ea prisão como custódia esta última à única forma efetivamente empregada naantiguidade.Os romanos que foram gigantes no Direito Civil, e pigmeus no Direito Penal, sóconheceram o encarceramento com fins de custódia.O direito germânico também não conheceu a prisão com caráter de pena, uma vez quenele predominava a pena capital e as penas corporais.Grécia e Roma, expoentes do mundo antigo, conheceram a prisão com finalidade decustódia para impedir que o culpado pude-se subtrair-se ao castigo. A finalidade da prisão, portanto, restringia-se à custódia dos réus até a execução das condenações. Coma queda de Roma, acaba-se a Idade Antiga.
1.2 A Idade Média
 Na realidade, a lei penal dos tempos medievais tinha como verdadeiro objetivo provocar o medo coletivo. Durante todo o período da Idade Média, a idéia de pena privativa deliberdade não aparece. Há, neste período, um claro predomínio do direito germânico. A privação da liberdade continua a ter uma finalidade custodial aplicável aqueles queforam submetidos aos mais terríveis tormentos exigidos por um povo ávido dedistrações bárbaras e sangrentas.As sanções criminais da Idade Média estavam submetidas ao arbítrio dos governantes,que impunham em função do "status" social a que pertencia o réu. No entanto, nesta época surge a prisão de Estado e a prisão eclesiástica. Na prisão deEstado, somente podiam ser recolhidos os inimigos do poder, real ou senhorial, quetivessem cometido delitos de traição ou os adversários políticos dos governantes.Apresenta duas modalidades: a prisão-custódia onde o réu esperava a execução daverdadeira pena aplicada, ou como detenção temporal ou perpétua, ou ainda até receber o perdão real.A prisão eclesiástica, por sua vez, destinava-se aos Clérigos rebeldes e respondia asidéias de caridade, redenção e fraternidade da Igreja, dando ao internamento um sentidode penitência e meditação. Recolhiam os infratores em uma ala do mosteiro para que, por meio de penitência e oração, se arrependessem do mal causado e obtivessem acorreção ou emenda.A prisão canônica era mais humana que o regime secular, que era baseado em suplíciose mutilações, porém, é impossível equipará-la à prisão moderna.Por fim, é um direito profundamente corrompido. Os delitos mais comuns dos juízes sãoas exações ilegais e as prevaricações.
1.2.1 Influência da religião na evolução da pena.
 O pensamento cristão com algumas diferenças entre o protestantismo e o catolicismo, proporcionou, tanto no aspecto material como no ideológico, bom fundamento à pena
 
 privativa de liberdade. Por esta razão, não é casual que se considere que uma das poucasexceções à prisão-custódia do século XVI tenha sido a prisão canônica.
1.2.2 Influência da prisão eclesiástica
O pensamento eclesiástico de que a oração, o arrependimento e a contrição contribuemmais para a correção do que a mera força da coação mecânica teve significaçãoduradoura, especialmente nas idéias que inspiraram os primeiros penitenciaristas e nos princípios que orientaram os clássicos sistemas penitenciários (celular e auburniano).
1.2.3 Importância do direito canônico
O Direito Canônico contribuiu consideravelmente para o surgimento da prisão moderna,especialmente no que se refere às primeiras idéias sobre a reforma do delinqüente. Oconceito de pena da alma encontra-se na base das penas canônicas, nas quais a reclusãotinha como objetivo induzir o pecador a arrepender-se de suas faltas e emendar-segraças à compreensão da gravidade de suas culpas.Sobre a influência do Direito Canônico nos princípios que orientaram a prisão moderna,afirma-se que as idéias de fraternidade, redeão e caridade da Igreja foramtransladadas ao direito punitivo procurando corrigir e reabilitar o delinqüente. Não sedeve porém exagerar na comparação entre o sentido e o regime da prisão canônica coma prisão moderna, já que não são equiparáveis. Trata-se de um antecedente importanteda prisão moderna, mas não se deve ignorar suas fundamentais diferenças.
1.3 Idade Moderna
Durante os séculos XVI e XVII a pobreza se abate e se estende por toda Europa. Contraos deserdados da fortuna que delinqüem cotidianamente para subsistir experimentam-setodo tipo de reações. Assim a criminalidade cresce desordenadamente por toda Europa.Por razões de política criminal era evidente que ante tanta delinqüência, a pena de mortenão era uma solução adequada, já que não se podia aplicar a tanta gente. Na segunda metade do século XVI iniciou-se um movimento de grande transcendênciano desenvolvimento das penas privativas de liberdade, na criação e na construção de prisões organizadas para correção de apenados.Após uma experiência inicial, surgiram em vários lugares da Inglaterra
houses of correction ou bridwells
, cujo auge foi considerável, especialmente a partir da segundametade do século XVII. O fundamento legal mais antigo das
houses of correction
encontra-se em um lei de 1575, onde se definia sanções para vagabundos e o alívio paraos pobres, determinando a construção de uma casa de correção por condado, pelomenos. Posteriormente uma lei de 1670 definiu um estatuto para os
bridwells.
Sob similares orientações e seguindo a mesma linha de desenvolvimento, surgem naInglaterra as chamadas
workhouses
. O desenvolvimento e o auge das casas de trabalhoterminam por estabelecer uma prova evidente sobre as íntimas relações que existem, aomenos em suas origens, entre a prisão e a utilização da mão de obra do recluso, bemcomo a conexão com as suas condições de oferta e procura.

Activity (71)

You've already reviewed this. Edit your review.
Cleytomeee liked this
1 thousand reads
1 hundred reads
Pedro Valdevite liked this
Natália Leal liked this
Natália Leal liked this
Luli Vilches liked this
Carlos Juliani liked this
Claudete Dias liked this
Duília Anjos liked this

You're Reading a Free Preview

Download
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->