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SUMÁRIO
Introduçãocapítulo 1 A VOZRetrospectiva históricaA vocalidade contemporâneacapítulo 2 O GESTORetrospectiva históricaA gestualidade contemporâneacapítulo 3 O CORPOcapítulo 4 O ROSTOcapítulo 5 O PAPELRetrospectiva históricaA interpretação contemporâneacapítulo 6 O ATOR, O DIRETOR E O ESPECTADORBibliografia sumária
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INTRODUÇÃO
Da arte do ator, sabe-se muito e pouco. Muito, na medida em que, por motivosde ordem psicológica e sociológica que fogem ao alcance deste estudo, o ator foidurante muito tempo objeto de fascinação e até mesmo de idolatria social. O atorparece pertencer a um universo mágico. O seu lugar é o "outro lado do espelho". Nosonho coletivo, o monstro sagrado, a diva e depois astar vieram naturalmentesubstituir os deuses e as feiticeiras, as figuras e os mitos que não poderiam se adaptaraos tempos modernos. Falou-se muito, escreveu-se muito sobre os atores, masraramente sobre a sua arte propriamente dita.O que se sabe a respeito é portanto pouca coisa, considerando o caráter quasesempre anedótico ou hagiográfico da literatura que se ocupa do ator. Pouca coisatambém porque, até recentemente, pelo menos, ele pouco escreveu sobre si mesmo.Falta de interesse ou de aptidão? Inibição? Afinal de contas, há pouco mais de trintaanos, Jouvet externava o mais negro pessimismo:"O que ele [o ator] diz então sobre a sua profissão, sobre os autores que eleinterpreta, sobre os seus papéis, sobre ele mesmo, é marcado por uma espantosaestupidez, por uma escie de baixeza ou de vulgaridade, ou pelo menos deignorância. O que ele pode é contar a sua própria vida. É sórdido" {Témoignages sur lethéâtre, p. 13).As coisas mudaram sensivelmente desde o fim do século passado. O diretor émuitas vezes um ator (e às vezes, que ator!). Ocupa, pois, um posto de observaçãoprivilegiado. Ao mesmo tempo teórico e prático. Daí o interesse dos seus escritos,sejam eles de polêmica ou de reflexão: definem a grandeza e os limites de uma arte,denunciam suas complacências e suas trucagens, traçam um ideal que as geraçõesseguintes se esforçarão por realizar.E, assim mesmo, sabe-se pouco sobre o ator. Pois, comparado aos outrosartistas, ele sofre de uma desvantagem insuperável: a sua obra é efêmera. Posso ler,hoje, a Fedra que Racine escreveu em 1677, mas nunca poderei ver Rachel ou SarahBernhardt no papel-título. Um estudo da arte do ator é necessariamente de segundamão. De Rachel, jamais saberei nada além daquilo que me contam Musset, ThéophileGautier, Juies Janin e alguns outros. Poderei contemplar suas fotos amareladas... Eistudo! Mais tarde um pouco, disporei de documentos em discos ou filmes. Massabemos quão imperfeitamente eles nos dão conta da realidade do teatro. Veja, porexemplo, Maria Casas interpretando Lady Macbeth, em frente à muralha deAvignon, e ouça depois a gravação, veja o documento filmado que foi realizado in loco:é a mesma voz, o mesmo rosto, o mesmo olhar. Mas é tudo completamentediferente... Se a evolução do gesto e das técnicas de interpretação ficar evidente, o
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