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Escola de Chicago Por Howard Becker

Escola de Chicago Por Howard Becker

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Teoria e Matodologia em Ciências Sociais II
Teoria e Matodologia em Ciências Sociais II

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Falarei hoje a respeito da Escola deChicago, mais conhecida por seu nomedo que pelo conteúdo do que efetiva-mente fez. Mas, quero abordar estetema como uma pequena história den-tro de uma história mais ampla da so-ciologia. Geralmente conta-se a histó-ria da sociologia como a história dasgrandes idéias sobre a sociedade e dasgrandes teorias a respeito da socieda-de. Quando estudei esse assunto, aindana universidade, meu professor, LouisWirth, começava por Heráclito e Tucí-dides, ou seja, pelos antigos gregos.Outros, mais modestos, começavam porMaquiavel ou mesmo Khaldun. No en-tanto, esse é um tipo de apropriação dopassado que não tem muito a ver com arealidade. Poderíamos apenas dizer,desse ponto de vista, que a história dasociologia, como história das idéias eteorias, começou, talvez, em algummomento do século XIX. Nomes comoos de Durkheim, Marx, Weber e outrossão, de fato, nomes do século XX e dofinal do XIX.Há, contudo, pelo menos duas ou-tras histórias da sociologia que preci-sam ser contadas, o que deve ocorrersimultaneamente com a história dasidéias. Uma delas é a história da práti-ca da sociologia, dos métodos de pes-quisa e das pesquisas realizadas, por-que não se deve tomar como óbvio queas idéias foram as forças motrizes ou aprincipal realização de qualquer escolasociológica. De um determinado pontode vista, que defendo com firmeza, ahistória da sociologia não é a história dagrande teoria, mas a dos grandes traba-lhos de pesquisa, dos grandes estudossobre a sociedade. A terceira históriada sociologia é a das instituições e or-ganizações, dos locais onde o trabalhosociológico foi realizado, porque ne-nhuma idéia existe por si mesma, emum vácuo; as idéias só existem porquesão levadas adiante por pessoas quetrabalham em organizações que perpe-tuam essas idéias e as mantêm vivas.Começarei pela história das organi-zações. A Universidade de Chicago foifundada em 1895 a partir de uma gran-de doação feita por John D. Rockefel-
CONFERÊNCIA
A ESCOLA DE CHICAGO
Howard Becker*
MANA 2(2):177-188, 1996
Em 24 de abril de 1990, durante suaúltima visita ao Brasil, Howard Beckerpronunciou, no Programa de Pós-Graduaçãoem Antropologia Social (Museu Nacional,UFRJ), uma conferência sobre a históriada Escola de Chicago de sociologia. Tendopermanecido inédita, é esta conferênciaque
Mana
tem o prazer de publicar agora.Howard Becker é professor de Sociologiada Universidade de Washington, Seattle,EUA, e autor de extensa e influente obra.Dentre seus inúmeros livros destacam-se:
Outsiders: Studies in the Sociology of Deviance
(1973) e
 Art Worlds
(1982). Emportuguês, foram publicados:
Uma Teoriada Ação Coletiva
(1977)
e Métodos dePesquisa em Ciências Sociais
(1993).
 
CONFERÊNCIA
178
ler, o milionário americano que fez for-tuna na indústria do petróleo ao fundara Standard Oil. Ele devia ter a cons-ciência pesada e em determinado mo-mento da vida quis fazer alguma coisacom seu dinheiro. Uma das coisas quefez foi beneficiar a Universidade deChicago com uma enorme doação. AUniversidade começou com um peque-no número de professores. Um deles,Albion Small, havia sido diretor de umapequena faculdade do estado do Mai-ne. Small foi o primeiro professor desociologia e chefe do primeiro Departa-mento de Sociologia dos Estados Uni-dos. Outras pessoas já haviam dado au-las sobre esse assunto, principalmenteWilliam Graham Sumner, cujo livro
Folkways
é comparável aos grandesclássicos de nossas disciplinas. Smallcriou um Departamento de Sociologiacom a intenção de formar alunos se-gundo o modelo alemão, produzindodoutores e criando um grupo de profes-sores que saísse pelos Estados Unidosensinando essa ciência. Ele não só fun-dou o primeiro departamento como aprimeira revista de sociologia dos Esta-dos Unidos, a
 American Journal of Sociology –
que começou a ser editadalogo no início do século e existe atéhoje, sendo publicada seis vezes porano. A
 American Journal of Sociology 
éuma das duas ou três maiores revistasdos Estados Unidos, provavelmente domundo, na publicação de idéias e pes-quisas sociológicas.Small, como muitos dos primeirossociólogos americanos, era pastor pro-testante, do tipo interessado na reformasocial, voltado para o equacionamentodos problemas sociais que afligiam asgrandes cidades americanas. Seu pen-samento, assim como o de outras pes-soas que trabalhavam com ele, e o deestudantes que foram para Chicago –muitos deles pastores de uma ou outraconfissão protestante –, foi muito in-fluenciado pela idéia que tinham doque precisava ser feito, dos problemascom os quais a sociedade se defronta-va, do que teria de ser enfrentado. Osgrandes desafios dos Estados Unidosnaquela época eram a pobreza – aindahoje o principal deles – e a imigração –até o presente considerada um grandeproblema. Havia, ainda, outros que setornaram menos relevantes. Toda aquestão da eugenia, por exemplo: im-pedir pessoas física e mentalmente in-capacitadas de se reproduzirem. Esteera um assunto relevante naquele tem-po, ainda que atualmente só escutemosfalar um pouco sobre isso na ciência dasociobiologia, se é que esta pode serconsiderada uma ciência.Small reuniu ao seu redor um gru-po de pessoas e elas começaram não sóa ensinar sociologia como a editar a
 American Journal of Sociology 
e a fazerpesquisa – quase sempre na cidade deChicago. Ao produzir a revista, eles tor-naram acessível ao público americanouma boa parte da literatura sociológicaeuropéia, principalmente da França eda Alemanha. Assim, as obras de GeorgSimmel foram traduzidas antes de 1900– muitos dos seus ensaios, especialmen-te sobre a importância do número navida social e na transmissão da cultura,sobre o problema do segredo e outrosforam traduzidos e vários deles publi-cados na
 American Journal of Socio-logy 
. Presumo que eles tenham tido di-ficuldades para encontrar um númerosuficiente de artigos de sociólogos ame-ricanos e, por isso, fizeram traduções.Uma das primeiras pessoas a in-gressar no corpo de professores do De-partamento de Sociologia da Universi-dade de Chicago foi William I. Thomas.Mesmo que um aluno não saiba maisnada sobre Thomas, ele provavelmenteconhece a frase que o tornou famoso:
 
A ESCOLA DE CHICAGO
179
“se um homem define uma situaçãocomo real, ela se torna real em suasconseqüências”. Esta foi sua primeiraelaboração do conceito de “definiçãode situação” como elemento crucialpara a compreensão da sociedade e daação social. Thomas, Small e outros de-ram início a um programa de pesquisas.Estudaram as comunidades de imigran-tes e a pobreza – principalmente Tho-mas, que sempre imagino como umhomem muito vigoroso, corpulento edinâmico. Ao lado do polonês FlorianZnaniecki, Thomas iniciou uma pesqui-sa que veio a se tornar um dos primei-ros grandes trabalhos de campo publi-cados:
The Polish Peasant in Europeand America
reuniu um grande núme-ro de entrevistas e histórias de vida depessoas que viviam na Polônia e dasque haviam emigrado para os EstadosUnidos. Foi publicado em cinco gran-des volumes que, suponho, algumaspessoas leram. Confesso que nunca osli, ainda que tenha lido outros trabalhosseus.O Departamento cresceu sob a dire-ção de Thomas e tornou-se muito im-portante, tendo gerado diversos depar-tamentos. Alunos de Chicago foram pa-ra outras universidades americanas,onde instalaram departamentos desociologia. Em um curto espaço de tem-po, essas unidades também estavamformando doutores na disciplina: a
Columbia University 
, sob a direção deFranklin Giddings, e, logo depois, LosAngeles, Seattle, Washington e algunsoutros centros passaram a desenvolverprogramas de pesquisa e ensino parasociólogos. Assim, em pouco tempo pro-fissionais dessa área começaram a ocu-par o país. Pois bem, o que é que elesfaziam e o que caracterizava seu traba-lho?Quanto a isso, eu gostaria de fazerduas distinções. A primeira é sobre oque se costuma dizer a respeito da Es-cola de Chicago. A palavra
escola
geramuita confusão, porque é possível dis-tinguir pelos menos dois tipos de esco-la. Recorro aqui ao trabalho de umestudante da Northwestern University,Samuel Guillemard, que estudou os com-positores contemporâneos e fez essadistinção. De um lado, temos as chama-das
escolas de pensamento
e, de outro,as
escolas de atividade.
Uma
escola depensamento,
na terminologia de Guil-lemard, consiste em um grupo de pes-soas que têm em comum o fato de queoutras pessoas consideram seu pensa-mento semelhante; é possível que nun-ca tenham se encontrado, mas o quecaracteriza uma
escola de pensamento
é que alguém, geralmente muitos anosmais tarde, decide que essas pessoasestavam fazendo a mesma coisa, pen-sando da mesma maneira, que suasidéias eram semelhantes. É muito co-mum na história das idéias definir
esco
-
las de pensamento
dessa maneira, fre-qüentemente em relação às circunstân-cias históricas em que esse pensamen-to se formou. Uma
escola de atividade,
por outro lado, consiste em um grupode pessoas que trabalham em conjunto,não sendo necessário que os membrosda
escola de atividade
compartilhem amesma teoria; eles apenas têm de estardispostos a trabalhar juntos. Certasidéias vigentes na Universidade de Chi-cago eram compartilhadas pela maioriadas pessoas, mas não por todas; certa-mente não era preciso que todos con-cordassem com essas idéias para se en-gajarem nas atividades que realizavam.Gostaria agora de introduzir outroimportante personagem, Robert E. Park,que era uma pessoa muito interessante.Ele e Thomas foram, sem dúvida, osmembros mais influentes e autorizadosdo grupo que organizou as atividadesdo Departamento e as manteve de pé.

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