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Entrevista Estilo Ping-pong

Entrevista Estilo Ping-pong

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Published by anairalp
Entrevista estilo ping-pong com o doutor em Sociologia, Nilo Rosa dos Santos. Atividade da Oficina de Comunicação Escrita do Professor Marcos Palacios.
Entrevista estilo ping-pong com o doutor em Sociologia, Nilo Rosa dos Santos. Atividade da Oficina de Comunicação Escrita do Professor Marcos Palacios.

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Entrevista
 
Nilo Rosa dos Santos
Anaíra Lôbo e Lorena Vinturini
Há muita coisa a ser feita
Mestre em Administração Pública pela UFBA, Nilo Rosa afirma que do ponto de vistada infra-estrutura para a Copa, a cidade ainda tem muito trabalho pela frente.
Antes de iniciar a entrevista e apósficar 30 minutos ao celularresolvendo problemas de pagamentode contas, o entrevistado afirma comveemência: “É por isso que Salvadornão está preparada para sediar aCopa”. Nilo Rosa dos Santos nasceuem Niterói, leciona Desenvolvi-mento e Economia ContemporâneaII na Universidade Estadual de Feirade Santana; Especializou-se emDesenvolvimento Econômico eSocial e doutorou-se em Sociologiana Universidade de Paris I –Sorbonne-Pantheon.
Ser a terceira maior cidade doBrasil é um dos estímulos paraSalvador ter sido escolhidacomo uma das sedes da Copade 2014?
Também, mas não é sóisso. É que Salvador é uma capitalimportante culturalmente, e éimportante do ponto de vistapolítico. Não foi só o tamanho dacidade. Foram esses fatores e outros.Salvador é muito importanteculturalmente no Brasil e comcerteza absoluta a copa teria que serrealizada aqui também.
Ser uma cidade turísticatambém?
É, com certeza. Porqueuma cidade turística tem muitaatração para quem virá para copa.
 E a opinião dos torcedores, apressão de querer sediar?
 Acho que não, isso não influênciaem nada porque eu acredito que emtodas as capitais que desejavam,houve pressão. Por exemplo, o Riode Janeiro mesmo que não tivessepressão nenhuma sediaria a copa.Então, não é importante a pressão,porque não tem como canalizar essapressão para quem decidiu onde seriarealizada a Copa.
Além desses estímulos,existem também as limitaçõescidade. Quais são as maiores?
 A maior limitação é a cabeça dosdirigentes. A cidade não estápreparada e não vai se preparar parao peso de uma competição comoessa. Pra mim, esse é o maior limite.
 E a questão do transporte, quejá é problemática?
Essa pra mimé uma questão drástica. Ogovernador fez tudo errado. E digotudo errado porque eu conheçoalguns secretários do governador. Euconversei e dei a seguinte sugestãoao Secretário de DesenvolvimentoUrbano, Afonso Florence: Por que ogovernador não faz esse estádio defutebol no Km 23, 24 ou 21 da BR?Coloca o
“A maiorlimitação é acabeça dosdirigentes. Acidade não estápreparada enão vai sepreparar para opeso de umacompetiçãocomo essa.”
10 DE OUTUBRO, 2009
 
 
“O que vai ser feito(em relação àsegurança) tantoaqui quanto no Rioé aumentar onúmero de policiaise armá-los. O quevai acontecer é umgrande cerco àmiséria.”
 
Entrevista
Nilo Rosa dos Santos
 estádio de um lado, a rodoviária dooutro lado da BR e o metrô passa nomeio. Puxa todo o crescimento dacidade para aquele lado. Aquelarodoviária onde está é impossível,não existe isso... Rodoviária quevocê leva uma hora para chegar.Então, a Copa é o grande momentode dar outro direcionamento para acidade. Ao invés disso, o governadorvai reformar o estádio da FonteNova, segundo eu vi o FernandoSchmidt falar, vai criar um edifíciogaragem e um centro de convençõesnaquela área da Fonte Nova. Aquelaé uma área de preservaçãopatrimonial, não para grandesempreendimentos modernosos. Vaificar um caos na cidade. Aí eupergunto a você se teria capital parafazer isso? Claro que teria! Os carasvão gastar 34 bilhões de dólares parafazer um trem bala no Rio deJaneiro. Por que não pega 4 bilhões edá para a Bahia? Vai tudo para o sulmaravilha, né? E o Nordeste vai sersó alegria (risos).
O metrô de Salvador está háanos em obra. Diante dessequadro, você acha possívelrealizar todas os projetos paraa Copa em 4 anos?
Eu tive emAngola e lá foi um país arrasado pelaguerra. A Odebrecht está lá e aChina também. Sabe o que oschineses dizem para os angolanos?“Os brasileiros fazem essa estradaem quatro anos? Nós fazemos emdois.” Tragam os chineses para cá.Eles fazem...não atrasou uma obrana China. Eu não sou dessa área,não posso dizer se dá tempo ou não.O que eu quero dizer é que tem quefazer alguma coisa que seja mais doque oba-oba. Tem que fazer algopara um novo desenvolvimento eisso seria uma decisão política. Comdecisão política o dinheiro aparece.O negócio é que o governador nãotoma nenhuma decisão nessesentido, só conservadoras, nada demuito arrojado.
 Outra questão polêmica é asegurança pública. Como elapoder ser garantida para aCopa?
Não pode. O que vai serfeito tanto aqui quanto no Rio éaumentar o número de policiais earmá-los. O que vai acontecer é umgrande cerco à miséria, como fezLídice da Mata na época de umaatividade ecológica que teve aqui naBahia. Ela simplesmente limpou acidade, tirou todos os miseráveisdaqui. Então ele vai fazer isso, vaicercar como acontece no Pelourinho,vem um grupo de turistas simpáticos,loiros, de olhos azuis e um monte depolicial cercando. É isso que elepode fazer. Porque a segurança estáligada a outro fator, que ele nãoresolve. A segurança está ligada àforma como a maior parte dapopulação negra de Salvador étratada. É social.
 A visibilidade que a copa traráà cidade irá atrair novosturistas?
Durante o evento, sim.Após o evento vai ter uma sobra,mas não vai ser determinante.
A Copa Não é uma forma depropaganda?
Claro que a cidadevai ficar mais conhecida. Salvador jáé conhecida e a Copa vai trazer maisgente. Mas do ponto de vista doturismo do nível da copa, não vai.
 
Falando de economia... Haveráum retorno financeirocompatível ao investimento?
 Olha, um retorno financeiro à alturado que poderia existir, não vai. Se ogoverno fosse ousado e fizesseinvestimento no sentido que eusugeri aí haveria sim. Porque criariasimplesmente um novo pólo dedesenvolvimento. O governo estátrabalhando num pólo dedesenvolvimento saturado e comoutra tradição. Aquela área da FonteNova não é de Shopping Center, deCentro de Convenções. Vai tercrescimento? Claro! vão ter obras,pontes, viadutos e um monte decoisa. Mas se direcionasse no outrosentido teria mais retorno.
Esse retorno financeiro vaibeneficiar que parcela dapopulação?
Vai beneficiar osmesmos. A Bahia ficou estagnada100 anos. A nossa economia ficouparada até início dos anos 70. Apartir daí com a chegada do grupo deAntônio Carlos Magalhães ao poder,foram 40 anos de crescimento daBahia. Mas nesses 40 anos, quem éque ganhou? Os mesmos. Salvador éuma grande invasão, não háurbanização. As invasões têm queser urbanizadas. O crescimento dacidade é concentrador, fisicamente.A cidade só cresce para onde a elitequer. A cidade cresce para a Vitória,Pituba, Trancredo Neves... Enquantoisso todo entorno, toda periferia -Liberdade, Cajazeiras, FazendaGrande - é uma grande favela. Essasáreas deveriam ser urbanizadas paraa Copa; abrir estradas, jardins,parques... Então, quem vai ganharsão os setores hoteleiros e deturismo, que são extremamenteconcentrados, e as empresas aéreas.A população vai ganhar parasobreviver. Vai vender amendoim,acarajé... Mas não vai ser o quepoderia.
O que vai ser investidosocialmente que permaneceráapós a copa?
Imagine aLiberdade...o que ela vai ganhar coma Copa em termos de infra-estrutura?Nada! A não ser que a gente façacomo o presidente francês estáquerendo fazer, incluir a felicidadeno PIB (Produto Interno Bruto). Seincluir a felicidade, o povo vaiganhar muito porque o baiano vaificar muito feliz com a copa. Aí sebotar isso, o PIB vai crescer...Masfalando sério, como eu disse, algunssetores vão ganhar e o povo vaiganhar para sobreviver. Mas nãovejo nenhum debate, nenhum pontode atividade do tipo de criar umgrande campo na
 
10 DE OUTUBRO, 2009

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