um acordo de vontades, um contrato, e implica na instituição de deveres e direitos entre os dois na esfera civil.Para a igreja evangélica, a católica também, antes destes dois eventos, ainda de fato não aconteceu casamento.Este se realiza de fato no religioso e no civil, e só depois destes eventos é que podem morar juntos e terem sexo,filhos etc. Na realidade, se você fizer uma pesquisa sobre estes eventos na história e uma pesquisa bíblica, vocêverificará que o “casamento”, na realidade, ele se realiza antes destes eventos e não precisa necessariamentepassar por todas estas convenções culturais e legais para ser abençoado diante de Deus, tendo a aprovação divinae o reconhecimento por parte deste.Quero deixar claro, logo de início, porque há uma tendência incrível à distorção, que as festas, ascelebrações, as formalidades e os tramites legais são criações “nossas”, nós é que criamos isso; é produto de umacultura, de convenções humanas, de uma época específica; e não um requisito formal para que diante de Deus ocasamento tenha validade. E o problema surge exatamente neste ponto: quando a igreja-instituição-religiosapassa ao povo como exigências do próprio Deus estas coisas e chega ao ponto de considerar o casamento de umaperspectiva extremamente “formal”, cheio de ritos e formalidades desnecessárias. No antigo testamento ocasamento era algo simples, familiar, singelo, e não carregava as regulamentações que hoje nós temos. Ocasamento era o pacto entre as parte, o acordo que havia entre as famílias. Naquela época os pais escolhiam comquem os filhos deveriam se casar. Então o pai do jovem fazia um pacto com a família da moça, e aí vinha tudoaquilo bem cultural da época, como por exemplo, o “dote” que o pai da moça dava a filha ao se casar. Foi o casode Isaque e Rebeca. Lembram da história? A coisa foi rápida e simples. Quando Isaque viu Rebeca sendo trazidaem sua montaria pelo servo de seu pai, a tomou, e a levou para a “tenda de sua mãe” e a “possuiu” e depois disto já estavam casados. O casamento era algo simples, bastante familiar. O testemunho que estavam casados era avida, o compromisso, o acordo celebrado. Você não vê nas leis de Moisés mandamentos complexos acerca docasamento. Havia um “documento escrito”, o qual era dado, não para que se casasse, mas para que a separaçãofosse de fato formalizada e a mulher pudesse se casar outra vez, era a
Carta de Repúdio
— no caso do marido nãoquerer mais a mulher —, ou
no Divórcio
— no caso de que alguém, quase sempre a mulher, ser “expulso” darelação como adúltera. A documentação vinha a existência no caso da dissolução do matrimônio, do seu término.Mas nunca quando do começo da relação conjugal ou para que esta tivesse sua legalidade. E muito menos havia omandamento para que um sacerdote realizasse a cerimônia de celebração do casamento como presenciamosatualmente. Adão e Eva não celebraram as “pompas” religiosas de nossa civilização, contudo diante de Deusestavam casados. Não havia véu, ritos, pastor, músicas, as testemunhas, os pais da moça e do moço, ainda nãohavia papel, cartório de registro civil, no casamento de Adão e Eva. Contudo, estavam casados perante Deus. E deque forma se efetuou este casamento? No querer dos dois, na necessidade que havia um do outro. No gostar eno amor recíproco. Mas, acima de tudo, o casamento ocorreu quando Deus criou Eva e a colocou perante Adão edisse:
“Esta é a tua mulher, vocês serão parceiros um do outro, serão uma só carne; crescei-vos e multiplicai-vos”
.Aqui está o momento verdadeiro quando surge um real casamento.Mas quando é que surge na história essas formalidades e o clero adquire essa competência de “efetivar”o casamento? Há um artigo belíssimo cujo título é
“ A influência do Cristianismo no conceito de casamento e devida privada na Antiguidade Tardiada”
da autora Paula Barata Dias, professora da Univerdade de Coimbra. Elanos expõe quando foi que aparece aí a figura do sacerdote e de como a igreja instituição começa a uniformizar oritual do casamento e dar validade ao casamento:
“Antes de o Império se ter tornado oficialmente cristão com Teodósio, em 392, a Igreja promovia oreconhecimento da dignidade do concubinato, única forma de união possível para grande parte dapopulação desde que ela fosse vivida de forma monógama e indissolúvel. Para a Igreja, eramindiferentes os enquadramentos legais em que decorriam estas uniões. Desde que as condições acimareferidas fossem respeitadas, as fórmulas de união propaladas pela lei romana e pelos restantes usosem voga, correspondiam a um casamento abençoado. Com a progressiva influência da Igreja, estaconseguirá impor ao Estado a uniformização do enquadramento legal dos laços conjugais,contribuindo para a universalização de uma só forma e ritual de casamento, que se torna cada vezmais num momento importante na vida do homem romano”
.
(p.16, fonte:http://www2.dlc.ua.pt/classicos/casamento.pdf )
A igreja passa a uniformizar e trazer para si o poder não só religioso como jurídico de efetuar ocasamento. Da igreja primitiva do primeiro século depois de Cristo até o ano 392 o povo cristão casavam-se semprecisar estar enquadrado dentro das leis romanas e a igreja reconhecia estas relações conjugais como
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