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SEXO E CASAMENTO
POR UMA LIBERTAÇÃO DA HIPOCRISIA RELIGIOSA
Autor: Marcos PauloEstudante de Direito e membro da igreja batista Nova JerusalémDiversos outros temas no meu blog no endereço http://marcopablo9.blogspot.com/O que me motivou a escrever sobre este tema foi o livro lançado por uma editora ligada ao R. R. Soares ecompanhia limitada, em que a autora do livro discorre sobre
a importância do hímem
(título do livro) da mulherna questão do casamento. Esta dizia que o sangue derramado quando do ato sexual simbolizava o pacto docasamento que estava sendo selado, assim como houve sangue derramado no casamento entre a noiva(igreja) eo Cordeiro de Deus(Cristo) na cruz. Daí a importância da virgindade antes do casamento. E o que fazer quando agarota não é mais virgem e pretende se casar? A autora, em sua insanidade e esquizofrenia própria dosevangélicos atuais, propõe que a jovem deve pedir a Deus em oração que ele faça um milagre de reposição de umnovo hímem. Emfim, Deus pode torná-la “virgem” outra vez, para que assim de fato ela possa ter um casamentoverdadeiro e abençoado diante de Deus.Em vista desta “piada” evangélica, fiz questão de escrever algo sobre esse tema sexo e casamento,assunto que está cheio de “invencionisses”, tradições, tabus, legalismos e neuroses dos mais variados tipos nestemeio evangélico. Há tantas loucuras inimagináveis neste ranço religioso que o pouco que sei é suficiente paradiscorrer sobre os abusos e as esquizofrenias que são implantadas nas mentes de muitos de nós – “crentes”.Lembro de um irmão recentemente membro de uma destas igrejas farisaicas que namorava uma garotada igreja, e aconteceu que um dia - algum membro da igreja do tipo Judas – os viu namorando em uma praça nocemtro da cidade. Então, o sinédrio se reuniu e estabeleceu que eles não mais beijariam na boca um do outro atéo casamento. Eles agora deveria manter apenas o contato como dois amigos, pois a igreja legalista julgou que elesestavam além dos limites estabelecidos pela igreja. Recentemente, assistindo um culto de jovens nesta mesmaigreja, pude verificar com os meus próprios olhos e tirar as minhas próprias conclusões. O pastor disse que iriaelaborar uma espécie de código de conduta regulando os comportamentos dos jovens em relação ao namoro,que em sua perspectiva era necessária para garantir um namoro pautado pela Palavra de Deus. Puro legalismo!Porém quero mexer com algo muito mais sério e emblemático do que beijo na boca.Na realidade, estes tribunais eclesiásticos precisam ser demolidos pela compreensão da graça de Deus eda liberdade em Cristo
, “pois foi para a liberdade que Cristo nos libertou(...) e não vos submetais, de novo, a jugode escravidão”
(Gl 5:1). Diante dessa realidade de nossa liberdade em Cristo quanto aos preceitos e doutrinas dehomens, gostaria de incitar o debate sobre a questão:
É pecado praticar sexo antes do casamento?
Penso que, em torno de uns 80% da liderança evangélica dizem que é pecado. Que as pessoas não devemter contato íntimo de qualquer espécie antes da realização do casamento civil e religioso.A minha posição é que não é pecado se levarmos o sentido da idéia de “casamento” visto pela igrejaatual(instituição), e ao mesmo tempo, considero pecado o sexo antes do casamento, se o tomarmos em seusentido verdadeiro pelo qual a Bíblia o considera casamento. Vou tentar mostrar em que base nas Escrituras nãoencontro apoio para mais um legalismo reinante sobre este ponto nas igrejas evangélicas.Então, para respondermos a questão levantada se é pecado ou não o sexo antes do casamento, antes demais nada, é de primordial importância deixar claro ao nosso entendimento o que é de fato o casamento. Poisbem, na visão religiosa o casamento é uma comemoração, uma celebração religiosa através do qual, pelaautoridade “dada por Deus”, o pastor evangélico “declara” marido e mulher. É também um contrato civil onde há
 
um acordo de vontades, um contrato, e implica na instituição de deveres e direitos entre os dois na esfera civil.Para a igreja evangélica, a católica também, antes destes dois eventos, ainda de fato não aconteceu casamento.Este se realiza de fato no religioso e no civil, e só depois destes eventos é que podem morar juntos e terem sexo,filhos etc. Na realidade, se você fizer uma pesquisa sobre estes eventos na história e uma pesquisa bíblica, vocêverificará que o “casamento”, na realidade, ele se realiza antes destes eventos e não precisa necessariamentepassar por todas estas convenções culturais e legais para ser abençoado diante de Deus, tendo a aprovação divinae o reconhecimento por parte deste.Quero deixar claro, logo de início, porque há uma tendência incrível à distorção, que as festas, ascelebrações, as formalidades e os tramites legais são criações “nossas”, nós é que criamos isso; é produto de umacultura, de convenções humanas, de uma época específica; e não um requisito formal para que diante de Deus ocasamento tenha validade. E o problema surge exatamente neste ponto: quando a igreja-instituição-religiosapassa ao povo como exigências do próprio Deus estas coisas e chega ao ponto de considerar o casamento de umaperspectiva extremamente “formal”, cheio de ritos e formalidades desnecessárias. No antigo testamento ocasamento era algo simples, familiar, singelo, e não carregava as regulamentações que hoje nós temos. Ocasamento era o pacto entre as parte, o acordo que havia entre as famílias. Naquela época os pais escolhiam comquem os filhos deveriam se casar. Então o pai do jovem fazia um pacto com a família da moça, e aí vinha tudoaquilo bem cultural da época, como por exemplo, o “dote” que o pai da moça dava a filha ao se casar. Foi o casode Isaque e Rebeca. Lembram da história? A coisa foi rápida e simples. Quando Isaque viu Rebeca sendo trazidaem sua montaria pelo servo de seu pai, a tomou, e a levou para a “tenda de sua mãe” e a “possuiu” e depois disto já estavam casados. O casamento era algo simples, bastante familiar. O testemunho que estavam casados era avida, o compromisso, o acordo celebrado. Você não vê nas leis de Moisés mandamentos complexos acerca docasamento. Havia um “documento escrito”, o qual era dado, não para que se casasse, mas para que a separaçãofosse de fato formalizada e a mulher pudesse se casar outra vez, era a
Carta de Repúdio
— no caso do marido nãoquerer mais a mulher —, ou
no Divórcio
— no caso de que alguém, quase sempre a mulher, ser “expulso” darelação como adúltera. A documentação vinha a existência no caso da dissolução do matrimônio, do seu término.Mas nunca quando do começo da relação conjugal ou para que esta tivesse sua legalidade. E muito menos havia omandamento para que um sacerdote realizasse a cerimônia de celebração do casamento como presenciamosatualmente. Adão e Eva não celebraram as “pompas” religiosas de nossa civilização, contudo diante de Deusestavam casados. Não havia véu, ritos, pastor, músicas, as testemunhas, os pais da moça e do moço, ainda nãohavia papel, cartório de registro civil, no casamento de Adão e Eva. Contudo, estavam casados perante Deus. E deque forma se efetuou este casamento? No querer dos dois, na necessidade que havia um do outro. No gostar eno amor recíproco. Mas, acima de tudo, o casamento ocorreu quando Deus criou Eva e a colocou perante Adão edisse:
“Esta é a tua mulher, vocês serão parceiros um do outro, serão uma só carne; crescei-vos e multiplicai-vos”
.Aqui está o momento verdadeiro quando surge um real casamento.Mas quando é que surge na história essas formalidades e o clero adquire essa competência de “efetivar”o casamento? Há um artigo belíssimo cujo título é
“ A influência do Cristianismo no conceito de casamento e devida privada na Antiguidade Tardiada”
da autora Paula Barata Dias, professora da Univerdade de Coimbra. Elanos expõe quando foi que aparece aí a figura do sacerdote e de como a igreja instituição começa a uniformizar oritual do casamento e dar validade ao casamento:
“Antes de o Império se ter tornado oficialmente cristão com Teodósio, em 392, a Igreja promovia oreconhecimento da dignidade do concubinato, única forma de união possível para grande parte dapopulação desde que ela fosse vivida de forma monógama e indissolúvel. Para a Igreja, eramindiferentes os enquadramentos legais em que decorriam estas uniões. Desde que as condições acimareferidas fossem respeitadas, as fórmulas de união propaladas pela lei romana e pelos restantes usosem voga, correspondiam a um casamento abençoado. Com a progressiva influência da Igreja, estaconseguirá impor ao Estado a uniformização do enquadramento legal dos laços conjugais,contribuindo para a universalização de uma só forma e ritual de casamento, que se torna cada vezmais num momento importante na vida do homem romano”
.
(p.16, fonte:http://www2.dlc.ua.pt/classicos/casamento.pdf )
A igreja passa a uniformizar e trazer para si o poder não só religioso como jurídico de efetuar ocasamento. Da igreja primitiva do primeiro século depois de Cristo até o ano 392 o povo cristão casavam-se semprecisar estar enquadrado dentro das leis romanas e a igreja reconhecia estas relações conjugais como
 
abençoadas. Com a instituição do cristianismo como religião oficial do Estado, a igreja forçará o Estado Romano aestabecer um padrão ritual, cerimonial, sacramental para o evento do casamento. O casamento deixa de ser algomais privado(entre os familiares e Deus) para uma perspectiva mais pública e de interesse não apenas da igrejacomo também do império Romano. Daí você vê na história humana os reis precisarem do apoio da igreja naaprovação de determinado casamento. Brigas e intrigas se vê na história devido o “poder” que a igreja tinhanessa esfera de “abençoar” casamentos, e quem discordasse da igreja só tinha como conseqüência se afastardela, como foi o caso do rei Henrique XIII (séc. XVI) , o qual queria se divorciar( e a igreja não permitia) de suaesposa para casar com Ana Bolena. Dái surgiu a igreja da Inglaterra – a igreja Anglicana.No novo testamento havia as festas – Jesus participou de uma festa de casamento em Caná da Galiléia –havia as celebrações de casamentos, mas tudo isso é criação humana. Criação cultural e não mandamento divino.E aí então a gente criou a nossa mais recentemente por meio de um sincretismo de vários sistemas pagãos: Anoiva de branco, simbolizando a pureza feminina, o homem elegante esperando-a na beira do altar, o pai damoça que a entrega para o futuro marido, troca de alianças. Tudo isso sob os olhos atentos de convidados dasociedade, e aí o Padre ou o Pastor, que depois os une em matrimônio e sob as bênçãos de Deus esperamos quesejam felizes até que a morte os separe. Agora, pesquise e você encontrará a origem de todas essas práticasrituais. Todos eles têm muito haver com culturas pagãs: da índia, grega, romana, catolicismo medieval. Essecasamento que a gente tem hoje com essa exuberância ritualística é um sonho de plebeus querendo imitarcasamento dos nobres, de patrícios. É os plebeus querendo universalizar festa de príncipe e princesa, comtrombeta, véu, grinalda, entrada triunfal, testemunhas, pagens, corais, e a “corte” assistindo!Mas, na realidade, o casamente é algo que acontece primeiramente quando surge a vontade de Deus emunir em espírito um casal. Quando dois jovens se amam, têm maturidade psicológica em relação a seussentimentos, têm uma real vontade de permanecerem juntos perenemente, e sabem que já há um vínculo fortede amor entre suas almas estabelecido entre eles, então aí já ocorreu o casamento; pois o próprio Deus já orealizou. Então, neste momento, o sexo ocorrendo com responsabilidade, sem usar o outro como objeto desatisfação carnal, mas porque o amor pede esse extravassamento e a intensidade da união exige mais, então osexo ocorrendo não há pecado. Sim, mesmo que ainda não haja a
formalização
na igreja, perante o pastor,perantes todos ou menos ainda perante a lei dos homens, o sexo realizado com amor genuíno não se configuraráem transgressão perante Deus. Aliás, a igreja exige que o casamento esteja regularizado perante a lei do Estado.Agora, por que dessa exigência? Porque o casamento religioso tem valor civil, se for cumpridas determindasformalidades legais. Um casal, por exemplo, que estão morando juntos, sem o registro no cartório, para a igrejaainda não há casamento legal. Recentemente, assistindo um culto ao vivo pela internet, o pastor convocandoaqueles que quisessem tornar membros da igreja, e dentre estes, se estivessem aqueles que vivem juntos, estesprecisariam regularizar no cartório a união como requisito para tornarem-se membros da igreja. Veja, quantabobagem religiosa, pois desde de 2002 o direito de família no código civil passou a considerar a união estávelcomo tendo o mesmo valor jurídico de um casamento formal. Portanto, hoje a igreja já perdeu todo aquele apoiobobo de exigir o casamento registrado no cartório. A relação sendo considerada estável já configura uma uniãoconjugal. O argumento da igreja instituição religiosa já não encontra mais força na legalidade, pois anteriormente,se tinha o argumento de que sendo nós um povo(evangélicos) obediente às leis das autoridades constituídas porDeus não deveríamos nos unir em um matrimônio baseado apenas no religioso, mas deveríamos também primarpor estar sob às leis dos homens. Só que a lei civil de antes que regia o casamento era bastante religiosa em seusdispositivos; porém, agora, depois de 2002, acolhendo uma crescente perpesctiva mundial de secularização, asleis estão se separando cada vez mais das influências religiosas e se tornando mais sociais, buscando agradar agregos e troianos, todos em geral. Exemplo disso foi o que frisei sobre a união estável; e, com os rumos que ascoisas estão tomando, o casamento de gays( que já se efetuou no Brasil por decisão de tribunais regionais) logologo estará regulamentado em lei. Portanto a igreja não tem mais por que ainda exigir o casamento civil baseadoem um registro documental já que este já se tornou relativo. O importante é observarmos o casamento naperspectiva de Deus e não de tradições humanas.O verdadeiro casamento se dá quando Deus assim realiza. E se Deus os uniu em amor, houve casamento,e se houve casamento, não há pecado em se ter relações sexuais. Não importa se foi ou não legalizado; se houveou não a bênção do pastor da igreja; o importante, meu querido, é o fato de Deus estar no meio da relaçãoamorosa. Diante de Deus, se vierem a fazer “amor” não estarão em pecado, pois diante de Deus vocês já estãocasados, já se tornaram uma só carne, pois foi o próprio Deus quem os uniu. O resto é apenas símbolos visíveisque irá expressar uma verdade interna entre os casais. É como o batismo nas águas. Este expressa uma realidade
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