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ORTEGA & GASSET, Sobre o Estudante e o Estudar-Copiar

ORTEGA & GASSET, Sobre o Estudante e o Estudar-Copiar

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03/18/2014

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SOBREOESTUDAREOESTUDANTE
 PrimeiraLiçãodeumCurso l
OrtegayGassetEsperoqueduranteestecursovenhamaentenderper-feitamenteafraseque,depoisdesta,voupronunciar.
I
Afraseéesta:«vamosestudarMetasicaeissoqueva-mosfazeréumafalsidad.Trata-sedeumaafirmaçãoàprimeiravistachocante,masaperplexidadequeproduzolheretiraadosedeverdadequepossui.Note-seque,nestafrase,osedizqueaMetafísicasejaumafalsidade:afalsidadeéatribuída,oàMetasica,masaofactodenospormosaestu-Ia.osetratapoisdafalsidadedeumoudemuitosdosnpssospensamentos,masdafalsida-dedeumfazernosso,dafalsidadedaquiloqueagorava-mosfazer:estudarumadisciplina.Naverdade,umatalafirmaçãoovaleapenasparaaMetasica,sebemque
IEstetexto,publicadoautonomamenteem
iANation
deBuenosAiresem1933 títuloemquefiguranas
ObrasCompletas
deOrtegaYGasset cf.
adiante «Ori gemdostextos»
p.104 ,constituiaprimeirapartedaprimeiraauladeumcursodeMetasicaministradoporOrtegaYGassetnaUniversidadedeMadridem1932-33ecujaedãopostumamentefoipublicadasobotulo
«
UnasLeccio nesdeMetaflsica»
 Madrid:AlianzaEditorial,1966 .Em
Apêndice
apresentam--seasginasque,,lhedavamcontinuidade,ficandoassimintegralmentetra-duzidootextodaprimeiralição.
 N.T.
 
88
OrtegayGasset
valhaeminentementeparaela.Oqueessaafirmaçãoquersignificaréquetodooestudaré,emgeral,umafalsidade.oparecequeumafraseeumatesecomoestasejamasmaisoportunasparaseremditasporumprofessoraosseusalunos,sobretudonoiníciodeumcurso.Dir-se-áqueequi-valem.a.r~çomendaraausência,afuga;queconstituem-umconviteparaqueosalunosseoembora,paraqueovol-tem.Veremosdaquiapoucoseissoacontece:sevosidesembora,senãoregressais
em onsequên i
deeutercome-çadoporenunciarumatamanhaenormidadepedIigógica.Talvezaconteçaocontrio,talvezqueestainauditaafir-maçãovosinteresse:Entretanto,querdecidamir-seembo-ra,querresolvamficar,voutentaraclararoseusignificado.Euodissequeestudarfosseinteiramenteumafalsi-dade.Épossívelqueestudarcontenhafacetas,aspectos,ingredientesqueosejamfalsos.Noentanto,bastaquealgumadessasfacetas,aspectos,ouingredientesconstitu-tivosdoestudarsejamfalsosparaqueomeuenunciadose-javerdadeiro.Ora,estaúltimaconsiderãoparece-meindiscutível.Porumasimplesrazão.Asdisciplinas,sejaaMetafísicaouãGeometria,existem,eso,porquealgunshomensascriarammercêdeumgrandeesfooe,seseesfoaramporquenecessitavamdelas,porquesentiamasuafalta.Asverdadesqueessasdisciplinascontêmforamoriginaria-menteencontradasporumdeterminadohomem,edepois,repensadasereencontradaspormuitosoutrosqueadicio-naramoseuesfooaodosprimeiros.Seesseshomensasencontraramfoiporqueasprocurarame,seasprocuraram,foiporquenecessitavamdelas,porque,porumaqualquerrao,opodiamprescindirdelas.Seoastivessemen-contrado,teriamconsideradoassuasvidascomofracassa-
SobreoEstudareoEstudante
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das.Inversamente,seencontraramoqueprocuravam,éporqueissoqueencontraramseadequavaaumanecessi-dadequesentiam.Trata-sedealgorebuscado,masque,noentanto,émuitoimportante.Dizemosqueencontmosumaverdadequandoalcaamosumpensamentoquesa-tisfaZJlman~ç~s )~dade~~ e1ectualpreviamentesentidapors.Seosentimosfaltadessepensamento, eJeoseparasumaverdade.Ditodeoutromodo,verdadeéaqui-loqueaquietaumainquietudedanossaintelincia.Semestainquietude,oseaqueleaquietamento.Deformasemelhante,dizemosqueencontramosumachavequandotemosnasnossasosumobjectoquenosserveparaabrirumarmárioquenecessitávamosabrir.Aprocuraaquieta-secomoencontrar:esteéfuãodaquela.Generalizando,diremo~queumaverdadeexistepro-priamenteparaquemdelatemfalta,queumaciênciaoéciênciaseoparaquemempenhadamenteaprocura;en-fim,queaMetafísicaoéMetafísicaseoparaquemdelanecessita.Paraquemdelaonecessita,paraquemoaprocura,aMetasicaéumariedepalavras,ou,sesepreferir,deideias;ideiasque,emborapossamosjulgartê-Iasentendi-do,crúecemdefinitivamentede- sentido.Istoé,pélLãenten-derverdadeiramentealgo,esobretudoaMetasica,ofazfaltaterissoaquesechamatalentonempossuirgran-dessabedoriasprévias.Oquefazfaltaéumacondãoele-mentarmasfundamental:oquefazfaltaénecessitardela.certamentediversasformasdenecessidade,defalta.Sealguéminexoravelmentemeobrigaafazeralgumacoi-sa,-Io-einecessariamentee,noentanto,anecessidadedestemeufazeroéminha,osurgiuemmim,antesmefoiimpostaapartirdefora.Pelocontrio,se,porexem-plo,sintonecessidadedepassear,entãoestanecessidadeé--
 
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OrtegayGasset
minha,brotademim
-
oqueoquerdizerquesejaum
capricho,umafantasia.o éumanecessidadeque,ten-doemboraocarácterdeumaimposão,oseoriginaàminharevelia.É-meimpostaapartirdedentrodomeuser,raopelaqualasintoefectivamentecomoumanecessi-
dade
minha ;
Porém,se,aosairparapassear;umpociade
._.
trânsitomeobrigaaseguirnumadeterminadadireão,souconfrontadocomumoutrotipodenecessidade,neces-sidadequejánãoéminhamasque,pelocontrário,meéimpostadoexteriorefaceàqual,omaisquepossofazer;éconvencer-meporreflexãodassuasvantagense,emcon-sequência,aceitá-Ia.Mas,aceitarumanecessidade,reco-nhecê-Ia,oésenti-Ia,percebê-Iaimediatamentecomoumanec essidademinha;éantesumanecessidadequepro-mdascoisas,quemevemdelas,forasteira,estranha.Designá-Ia-emospornecessidademediataporoposãoànecessidadeimediata,aquelaque,defacto,sintocomoumanecessidadenascidademim,quetememmimassuasraízes,indígena,autóctone,autêntica.umaexpresodeoFranciscodeAssisnaquales-tasduasfonnasdenecessidadeaparecemsubtilmentecon-trapostas.oFranciscocostumavadizer:«Eunecessitodepoucoe,dessepouco,necessitomuitopouco.»Napri-meirapartedafrase,oFranciscoaludeàsnecessidadesexterioresoumediatas;nasegunda,àsnecessidadesínti-mas,aunticaseimediatas.Comotodososseresvivos,oFrancisconecessitavadecomerparaviver.Mas,nele,estanecessidadeexterioreramuitofraca.Istoé,material-mentefalando,oFrancisconecessitavadecomermuitopoucoparaviver.Alémdisso,faziapartedesuaatitudeín-timanãosentirgrandenecessidadedeviver,terpoucoape-goefectivoàvida,raopelaqualsentiapoucanecessida-deíntimadanecessidadeexternadesealimentar.
SobreoEstudareoEstudante
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Mas,continuemos.Quandoohomemseobrigadoaaceitarumanecessidadeexterna,mediata,ficacolocadonumasituaçãoequívoca,bivalente,queequivaleasercon-vidadoafazersua-ouseja,aceitar-umanecessidadequeoésua.Querqueiraquero,temdecomportar-se
como
sefossesua.Éassimconvidadoparauma..fissão,pa-raumafalsidade.E,mesmoqueponhatodaasuaboavon-tadeemconseguirsentircomosuaessanecessidade,oesgarantido,nemsequeréprovável,queoconsiga.Feitoesteesclarecimento,procuremosdeterminaremqueconsisteessasituãononnaldohomemaquesecha-maestudar.Comousamosovobuloestudarnosentidodoestudarprópriodoestudante,talequivaleaperguntar-mo-nosoqueéoestudante.Encontramo-nosenocomumaafinnaçãoosurpreendentecomoaquelafrasees-candalosacomqueinicieiestecurso.Damo-noscontadequeoestudanteéumserhumano,masculinooufeminino,aquemavidaimeanecessidadedeestudarciênciassemdelastersentidoumaimediataeaunticanecessidade.Sedeixarmosdeladoalgunscasosexcepcionais,reconhece-remosque,namelhordashiteses,oestudantesenteumanecessidadesincera,emboravaga,deestudar«algo»,algo
ingenere
istoé,de«saber»,des~instruir.Mas,ocactervagodestedesejoéreveladordasuafrágilautenticidade.Éevidentequeesteestadodeesritonuncaconduziuàcria-çãodenenhumsaberporqueosaberésempreumsaberconcreto,umsaberprecisamenteistoouprecisamente
aquilo,e,deacordocomaleiquetenhovindoasugerir
-
aleidafuncionalidadeentreoprocurareoencontrar,en-treanecessidadeeasatisfão
-
aquelesquecriaramum
sabersentiram,nãoumvagodesejodesaber,masumaconcretíssimanecessidadedeaveriguarumadeterminadaCOlsa.

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