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A fantástica história de SILVIO SANTOSArlindo Silva1a ediçãoDados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)Silva, ArlindoA Fantástica História de Silvio Santos / Arlindo Silva; - São Paulo : Editora do Brasil, 2002.ISBN 85-10-03063-41. Santos, Silvio 2. Televisão - Brasil - História I. Título02-0462 CDD-927.9145Índices para catálogo sistemático:1. Apresentadores de programa : Televisão :Bibliografias 927.91451a edição / 1a impressãoCOPYRIGHT 2002Arlindo Silva(c) Editora do BrasilDiretora ExecutivaMaria Lúcia Kerr Cavalcante QueirozGerente EditorialJiro TakahashiCoordenação Editorial Wladyr NaderIconografia Monica de Souza (coordenação),Ana Claudia Fernandes e Rosa AndréCoordenação de Artes e Editoração Raphael Barichello e Ricardo BorgesPreparação de Textos Elis Abreu e Felipe Ramos PolettiRevisão de Textos Maria Alexandra O. Cardoso de Almeida eVera Lúcia Pereira de CastroProjeto Gráfico e Capa Joca Reiners Terron e Ricardo BorgesFoto de Capa João B. da SilvaEditoração Eletrônica Departamento de Artes e EditoraçãoScanner e Tratamento de Imagens Alexandre Marcos PereiraImpresso na Unidade Gráfica da Editora do BrasilRua Conselheiro Nébias, 887 - São Paulo/SP - CEP: 01203-001
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Tel.: (11) 222-0211 - Fax: (11) 222-5583Como conheci Silvio Santos 5A história de Silvio Santos contada por ele mesmo 11A história do Programa Silvio Santos 55A longa batalha pela conquista do primeiro canal de TV 65O dia em que Silvio Santos chorou 79O fim da Rede Tupi 93O sbt no ar 103O programa que abalou o Brasil 121Uma aventura no mundo político 127Grupo Silvio Santos: presente e futuro 139Dramas e Glórias em 2001 147Capítulo Especial:A família Abravanel: uma história que vem da Bíblia 183Como conheciSilvio SantosComo conheci Silvio SantosA primeira reportagem com o ídoloNo palco e nos negóciosDe camelô a empresárioSolteiro ou casado?Um homem de sorteConheci Silvio Santos em princípios de 1970, quando a diretoria de O Cruzeiro decidiu mandar-me devolta a São Paulo, após 21 anos trabalhando no Rio de Janeiro,para dirigir a sucursal da revista. Em São Paulo, deparei-me com um fenômeno na televisão: era SilvioSantos, com um programa que fascinava o público nas tardesde domingo, e que, por incrível que pareça, era pouco conhecido no Rio. Explica-se: as redes de TV malhaviam começado a operar. A Globo iniciara com o Jornal Nacionalem 1o de setembro de 1969. Assim, os artistas do Rio eram pouco conhecidos em São Paulo e vice-versa. De modo que, chegando a São Paulo, vi-me diante de um ídoloque empolgava os telespectadores. Parecia um Deus. Logo procurei entrar em contato com ele,imaginando fazer uma grande reportagem. Mesmo se tratando de O Cruzeiro,na época a mais importante revista da América Latina, que circulava em todos os países de línguaespanhola e nos de língua portuguesa, notei que Silvio desconfioude minhas intenções.A verdade é que ele tinha certa aversão a jornalistas. Depois entendi o porquê. Era um círculo vicioso.Os jornalistas não gostavam dele, não o tratavam bem e muitoso consideravam cafona. Ele, por sua vez, não se abria com os jornalistas. Entrevistar Silvio era umafaçanha. E ainda hoje o é. Essa aversão ao pessoal da imprensaera uma espécie de estado de espírito, que, depois, vim a constatar em quase todos os diretores do Grupo
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Silvio Santos. Era uma guerra surda: quando um vendedordo carnê do Baú batia à porta de uma dona de casa e a enganava, empurrando um carnê "premiado", os jornais abriam manchetes, porque o caso ia parar obrigatoriamentena polícia. Aí os jornalistas iam à forra.Na verdade, passaram-se vários meses até que eu conseguisse convencer o "patrão" a fazer areportagem. No dia em que fui ao auditório da Rede Globo, na praça MarechalDeodoro, Silvio me entrevistou no ar, pedindo-me para explicar por que eu estava lá. A explicação eraóbvia. Ele era um grande assunto e eu passei toda a minha vidaprofissional atrás de grandes assuntos.O Programa Silvio Santos era transmitido pela Rede Globo do meio-dia às 8 da noite, com uma série dequadros musicais e concursos. O programa ia ao ar ao vivo. Acorreria nos bastidores era uma coisa maluca. A troca de cenários era feita em três ou quatro minutos. Aequipe de produção era comandada por Luciano Callegari,e, caso ocorresse alguma falha no andamento do programa, Silvio não titubeava, chamando a atenção deLuciano no ar. Enquanto se dava a troca de cenários, Silviotomava café com leite e torradas em um quartinho no fundo do palco. Era basicamente sua alimentaçãodurante todo o decorrer do programa.Também fiquei conhecendo ali duas figuras, pode-se dizer, antológicas do Programa Silvio Santos:Roque e Lombardi. O primeiro, Gonçalo Roque, seu nome completo,é uma espécie de curinga no programa: coordena as caravanas, comanda as palmas no auditório e ésecretário de palco do animador. Roque está com Silvio há 35 anos,desde os tempos da Rádio Nacional, na qual era porteiro. Luiz Lombardi marcou "presença" noprograma pela sua voz. Nunca apareceu no vídeo e sua foto jamais foivista em jornais ou revistas. A ordem é do patrão: não mostrar o rosto para conservar o mito. Lombardiestá com Silvio desde 1966, quando o programa ainda passavana TV Paulista, depois Globo. A chamada de Silvio para o intervalo comercial ("É com você,Lombardi") faz parte da história do programa. Além da televisão, Lombarditem um programa na Rádio ABC, de Santo André, onde reside.Fiz uma ampla reportagem em O Cruzeiro, de seis páginas, com o título "O Fenômeno Silvio Santos".Ele ficou encantado e, acredito, surpreso, porque me mandou umcartão, agradecido, dizendo que nunca nenhum jornalista lhe dera tal tratamento. Até hoje guardo, emmeus arquivos, esse cartão, que dizia o seguinte: "Amigo Arlindo.Em nenhum momento um jornalista foi tão amável comigo. Não esperava receber de você tratamentotão nobre. Mesmo de um profissional como você, foi surpreendente areportagem, tão gentil. Muito obrigado. Silvio Santos. 27/4/71".Note-se: não fiz nada a mais do que contar, fielmente, o que vi e o que era o Programa Silvio Santospara o público de São Paulo. Sem falsear nada e sem nenhum exagero.A revista O Cruzeiro vendeu muitíssimo em São Paulo. Vi que o homem era um filão de ouro comoassunto. Fiz outras reportagens sobre ele e o programa, e a revistapassou a vender mais em São Paulo do que no Rio de Janeiro, o que nunca ocorrera antes. Silvio estavacontente, a direção de O Cruzeiro estava contente e eu, é claro,estava contente também. A partir daí propus fazer uma série de reportagens contando a vida dele. Eletopou e, durante cerca de três meses, dependendo do tempo de
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