os seguidores e seguidoras de Jesus, chegando até mesmo a provocar uma Assembleia em Jerusalém para resolver questões pertinentes sobre as práticas culturais entre judeus e pagãos, bem como, seuscostumes e tradições, o rigorismo da Lei e também questões relacionadas aos pobres (cf. At 15).Pelos anos 60 d.C, inicia a revolução entre os judeus da Palestina contra o Império Romano.Vai ser uma guerra intensa e devastadora, finalizando com a destruição do Templo de Jerusalém. Osromanos destroem o principal centro religioso, cultural e ideológico dos judeus. Esta guerra trazgrandes influências, provocando uma crise religiosa dentro do judaísmo, atingindo também ascomunidades cristãs deste primeiro século. Começa então, a perseguição do Império Romano contraos seguidores/as de Jesus. As comunidades cristãs buscam maior organização e unificação parasobreviverem em meio às perseguições. Os conflitos aumentaram a partir dos anos 70 e, aos poucos,vai se dando a separação entre judeus e cristãos, acontecendo ao mesmo tempo a ruptura dos costumese práticas judaicas, a ponto de serem expulsos das sinagogas, (cf. Jo 9, 20-22. 34). Todos estes fatosinfluenciaram na vivência, na organização e no desenvolvimento das primeiras comunidades cristãs(MESTERS, OROFINO e LOPES, 2000, p. 10).É em meio ao contexto de perseguição, que os primeiros escritos do Novo Testamento vãosendo redigidos, inclusive, o Quarto Evangelho. O movimento dos primeiros cristãos se organiza emtorno de referências seguras. Veremos agora, com mais singularidade, as comunidades que se reúnemem torno de um “Discípulo Amado”.
1.1 O Discípulo Amado
Não é novidade falar de um discípulo anônimo. Na Bíblia encontramos muitas vezes personagens anônimos/as. Por trás de cada personagem anônimo se cria uma suspeita, devido aosilêncio que permanece na ausência do nome. Quando se refere a um discípulo anônimo, podemos perguntar pela discípula anônima também, principalmente falando da comunidade do DiscípuloAmado que se caracteriza de modo particular pela presença significativa de mulheres. E, bem mais,quando sai da boca de uma mulher, Marta de Betânia, uma profissão de fé cristológica que está nocentro do Quarto Evangelho (cf. Jo 11, 27).Por duas vezes é feita alusão a um discípulo que não tem nome, aparecendo nas entrelinhas junto a outro discípulo que tem nome, com André, em Jo 1,35, e com Simão Pedro, em Jo 18,15. Por diversas vezes a comunidade se refere ao Discípulo Amado: na última ceia (Jo 13,23-26); ao pé dacruz junto com outras mulheres (Jo 19,26-27); no relato da ressurreição feita por Maria Madalena,quando o Discípulo Amado corre ao sepulcro ( cf. Jo 20, 2-10); junto ao mar, quando ele reconhece oressuscitado (Jo 21,7.20-24); quando Pedro interroga Jesus sobre a sorte do Discípulo Amado (Jo21,20-23); e diante da prisão de Jesus enquanto Simão Pedro fica diante da porta do Palácio dosSumos Sacerdotes, (Jo 18, 15-16), (BROWN, 2003, p. 860).Além de discípulo, aparece uma “família”/comunidade, destacada como aquela que Jesusamava, que é a Comunidade de Betânia, quando o texto apresenta: “Ora, Jesus amava Marta e sua irmãe Lázaro” (Jo 11, 5,36). Estas são pessoas amigas que Jesus amava e visitava seguidamente.Falar do Discípulo Amado como se fosse João, é uma afirmação muito pertinente. Percebendoa figura de João que as comunidades dos evangelhos sinóticos apresentam, é de alguém que tem umcaráter autoritário, ambicioso e ‘com temperamento explosivo’. Em certo momento do seguimento aJesus, ele provoca-O para descer fogo do céu e exterminar a aldeia dos samaritanos, quando estes nãoo recebem durante a viagem para Jerusalém (cf. Lc 9, 54). Em Mc 10, 35-37, João aparece querendoocupar junto com seu irmão Tiago os primeiros lugares no Reino fundado por Jesus. Ele temcaracterística exclusivista, chegando até mesmo a proibir alguém de curar um doente em nome deJesus, só porque não fazia parte do grupo dos discípulos (Mc 9, 38). Já nos relatos do QuartoEvangelho, o “Discípulo Amado” é apresentado como figura idealizada, modelo de discipulado quevive a prática do Amor maior (WEILER, 2008, p. 23).1.1.1 Grupos integrantes da comunidade do Discípulo AmadoSegundo o quadro apresentado por R. Brown (1999, p. 174-175), podemos considerar oseguinte: havia judeus esperançosos pela restauração de Israel, semelhante aos seguidores de João
7
Leave a Comment