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As relações de igualdade e o discipulado das mulheres na comunidade do discípulo amado

As relações de igualdade e o discipulado das mulheres na comunidade do discípulo amado

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Síntese do trabalho de conclusão de Maria José Lisboa Lopes, apresentado em 2009 na Escola Superior de Teologia e espiritualidade franciscana.
Síntese do trabalho de conclusão de Maria José Lisboa Lopes, apresentado em 2009 na Escola Superior de Teologia e espiritualidade franciscana.

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AS RELAÇÕES DE IGUALDADE E O DISCIPULADO DAS MULHERESNA COMUNIDADE DO DISCÍPULO AMADO
Maria José Lisboa Lopes
1
Resumo:
Este trabalho aborda o tema: As relações de igualdade e o discipulado das mulheres na comunidade doDiscípulo Amado. Faremos uma abordagem das lutas por relações de igualdade dentro desta comunidade, a partir das perícopes de Jo 11, 1-45 e 12,1-11, com enfoque principal na proclamação de fé cristológica de Martae no gesto solidário de Maria em lavar os pés de Jesus com um perfume muito caro em uma refeição, nestacomunidade. No processo de fé e na dinâmica do caminho, a partir do diálogo com o Mestre, elas fazem aexperiência de Jesus como Ressurreição e Vida, rompendo assim, as estruturas judaicas, promovendo novasrelações como meio de libertação. Estas duas mulheres exercendo a liderança nesta comunidade comprometem-se com a vida em todas as dimensões. É possível aprendermos, com esta comunidade, a tecermos novas formasde relações, onde a igualdade na diversidade seja um meio de construirmos o Reino de Deus aqui e agora entrenós.
Palavras chaves
:
 
Relações de igualdade. Discipulado de Mulheres. Processo de fé. Humanização. Comunidadesdo Discípulo Amado. Reino de Deus. Vida. Libertação.
1Movimento das primeiras comunidades cristãs
Com a morte de Jesus de Nazaré nos anos 30, seus discípulos e discípulas fazem a experiênciaque Jesus está vivo. Os evangelhos são unânimes a afirmarem que o Ressuscitado apareceu primeiramente a Maria Madalena e a outras mulheres, ordenando-lhes que anunciassem aosdiscípulos/as que Ele estava vivo. O grupo volta para a sua realidade cotidiana da Galileia (cf. Mt 28,7-16) e Jerusalém (cf. Lc 24,33), com a experiência do Crucificado/Ressuscitado. Durante a sua vida pública, muitas pessoas o seguiam. O grupo dos discípulos/as se espalhou por todas as redondezas,transmitindo oralmente os fatos, os acontecimentos e as palavras, ou seja, a “Boa Notícia” trazida por Jesus de Nazaré. Muitas pessoas vão se identificando com o seu modo de vida, através de seus atos eensinamentos. Principalmente, os pobres excluídos da sociedade judaica e demais regiões, entre eles asmulheres. As comunidades vão se multiplicando em torno do Ressuscitado, dando continuidade aomovimento de Jesus, iniciado quando ele ainda estava vivo. Um dos escritos que narram a vida emissão de Jesus é o Evangelho de João, conhecido também como o Evangelho do “Discípulo Amado”,ou o Quarto Evangelho. Este foi um dos últimos a ser escrito, sua redação final foi feita, provavelmente, por volta do ano 90 a 100 d. C, (MESTERS, OROFINO e LOPES, 2000, p. 9-10).Do evento, Morte e Ressurreição de Jesus, nos anos 30 até os anos 100, houve profundasmudanças na Palestina, terra onde Jesus viveu. Impactos, rupturas, violentas guerras, massacres etorturas. Muitos outros fatos foram acontecendo e influenciando a vida e o jeito das pessoas viverem ese relacionarem a nível social e religioso. As testemunhas e seguidoras de Jesus de Nazaré foram semultiplicando, difundindo outro modo de convivência e de pensamento dentro da sociedade judaica.As testemunhas oculares que conviveram com Jesus, foram sendo martirizadas e o anúncio que eratransmitido por eles mesmos foi ganhando um novo rumo, uma nova identidade, devido às novaslideranças que aderiram ao movimento de Jesus no período pós-apostólico. A pregação sobre Jesus de Nazaré feita pelas novas lideranças foi ganhando novos “enfeites”, novas “molduras”, tornando-o umhomem “extraordinário”. Nos anos 40 d.C, houve grandes avanços nas comunidades apostólicas. As pessoas que professam a fé em Jesus já não são somente de origens judaizantes; outras culturas vão aderindo aomovimento de Jesus, conhecido primeiramente como o “Caminho”. Somente em Antioquia é que, pela primeira vez, são chamados de “cristãos” (cf. At 12, 26). As práticas, os costumes, as histórias, osditos o o as mesmas nas comunidades criss. A inserção destes novos membros vaidesestabilizando as práticas judaicas dos membros das comunidades. As tensões vão aumentando entre
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Irmã Maria José Lisboa Lopes é juniorista das Irmã da Divina Providência. O texto apresentado faz parte dotrabalho de Conclusão do Curso de Graduação em Teologia pela ESTEF, uma abordagem bíblico-teológica dascomunidades do Discípulo Amado, ou o Quarto Evangelho.
 
os seguidores e seguidoras de Jesus, chegando até mesmo a provocar uma Assembleia em Jerusalém para resolver questões pertinentes sobre as práticas culturais entre judeus e pagãos, bem como, seuscostumes e tradições, o rigorismo da Lei e também questões relacionadas aos pobres (cf. At 15).Pelos anos 60 d.C, inicia a revolução entre os judeus da Palestina contra o Império Romano.Vai ser uma guerra intensa e devastadora, finalizando com a destruição do Templo de Jerusalém. Osromanos destroem o principal centro religioso, cultural e ideológico dos judeus. Esta guerra trazgrandes influências, provocando uma crise religiosa dentro do judaísmo, atingindo também ascomunidades cristãs deste primeiro século. Começa então, a perseguição do Império Romano contraos seguidores/as de Jesus. As comunidades cristãs buscam maior organização e unificação parasobreviverem em meio às perseguições. Os conflitos aumentaram a partir dos anos 70 e, aos poucos,vai se dando a separação entre judeus e cristãos, acontecendo ao mesmo tempo a ruptura dos costumese práticas judaicas, a ponto de serem expulsos das sinagogas, (cf. Jo 9, 20-22. 34). Todos estes fatosinfluenciaram na vivência, na organização e no desenvolvimento das primeiras comunidades cristãs(MESTERS, OROFINO e LOPES, 2000, p. 10).É em meio ao contexto de perseguição, que os primeiros escritos do Novo Testamento vãosendo redigidos, inclusive, o Quarto Evangelho. O movimento dos primeiros cristãos se organiza emtorno de referências seguras. Veremos agora, com mais singularidade, as comunidades que se reúnemem torno de um “Discípulo Amado”.
1.1 O Discípulo Amado
 Não é novidade falar de um discípulo anônimo. Na Bíblia encontramos muitas vezes personagens anônimos/as. Por trás de cada personagem anônimo se cria uma suspeita, devido aosilêncio que permanece na ausência do nome. Quando se refere a um discípulo anônimo, podemos perguntar pela discípula anônima também, principalmente falando da comunidade do DiscípuloAmado que se caracteriza de modo particular pela presença significativa de mulheres. E, bem mais,quando sai da boca de uma mulher, Marta de Betânia, uma profissão de fé cristológica que está nocentro do Quarto Evangelho (cf. Jo 11, 27).Por duas vezes é feita alusão a um discípulo que não tem nome, aparecendo nas entrelinhas junto a outro discípulo que tem nome, com André, em Jo 1,35, e com Simão Pedro, em Jo 18,15. Por diversas vezes a comunidade se refere ao Discípulo Amado: na última ceia (Jo 13,23-26); ao pé dacruz junto com outras mulheres (Jo 19,26-27); no relato da ressurreição feita por Maria Madalena,quando o Discípulo Amado corre ao sepulcro ( cf. Jo 20, 2-10); junto ao mar, quando ele reconhece oressuscitado (Jo 21,7.20-24); quando Pedro interroga Jesus sobre a sorte do Discípulo Amado (Jo21,20-23); e diante da prisão de Jesus enquanto Simão Pedro fica diante da porta do Palácio dosSumos Sacerdotes, (Jo 18, 15-16), (BROWN, 2003, p. 860).Além de discípulo, aparece uma “família”/comunidade, destacada como aquela que Jesusamava, que é a Comunidade de Betânia, quando o texto apresenta: “Ora, Jesus amava Marta e sua irmãe Lázaro” (Jo 11, 5,36). Estas são pessoas amigas que Jesus amava e visitava seguidamente.Falar do Discípulo Amado como se fosse João, é uma afirmação muito pertinente. Percebendoa figura de João que as comunidades dos evangelhos sinóticos apresentam, é de alguém que tem umcaráter autoritário, ambicioso e ‘com temperamento explosivo’. Em certo momento do seguimento aJesus, ele provoca-O para descer fogo do céu e exterminar a aldeia dos samaritanos, quando estes nãoo recebem durante a viagem para Jerusalém (cf. Lc 9, 54). Em Mc 10, 35-37, João aparece querendoocupar junto com seu irmão Tiago os primeiros lugares no Reino fundado por Jesus. Ele temcaracterística exclusivista, chegando até mesmo a proibir alguém de curar um doente em nome deJesus, só porque não fazia parte do grupo dos discípulos (Mc 9, 38). Já nos relatos do QuartoEvangelho, o “Discípulo Amado” é apresentado como figura idealizada, modelo de discipulado quevive a prática do Amor maior (WEILER, 2008, p. 23).1.1.1 Grupos integrantes da comunidade do Discípulo AmadoSegundo o quadro apresentado por R. Brown (1999, p. 174-175), podemos considerar oseguinte: havia judeus esperançosos pela restauração de Israel, semelhante aos seguidores de João
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Batista. Alimentavam a esperança num Messias davídico que tinha a missão perpassada por milagres. No meio deste grupo, havia um que se destacava como o Discípulo Amado (Jo 1,35-39).Os dois discípulos de João Batista, quando encontram Jesus, deixam tudo e permanecem comEle (Jo 1, 35-39). Estes dois discípulos representam um grupo dos que não admitem a sujeição doTemplo com suas lideranças civis e religiosas, e são suspeitadas pelas autoridades judaicas. Elessomam forças com alguns galileus que também são pessoas humilhadas e marginalizadas por parte dos judeus (Jo 1, 43-45). Estes grupos são marcados pela exclusão social e religiosa, se caracterizam pelaexpectativa num Messias “Filho de Deus e Rei de Israel” (Jo 1, 45.49).Outro grupo que se une em torno do Discípulo Amado são os samaritanos consideradosimpuros. A comunidade faz questão de dizer que Jesus passou pela Samaria e lá permaneceu dois dias(Jo 4, 35-42). Ao passar pela Samaria, Jesus rompe com o “protocolo” dos judeus e até conversa comuma mulher à beira do poço, lugar do encontro, das informações e de experiências humanas comomeio de experienciar Deus. Deste encontro surge outra comunidade, pelo anúncio que a mulher faz deJesus em seu povoado. Mesmo que a Samaria fosse evangelizada pelas filhas de Felipe (cf. At 6,5;8,4-25). Os samaritanos fazem a experiência libertadora de Jesus, não só pelo fato da mulher lhesanunciar, mas porque eles mesmos o veem e acreditam na Boa Nova trazida por Jesus e o acolhe comoo Salvador do mundo. Bem mais adiante helenistas gregos integram a comunidade do DiscípuloAmado. São pessoas de origem judaica, que não observam a Lei oficial do Templo, (Jo 7, 35; 12,20-22), (BONH GASS, 2005, p. 46-47).Outras pessoas que vão fazer parte da comunidade do Discípulo Amado são os judeusexpulsos das sinagogas. Este é um grupo de “rebeldes” que não admite as normas e as regras impostas pelas autoridades judaicas e são expulsos do seu povo aderindo à proposta de Jesus de Nazaré (cf. Jo9), (BROWN, 1999, p. 176).1.1.2 Características das comunidades do Discípulo AmadoOlhando para as origens das comunidades do Discípulo Amado, encontraremos algumascaracterísticas peculiares. Podemos caracterizá-las assim:
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Comunidades com Identidade de periferia, pessoas sem poder econômico, marginalizadas eexcluídas da sociedade;
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Comunidades constituídas por vários grupos de culturas e localidades diferentes, onde o poder eraexercido como serviço, sem hierarquização, composto também por lideranças femininas fazendo parte da diaconia e se organizavam sob a liderança do Discípulo Amado, mantendo a dinâmica dacircularidade;
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Grupo de resistência da perseguição judaica e romana, sendo comunidades minoritárias.São comunidades formadas por pessoas pobres e excluídas da sociedade, inclusive as mulheres. Osgrupos que aderem ao modelo de vida proposto por Jesus são pessoas sem nenhum reconhecimento público, pessoas que viviam à margem da sociedade.Em Jo 11, aparece a pequena comunidade de Betânia, Lázaro, Marta e Maria. Betânia significa“casa dos pobres”. Nesta comunidade um amigo chega a morrer e Jesus chora sua morte. Betâniacomo casa do pobre é sinal de que é o lugar da acolhida, do conforto onde os pobres se sentem emcasa. Betânia representa uma comunidade que crê em Jesus, diferente da reação dos parentes de Jesusem (Jo 7,3-5) que não creem. Com a morte de Lázaro, Jesus vai provocar um grande sinal que tambémcausa conflito entre os sumos sacerdotes. Para eles o povo que não conhece a lei é descriminado,impuro e maldito. Segundo a comunidade do Discípulo Amado, estes vão ser a porção social dos quecrêem em Jesus de Nazaré (RICHARD, 1994, p.9). O Quarto Evangelho apresenta um cuidadoespecial com os pobres, principalmente na partilha dos bens e a responsabilidade comunitária, com a prática da esmola e da caridade, baseada no amor fraterno, tanto fora quanto dentro da comunidade (Jo13, 34).Outro aspecto que determina a diferença destas comunidades das outras, é a presença e participação das mulheres. É surpreendente o quanto as mulheres estão presentes, exercendo funçõesque somente os homens exerciam nas outras comunidades. O discipulado vai delineando a vida eorganização interna destas comunidades. As comunidades do Discípulo Amado se caracterizam por 
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