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Capítulo 7Sam estava no bar naquela noite, sentado em uma mesa de canto como umrei visitante, sua perna estava apoiada em cima de outra cadeira forrada comtravesseiros. Ele estava mantendo um olho em Charles e o outro na reação daclientela com o barman vampiro.Pessoas davam uma passada, se deixavam cair na cadeira em frente dele, visitavam por alguns minutos, e então deixavam a cadeira. Eu sabia que Samestava com dor. Eu sempre podia ler a preocupação das pessoas que estavamferidas. Mas ele estava contente de estar vendo outras pessoas, contente de estarde volta no bar, satisfeito com o trabalho de Charles.Eu podia dizer tudo isso, e ainda assim quando vinha a pergunta de quemtinha atirado nele, eu não tinha uma pista. Alguém estava atirando nos denatureza dupla, alguém que tinha matado muitos e ferido rios outros.Descobrir a identidade do atirador era imperativo. A polícia não suspeitava deJason, mas sua própria gente sim. Se as pessoas de Calvin Norris decidissemtomar o assunto em suas próprias mãos, eles poderiam facilmente achar umachance de matar Jason. Eles não sabiam que houve mais vítimas do que aquelasem Bon Temps.Eu sondei dentro das mentes, tentei pegar as pessoas em momentosdescuidados, até mesmo tentei pensar nos candidatos mais potenciais para afunção de assassino assim eu não perderia tempo ouvindo (por exemplo) aspreocupações de Liz Baldwin sobre sua neta mais velha.Eu tinha quase certeza que o atirador era um cara. Eu conhecia muitasmulheres que iam caçar e muito mais com acesso a rifles. Mas atiradores nãoeram sempre homens? A polícia estava desconcertada pela seleção de alvos doatirador, porque eles não sabiam a verdadeira natureza de todas as vítimas. Osde natureza dupla estavam fora de suas buscas porque eles estavam olhandosomente para suspeitos locais.“Sookie,” Sam disse enquanto eu passava perto dele. “Se ajoelhe aqui umminuto.”Coloquei um joelho sobre a cadeira assim ele podia falar em voz baixa.“Sookie, eu odeio pedir a você novamente, mas o closet no depósito nãoestá dando certo para Charles.” O armário de suprimentos de limpeza nodepósito não era exatamente construído para ser a prova de luz, mas erainacessível para a luz do dia, o que era bom o suficiente. Afinal de contas, ocloset não tinha janelas, e estava dentro de uma sala sem nenhuma janela.Levei um minuto para trocar meu trem de pensamentos para outro trilho.“Você não pode me dizer que ele é incapaz de dormir,” eu disse incredulamente. Vampiros podiam dormir nas horas do dia sob quaisquer circunstâncias. “E eutenho certeza que você colocou uma fechadura no lado de dentro da porta,também.”“Sim, mas ele diz que está meio encolhido no chão, e ele diz que lá fede a vassouras velhas.”“Bem, nós mantemos coisas de limpeza lá.”“O que eu estou dizendo é, seria tão ruim assim se ele ficasse na sua casa?”“Por que você realmente quer tanto que ele fique na minha casa?” euperguntei. “Tem que haver mais uma razão do que o conforto de um vampiroestranho durante o dia, quando ele está morto, de qualquer forma.”“Nós não temos sido amigos por um longo tempo, Sookie?”Eu cheirei alguma coisa grande e podre.
 
“Sim,” eu admiti me colocando de pé assim ele teria que olhar para cimapara mim. “E?”“Eu soube através das fofocas que a comunidade de Hotshot contratou umguarda-costas Lobis para o quarto de hospital de Calvin.”“Sim, eu acho isto meio estranho também.” Reconheci sua preocupaçãonão falada. “Então eu suponho que você ouviu o que eles suspeitam.”Sam concordou com a cabeça. Seus brilhantes olhos azuis pegaram osmeus. “Você tem que levar isto a sério, Sookie.”“O que faz você pensar que eu não levei?”“Você recusou Charles.”“Eu não vejo o que tem a ver dizer a ele que não pode dormir em minhacasa, com minha preocupação com o Jason.”“Eu acho que ele ajudaria você a proteger Jason, se precisasse. Eu estou em baixa com esta perna, ou eu iria... eu não acredito que foi Jason quem atirou emmim.”Um nó de tensão dentro de mim relaxou quando Sam disse isto. Eu nãotinha percebido que estava preocupada sobre o que ele pensava, mas eu estava.Meu coração suavizou um pouco. “Ah, tudo bem,eu disse com  vontade. “Ele pode vir ficar comigo.” Saí pisando firme raivosamente, aindaincerta porque tinha concordado.Sam acenou para Charles, conversou com ele brevemente. Mais tardenaquela noite Charles pegou emprestadas minhas chaves para colocar suasacola no carro. Depois de alguns minutos, ele estava de volta no bar e sinalizouque tinha retornado as chaves para minha bolsa. Concordei com a cabeça, talvezum pouco breve. Eu não estava feliz, mas fui obrigada a ter um hóspede, pelomenos ele era um hóspede educado.Mickey e Tara vieram ao Merlotte’s àquela noite. Como antes, aintensidade obscura do vampiro deixou todos no bar um pouco agitados e barulhentos. Os olhos de Tara me seguiam com um tipo de resignação triste. Euestava esperando pegá-la sozinha, mas não a vi deixar a mesa por nenhumarazão. Descobri que havia outra causa para alarme. Quando ela vinha ao barcom Franklin Mott, ela sempre tirava um minuto para me dar um abraço,conversar comigo sobre família e trabalho.Peguei um vislumbre de Claudine, a fada, através da sala e eu emboraplanejasse refazer meu caminho para dar uma palavrinha com ela, eu estavapreocupada demais com a situação de Tara. Como sempre, Claudine estavacercada por admiradores.Finalmente, fiquei tão ansiosa que agarrei o vampiro pelas presas*e fuipara a mesa de Tara. Como uma cobra Mickey estava encarando nossoexuberante barman, e ele quase não dirigiu o olhar para mim enquanto meaproximava. Tara parecia esperançosa e amedrontada, parei de pé ao lado dela ecoloquei minha mão em seu ombro para pegar uma imagem clara de sua mente.Tara tinha se saído tão bem em sua vida que eu raramente me preocupava comsua única fraqueza: Ela escolhia os homens errados. Eu lembrava quando elasaia com “Eggs” Benedict, que tinha aparentemente morrido em um incêndio nooutono passado. Eggs bebia muito e tinha uma personalidade fraca. FranklinMott pelo menos tratava Tara com respeito e a tinha enchido com presentes,apesar de que a natureza dos presentes era do tipo: “Eu sou uma amante,” aoinvés de “Eu sou uma namorada honrada.” Mas o que tinha acontecido para elaestar na companhia de Mickey – Mickey, de quem o nome fez até mesmo Erichesitar?
 
(*Trocadilho com a expressão peguei o touro pelos chifres, ou seja crieicoragem)Senti como se estivesse lendo um livro e descoberto que alguém tinharasgado algumas páginas do meio.“Tara,” eu disse calmamente. Ela olhou para cima, seus grandes olhoscastanhos entorpecidos e sem vida: além do medo, a vergonha.Para quem via de fora ela parecia quase normal. Ela estava bem arrumadae maquiada, suas roupas eram modernas e atraentes. Mas por dentro, Taraestava atormentada. O que estava errado com minha amiga? Por que eu nãotinha notado antes que alguma coisa a estava corroendo de dentro para fora?Perguntei-me o que fazer a seguir. Tara e eu estávamos somente nosencarando uma a outra, e apesar dela saber o que eu estava vendo dentro dela,ela não estava respondendo. “Acorde,” eu disse sem nem sequer saber de ondeas palavras tinham vindo. “Acorde, Tara!”Uma mão branca agarrou meu braço e removeu minha mão do ombro deTara forçadamente. Eu não estou pagando para votocar minhaacompanhante,” Mickey disse. Ele tinha os olhos mais frios que eu já tinha visto– cor de lodo, como os de um réptil. “Eu estou pagando você para nos trazernossos drinques.”“Tara é minha amiga,” eu disse. Ele ainda estava apertando meu braço, e seum vampiro aperta você, você sabe o que é isso. “Você está fazendo alguma coisapara ela. Ou você está deixando outra pessoa machucá-la.”“Isto não é da sua conta.”“Isto é da minha conta,” eu disse. Eu sabia que meus olhos estavam seenchendo de grimas pela dor e tive um momento de absoluta covardia.Olhando em seu rosto, eu sabia que ele poderia me matar e estar fora do barantes que qualquer um lá pudesse pará-lo. Ele poderia levar Tara com ele, comoum cachorro de estimação ou seu gado. Antes que o medo pudesse me dominar,eu disse, “Me solte.” Eu fiz cada palavra clara e distinta, mesmo que eu soubesseque ele podia ouvir um alfinete cair em uma tempestade.“Você está tremendo como um cão doente,” ele disse com desdém.“Me solte,” eu repeti.“Ou você irá fazer – o que?”“Você não pode ficar acordado para sempre. Se não for eu, será algumaoutra pessoa.”Mickey pareceu estar reconsiderando. Não acredito que foi minha ameaça,apesar de que eu falei sério da ponta dos dedos do pé às raízes do meu cabelo.Ele olhou para baixo para Tara, e ela falou, como se ele tivesse puxado umacorda. “Sookie, não faça tempestade num copo d’água. Mickey é meu homemagora. Não me envergonhe na frente dele.”Minha mão caiu de volta no ombro dela e arrisquei tirar meus olhos deMickey para olhar para baixo nela. Ela definitivamente queria que eu meafastasse; ela estava sendo completamente sincera sobre isso. Mas seupensamento sobre o motivo era curiosamente sombrio.“Certo, Tara. Você precisa outro drinque?” Eu perguntei lentamente. Euestava seguindo pela mente dela e estava encontrando uma parede de gelo,escorregadia e quase opaca.“Não, obrigada,” Tara disse educadamente. “Mickey e eu precisamos iragora.” Aquilo surpreendeu Mickey, eu pude perceber. Senti-me um pouco melhor;Tara estava responsável por ela mesma, pelo menos até certo ponto.
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