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VII SEMINÁRIO NACIONAL DE PREVENÇÃO AO HIV/AIDSPrevenção: Perspectivas e desafios na resposta da IgrejaBrasília, 09 a 12 de outubro de 2009.
Sexta-Feira, 09 de outubro de 2009.
8h – Espiritualidade
O encontro iniciou motivando todos a integrarem uma corrente de oração por todos, sobretudopelas pessoas que sofrem com a doença da AIDS. Posteriormente, os presentes foram convidados acontemplar o ambiente preparado para a acolhida e momento de oração inicial. Acolhidos e imbuídosde um espírito de partilha, unidade, amor e paz, o Salmo 46 foi recitado em dois coros, seguido docanto
A palavra de Deus vai chegando, vai 
, aclamando a Palavra de Deus que está no Evangelho deLucas 4, 14-21. O momento seguinte convidou à interiorização e partilha das leituras ouvidas. A oraçãoda manhã foi encerrada com uma oração final, entoada em dois coros, seguida da oração do PaiNosso e canto final.
8h30min – Apresentação dos Presentes
Frei Jose Bernardi motivou a dinâmica de acolhida dos presentes, subdivididas pelos regionais daCNBB: Nordeste 1, Nordeste 2, Nordeste 3, Noroeste, Norte 1, Norte 2, Leste 1, Leste 2, Sul 1, Sul 2,Sul 3, Oeste 1, Oeste 2, Centro-Oeste, ONG de Minas Gerais e Nelson Ramos (Ministério da Saúde).
9h – A sexualidade na perspectiva cristãFrei Rubens Nunes Mota – psicólogo pós-graduado em Terapia da Família
.Quando trazemos presente a dimensão da sexualidade numa perspectiva cristã, enquanto linguagemeclesial e pastoral, trazemos também uma bagagem. Para iniciar o diálogo, o assessor motivou parauma técnica de aquecimento, que consiste na formação de uma família composta por pai, mãe e filho(s) e fez o seguinte questionamento: Quais as principais dificuldades na abordagem do tema AIDS narelação pais e filhos? Num primeiro momento os pais falam e os filhos escutam. Posteriormente, osfilhos fazem perguntas sobre a temática, mesmo que tenham vergonha de fazê-las. O assessor lançounovo questionamento para os pais: Quais são os principais medos em relação às perguntas que osfilhos podem fazer e que eles podem não saber responder por desconhecer o assunto? Para encerrar atécnica, escolheu três dessas questões que foram dialogadas nas famílias. Os presentes puderampartilhar suas percepções sobre o diálogo na família. Destaque: como a Aids entrou na vida do casal,uma vez que eles tinham uma união estável; questões do preconceito de gênero; reação dos pais emrelação à vida sexual ativa dos filhos; porque uma criança de cinco anos, portador do vírus HIV, precisatomar remédios que os colegas não precisam; ouvir que o filho ou a filha é homossexual.Diante das impressões, de fato, precisamos nos colocar no lugar de um pai, de uma mãe, deum filho ou filha, pois assim fazemos a reflexão sobre a temática acontecer. O processo pedagógicoque Jesus nos ensinou traz a misericórdia, a compaixão, o colocar-se no lugar do outro. Somosimbuídos das realidades do HIV/AIDS e assim somos convidados a fazer o que Jesus fez. Qualquerpessoa pode trabalhar em prol da vida, sobretudo da vida ameaça pelo vírus HIV. Somos chamados
astoral da Aids - CNBB 
 
por Deus para estar nesse meio. Como é o trabalho com o portador HIV tendo como principalreferencial Deus?Erotismo, sexualidade, casamento e infidelidade (slides) - é muito comum falarmos de umhistórico e isso faz com que sejamos saudosistas, trazemos tabus, medos. Percebemos que estamosem outro tempo, em outro contexto. A sexualidade está dentro da história e é preciso que nosinculturemos para que sejamos menos preconceituosos, no diálogo com o outro. Não somos nós quetemos a sexualidade é ela que nos tem. Isso pressupõe um rito de passagens sexuais que seapresentam nos padrões típicos experimentados pela maioria dos homens e mulheres de nossasociedade. Emergem as crises que passam na família, pelo fato de muitas das pessoas teremdescoberto muito tempo depois de casados a sua soropositividade. Hoje os índices mostram que amaioria dos portadores são homens e mulheres casados e não mais os homossexuais, como seacreditava. Nesse contexto há também as forças sociais e psicológicas que dificultam a vida dosportadores.Sendo assim, como fica a dimensão social das pessoas portadoras? Há oito estágios sexuais:a) infância: desde a gestação, conhecimento, masturbação; b) adolescência: grande influênciahormonal, com diferenciação entre adolescência e puberdade, conflitos, influenciáveis e mutáveis pelasquestões culturais. Apesar da liberdade sexual não se fala nessa questão no contexto familiar; c) 20aos 30 anos: emocionalmente mais desajustados entre si do que em qualquer outra fase, há processode crise natural, porque tem projetos de vida diversos, um período de mudanças onde a dimensão dasexualidade é muito acentuada; d) até 40 anos: fase de revisão de vida, desajustes sexuais, rotina navida do casal, ocorre muita separação, há uma maior definição sexual; e) depois dos 40 anos: podeocorrer uma certa segurança, fase das experiências; f) 50 aos 60 anos: homens e mulheres secombinam sexualmente e emocionalmente, pressupondo valores pré-construídos, dependendo de umaco-construção; g) depois dos 60 anos: homens e mulheres escolhem relacionamentos com parceirosmais jovens, em nome de um prolongamento sexual, a etapa pode ser sensual; h) 70, 80 anos:cognitivamente permanece no estágio da colheita, colhendo tudo o que foi construído durante a vida.A maioria dos desejos sexuais e emocionais pode ser relacionada às questões cognitivas.Somos o que pensamos. A questão cognitiva tem a capacidade de nos reger. O inconsciente nos regee sobre ele não temos controle. Segundo Morin podemos nos disciplinar, mas não controlar. Na leiturabíblica do Ex 3, Moisés fala da sarça ardente e do ato de tirar as sandálias em solo santo. Falar desexualidade é falar de um campo sagrado, onde para entrar nesse tema é preciso tirar as sandálias dopreconceito.Gênero e sexualidade conjugal – herdamos uma moralidade culturalmente machista, e isso nosfaz sermos mais vulneráveis ao HIV. O dominar se sobressai ao cuidar. Homens e mulheres sãosubmetidos às verdades do padrão normativo. Nosso comportamento tem a ver com o lugar de ondeviemos. Todas as pessoas precisam avaliar seus comportamentos sexuais para minimizar o risco decontração do vírus HIV. Somos frutos de um processo histórico, cultural e por isso devemos ajudar aspessoas às quais acompanhamos diante da realidade do vírus HIV/AIDS. Sou co-contructo social,precisamos não rotular as pessoas, não pensar que as pessoas são HIV ambulantes.A energia que existe no prazer e na harmonia sexual nos seres humanos gera força paramover seu mundo nas relações e nos desafios existenciais. O exercício de nossa sexualidade deve seruma decisão e de responsabilidade de cada um, desde que não gere danos. Numa linguagem eclesialprecisamos compreender que o universo da sexualidade é muito delicado. Numa linguagem psicológicaa dimensão da sexualidade é fornecedora de afeto. Afetar é a capacidade de afetar e ser afetado. Aafetividade é o movimento do afeto e o complemento dele. É diferente do sexo e do ato sexual. Sexo éo movimento do sexo, somos seres sexuados. Compreendendo isso, seremos agentes pastorais maiscuidadosos conosco e com os outros.Perspectiva cristã da sexualidade – Moral: como nós, enquanto Igreja, pessoas de fé podemoscompreender essa questão? Moral: constituída a partir da moral sexual, é tida como um conjunto dereflexões teológico-moral (como Deus olha para essa questão e como se normaliza essa mesma
 
questão). Tem como referenciais a Sagrada Escritura e as Ciências Antropológicas. A relação afetivo-sexual é vista a partir da Palavra de Deus. Isso é construído, a partir de um lugar teológico que se dána revelação das escrituras e da encarnação desse Deus, em Jesus Cristo. Falamos desse Jesus quenos inspira e ao qual nós seguimos. Além disso, baseia-se na questão antropológica, reconhecendo adimensão ético-social.Temos traços do criador, pois o criador está presente na criatura. A Sagrada Escritura ofereceelementos para uma ética-cristã diferenciada, é ela que nos rege a partir da nossa fé. Não olhamos ooutro apenas como diferente, mas como irmãos, percebendo no outro a essência. Somos filhos domesmo Pai. Os valores específicos cristãos nos fazem ter a capacidade de conviver com o outro,independente das diferenças e dos conflitos que possam existir. A concretude do compromisso traz aoportunidade de exercer um ministério, com olhar divino, pois desenvolvemos nossa missão em nomede Deus. Assim, na época de Jesus, com o olhar divino Ele acompanhava e cuidava dos leprosos, porexemplo, hoje nós somos convidados a realizar essa prática moral-cristã com os portadores de HIV.A dimensão da sexualidade tem uma inspiração divina. A criatura é ser individual noanonimato, percebida como imagem e semelhança de Deus e isso nos torna coletivo. Atendemos atodos e todas porque somos imagem de Deus e é por causa dele que nos dispomos a despir de algunspreconceitos, por exemplo. Deus não depende de nossa fé, nós é que dependemos Dele,independente de nossa religião, inclusive ateu. Destacamos a essência de cada ser: imagem de Deus.Como agentes pastorais que desenvolvem seu trabalho em nome de Deus não temos o direito deescolher a quem vamos acompanhar. A partir das relações, mantemos um diálogo inter-humano. Aerotização e o amor agápico (dar sem esperar nada em troca) estão andando lado a lado na Bíblia,como no Cântico dos Cânticos, por exemplo. Somos herdeiros da aliança que Deus fez com Moisés,somos continuadores do projeto do Reinado de Deus em nosso meio. Nossa aliança é o diferencial queuma pastoral da AIDS tem em relação a outros grupos que desenvolvem trabalhos com os portadores.A Moral Cristã também nos mostra que é importante a dimensão escatológica. Nossa fé dizque a vida não acaba aqui, precisamos ter uma visão de passagem dessa vida terrena para a vidaeterna. Quando ressuscitamos o fazemos por completo, integralmente, inclusive com nossasexualidade e afetividade. Sempre existe uma esperança, mesmo quando o portador acredita que suavida acabou ao descobrir sua condição. Essa dimensão escatológica acontece através da tradiçãocristã, evidenciada pelos documentos da Igreja em caráter sacramental de amor responsal.A virgindade e a castidade têm dimensões próprias. Essa prática significa fidelidade a umprojeto. Castidade não é ausência do ato sexual e sim fidelidade diante de uma aliança, de umcompromisso. O homem deve ser casto a sua mulher e vice e versa. A Sexualidade é dimensãohumana para edificação da pessoa, consiste na personalização do sujeito humano. Integração docomportamento sexual ao conjunto da pessoa. Inclui as categorias de atitude e de opção fundamentalX centralidade nos atos. Não podemos centrar nossa vida nos atos e comportamentos sexuais. Assimcomo também não podemos escolher ser ou não homossexuais, mas podemos e devemos escolhercomportamentos adequados. A Igreja condena os comportamentos sexuais e não as pessoas.Podemos comparar o HIV com um animal que está hibernando. A doença que nasceu com oshomossexuais e toxicodependentes, hoje, revela através das estatísticas que os heterossexuais estãosendo muito mais afetados por conta dos relacionamentos sexuais esporádicos, com múltiplosparceiros.
Trabalho de Grupo Texto-Base: 
 
AIDS é doença dos outro
(Fr. Rubens Nunes da Mota)
of 00

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