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Poluição ameaça os igarapés em Manaus

Poluição ameaça os igarapés em Manaus

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11/13/2012

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Igarapé, em foto do ORM Repórter 
O desmatamento de grandes áreas florestais e o aumento da poluição de várias formas são dois dos fatores apontados pelopesquisador Jansen Zuanon, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT), como fatores dos mais significativos noprocesso que ameaça a existência dos igarapés de Manaus (AM).“Os fragmentos de floresta que ainda restam em Manaus estão sendo rapidamente destruídos e nossa capacidade de recompor essesambientes é muito limitada. Ou cuidamos do que ainda resta ou, em breve, só teremos igarapés nas lembranças dos habitantes maisvelhos da cidade”, alerta Zuanon, coordenador do estudo “Integridade de estrutura e função em igarapés: efeitos da fragmentação ealteração da cobertura florestal”.Ele aponta como dado preocupante o desaparecimento de espécies nativas de peixes nos cursos d’água localizados na área urbana dacidade em decorrência do crescimento populacional desordenado, desmatamento de grandes áreas de florestas e a poluição daságuas, principalmente, por esgotos domésticos.“Poderíamos ter uma cidade belíssima, cortada por dezenas de igarapés de águas claras, e clima mais ameno e agradável. Ao invésdisso, temos esgotos a céu aberto, calor intenso, proliferação de doenças e a perda da biodiversidade nesses ambientes”, comenta.Outro resultado que requer atenção é o fato de que os efeitos negativos das mudanças na cobertura vegetal afetam com maisintensidade os igarapés em áreas urbanas, em função das grandes distâncias que separam esses corpos d’água de outros rios eigarapés em áreas de floresta primária, que poderiam servir de “fontes” de organismos para a recolonização dos ambientes alterados.“Cuidar dos igarapés presentes na área urbana de Manaus é uma obrigação de todos”, afirma.Segundo o pesquisador, é preciso discutir alternativas para a revitalização dos igarapés urbanos. “Enterrar o problema não resolve asituação, simplesmente, empurra a frente de degradação para a periferia da cidade”, critica.ApoioLançado há alguns anos, o projeto de pesquisa foi o primeiro do estado voltado à identificação dos efeitos da fragmentação florestal emsistemas aquáticos. Até então, os estudos produzidos nesse âmbito eram focados principalmente nas conseqüências da fragmentaçãoflorestal só em ambientes terrestres.O projeto aprovado recentemente pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), por meio do ProgramaIntegrado de Pesquisa e Inovação Tecnológica (PIPT), pretende, entre outros objetivos, caracterizar a estrutura física de igarapés nasdiferentes situações ambientais, incluindo a paisagem do entorno; identificar a fauna associada aos igarapés nas diferentes condiçõesde integridade ambiental; determinar a composição e a similaridade da fauna de igarapés e analisar as relações entre alteraçõesambientais e os padrões de ocorrência de espécies, grupos funcionais e processos ecológicos.Para mais informações sobre o projeto acesse: www.igarapes.bio.brNota da Assessoria de Comunicação do Inpa[EcoDebate, 12/11/2008]
 
Igarapés de Manaus apresentam risco para a saúde humana2007-08-20 - 10:20:32
Há pouco mais de duas décadas era possível tomar banho nos igarapés que cortam a cidade de Manaus. Hoje, com o aumento daquantidade de dejetos despejados, torna-se arriscado utilizar essas águas pelos prejuízos que podem causar para a saúde. Para avaliara composição química e biológica dos recursos hídricos de bacias urbanas do município, a pesquisadora do Instituto Nacional dePesquisas da Amazônia (Inpa), Hillândia Brandão da Cunha, coordenou o estudo “Elaboração de índices de qualidade de água para omunicípio de Manaus”, com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).O estudo, desenvolvido entre abril/2004 e setembro/2006, teve como finalidade conhecer as características ambientais das águas dasbacias da área urbana de Manaus; selecionar organismos que fossem representativos para serem indicadores ou não de poluição, entreeles, as macro-algas e os insetos; além de estabelecer índices de substâncias que determinam a qualidade da água na Amazônia, deverificar o índice de poluição dos mananciais estudados e socializar e conscientizar moradores que possuem residências próximas aigarapés sobre a importância da conservação dos recursos hídricos.Doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (Cena/USP), Hillândia Brandão descreveu que, por meio de testes em laboratório,as amostras estudadas foram submetidas a bioensaios com diferentes porcentagens de diluições, usando água e sedimento tanto de
 
ambiente natural quanto poluído. Entre os organismos usados como indicadores biológicos para a qualidade de águas estão as macro-algas (
Batrachospermum
spp.), que indicam água limpa ou fracamente poluída, e os insetos (das famílias Chironomidae ePolymitarclidae), que estão presentes especificamente em ambientes poluídos. Três bacias urbanas com diferentes níveis de poluição foram analisadas pelo grupo de trabalho. A do Tarumã, incluindo apenasigarapés sem interferência de poluição, a do Educandos, representada pelo igarapé do Quarenta, que recebe efluentes do distritoindustrial, e a bacia do São Raimundo, onde a poluição é mais orgânica. O campo amostral corresponde ao total de 15 igarapés, trêslagos e o trecho do rio Negro, orla de Manaus. Nesta última área estudada, Hillândia Brandão aponta que a qualidade da água estámudando em função das bacias situadas no perímetro urbano da cidade, que desembocam no rio que banha a frente da cidade.O projeto propõe, também, a elaboração de um índice de qualidade de água específico para a região Amazônica. A resolução doConselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) nº 357 de 13 de março de 2005, de acordo com a pesquisadora, foi elaborada a partirda realidade das regiões sul e sudeste do Brasil, e não é totalmente adequada para a nossa região, que possui característicasespecíficas.Filtragem do fitoplâncton em campo“A resolução diz que o pH (que indica a acidez) da água deve estar em torno de 6 a 9, mas o pH da nossa região, em sua maioria comáguas negras, gira em torno de 4 e no máximo de 5,5, destacou. Os parâmetros químicos considerados para elaboração deste índicesão coliformes fecais, nitrito, amônia, fosfato, sódio total suspenso, dentre outros”, explicou.Segundo a pesquisadora, em torno de 80% das águas superficiais do perímetro urbano de Manaus estão comprometidas. Os outros20% representam algumas das nascentes dos igarapés das três bacias, que ainda encontram-se preservadas. Das bacias estudadas,somente a do Tarumã mostrou-se composta por águas naturais, ou seja, com características de ambiente de águas pretas. Porém, namedida em que os igarapés vão correndo para zona urbana, já há sinais de poluição. Os igarapés da bacia do São Raimundo eEducandos já estão bastante comprometidos, com pH variando entre 6 e 7 e uma alta condutividade, níveis de coliformes altíssimos ealtos teores de metais e íons dissolvidos.A pesquisadora alerta para o risco de residências que possuem poço. Em algumas, onde o poço foi construído com profundidade menorque 60 metros e próximo à fossa (banheiro), pode comprometer a qualidade da água usada para o consumo. “Mesmo que a água sejalímpida, pode estar contaminada principalmente por coliformes fecais e amônia”, destacou Hillândia, afirmando que é perigoso indicarvisualmente se a água está ou não poluída. “Pode-se tomar uma água límpida e ela estar totalmente comprometida. Este tipo deanálise pode ser feito apenas em laboratório”, explica.Segundo Hillândia, o Inpa tem feito esse tipo de análise quando solicitado. Em parceria com o Instituto de Proteção Ambiental doAmazonas (Ipaam), o Inpa avaliou a qualidade da água de vários poços na bacia do Educandos, onde foi detectada contaminação pornitrato e amônia nas águas dos poços utilizados por uma creche, uma escola e uma unidade hospitalar, sendo que na creche a águaera utilizada para o consumo das crianças”, comentou. O parecer foi enviado ao Ipaam, que lacrou os poços. “Realizamos as pesquisase disponibilizamos as informações aos órgãos competentes de fazer a fiscalização. Como pesquisadores, não podemos fazer mais queisto, visto que o Inpa não é um órgão fiscalizador”, observou.
Retorno à sociedade
- Para informar a população sobre os riscos vindos com a água de má qualidade, o projeto realizou diversasatividades de extensão, como: palestras educativas em colégios; palestras informativas na balsa que faz o percurso Manaus - CacauPirera; cursos para professores; oficinas de reciclagem de lixo; visitas aos moradores e diversos workshops dentro das comunidades daárea de abrangência do projeto.

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