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O alerta contra a barbárie da reflexão na Scienza Nuova de Giambattista Vico

O alerta contra a barbárie da reflexão na Scienza Nuova de Giambattista Vico

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A barbárie da reflexão: o alerta da
Scienza Nuova
de Giambattista Vico
Giambattista Vico (1668 – 1744) faz-nos um alerta sobre os perigos doexcesso de racionalidade levar a humanidade a uma nova experiência debarbárie
.
Nesta exposição, a fim de facilitar a compreensão dividi-a em quatrotópicos: o primeiro intitulado
Sobre o viver social
; o segundo
As duas primeirasbarbáries na História
; o terceiro intitulei-o de
A barbárie da reflexão: o alertade Vico
; o quarto e último tópico denominado de
Os sinais de internalização dabarbárie racionalizada.
Entre os pensadores importantes de tal período, destacam-se Galileu,Newton, Bacon e Descartes. Era uma época de revolução no domínio do saber em que se propunham reformulações, quer científicas, quer filosóficas. Daí anecessidade de se abandonar as antigas formas de procedimentos e de saberes,sob o argumento de estarem ultrapassados e, em alguns casos, representaremum obstáculo para as novas conquistas científicas.Vico, a princípio, mostrou-se entusiasta das novas idéias oriundas docartesianismo, mas em seguida assume uma postura oposta às propostas dereformulação do saber com base no pensamento cartesiano (Cf. BURKE, Peter.
Vico
[1985]. Trad. br. Roberto Leal Ferreira, São Paulo: UNESP, 1997, p.29.). Daíprincipiar o seu projeto de um novo método e, consequentemente, de uma
nuovascienza
: uma resposta aos novos rumos tomados pela ciência. A
scienza
viquiana, construída como
nuova arte crítica
, (Cf.VICO, Giambattista.
CiênciaNova
[1744]. Trad. port.Jorge Vaz de Carvalho. Portugal: Edições da FundaçãoCalouste Gulbenkian, 2005, p.8.) retomava o diálogo com os Antigos, poreconhecer a relevância da erudição. Era preciso recuperar, antes de qualquer coisa, o patrimônio retórico e poético, pois a
nuova scienza
viquiana buscavacompreender as origens da vida civil das nações.Como herdeiro da tradição humanista, Vico reconhecia a importância dacultura clássico-humanista, visto que considerava a filosofia crítica cartesiana nãoapta para um saber orientado para o conhecimento da vida civil. Daí ele, aoescrever a sua mais importante obra, a
Scienza Nuova
(1725; 1730 e 1744),resgatar uma parte significativa do saber dos Antigos, apresentando uma nova
 
concepção de erudição. Tal obra reflete a sua preocupação com o excesso deformalismo, racionalismo e ceticismo que limitava, naquela época, o potencialcriador do homem: uma crítica aos rumos tomados pelo saber.Vico protestou com veemência contra toda uma sabedoria sem expressãoe, em especial, contra uma sabedoria vazia. Segundo ele, as sociedades sedegeneravam quando pensadores, tais como os cartesianos, esqueciam de comocomunicar ou como os retóricos da corrente manierista, que procuravam tãosomente brincar com a linguagem: buscavam apenas serem astutos e nãoverdadeiros. Ao citar Cícero, Vico dizia ser sinal da total decadência social o fatodos homens, ainda que em grande ajuntamento, viverem em profunda solidão deespírito (Cf. GUIDO, Humberto A. de Oliveira.
Giambattista Vico: a filosofia e aevolução da humanidade
. Petrópolis: Vozes, 2004, pp.33-35.). Por diversasvezes, Vico advertiu contra a “ética individualista” dos epicuristas, de modo comoele incluía os pensadores cartesianos na moral de fisofos “monásticos esolitários(Cf. MOONEY, Michael.
La primacia del lenguaje en Vico
; in:TAGLIACOZZO, Giorgio et al.
Vico y el pensamiento contemporáneo
[1976]. Trad.Esp. Maria Aurora Ruiz. Canedo y Stella Mastrongelo, México: Fondo de CulturaEcumênica, 1987, pp. 188-189.).
1.1 A sociabilidade natural
Retomando a questão da natureza sociável, na
Idéia da Obra
, pertencenteà
Scienza Nuova
, Vico destaca a relevância do mundo civil e a sua relevância noestudo das primeiras sociedades. Para o autor, o mundo civil tem início com asreligiões, representado no frontispício da sua obra pelo altar. Ele considerava anatureza sociável do homem a sua principal propriedade. Tal natureza subjaz atéà condição de animalidade em que caíram após o dilúvio universal. Foi estanatureza sociável que reconduziu os homens à civilidade, abandonando oisolamento que a bestialidade os haviam conduzidos (Cf.VICO, Giambattista.
Ciência Nova
, p. 200.).É com base na preocupação com a natureza sociável que o autor da
Scienza Nuova
nos alerta contra o perigo de uma nova “barbárie”, pois esta põeem risco justamente as vantagens advindas da vida em comunidade, visto que osprincipais “motivos do justo” o o respeitados. As religiões que o os
2
 
fundamentos das comunidades políticas têm a sua legitimidade posta em dúvida.Ademais, se as bases da vida civil são postas em dúvida, a vida civil corre grandeperigo de se conservar.É certo que Giambattista Vico, na sua
Scienza Nuova,
argumenta sobre osperigos da humanidade ante uma nova experiência da barbárie. Conforme jáhavia ocorrido em duas épocas anteriores: a primeira em tempos ainda bemremotos, após o dilúvio narrado na Bíblia
1
; e a segunda, ocorrida no períodomedieval, denominada de barbárie regressada (
barbarie ritornata
). Nesta barbárieos homens haviam caído em um embrutecimento do intelecto, pois, mergulhadosem um estado de natureza, retornaram à civilidade mediante uma particularidadeque os havia dotado a Providência: a sociabilidade natural.
1.2 As duas primeiras barbáries na história humana
Conforme o autor, os homens, que após o dilúvio mergulharam em uma“barbárie dos sentidos” (
barbarie dei sensi 
), vão aos poucos, com o auxílio daProvidência, retornando à civilidade, dado que inerente ao seu espírito. Aoatingirem um estado de aguda bestialidade, abalados e despertos pelo grandetemor a uma Divindade, por eles imaginada e crida, os homens passam a seesconder com as suas mulheres nas cavernas e lá iniciam um processo derefreamento de seus instintos, conforme podemos verificar nesta passagem:
(...) e, assim dispersas, para encontrar pasto e água e, por tudo isto, aofim de longo tempo, tendo chegado a um estado de animalidade –então, em certas ocasiões ordenadas pela providência divina (que por esta Ciência se meditam e se descobrem), abaladas e despertas por umterrível pavor de uma divindade do Céu e de Júpiter por elas própriainventadas e crida, finalmente, uns tantos detiveram-se e esconderam-se em certos lugares; onde, estabelecidos com ce3rtas mulheres, pelotemor da divindade perseguidora, às escondidas, com ligações carnaisreligiosas e pudicas, celebraram os matrimônios e fizeram filhos certos,e assim fundaram as famílias
2
.
1
Diz o autor sobre o surgimento desta primeira barbárie: O que se deve entender para a línguados povos do Oriente, entre os quais Sem propagou o gênero humano. Mas para as nações detodo o restante mundo a questão devia se passar de outra maneira. Porquanto as raças de Cão eJafeth devem ter se dispersado pela grande selva da terra, num errar ferino de duzentos anos;desnudadas de toda a fala humana e, portanto, num estado de animais selvagens. E foinecessário precisamente transcorrer tanto tempo para que a terra, dessecada da humanidade dodilúvio universal, pudesse mandar para o ar as exalações secas para se poderem gerar osrelâmpagos, devido aos quais os homens, aturdidos e assustados, se abandonaram às falsasreligiões de tantos Júpiteres, (...). Cf. VICO, Giambattista.
Ciência Nova
, p. 65.
2
 
Cf. VICO, Giambattista.
Ciência Nova
, p.14.
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